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7 jogadores que podem perder a Copa-2018 por problemas físicos
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Rafael Reis

Radamel Falcao García (Colômbia), Marco Reus, Holger Badstuber e Ilkay Gündogan (Alemanha), Franck Ribéry (França), Thiago Alcántara (Espanha), Rafael van der Vaart (Holanda). Esses são só alguns dos jogadores que perderam a última Copa do Mundo devido a problemas físicos.

Não tem jeito. Todo Mundial tem seus desfalques por conta de lesões. Afinal, o futebol é um esporte de contato, bastante suscetível a contusões, ainda mais na reta final das desgastantes temporadas europeias, período no qual a competição costuma ser disputa.

Mas, a menos de quatro meses do pontapé inicial da Copa-2018, quem corre risco de ficar fora do torneio por questões físicas?

Listamos abaixo sete jogadores de algumas das principais seleções do planeta que estão machucados e correm contra o tempo para disputar o Mundial da Rússia.

MANUEL NEUER
Goleiro
Alemanha
31 anos
Fratura no pé

O goleiro mais badalado do planeta não disputa uma partida oficial desde setembro, quando preciso passar por uma cirurgia no metatarso do pé esquerdo. A previsão inicial é que o camisa 1 do Bayern de Munique e da seleção alemã retornasse aos gramados em meados de março, mas esse prazo dificilmente será cumprido. Segundo Joachim Löw, a recuperação de Neuer está em um ritmo suficiente para que ele dispute a Copa. Só que qualquer atraso pode lhe custar a chance de buscar seu bicampeonato mundial.

BENJAMIN MENDY
Lateral esquerdo
França
23 anos
Ruptura de ligamento cruzado do joelho

Contratado do Monaco por 57,5 milhões de euros (quase R$ 231 milhões), o lateral esquerdo disputou apenas cinco partidas pelo Manchester City antes de romper o ligamento do joelho esquerdo, em setembro. Se cumprir a previsão de retorno e voltar a jogar até meados de abril, Mendy poderá disputar algumas poucas partidas antes da convocação da seleção francesa para a Copa do Mundo. De acordo com o técnico Didier Deschamps, o jogador ainda faz parte dos seus planos para a Rússia-2018.

DARÍO BENEDETTO
Atacante
Argentina
27 anos
Ruptura de ligamento cruzado do joelho

O centroavante que brilhou com a camisa do Boca Juniors em 2017 e entrou na briga por vaga na seleção argentina também rompeu o ligamento cruzado do seu joelho, mas a lesão aconteceu dois meses depois da sofrida por Mendy, o que complica bastante as suas chances de se recuperar a tempo da Copa. Mesmo assim, Benedetto tem se mantido otimista e acredita que poderá jogar novamente antes de junho. Recentemente, ele postou em suas redes sociais um vídeo correndo na esteira para mostrar o estágio da recuperação em que se encontra.

STEVEN DEFOUR
Meia
Bélgica
29 anos
Problema na cartilagem do joelho

Um dos jogadores mais experientes da Bélgica, uma das candidatas à surpresa da Copa-2018, o meia do Burnley já jogou a toalha. No começo do mês, quando descobriu que precisaria passar por uma cirurgia para restaurar a cartilagem do seu joelho, Defour anunciou que não jogaria mais nesta temporada e, consequentemente, que não teria condições de disputar o Mundial. O tempo de recuperação do belga varia entre cinco e seis meses.

MARCEL HALSTENBERG
Lateral esquerdo
Alemanha
26 anos
Ruptura de ligamento cruzado do joelho

Opção do técnico Joachim Löw para a lateral esquerda da seleção alemã, uma das posições mais carentes do elenco dos atuais campeões mundiais, o jogador do RB Leipzig virou carta fora do baralho para o Mundial depois de romper o ligamento cruzado do joelho no fim de janeiro. Halstenberg havia sido testado por Löw na última Data Fifa e foi titular no empate sem gols no amistoso entre Alemanha e Inglaterra, em novembro.

FEDERICO VALVERDE
Meia
Uruguai
19 anos
Lesão muscular

Revelação do futebol uruguaio, o meia que pertence ao Real Madrid e está emprestado ao La Coruña ganhou espaço na seleção no fim das eliminatórias e terminou o torneio qualificatório como titular da equipe dirigida por Óscar Tabárez. Valverde sofreu uma contusão muscular na semana passada e deve ficar pelo menos um mês fora dos gramados. Tempo não falta para ele se recuperar e poder jogar a Copa. O problema é que o uruguaio pouco tem ido a campo pelo La Coruña e corre risco de perder ainda mais espaço no elenco devido à contusão. Sem ritmo de jogo, a vaga na seleção também fica ameaçada.

RUBEN LOFTUS-CHEEK
Meia
Inglaterra
22 anos
Lesão no tornozelo

Emprestado pelo Chelsea ao Crystal Palace, o meia vivia um bom momento e vinha frequentando as convocações da seleção inglesa até sofrer uma lesão no tornozelo, no fim de dezembro. Loftus-Cheek voltou a Stamford Bridge para ser avaliado pelos médicos do clube detentor dos seus direitos econômicos e continua na fase inicial da recuperação. O jogador ainda não tem um prazo estimado para voltar aos campos. Por isso, corre risco de ficar fora da Copa.


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O dia em que um príncipe invadiu campo para anular gol na Copa do Mundo
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Rafael Reis

Imagine a seguinte cena: o príncipe de um país do Oriente Médio se revolta com a decisão da arbitragem, deixa as tribunas onde estava acomodado, invade o gramado ao lado dos seus guarda-costas pessoais, pressiona o juiz a voltar atrás e consegue o que desejava.

O episódio descrito acima não aconteceu em um torneio amador e nem nas divisões inferiores de algum pequeno país do Mundo Árabe. O palco dessa cena pitoresca foi a competição de futebol mais importante do planeta.

Em 1982, o xeque Fahd Al-Ahmed Al-Jaber Al-Sabah, irmão do então emir do Kuwait, conseguiu paralisar uma partida de Copa do Mundo. E impôs sua posição sobre a do trio da arbitragem.

A cena aconteceu na partida entre França e Kuwait, em Valladolid (Espanha), pela segunda rodada da fase de grupos.

Os europeus já venciam por 3 a 1 quando, aos 27 min do segundo tempo, Giresse marcou mais um. O lance provocou a revolta dos jogadores árabes, que alegaram que o adversário estava impedido e que haviam escutado um apito.

O xeque Fahd, que também era o presidente da federação local de futebol, levou a reclamação a sério. Tão a sério que decidiu ir até o campo para conversar pessoalmente com o árbitro Miroslav Stupar, da União Soviética.

O kuwaitiano argumentou que os jogadores de sua seleção desistiram da jogada do gol de Giresse depois de ouvir um apito, talvez até vindo das arquibancadas, por acreditarem que o juiz estava marcando impedimento.

A lábia de Fahd convenceu Stupar, que voltou atrás e anulou o quarto gol francês. Foi só depois dessa decisão que os jogadores do Kuwait, que haviam deixado o gramado durante a confusão, retornaram para o campo.

Os franceses ainda tiveram tempo para balançar as redes mais uma vez e venceram por 4 a 1.

Já o Kuwait, que era treinado pelo brasileiro Carlos Alberto Parreira, despediu-se da Copa-1982 com duas derrotas (França e Inglaterra) e um empate (Tchecoslováquia). Desde então, o time do Oriente Médio jamais voltou a se classificar para a competição.

Posteriormente, tanto o xeque Fahd quando o árbitro Stupar acabaram suspensos pela Fifa.

O juiz continuou trabalhando no Campeonato Soviético até 1991, quando decidiu se aposentar. Já o príncipe kuwaitiano morreu em 1990, no início da Guerra do Golfo, por forças iraquianas que invadiram seu país.


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Queridinho de Guardiola sonha com Copa e Shakhtar na final da Champions
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Rafael Reis

Fred já caiu nas graças de Pep Guardiola. Mas, durante os próximos meses, o treinador que ele realmente deseja agradar é outro: Tite.

Aos 24 anos, o volante do Shakhtar Donetsk, que nesta quarta-feira (16h45 de Brasília) recebe a Roma no jogo de ida das oitavas de final da Liga dos Campeões da Europa, acredita que ainda tem chance de conquistar uma vaguinha na seleção brasileira que vai disputar a Copa do Mundo.

Seu caminho para a Rússia-2018, no entanto, poderia ter sido bem mais curto. O ex-jogador do Internacional passou cerca de um ano suspenso devido a um caso positivo de doping na Copa América de 2015 – foi suspenso devido ao uso da substância proibida hidroclorotiazida.

Mas desde que voltou aos gramados, Fred não tem muito do que reclamar. Na Inglaterra, sua transferência para o Manchester City é dada como certa para a próxima temporada. Ele também teve uma nova chance na seleção – foi convocado para a rodada final das eliminatórias, no ano passado, mas não entrou em campo.

O bom momento faz o jogador sonhar longe. Não apenas com a Copa do Mundo, mas também com uma final de Champions. E ele nem acha necessário esperar a transferência para o City para realizar o objetivo europeu.

“Seria um sonho chegar à final [com o Shakhtar], que este ano será justamente em Kiev [capital da Ucrânia].”

Confira abaixo a íntegra da entrevista com Fred:

Você já foi elogiado publicamente pelo Guardiola e é tratado na Inglaterra como futuro jogador do Manchester City. Como você encara esses elogios vindos de um dos maiores treinadores do planeta?
É claro que é sempre bom receber elogios. É sinal de reconhecimento, de que estamos fazendo um bom trabalho, de que estamos no caminho certo. Vindo de pessoas como o Guardiola, hoje um dos treinadores mais reconhecidos no mundo, é um orgulho. Faz com que a gente se motive ainda mais e continue fazendo o melhor em cada treino e em cada jogo. Nosso time fez uma grande apresentação diante do City pela Champions [vitória por 2 a 1, em dezembro, pela fase de grupos], o que acabou com uma invencibilidade de mais de 30 partidas deles e abriu os olhos de muita gente para a nossa equipe. Esperamos, agora, fazer outras boas exibições contra a Roma nas oitavas de final.

Você já conversou pessoalmente com o Guardiola? O que ele te disse?
Nós nos encontramos rapidamente depois daquele jogo. Ele elogiou a partida que eu fiz, eu agradeci e elogiei o time dele. Foi tudo muito rápido, nada além disso. Tudo em relação aos elogios que ele fez e ao suposto interesse do City fiquei sabendo pela imprensa. Procuro não me preocupar com isso. Deixo meus representantes cuidarem dessa parte. Meu foco é o Shakhtar, com o qual tenho contrato.

Você costuma ser bastante comparado ao Fernandinho. Além do fato de ele também ter jogado no Shakhtar, acha que vocês dois têm muito em comum?
Ser comparado a grandes jogadores é sempre uma honra. O Fernandinho foi um dos brasileiros que jogaram por mais tempo aqui no Shakhtar. Mas não tivemos a oportunidade de jogar juntos. Quando cheguei, em 2013, ele tinha acabado de sair. Só fomos nos encontrar na seleção brasileira. Eu jogo numa posição no meio mais à frente do que ele, que atua mais de primeiro volante. Ele é um pouco mais marcador e eu chego mais ao ataque. Trata-se de um grande jogador, merecidamente convocado para a seleção há alguns anos e já com uma Copa do Mundo na bagagem.

O Shakhtar é uma porta de entrada para jogadores brasileiros na Europa. Você acha que o seu momento de deixar a Ucrânia e ir para uma liga mais forte já chegou?
Eu procuro fazer o meu melhor todos os dias aqui. O futuro a Deus pertence. Se tiver que sair um dia, acontecerá naturalmente. Não me prendo muito a isso. Foi o Shakhtar que abriu as portas pra mim aqui na Europa e sou e sempre serei grato ao clube. Desde que cheguei recebo sondagens de outros grandes clubes europeus, mas nada de concreto. Como disse, tenho gente competente cuidando da minha carreira e deixo para eles resolverem.

Agora, vamos falar um pouco de Champions. Vocês vão enfrentar a Roma nas oitavas. Acha que, dentre as opções possíveis, vocês acabaram dando sorte no sorteio?
Não vejo dessa forma. Basta olhar todos os times que se classificaram para as oitavas de final. Só tem cachorro grande, todos de muita qualidade. A Roma é um dos grandes clubes da Europa, não teremos vida fácil. Tem tudo para ser um duelo muito bom e equilibrado. E eles ainda fazem o jogo de volta em casa. Teremos que nos impor no nosso estádio e buscar levar alguma vantagem pra Itália.

Até onde você acha que o Shakhtar pode ir na Champions?
Não sei. Temos que pensar jogo a jogo, como fizemos na primeira fase, em que muitos apostavam em Manchester City e Napoli, líder do Campeonato Italiano, e nós acabamos avançando, realizando boas partidas. Vencemos, inclusive, nossos três jogos em casa. Nossa equipe tem feito uma boa temporada e sabemos que podemos chegar mais longe. Mas é o que eu falei: temos que dar um passo de cada vez. Seria um sonho chegar à final, que esse ano será justamente em Kiev.

O Shakhtar voltou com tudo nesta temporada depois de dois anos que não foram tão bons assim. Qual o principal motivo dessa boa fase?
Não concordo que não tenham sido anos bons. Somos os atuais campeões nacionais, o que nos credenciou a voltar a disputar a Champions League, e vencemos as duas últimas edições da Copa da Ucrânia. Além disso, o nosso treinador (Paulo Fonseca) tem o grupo cada vez mais nas mãos e conseguiu dar a sua cara ao time. O elenco é muito bom e bem unido. Talvez esse seja o grande segredo.

Você acha que seu caso de doping te tirou a chance de disputar a Copa-2018? Acredita que suas chances de estar na seleção atualmente seriam maiores se você não tivesse ficado tanto tempo parado?
Sinceramente, não sei. Pode até ser, mas nunca parei pra pensar nisso. O que mais me deixou feliz, mesmo, foi ter voltado a jogar e a fazer o que mais gosto. Aquela fase passou, voltei a ser convocado para a seleção e farei de tudo para estar no grupo que defenderá o Brasil na Copa da Rússia. Todos têm chances até a divulgação da lista final. O professor Tite sempre foi coerente nas suas convocações e vai chamar quem estiver melhor. Portanto, todos nós temos que nos manter no mais alto nível físico e técnico para ser lembrado.


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Ainda não será desta vez que Copa terá jogadores gays assumidos. Que pena!
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Rafael Reis

Dentre os 736 jogadores que vão disputar a próxima Copa do Mundo, daqui a quatro meses, certamente alguns são homossexuais ou bissexuais. Mas os torcedores dificilmente saberão disso.

Em 88 anos de história, o Mundial masculino de futebol jamais teve um gay assumido em campo. E nada indica que essa situação irá mudar na Rússia-2018.

Isso não significa que os homossexuais não façam parte do mundo do esporte mais popular do planeta. Eles fazem, mas preferem continuar escondidos.

Há atletas gays em todos os níveis do futebol: nas peladas entre amigos, nas várzeas, nos clubes pequenos, nas equipes médias, nos times de repercussão mundial e, claro, nas seleções. Só que eles optam por não expor essa condição.

A prova disso foi dada por Thomas Hitzlsperger, um dos integrantes da seleção alemã que foi terceira colocada na Copa-2006. Meio-campista com passagem por Aston Villa, Stuttgart, Lazio, West Ham, Wolfsburg e Everton, ele tornou pública sua homossexualidade no início de 2014, logo depois de anunciar a aposentadoria.

Assim como Hitzlsperger, é bem possível que outros jogadores conhecidos do grande público, talvez até alguns convocados para o Mundial deste ano, esperem o adeus dos gramados para poderem viver publicamente suas condições sexuais.

O motivo desse medo de se expor é aquele velho combo que todo mundo está cansado de conhecer: o futebol ainda é um ambiente machista, cheio de torcedores preconceituosos que não aceitariam bem ter jogadores homossexuais assumidos nos seus times.

Ou seja, esconder a condição sexual do público é a forma encontrada por esses atletas de sobreviverem nesse meio. Revelar que é gay ainda é um risco para sua segurança e, principalmente, para sua carreira –será que um homossexual teria as mesmas oportunidades profissionais que um hétero?

É óbvio que ninguém é obrigado (e nem deve ser) a revelar sua orientação sexual. Se Neymar não precisa dizer que gosta de mulheres, é injusto cobrar de um jogador gay que anuncie a todos que curte outros homens.

Mas ações como essa fazem falta, muita falta. É uma questão de afirmação: quanto mais jogadores homossexuais assumirem essa condição, mais os garotos que jogam bola terão em quem se inspirar para fazerem o mesmo.

O futebol só deixará de ser um ambiente de preconceito e intolerância sexual quando a presença de homossexuais nesse meio for totalmente naturalizada. E para isso é preciso que os jogadores gays afirmem suas orientações sexuais.

Ainda não será desta vez que a Copa do Mundo terá homossexuais assumidos em campo. Que pena!


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O dia em que um técnico brasileiro eliminou Pelé da Copa do Mundo
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Rafael Reis

Comandar uma seleção estrangeira em Copa do Mundo não chega a ser nenhuma novidade para treinadores brasileiros. Ter de enfrentar a equipe de sua terra natal em um Mundial também não tem nada de inédito.

Agora, derrotar a seleção mais vitoriosa da história na principal competição do futebol mundial é um feito que apenas um técnico brasileiro conseguiu.

E o carioca Otto Glória o fez em grande estilo. À frente de Portugal, derrotou o Brasil por 3 a 1 e provocou a eliminação da equipe canarinho ainda na fase de grupos da Copa do Mundo de 1966.

Uma marca tão histórica que jamais voltou a se repetir. Nos últimos 52 anos, a seleção brasileira sempre chegou pelo menos às oitavas de final do torneio que conquistou cinco vezes.

O feito de Otto Glória é ainda mais impressionante quando se analisa quem estava do outro lado do campo. Apesar de envelhecido e taticamente confuso, o Brasil vinha de dois títulos mundiais consecutivos e tinha em campo Pelé e Jairzinho. O banco também era estrelado: Djalma Santos, Bellini, Gerson, Zito, Garrincha e Tostão.

Por ter vencido nas duas primeiras rodadas do Grupo 3 (contra Hungria e Bulgária), Portugal só precisava de um empate para passar para a fase final do Mundial. Mesmo assim, não demorou para construir o placar.

Aos 15 min do primeiro tempo, António Simões abriu o placar. Doze minutos depois, o craque Eusébio ampliou. A situação brasileira ficou ainda pior depois que o zagueiro João Pedro Morais deu duas entradas violentas em Pelé e deixou o camisa 10 baleado, arrastando-se em campo.

Na segunda etapa, Rildo (Botafogo) diminuiu. Mas Eusébio fez mais um, selou a classificação portuguesa, mandou o Brasil de volta para a casa e decretou a façanha de Otto Glória.

Após o 3 a 1 em Liverpool, o treinador brasileiro continuou fazendo história no Mundial da Inglaterra. Os portugueses terminaram a competição na terceira posição, algo que nem as gerações de Figo e Cristiano Ronaldo conseguiram repetir.

Otto Glória, que já tinha passado por Botafogo, Vasco, Benfica, Belenenses, Sporting, Olympique de Marselha, Vasco e Porto antes da Copa, migrou para a Espanha e foi dirigir o Atlético de Madri após ganhar destaque com a seleção lusa.

Em 1971, voltou para o futebol brasileiro e entrou para o folclore local na decisão do Paulista-1973, quando ordenou que os jogadores da Portuguesa deixassem o gramado ao perceber que o árbitro da partida contra o Santos havia errado na contagem dos gols na disputa de pênaltis. Por essa razão, o título estadual daquele ano foi dividido entre os dois clubes.

O treinador ainda teve uma segunda passagem pela seleção de Portugal.  Após ser goleado por 4 a 0 em um amistoso contra o Brasil (o mesmo país que ele havia eliminado na Copa-1966), Otto Glória perdeu o emprego e encerrou sua trajetória internacional.

O técnico sensação do Mundial da Inglaterra morreu no dia 4 de setembro de 1986, aos 69 anos.


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Na mira, Malcom se surpreende com Tite: “Achei que o grupo estava fechado”
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Rafael Reis

Um dos destaques brasileiros na temporada 2017/18 do futebol europeu, Malcom tem um motivo especial para jogar bem na próxima partida do Bordeaux, domingo, contra o Olympique de Marselha, pela 26ª rodada do Campeonato Francês.

Sylvinho, um dos auxiliares de Tite, estará nas arquibancadas do Vélodrome para acompanhar de perto o ex-atacante do Corinthians.

O motivo da visita não é nada protocolar. A quatro meses da Copa do Mundo, o treinador da seleção resolveu espalhar sua equipe técnica por estádios do Brasil e da Europa para garimpar alguns novos nomes que possam fazer parte do elenco que vai para a Rússia-2018.

Autor de oito gols e sete assistências nesta temporada, a terceira pelo clube francês, Malcom entrou nessa espécie de “lista de observação” de Tite. E se surpreendeu com isso.

“Foi uma surpresa. Não achava [que poderia ser lembrado antes da Copa]. Eu conheço o método do Tite, ele é um cara de grupo, achei que já estava com o grupo fechado. Fiquei muito feliz, estou vendo que meu trabalho está sendo reconhecido. Agora é dar meu máximo e esperar para ver se vem uma convocação”, afirmou o jogador.

A expectativa de Malcom (e também dos outros nomes que estão sendo observados neste mês pela comissão técnica da seleção) é aparecer na lista para os amistosos contra Rússia e Alemanha, em 23 e 27 de março. A convocação para os dois jogos será feita no dia 2.

O futebol que colocou o atacante 20 anos na mira de Tite é o mesmo que deve levá-lo para um dos grandes clubes do futebol europeu na próxima temporada.

O jogador foi procurado nos últimos meses por Tottenham, Arsenal e Manchester United. E, apesar de não esconder que gostaria de ter sido negociado na janela de transferências de janeiro, selou um acordo com a diretoria do Bordeaux para permanecer no clube até a Copa.

“Já falei que queria ter saído para correr atrás de novos objetivos. Mas também tenho que lembrar que o Bordeaux me ajudou muito. Dei a eles minha palavra que ia continuar até para ter mais tempo para pensar em qual clube vou jogar. Esses três ou quatro meses vão fazer muita diferença.”

De acordo com Malcom, o acordo selado ente ele e o clube francês é simples. No meio do ano, quando a janela de transferências reabrir, o atacante decidirá seu destino e comunicará à diretoria para que aceite a proposta que receber –o jogador tem contrato até 2021.

“Sim, houve uma promessa de que serei negociado em junho. Eu vou escolher o time, e o Bordeaux vai liberar”, resumiu.

Ou seja, os próximos meses da carreira de Malcom prometem ser agitados. Com ou sem Copa do Mundo…


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Ex-Flamengo defende nível técnico do Campeonato Francês: “Não é ruim”
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Rafael Reis

Dez pontos de vantagem do líder para o segundo colocado, uma facilidade imensa para o Paris Saint-Germain ganhar a maior parte de suas partidas e marcadores que são incapazes de parar Neymar.

Para muitos torcedores nas redes sociais, essas são provas que mostram que o Francês, o campeonato escolhido pelo principal jogador brasileiro da atualidade para tentar se tornar o melhor do mundo, não tem um nível técnico tão bom assim.

Mas o lateral esquerdo Jorge, ex-Flamengo e atualmente no Monaco, pensa diferente.

“Não concordo [com as críticas]. O nível sempre foi esse, e não é ruim. Como em qualquer grande liga aqui na Europa, é claro que existem os clubes com maior poderio econômico, que conseguem montar elencos mais fortes. O que nem sempre é sinal de que as coisas vão dar certo. A chegada do Neymar fez o PSG dar um salto de qualidade, é um dos grandes nomes da atualidade. O que fez muito bem para o campeonato, que ganhou ainda mais visibilidade”, afirmou o jogador.

Jorge está na Europa há um ano. Nos primeiros seis meses, ficou no banco de Benjamin Mendy. Na atual temporada, com a venda do titular para o Manchester City, assumiu a posição no time.

Em 28 partidas pela equipe do Principado, o brasileiro acumula dois gols e quatro assistências. Segundo o “WhoScored?”, site que avalia o desempenho dos jogadores com base nas estatísticas, ele é o melhor lateral esquerdo do futebol francês em 2017/18, com nota 7,5.

É com base nesses números que o jogador de 21 anos sonha ainda disputar em junho a primeira Copa do Mundo de sua carreira. Jorge já disputou um amistoso com a seleção e foi convocado por Tite na última rodada das eliminatórias.

“Enquanto a lista final não for divulgada, todos têm chance. Sabemos, é claro, que grande parte dela já está definida, já que o professor Tite é muito coerente nas suas escolhas. Nós, jogadores, precisamos estar sempre preparados para quando a chance aparecer.”

Além da alta concorrência na seleção (Marcelo, a quem Jorge considera o “melhor do mundo” na posição, Filipe Luís e Alex Sandro), um outro fator atrapalha um pouco os planos do ex-Flamengo.

Após ser campeão francês e semifinalista da Liga dos Campeões na temporada passada, o Monaco vem decepcionando em 2017/18. O time, que vendeu seus principais jogadores no último verão europeu, é só o terceiro colocado na Ligue 1 e se despediu da Champions ainda na fase de grupos, sem vencer uma única partida.

“Nem a gente imaginava [essa campanha tão ruim]. Todos esperavam muito da gente pela bela temporada que fizemos.Ficamos tristes, pois sabíamos que dava pra chegar mais longe. Pecamos um pouco pela falta de entrosamento, mas melhoramos e estamos fazendo bons jogos agora”, completa o camisa 6.


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7 brasileiros que treinaram seleções estrangeiras em Copas
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Rafael Reis

Comandante da seleção brasileira desde junho de 2016, Tite deve ser o único técnico representante do futebol pentacampeão mundial na Copa-2018.

O fato não chega a ser surpreendente, já que os treinadores brasileiros andam em baixa no mercado internacional –o último a trabalhar em uma das cinco grandes ligas europeias foi Leonardo (Milan e Inter de Milão), em 2011.

Mas, até pouco tempo atrás, a situação era bastante diferente. Toda edição da Copa contava com pelo menos uma seleção estrangeira comandada por brasileiro, quando não duas ou três…

Apresentamos abaixo sete técnicos brasileiros que comandaram seleções gringas em Mundiais de futebol:

LUIZ FELIPE SCOLARI
Portugal (2006)

Um dos grandes responsáveis pela consolidação da seleção lusitana no cenário internacional durante a década passada, Felipão foi para Portugal em 2002, meses depois da conquista do pentacampeonato mundial pelo Brasil, e permaneceu por lá até 2008. Entre seus maiores feitos, estão o lançamento de Cristiano Ronaldo na equipe principal e o vice-campeonato da Euro-2004. Na Copa-2006, terminou na quarta colocação, segunda melhor campanha da história do país.

CARLOS ALBERTO PARREIRA
Kuwait (1982), Emirados Árabes (1990), Arábia Saudita (1998) e África do Sul (2010)

Brasileiro que mais trabalhou na história das Copas do Mundo, divide com o sérvio Bora Milutinovic o recorde de treinador que dirigiu o maior número de seleções diferentes na competição. Além das quatro equipes gringas, Parreira também comandou o Brasil em dois Mundiais: foi campeão em 1994 e quadrifinalista em 2006. Em 1998, à frente da Arábia Saudita, protagonizou um feito histórico: foi demitido com o torneio em andamento, após ser derrotado nas duas primeiras partidas da fase de grupos.

ZICO
Japão (2006)

Um dos precursores do futebol profissional do Japão, dirigiu a seleção nipônica entre 2002 e 2006 e levou a equipe ao título da Copa da Ásia, em 2004. Ídolo, chegou inclusive a enfrentar o Brasil na Copa de 2006. Em jogo válido pela última rodada do Grupo F, os japoneses foram goleados por 4 a 1 e se despediram da competição com apenas um ponto conquistado. Logo após o Mundial, Zico deixou o cargo e foi para o Fenerbahce (TUR).

PAULO CÉSAR CARPEGIANI
Paraguai (1998)

O atual treinador do Flamengo fez um belo trabalho no comando do Paraguai. À frente de jogadores importantes, como Gamarra, Arce e Chilavert, Carpegiani montou uma das defesas mais sólidas do planeta na Copa-1998, deixou Espanha e Bulgária pelo caminho na primeira fase e só foi eliminado nas oitavas de final, pela anfitriã e futura campeã França, com um gol no segundo tempo da prorrogação.

RENÊ SIMÕES
Jamaica (1998)

Em sua primeira e única participação em Copas do Mundo até hoje, a seleção da terra de Bob Marley e Usain Bolt foi comandada por um brasileiro. Renê Simões já tinha bastante experiência internacional e havia passado por times de Emirados Árabes, Portugal e Qatar quando aceitou o convite para trabalhar na Jamaica, 1994. O ponto alto dos seis anos em que dirigiu o time caribenho foi o Mundial de 1998. Os “Reggae Boys” caíram na primeira fase, mas não se despediram da Copa com as mãos abanando –derrotaram o Japão.

OTTO GLÓRIA
Portugal (1966)

Um dos técnicos mais importantes da história do futebol de Portugal, o carioca ex-Botafogo e Vasco passou pelos três grandes clubes do país (Benfica, Porto e Sporting) e teve o trabalho mais bem sucedido dentre todos os treinadores brasileiros que dirigiram seleções estrangeiras em Copas do Mundo. Em 1966, conduziu a equipe de Eusébio a um histórico terceiro lugar, com direito a vitória sobre o Brasil pelo caminho –3 a 1, ainda na fase de grupos.

DIDI
Peru (1970)

O craque do Brasil na conquista da Copa-1958 e bi mundial em 1962 começou sua carreira como treinador no futebol peruano e dirigiu a seleção local em 1970. Assim como Otto Glória, Didi também teve de medir forças com o time brasileiro em seu Mundial como técnico de um time gringo. Mas, ao contrário do comandante português, não obteve sucesso nessa missão. Com a derrota por 4 a 2, nas quartas de final, Didi se despediu da Copa, e o Brasil continuou caminhando rumo ao tri.


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Técnico de sensação da Copa ainda trabalha como dentista “de vez em quando”
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Rafael Reis

O homem que colocou a Islândia no mapa da bola tem um hobby um tanto quanto incomum. Quando está cansado e precisa relaxar, troca o campo de futebol por um consultório de dentista e vai mexer nos dentes dos pacientes.

Até pouco tempo atrás, esse era o ganha-pão de Heimir Hallgrimsson, 50. Técnico da seleção islandesa desde 2013, ele só conseguiu abandonar a jornada dupla e viver apenas do dinheiro ganho no futebol depois da Eurocopa-2016.

Afinal, foi há um ano e meio que o planeta descobriu seu trabalho. Com uma equipe formada por jogadores aguerridos e organizados de um país minúsculo, com pouco mais de 300 mil habitantes, ele conseguiu alcançar as quartas de final do torneio continental.

Mas esse conto de fadas não termina assim. Hallgrimsson já fez história de novo. Pela primeira vez, a Islândia irá disputar uma Copa do Mundo, um feito que nenhum país com população tão pequena alcançara antes.

E, logo na primeira fase, os nórdicos terão pela frente a Argentina e Lionel Messi, “um dos melhores [jogadores] que o mundo já viu”, segundo as palavras do treinador islandês.

Problema? Que nada. Esse dentista que dirige a seleção mais carismática da Copa-2018 pensa grande. “A magia do futebol é que sempre há espaço para que a zebra aconteça”, afirma.

Confira abaixo a íntegra da entrevista com Heimir Hallgrimsson

1 – Primeiro, a Islândia conseguiu se classificar para a Europa. Depois, foi uma das oito melhores equipes do continente. Agora, vai disputar pela primeira vez a Copa do Mundo. Qual é o limite para vocês?
Conseguimos entrar para um determinado escalão do futebol mundial e agora vamos lutar para permanecer nele pelo maior tempo possível. Mas, para isso, precisamos continuar sempre melhorando.

2 – Quando você percebeu que a vaga na Copa do Mundo não era mais um sonho, mas sim um objetivo possível de ser alcançado?
Acho que o momento chave para nossa classificação foi a virada sobre a Finlândia [na segunda rodada das eliminatórias, perdia até os 45 minutos do segundo tempo e fez dois gols nos acréscimos]. E também aquela vitória significativa contra a Turquia [3 a 0, fora de casa], que deixou a classificação nas nossas mãos, dependendo apenas de um bom resultado contra Kosovo na rodada final. Mas, para ser justo, desde o início das eliminatórias, nosso objetivo sempre foi a classificação para a Copa.

3 – O que você precisam fazer na Copa-2018 para ficarem satisfeitos? Qual é o propósito da Islândia na Rússia?
Nós entramos em todas as partidas que disputamos para vencer, não importa quem é nosso oponente. Sendo assim, nosso primeiro objetivo é o mesmo de qualquer outra equipe participante, passar da fase de grupos e ver até onde dá para chegar. Nosso grupo é complicado, os jogos serão difíceis, mas já provamos várias vezes que, em um dia bom, podemos vencer qualquer adversário.

4 – Enfrentar Messi na primeira fase é a realização de um sonho ou algo que tira seu sono? Como a Islândia pode detê-lo?
Messi é obviamente um excelente jogador, um dos melhores que o mundo já viu. Mas não vamos enfrentar apenas ele, mas sim a Argentina, que tem uma história fantástica em Copas do Mundo. Nosso estilo de jogo prega muita organização coletiva e esforço individual. Não será diferente contra a Argentina. Afinal, dentro de campo, são 11 conta 11.

5 – Acho que boa parte das pessoas que gostam de futebol vão de alguma forma torcer pela Islândia durante a Copa. Você acha que essa espécie de apoio global pode ajudá-los na Rússia?
Temos recebido um grande apoio vindo do mundo todo, e isso é incrível. Apreciamos demais o que está acontecendo. Nosso torcedores também viajarão em bom número para Rússia e certamente vão nos estimular bastante na hora dos jogos. Quem sabe os torcedores russos e dos outros países se unam ao nosso “exército azul” no aplauso viking [tradicional saudação da torcida islandesa]. Seria uma ótima experiência para todos.

6 – Como a seleção de um país com 300 mil habitantes pode ser capaz de enfrentar (e vencer) times de países com uma população muito maior, superior a 100 milhões de habitantes, por exemplo?
Há vários motivos para o nosso recente sucesso, mas a maior parte se resume a trabalho duro, esforço coletivo e organização, características que são consideradas essenciais na sociedade islandesa. Dentro de campo, vale lembrar que cada time tem 11 jogadores e tudo pode acontecer. A magia do futebol é que sempre há espaço para que a zebra aconteça.

7 – O que mudou na sua vida depois da Eurocopa?
Para falar a verdade, até que não foram tantas coisas assim. Sigo como treinador da seleção islandesa de futebol, e a procura da imprensa internacional continua a mesma de antes da competição.

8 – Você abandonou completamente sua carreira como dentista para comandar a Islândia? Pensa em voltar às clínicas no futuro ou pretende viver a partir de agora só do futebol?
Eu ainda tenho o meu consultório, e gosto de ir até lá para atender um ou outro paciente de vez em quando. Mas, atualmente, meu foco é mesmo o trabalho no futebol. E pretendo continuar assim pelo tempo que for possível.

9 – A Islândia é apenas um fenômeno passageiro ou chegou para ficar no futebol mundial? O que vocês estão fazendo para manter esse quadro de evolução pelos próximos 5, 10, 15 anos?
A base da nossa equipe ainda vai continuar por alguns anos, mas também temos alguns atletas mais jovens pedindo espaço e as seleções de base têm tido bons resultados. O importante é que os clubes islandeses estão fazendo um trabalho fantástico na formação de jovens talentos. Então, esperamos nos manter nesse nível por muito tempo.


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Zidane é recordista de expulsões em Copas do Mundo: verdade ou lenda?
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Rafael Reis

Nome mais importante da história do futebol francês, Zinédine Zidane era um jogador que costumava desfilar classe e elegância nos gramados, características que também marcam seu trabalho como técnico no Real Madrid.

Mas esse “lorde francês” é também o recordista de expulsões na história das Copas do Mundo. Bem, pelo menos é isso que as pessoas costumam dizer nas redes sociais.

Será que essa história é realmente verdadeira, como o fato de o zagueiro Gerard Piqué ser superdotado? Ou se trata apenas de mais uma das várias lendas urbanas espalhadas pela web, como o autismo de Lionel Messi e a transexualidade de Marco Verrattti?

Apesar de o cartão vermelho só ter sido instituído na Copa-1970, as expulsões fazem parte da história dos Mundiais de futebol desde sua edição de estreia, em 1930.

Naquele ano, o peruano Plácido Galindo foi retirado de campo pelo árbitro por comportamento inadequado com as regras da modalidade na derrota por 3 a 1 da seleção do seu país contra a Romênia.

Desde então, 167 jogadores já foram expulsos em partidas da Copa do Mundo. Apenas dois deles receberam mais que um cartão vermelho. E Zidane é realmente um desses recordistas.

Ao longo da carreira, o astro francês disputou 12 jogos da competição mais importante do futebol mundial. Ele marcou cinco gols, distribuiu três assistências, recebeu quatro cartões amarelos e foi expulso duas vezes.

A primeira foi logo em seu segundo jogo de Copa. Na goleada por 4 a 0 da França sobre a Arábia Saudita, na segunda rodada da fase de grupos de 1998, Zidane pisou na coxa de um adversário e recebeu o vermelho.

A expulsão lhe rendeu uma suspensão de dois jogos, que o deixou fora dos confrontos com Dinamarca e Paraguai. O camisa 10 só voltou à seleção francesa nas quartas de final, contra a Itália. Mesmo assim, conseguiu conduzir a equipe ao inédito título mundial.

Já o segundo cartão vermelho de Zidane é uma das cenas mais emblemáticas da história das Copas. Na decisão de 2006, seu último jogo como profissional, o meia deu uma cabeçada no peito do zagueiro Marco Materazzi e acabou expulso. Já sem seu principal jogador, a França perdeu nos pênaltis para a Itália.

A agressão entrou para o folclore popular da bola e virou até estátua em Paris. Dois anos atrás, Materazzi enfim contou qual foi a arma que desestabilizou o camisa 10 e provocou a cabeçada: “Falei da irmã dele, mas não de sua mãe, como li em alguns jornais.”

Além de Zidane, apenas um outro jogador já foi expulso em duas partidas de Copas do Mundo: o zagueiro camaronês Rigobert Song, que recebeu um cartão vermelho contra o Brasil, em 1994, e outro ante o Chile, quatro anos mais tarde.

Os dois são os recordistas de expulsões da história do Mundial. Ou seja, o recorde negativo de Zidane não é nenhuma lenda urbana, mas sim uma história 100% verídica.


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