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Após fracassar na Europa, Ganso ainda pode dar certo no futebol brasileiro?
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Rafael Reis

Em dois anos e meio atuando na Europa, Paulo Henrique Ganso disputou apenas 41 partidas, marcou míseros sete gols e distribuiu nove assistências. Mais que isso, passou a maior parte do tempo sentado no banco de reservas ou mesmo sem sequer ser relacionado para as partidas dos clubes que defendeu.

Após fracassar no Sevilla e também não conseguir emplacar no modesto Amiens, que luta contra o rebaixamento no Campeonato Francês, o meia está prestes a encerrar sua passagem nada vitoriosa pelo futebol do Velho Continente.

Crédito: Divulgação

O ex-jogador de São Paulo e Santos só precisa encontrar um clube brasileiro disposto a repatriá-lo até o dia 31 de janeiro, data de fechamento da janela de transferência nos principais campeonatos nacionais da Europa.

Mas será que, prestes a completar 30 anos, com pouco ritmo de jogo e após acumular duas grandes decepções no exterior, Ganso ainda seria um reforço válido para os principais times do país pentacampeão mundial de futebol?

Para responder essa pergunta, é preciso primeiro entender as razões pelas quais o antigo companheiro de Neymar (que muitos acreditavam, inclusive que seria melhor que o hoje astro do Paris Saint-Germain) não conseguiu decolar do outro lado do Atlântico.

A resposta para essa dúvida é uma série de clichês que vêm sendo repetidos sobre Ganso há anos, mas que realmente explicam a incapacidade demonstrada pelo jogador de virar aquilo que se esperava dele.

O meia realmente possui uma qualidade técnica acima da média. Sua precisão de passe e visão de jogo são superiores até às de alguns dos meio-campistas que têm sido convocados por Tite para a seleção brasileira.

O problema é que Ganso parece um jogador um tanto quanto perdido no tempo e preso no passado. Sua estrutura física frágil e a falta de evolução tática ao longo da carreira fazem com que ele não consiga suportar o nível de exigência do futebol europeu contemporâneo.

Você conseguiria imaginar o brasileiro jogando no meio-campo de um time que apresenta o nível de intensidade do “quase caótico” Liverpool, de Jürgen Klopp? Sevilla e Amiens nem chegavam no ritmo do líder do Campeonato Inglês. Mesmo assim, já eram velozes demais para a cria da base do Santos.

Para a sorte de Ganso, o futebol brasileiro está alguns anos atrás do europeu na questão da evolução tática. Por aqui, ainda é possível vislumbrar um jogador com suas características (sem capacidade física e disposição para cobrir o campo todo durante os 90 minutos) sendo útil para um time de ponta.

Isso não significa, no entanto, que, caso volte ao Brasil, o meia repetirá o sucesso que obteve no Santos e nos últimos momentos de sua passagem pelo São Paulo. Afinal, o meia está mais velho e o futebol nacional, mesmo que a passos lentos, também está caminhando para o mesmo rumo do Velho Continente.

Mas a chance de Ganso dar certo por aqui é sim maior do que na Europa. A dúvida que persiste é se vale a pena fazer um investimento alto para tê-lo no elenco de 2019.


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Após 7 a 1, Felipão apaga passado e vira “rei dos pontos corridos”
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Rafael Reis

Luiz Felipe Scolari fez sua carreira em torneios de mata-mata. Quatro títulos da Copa do Brasil (1991, 1994, 1998 e 2012), duas Libertadores (1995 e 1999) e a Copa do Mundo-2002 o transformaram em um dos técnicos mais vitoriosos da história do futebol brasileiro.

Mas, desde o maior trauma de sua trajetória nos bancos de reservas, a goleada por 7 a 1 sofrida pela seleção ante a Alemanha, na semifinal do Mundial-2014, um jogo eliminatório, Felipão não é mais o mesmo.

O “rei dos mata-matas” encontrou nas competições disputadas no formato de pontos corridos o caminho para reconstruir sua história e voltar a vencer.

O Brasileiro conquistado pelo Palmeiras no último domingo, com uma rodada de antecipação, graças à vitória por 1 a 0 sobre o Vasco, foi o quarto troféu de campeonato jogado em turno e returno levantado por Felipão desde o fiasco histórico.

Antes de vencer a principal competição nacional com o clube paulista, o agora septuagenário treinador havia emendado três títulos chineses com o Guangzhou Evegrande, clube que comandou de 2015 ao ano passado.

O único torneio de pontos corridos que Felipão não venceu depois do 7 a 1 foi o Brasileiro-2014. Naquela ocasião, seu Grêmio terminou na sétima posição.

Além dos elencos recheados e economicamente poderosos que tinha em mãos na China e agora possui no Brasil, o técnico construiu uma trajetória de hegemonia nas ligas nacionais nos últimos anos por causa da regularidade de suas equipes.

Felipão não perde uma partida válida por uma competição disputada em pontos corridos há mais de um ano. A última derrota foi na última rodada do Campeonato Chinês-2017, para o Tianjin Quanjian, quando o Evergrande já havia faturado o título.

No Palmeiras, a série sem perder no Brasileiro já dura 21 jogos. Com Felipão, foram 15 vitórias e seis empates na primeira divisão. Foi devido à arrancada que o time disparou rumo ao décimo título nacional de sua história.

No mesmo período em que virou praticamente imbatível nos pontos corridos, Felipão até ganhou alguns títulos importantes em mata-matas, como a Liga dos Campeões da Ásia de 2015 e a Copa da China de 2016, mas não conseguiu construir uma hegemonia semelhante à obtida nos campeonatos nacionais.

Nesta terceira passagem pelo Palmeiras, o treinador foi semifinalista da Copa do Brasil (perdeu para o Cruzeiro) e também da Libertadores (acabou derrotado pelo Boca Juniors). Ou seja, seu único título foi mesmo em turno e returno.

Curiosamente, Felipão passou a maior parte das últimas décadas ouvindo de jornalistas e torcedores que seu estilo motivador fazia muito mais sucesso em mata-matas do que em pontos corridos. Agora, na reta final de sua carreira, parece que o jogo virou.


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Tríplice Coroa é comum na Europa, mas “missão quase impossível” no Brasil
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Rafael Reis

Em 2015, o Barcelona conquistou a Liga dos Campeões, o Campeonato Espanhol e a Copa do Rei. Dois anos antes, o Bayern de Munique se sagrou campeão europeu, nacional e da Copa da Alemanha. Já no começo da década, foi a vez da Inter de Milão levantar os troféus mais importantes que disputou: Champions, Serie A e Copa Itália.

Ao longo de toda a história da Liga dos Campeões, sete times já conseguiram a Tríplice Coroa, os três títulos mais importantes da temporada: Celtic (1967), Ajax (1972), PSV Eindhoven (1988), Manchester United (1999), Barcelona (2009 e 2015), Inter de Milão (2010) e Bayern de Munique (2013).

Mas, aqui no Brasil, um feito semelhante a esse ainda é inédito. Jamais uma equipe representante do futebol pentacampeão mundial conseguiu ganhar no mesmo ano Libertadores, Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil.

A maior possibilidade de algo assim acontecer nesta temporada caiu por terra na última quarta-feira, com a eliminação do Palmeiras, vice-líder da Série A, na semifinal do torneio mata-mata nacional.

O Cruzeiro, adversário do Corinthians na decisão da Copa do Brasil, ainda tem chances matemáticas de fazer história. Mas é só o sétimo colocado no Brasileiro e perdeu por 2 a 0 o primeiro jogo contra o Boca pelas quartas de final da Libertadores.

O clube mineiro, aliás, comemora ter uma Tríplice Coroa, mas ela não incluiu a Libertadores (o clube não estava na competição continental naquele ano). Em 2003, os cruzeirenses tiveram um ano praticamente perfeito: venceram o Brasileiro, a Copa do Brasil e também o Campeonato Mineiro.

Ao contrário do que acontece na Europa, a Tríplice Coroa é uma espécie de “missão impossível” para os clubes brasileiros por uma série de motivos.

O principal é o equilíbrio da bola jogada por aqui. Enquanto nos principais países do Velho Continente há uma concentração de dinheiro e de talento em um número reduzido de times, o futebol brasileiro é pródigo em ter várias equipes de nível semelhante.

Isso por si só já diminui bastante a possibilidade de um mesmo clube ganhar vários títulos em uma mesma temporada.  Os elencos com uma quantidade menor de jogadores de qualidade também obrigam os treinadores a priorizarem uma ou outra competição.

Apesar de os clubes europeus também rodarem suas escalações (principalmente nas copas nacionais), os times reservas de Bayern de Munique e Paris Saint-Germain são suficientemente fortes para derrotar praticamente qualquer adversário da Alemanha e da França, respectivamente. Só que o mesmo não acontece no Brasil.

Por fim, há ainda uma razão história para explicar por que jamais um time brasileiro teve essa temporada dos sonhos. Entre 2001 e 2012, as equipes que disputavam a Libertadores não podiam participar da Copa do Brasil no mesmo ano.

A proibição caiu por terra há cinco anos. Atualmente, os clubes que estão no torneio continental ingressam no torneio mata-mata nacional mais tarde, a partir das oitavas de final. Mas a regra nova ainda não foi suficiente para dar a um time brasileiro a tão sonhada Tríplice Coroa.


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Sem folga! Jogadores da Copa já vão a campo por seus clubes
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Rafael Reis

Há 15 dias, o goleiro Jo Hyen-woo parou o ataque da seleção alemã, ajudou a Coreia do Sul a conquistar uma vitória histórica na Copa do Mundo e, de quebra, fez com que atual campeã encarasse o vexame de ser eliminada ainda na fase de grupos da competição.

No último domingo, o arqueiro de 26 anos já estava em campo novamente… mas a pelo menos 5.500 km de distância de qualquer cidade-sede da Rússia-2018.

Jo não teve férias. Assim que terminou a participação de sua seleção na Copa, ele já teve de se reapresentar ao Daegu FC, clube que defende desde 2013. E, no fim de semana, foi a campo no empate por 2 a 2 com o FC Seoul.

A partida, que marcou o retorno do Campeonato Sul-Coreano após paralisação de 40 dias para o Mundial, teve a presença de mais um jogador que foi à Rússia: o ala esquerdo Go Yo-han.

Mas não são só os atletas da equipe asiática que não tiveram descanso e precisaram emendar a Copa com as ligas nacionais que disputam.

Ao contrário dos principais campeonatos do planeta, a MLS (Major League Soccer), o primeiro escalão do futebol nos Estados Unidos, não parou durante o Mundial. E seus jogadores que participaram do torneio voltaram à rotina normal assim que suas seleções foram eliminadas.

O meia Rodney Wallace, ex-Sport, já participou de duas partidas do New York City desde que a Costa Rica se despediu da Copa, ainda na primeira fase.

Os irmãos Jonathan e Giovani dos Santos também já voltaram aos gramados pelo Los Angeles Galaxy, apesar de a seleção mexicana, que eles defendem, ter ido até as oitavas de final do Mundial – foi eliminada pelo Brasil no dia 2 de julho.

No Brasil, a situação não é tão diferente assim. Apesar de o Brasileiro só voltar na próxima quarta-feira, três dias após a final entre França e Croácia, o goleiro Cássio já participou do amistoso do Corinthians contra o Cruzeiro, na última quarta.

O zagueiro Geromel (Grêmio) e o lateral direito Fagner (Corinthians), os outros integrantes da seleção brasileira que atuam no país, também retornam aos treinos nesta semana e devem ir a campo na primeira rodada pós-Copa do campeonato nacional.

Descanso maior mesmo, só quem deve ganhar são os jogadores que atuam nas principais ligas de futebol do planeta, como Espanha, Inglaterra, Alemanha, Itália e França.

Times como Liverpool e Barcelona já iniciaram os treinos de pré-temporada, mas ainda sem a presença dos atletas que participaram do Mundial. No caso do Barça, o próprio clube informou que “nos próximos dias, os atletas que disputaram a Copa do Mundo da Fifa 2018 com as suas respectivas seleções se reapresentarão de forma gradativa até completar o elenco.”

Jogadores que foram longe na competição, como os finalistas Samuel Umtiti (França) e Ivan Rakitic (Croácia), só devem se juntar ao grupo do técnico Ernesto Valverde no fim do mês.


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Brasileiro é a liga revelante do planeta com menor presença de estrangeiros
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Rafael Reis

Quantos estrangeiros fazem parte do elenco do seu time de coração? Dois, três, talvez quatro? Você acha que esse número é um exagero? Não, ele não é, pelo menos de acordo com aquilo que acontece no futebol mundial na atualidade.

Dentre os 20 principais campeonatos nacionais do planeta, o Brasileiro é o que possui o menor número de atletas de outras nacionalidades.

Segundo o Transfermarkt, site especializado no Mercado da Bola, 64 jogadores nascidos em 13 países diferentes formam a legião estrangeira que participa da primeira divisão brasileira nesta temporada.

Esses atletas, oriundos de Argentina, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai, Chile, Venezuela, Bolívia, Camarões, Alemanha, Japão e Turquia, correspondem a 9,2% da totalidade dos elencos dos 20 clubes da Série A.

Essa marca é mínima quando comparada à presença estrangeira na maior parte das ligas nacionais de alguma importância no planeta.

No primeiro escalão do futebol europeu, por exemplo, os gringos costumam representar de 40% a quase 70% do total dos jogadores inscritos em uma competição. E não causa mais nenhum assombro ver times escalados sem nenhum atleta local.

Nos outros continentes, a presença estrangeira é menor do que na Europa. Mas, pelo menos nos campeonatos mais relevantes, ainda costuma ser superior à registrada na elite do Brasileiro.

No México, onde os clubes frequentemente investem em jogadores de fama mundial, como o japonês Keisuke Honda e o francês André-Pierre Gignac, os estrangeiros ocupam 39,9% dos elencos.

Já na Arábia Saudita, os gringos representam 20,9% do total. Japão e China, as ligas mais importantes da Ásia, têm taxas de participação estrangeira semelhantes, na casa dos 16%. E mesmo a Argentina, que possui um futebol bem menos endinheirado que o Brasil, supera a marca da Série A nacional: 11%.

De acordo com o regulamento da CBF, alterado pela última vez em 2013, não há limite no número de jogadores estrangeiros que um clube pode inscrever por temporada. No entanto, apenas cinco gringos podem ser relacionados por uma equipe para cada partida de uma competição chancelada pela entidade –Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil.

ESTRANGEIROS NA 1ª DIVISÃO NACIONAL

Portugal – 68,8%
Inglaterra – 67,5%
Bélgica – 58,6%
Itália – 53,7%
Alemanha – 52,5%
Turquia – 52,4%
EUA – 52,3%
França – 49,9%
Escócia – 47,5%
Grécia – 47,3%
Espanha – 42,9%
Holanda – 40,6%
México – 39,9%
Rússia – 38,6%
Arábia Saudita – 20,9%
Ucrânia – 20,8%
Japão – 16,5%
China – 16,2%
Argentina – 11,8%
Brasil – 9,2%

Fonte: Transfermarkt


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