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Contratar medalhões é uma boa? Exterior mostra que não é bem assim

Rafael Reis

09/08/2019 04h20

O Campeonato Japonês conta com as presenças dos campeões mundiais Andrés Iniesta, David Villa e Lukas Podolski. No entanto, quem lidera a competição é o FC Tokyo, que tem como protagonista o brasileiro Diego Oliveira, ex-Novorizontino, Linense e Boa Esporte.

Na China, os argentinos Javier Mascherano, titular absoluto do Barcelona durante várias temporadas, e Ezequiel Lavezzi, ex-Napoli e Paris Saint-Germain, não brigam por títulos, mas sim para permanecer na primeira divisão.

Crédito: Reprodução

Enquanto isso, nos Estados Unidos, Zlatan Ibrahimovic até virou ídolo, mas nunca levantou o troféu da MLS (Major League Soccer). E o mesmo aconteceu com Wayne Rooney, Steven Gerrard, Kaká, Frank Lampard e até Thierry Henry.

Os casos citados acima, de países para lá de acostumados a investir na contratação de estrelas consagradas do futebol mundial na reta final da carreira, são um importante recado para torcedores brasileiros que andam empolgados nas últimas semanas.

Em um momento em que o futebol pentacampeão mundial consegue repatriar astros como Daniel Alves (São Paulo), Rafinha e Filipe Luís (Flamengo) e Luiz Adriano (Palmeiras), trazer estrangeiros conhecidos internacionalmente como Juanfran (São Paulo) e sonhar com Mario Balotelli (Flamengo), é importante questionar até que ponto vale a pena gastar pesado em reforços com esse perfil.

Como contratações assim andavam escassas no território brasileiro desde Ronaldo, Roberto Carlos, Clarence Seedorf e Ronaldinho, entre o fim da década passada e o começo da atual, o melhor a fazer é olhar para o que anda acontecendo no exterior.

E aí, essa estratégia não parece ser das mais eficazes. O Vissel Kobe, time que reúne Iniesta, Villa e Podolski, é o 15º dos 18 clubes participantes da primeira divisão japonesa e chegou a emendar sete derrotas consecutivas entre abril e maio.

Já o Hebei Fortune, clube chinês que aposta suas fichas em Mascherano e Lavezzi, só ganhou cinco das 22 partidas que disputou nesta temporada e está 35 pontos atrás do Guangzhou Evergrande, líder da competição, que prefere astros desenvolvidos na própria Ásia (Ricardo Goulart e Elkeson) a estrangeiros que brilharam na Europa –Paulinho até passou por Barcelona e Tottenham, mas nunca chegou a ser um verdadeiro destaque no Velho Continente.

Os EUA também são um bom exemplo. Em 2018, quem ficou com a taça foi o Atlanta United, time liderado dentro de campo pelo venezuelano Josef Martínez e pela promessa argentina Ezequiel Barco. No ano anterior, também não deu para nenhum medalhão do nível de Ibra e Rooney: o título ficou com o Toronto FC, de Jozy Altidore e Sebastian Giovinco, eterna promessa italiana que precisou cruzar o Atlântico para, enfim, explodir.

Isso não significa, é claro, que contratações como as de Daniel Alves e Filipe Luís, ou mesmo uma possível chegada de Balotelli, não valham a pena e nem sejam uma boa ideia para os clubes brasileiros.

Afinal, David Beckham ganhou duas edições da MLS pelo Los Angeles Galaxy, Ronaldinho foi essencial para o Atlético-MG vencer a Libertadores-2013 e Ronaldo ajudou demais o Corinthians a se reconstruir.

Mas, mais importante do que contratar medalhões em idade avançada que possam resolver uma ou outra partida, é investir na montagem de elencos fortes, cheios de peças de reposição e que não tenham uma grande defasagem técnica entre suas peças. Aí, talvez, um cara mais badalado tenha condições de brilhar e fazer a diferença.


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Sobre o Autor

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

Sobre o Blog

Este espaço conta as histórias dos jogadores que fazem do futebol uma paixão mundial. Não só dos grandes astros, mas também dos operários normalmente desconhecidos pelo público.

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