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Argentina deu água “batizada” ao Brasil na Copa-1990: verdade ou lenda?
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Rafael Reis

No dia 24 de junho de 1990, a Argentina derrotou o Brasil por 1 a 0 e eliminou o arquirrival nas oitavas de final da Copa do Mundo da Itália. A partida ficou marcada pelo gol de Claudio Caniggia e por uma polêmica história que já está prestes a completar três décadas.

Ao entrar no gramado para atender um jogador, o massagista da seleção argentina, Miguel di Lorenzo, conhecido como Galíndez, deu uma garrafa de água para Branco se reidratar. Só que o líquido estava “batizado” com um tranquilizante, o que deixou o brasileiro grogue em campo.

Crédito: Allsport UK/Allsport/Getty Images

Mas será que essa história, que tanto sucesso faz nas redes sociais e também em veículos de informação, é realmente verdadeira? Ou tudo não passa de mais uma das inúmeras lendas urbanas do futebol, como o autismo de Lionel Messi e a transexualidade de Marco Verratti?

O conteúdo da garrafa plástica servida pelos argentinos a Branco jamais foi analisada. Ou seja, não dá para afirmar com precisão científica se a “pegadinha” realmente aconteceu.

Então, o que nos resta nessa investigação é usar aquilo que os jogadores envolvidos no caso falaram ao longo dos últimos 28 anos. Branco, a vítima do possível golpe dado pelos argentinos, tem certeza que ele realmente aconteceu.

“Nenhum ser humano que estava dentro do campo ia imaginar que ia ter uma trapaça dessa. Eu fiquei sabendo depois de três meses. O Ruggieri [zagueiro argentino naquele jogo] me falou. Depois do jogo eu falei, todo mundo ironizou”, afirmou o lateral, ao UOL, em 2016.

Alguns jogadores argentinos que estavam em campo na Copa-1990 também confirmam a história (e costumam se divertir cada vez que a relembram para alguém).

Um deles, inclusive, era o craque da companhia. Diego Maradona, que já foi apontado como cúmplice do técnico Carlos Bilardo na trapaça, falou sobre o caso inúmeras vezes ao longo dos anos. “Alguém colocou umas gotas de Rohypnol [um tranquilizante psiquiátrico] na água e complicou tudo”, afirmou o camisa 10, em 2004. “Não retiro nada do que eu disse. Foi tudo verdade”, repetiu no ano seguinte.

Ruggeri foi outro que riu sobre o escândalo da água batizada. “Não se pode tomar água do time adversário, não se pode. Tome a sua, idiota, não a nossa… Que água você acha que vamos dar a um brasileiro?”, disse, em 2017.

Mas nem todo mundo na Argentina confirma a veracidade da história. Bilardo e o Galíndez, o massagista responsável por entregar a água para Branco, juram até hoje que tudo não passa de uma lenda que entrou para a mitologia do futebol.

”Não tenho nada o que dizer, absolutamente nada. É uma desculpa [dada pelo Brasil para justificar a derrota]. Sempre uma coisa, a outra, e me metem no meio, mas aquela água o Carlitos Giusti tomou também. Eu dei água a todos, porque estava atendendo Pedrito Troglio”, disse, em entrevista ao site “Infobae”, em setembro.

A versão de Galíndez difere daquilo que o vídeo do lance mostra. Nele, fica claro que Giusti até pegou a garrafa verde que posteriormente foi oferecida a Branco, mas acabou bebendo o conteúdo de outro recipiente, um transparente, após conversar com o massagista.

As oitavas de final de 1990 foi o último encontro entre brasileiros e argentinos em uma Copa do Mundo. As duas seleções se cruzaram outras três vezes na competição: em 1974 e 1982, a seleção canarinho levou a melhor; já em 1978, houve um empate sem gols.


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Acerto, Liga das Nações ignora ressaca pós-Copa e “pega de primeira”
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Rafael Reis

O gol de Harry Kane, que definiu a virada sobre a Croácia e classificou a Inglaterra para a fase final, foi comemorado como se valesse um título. O de Virgil van Dijk, já nos acréscimos do empate com a Alemanha, que fez a Holanda eliminar os dois últimos campeões mundiais, também.

Principal novidade do calendário do futebol internacional na temporada 2018/19, a Liga das Nações da Europa teve efeito imediato. Logo na sua primeira edição, já caiu nas graças do torcedor e dos jogadores do Velho Continente.

Neil Hall/Efe

Para ser honesto, a ideia era tão boa que dificilmente daria errado. As 12 seleções mais bem ranqueadas da Uefa divididas em quatro grupos com três equipes, com cada um deles distribuindo uma vaga para a etapa decisiva.

O risco da fórmula era que a ressaca da recém-encerrada Copa do Mundo e a falta de costume com a competição interferissem na motivação dos atletas e fizessem dos jogos da Liga das Nações algo tão modorrento e arrastado quanto os amistosos que as seleções costumam disputar nas Datas Fifa.

Mas não foi o que aconteceu. O jovem torneio europeu foi tratado com seriedade e teve algumas partidas memoráveis. A vitória por 3 a 2 da Croácia sobre a Espanha, na semana passada, teve nível técnico e dramaticidade dignos de um mata-mata de Mundial ou Eurocopa.

As surpresas também ajudaram a empolgar o torcedor. Quem poderia imaginar que a Holanda, após quatro anos acumulando vexame, conseguiria deixar para trás França e Alemanha, as últimas vencedoras da Copa? Ou que Croácia e Bélgica, duas sensações da Rússia-2018, seriam goleadas por Espanha (6 a 0) e Suíça (5 a 2), respectivamente?

E houve ainda o rebaixamento da seleção alemã, que se despediu da fase de grupos sem conseguir ao menos uma mísera vitória (dois empates e duas derrotas), além do avanço de Portugal, mesmo no meio das férias tiradas por Cristiano Ronaldo.

Nas divisões inferiores, países que raramente têm a oportunidade de vencer uma partida oficial encontraram adversários de nível semelhante e conseguiram sair da seca. Liechtenstein, Gibraltar, Ilhas Faröe e Luxemburgo estão entre as equipes pouco expressivas que puderam comemorar ao menos um trunfo.

Por tudo isso, a competição pegou logo de cara. E, além de ser interessante para o público e para os torcedores, ela pode ajudar as seleções europeias a se desgarrarem ainda mais das equipes dos outros países.

Afinal, enquanto Brasil, Argentina e Uruguai gastam tempo em amistosos pouco competitivos (mesmo quando enfrentam adversários da primeira linha), os times do Velho Continente estão em campo em jogos valendo três pontos e contra rivais que exigem que eles atuem no mais alto nível.

A fase final da Liga das Nações será disputada por Holanda, Suíça, Inglaterra e Portugal entre os dias 5 e 9 de junho do próximo ano. A Uefa deve confirmar Portugal como país-sede da fase final no começo de dezembro.


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Sem diálogo com a Fifa, engenheiro processa entidade por autoria do VAR
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Rafael Reis

Ignorado pela Fifa na disputa pela propriedade intelectual do VAR (sigla em inglês para árbitro assistente de vídeo), o engenheiro boliviano Fernando Méndez Rivero decidiu processar a entidade que gerencia o futebol mundial.

O inventor protocolou na semana passada uma denúncia contra a instituição na Justiça de Buenos Aires, capital da Argentina, sob alegação de que o uso do sistema em competições do mundo todo está sendo feito de forma irregular.

Méndez Rivero alega que o VAR, que foi utilizado na última Copa do Mundo-2018 e hoje faz parte de boa parte dos principais torneios de futebol do planeta, é plágio de um mecanismo desenvolvido e patenteado por ele há 13 anos, o ”Projeto Piloto de Arbitragem Eletrônica”.

“Meus direitos autorais estão protegidos em 186 países do mundo porque a Bolívia está inscrita em dois grandes convênios de propriedade intelectual, o Convênio de Berna e o Convênio de Paris”, afirmou, por telefone.

No fim do mês passado, o engenheiro enviou uma notificação extrajudicial à Fifa solicitando a interrupção do uso do árbitro do vídeo em todas as competições organizadas pela própria entidade e por suas afiliadas (como Conmebol, Uefa e federações nacionais).

No entanto, segundo Méndez Rivero, seu advogado não recebeu nenhuma resposta do órgão, motivo pelo qual eles decidiram deixar de lado a tentativa de costurar um acordo amigável para acionar a Justiça.

O engenheiro pede uma indenização de US$ 104,5 milhões (cerca de R$ 395 milhões) pelo que considera uma utilização indevida da aparelhagem.

Além da entidade global, a Conmebol também é parte do processo do boliviano devido ao uso do VAR nas partidas do mata-mata da Libertadores. Outras duas empresas, a Mediapro e um braço Sony, que fornecem equipamentos para a arbitragem em vídeo, constam na ação protocolada pelo engenheiro.

Procurada pela blog, a Fifa não se posicionou sobre a acusação e nem sobre o processo judicial até a publicação desta reportagem.

O VAR começou a ser testado há seis anos pela Federação Holandesa de Futebol. Em 2016, começou a se espalhar por ligas de todo o planeta. Dois anos depois, estreou na Copa do Mundo.

Atualmente, é utilizado em boa parte dos principais campeonatos de primeiro escalão, como Italiano, Espanhol, Alemão e Francês, além da Libertadores e da Copa do Brasil. Na próxima temporada, estará disponível também nas partidas da Liga dos Campeões da Europa.


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Como fascismo criou o 1º esquadrão da história do futebol europeu
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Rafael Reis

O fascismo foi um regime que cassou liberdades individuais na Itália entre as décadas de 1920 e 1940, provocou direta ou indiretamente mais de 400 mil mortes e levou o país a se aliar com a Alemanha e Adolf Hitler na Segunda Guerra Mundial.

Mas foi durante o governo do ditador Benito Mussolini, entre 1922 e 1943, que a Europa conheceu o seu primeiro esquadrão no futebol. E a montagem desse supertime teve tudo a ver com o “Il Duce”.

O chefe do governo italiano percebeu rapidamente que poderia usar a modalidade como um importante instrumento de propaganda para seu regime e como um fator de união nacional. A partir daí, fez de tudo para transformar seu país na potência número um do futebol mundial.

A estratégia não demorou para dar resultado. A seleção italiana foi a primeira a ganhar duas edições da Copa do Mundo (1934 e 1938) e, sob o comando de Vitorio Pozzo, ganhou 60 dos 87 jogos que disputou entre 1929 e 1948.

O papel do fascismo na montagem dessa equipe foi completo. Para começar, o regime de Mussolini adotou várias táticas para fortalecer o futebol local e fazer dele uma paixão verdadeiramente nacional.

Foi durante o período do autoritarismo que a Itália deixou de ter campeonatos regionalizados e ganhou uma primeira divisão no formato atual, com disputa em pontos corridos entre times de todos os cantos do país.

Mussolini também limitou a presença de clubes de uma mesma cidade na elite do futebol nacional. A ideia era fazer com que as equipes do sul do país se desenvolvessem e, assim, ampliassem o alcance da propaganda ideológica do ditador.

O chefe do governo também escancarou a porta da seleção para os “oriundi”, os descendentes de italianos nascidos em outros países, processo que até hoje faz sucesso na Azzurra, que conta, por exemplo, com o volante brasileiro Jorginho (Chelsea).

O time campeão mundial de 1934 contava com quatro argentinos, um francês, um austro-húngaro e até um brasileiro, o atacante Filó, que havia jogado no Corinthians antes de se transferir para a Lazio.  Em 1938, no bi, a legião estrangeira ganhou ainda o reforço de um uruguaio.

Mussolini ainda teve papel direto no dia a dia das conquistas que fizeram da Itália a seleção a ser batida na primeira metade do século passado.

Em 1934, fez questão de receber a Copa do Mundo (e, dizem as más línguas, teve um papel de bastante influência sobre a arbitragem). Ainda naquele ano, presenteou cada jogador da Azzurra com um automóvel Alfa Romeo pela vitória em um amistoso contra a Inglaterra, país inventor do futebol que se recusava a disputar o Mundial.

Quatro anos depois, antes da final contra a Hungria, enviou um telegrama aos jogadores que se tornou célebre. O conteúdo pode ser resumido em uma frase: “Vincere o Morire!” (Vencer ou Morrer, em tradução para o português). A vitória por 4 a 2 na decisão livrou a cabeça de todo o elenco.

O curioso é que Mussolini nem era tão chegado assim em futebol.  O ditador considerava que o esporte feria a identidade italiana já que havia sido criado por ingleses e tentou emplacar no país o Calcio Fiorentino, um jogo medieval tipicamente nacional.

Como a aposta falhou, o líder fascista abraçou o futebol e escolheu um time, a Lazio, para abraçar. Até hoje, mais de 70 anos depois da derrocada do regime, parte dos torcedores da equipe romana ainda são identificados com a extrema-direita e com causas como racismo e xenofobia.


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Ar-condicionado dos estádios da Copa-2022 funciona? Ex-Palmeiras responde
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Rafael Reis

Para driblar o calor do deserto e permitir que os principais astros do futebol mundial consigam jogar bem mesmo em ambientes com temperatura externa superior a 40ºC, a organização da Copa-2022, no Qatar, prometeu que todos os estádios usados na competição terão um forte sistema de climatização.

De acordo com a organização do torneio, as oito arenas contarão com refrigeração suficiente para baixar a temperatura ambiente para a casa dos 20ºC, uma temperatura considerada ideal para a prática da modalidade.

Mas será que esse sistema realmente funciona? Para tirar essa dúvida, conversamos com o zagueiro brasileiro Maurício Ramos, ex-Palmeiras, que defende o Al Sailiya, da primeira divisão qatariana.

Apesar de ter chegado ao Oriente Médio há apenas um mês, o defensor já teve a oportunidade de atuar em uma das arenas que serão utilizadas no Mundial, o Khalifa International Stadium, em Doha.

Maurício Ramos aprovou o que viu e, principalmente, o que sentiu.

“Naquele dia, estava uns 45ºC do lado de fora do estádio. Só que, dentro de campo, a temperatura era de uns 18ºC. Desacreditei quando vi companheiros de time reclamando que estavam com frio. Mas confesso que também senti um pouquinho”, afirma o jogador.

“A climatização realmente funciona muito bem. Não parecia que estávamos jogando no deserto. Senti como se estivesse no Brasil”, completa.

O Khalifa Stadium, onde Maurício Ramos jogou e experimentou o sistema de ar-condicionado prometido para a Copa do Mundo, é o único dos oitos estádios previstos para a competição que já está de pé.

Outras seis arenas estão sendo construídas. Já o Ras Abu Aboud Stadium, a oitava sede, ainda não saiu do papel. O estádio será montado através do encaixe de contêineres e deixará de existir após o torneio. Devido a esse sistema, sua construção (e também a posterior desmontagem) será bem mais rápida do que o tradicional.

O calor que faz no Qatar é um dos principais desafios da organização da próxima Copa do Mundo.

Para fugir do verão do Oriente Médio e das temperaturas que ultrapassam os 50ºC, a Fifa permitiu que, pela primeira vez na história, a competição seja realizada fora do seu período habitual, o meio do ano, quando acontecem as férias no Hemisfério Norte.

O início do Mundial do Qatar está previsto para o dia 21 de novembro de 2022. Já a final está marcada para 18 de dezembro.


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Impulsionado por Copa em casa, “Mundo Árabe” gasta R$ 800 mi em reforços
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Rafael Reis

Os espanhóis Xavi e Gabi, o camaronês Samuel Eto’o e os holandeses Wesley Sneijder e Nigel de Jong jogam no Qatar. O nigeriano Ahmed Musa e os brasileiros Petros e Giuliano atuam na Arábia Saudita. Já o futebol dos Emirados Árabes conta com o meia Yohan Cabaye, ex-seleção francesa, e com o atacante Marcus Berg, titular da Suécia na Rússia-2018.

A quatro anos da primeira Copa que será realizada na região, o “Mundo Árabe” decidiu investir como nunca para se tornar um dos mais relevantes mercados da bola no planeta.

Giuliano

As cinco principais ligas nacionais da região (Qatar, Arábia Saudita, Emirados Árabes, Egito e Marrocos) gastaram quase 190 milhões de euros (mais de R$ 820 milhões) em contratações na última janela de transferências. O investimento supera o de China, Estados Unidos e outros emergentes da bola. Só mesmo Inglaterra, Itália, Espanha, França e Alemanha torraram mais dinheiro em novos jogadores ao longo dos últimos meses.

Em relação à temporada passada, o crescimento no investimento é de 332%. Em 2017/18, o gasto dos clubes árabes com reforços não chegou nem a 44 milhões de euros (R$ 190 milhões). O principal motivo dessa arrancada mercadológica é a Copa do Mundo prevista para ser disputada no Qatar, em 2022. Um Mundial “em casa” aumenta o interesse local pelo futebol e atrai mais investimentos para a modalidade.

Fenômeno semelhante aconteceu no Brasil (2014) e na Rússia (2018), que gastaram acima do normal em reforços antes de mergulharem em crises econômicas que minaram o potencial de investimento. No caso específico do “Mundo Árabe”, há pelo menos mais três motivos que ajudam a explicar esse crescimento exacerbado de investimentos.

O primeiro é o preço do petróleo, principal fonte de renda do Oriente Médio. Desde 2016, o valor do barril do combustível no mercado internacional mais do que dobrou: saltou da casa de US$ 30 (R$ 130) para os atuais R$ 77 (R$ 333,5). Além disso, a perda de espaço do Estado Islâmico e de outros grupos armados semelhantes diminuiu a ameaça terrorista na região. Com isso, os governos e também os donos da grana puderem se concentrar em outros temas, como o futebol.

O terceiro motivo é um homem. O xeque Turki Al-Sheikh é ministro dos Esportes da Arábia Saudita, presidente do Comitê Olímpico do país e principal nome do projeto que visa transformar o futebol da região. Só neste ano, o dirigente articulou a ida do técnico Fabio Carille, campeão brasileiro com o Corinthians em 2017, para o Al-Wehda, fez uma parceria de intercâmbio entre a Arábia Saudita e a Espanha e comprou um time no Egito (Pyramids FC) com a intensão de fazer dele um dos mais poderosos da África.

Os árabes são tradicionalmente uma das maiores forças do futebol na Ásia e faturaram sete títulos da Liga dos Campeões versão asiática. Mas a última conquista já tem sete anos. Desde que o Al-Sadd, do Qatar, faturou a taça, em 2011, sul-coreanos, chineses, australianos e japoneses têm se revezado no lugar mais alto do pódio do torneio.

ARÁBIA SAUDITA
Investimento (2018/19): 120,7 milhões de euros
Principais reforços (2018/19): Ahmed Musa (Al-Nassr), Giuliano (Al-Nassr), Romarinho (Al-Ittihad), Petros (Al-Nassr) e Bafétimbi Gomis (Al-Hilal)

EGITO
Investimento: 40 milhões de euros
Principais reforços: Keno (Pyramids), Rodriguinho (Pyramids) e Ahmed El Shenawy (Pyramids)

EMIRADOS ÁRABES
Investimento: 12,6 milhões de euros
Principais reforços: Igor Coronado (Al-Sharjah) e Ryan Mendes (Al-Sharjah)

QATAR
Investimento: 6,4 milhões de euros
Principais reforços: Nigel de Jong (Al-Ahli), Samuel Eto’o (Qatar SC) e Edmilson Junior (Al-Duhail)

MARROCOS
Investimento: 4,2 milhões de euros
Principais reforços: Badie Aouk (Wydad) e Ibrahim El Baz (Wydad)


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Como nova geração pode ajudar Tite a acabar com dependência de Neymar
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Rafael Reis

“A seleção brasileira é Neymar e mais dez jogadores”. Ao longo dos últimos anos, ouvir um torcedor (ou mesmo jornalista) soltando uma frase como essa foi algo relativamente corriqueiro.

Mas, pela primeira vez desde que estreou com a camisa amarela, logo após a Copa do Mundo-2010, o atacante pode mudar de status.

Neymar abre nesta sexta-feira, no amistoso contra o Estados Unidos, o ciclo de preparação para o Mundial do Qatar-2022 ainda como principal protagonista da seleção. Mas, ao longo dos próximos quatro anos, tudo indica que ganhará valiosa companhia.

É que uma nova safra de jovens brasileiros talentosos tem feito sucesso nos clubes que defendem. E eles prometem a, médio prazo, diminuir a “Neymardependência” da seleção comandada por Tite.

Richarlison, 21 anos, marcou três vezes nas quatro primeiras rodadas da Premier League inglesa pelo Everton e ocupa a vice-artilharia do campeonato nacional mais badalado do planeta.

O meia Arthur, 22, campeão da Libertadores do ano passado pelo Grêmio, ainda é reserva do Barcelona, mas vem ganhando elogios frequentes de Xavi, uma das maiores lendas da história do clube catalão.

Já Lucas Paquetá, 21, também meio-campista, é possivelmente o melhor jogador do Flamengo na temporada, apesar de não viver, propriamente, em lua de mel com o torcedor rubro-negro.

O trio foi convocado por Tite para a primeira data Fifa depois da Copa-2018 e deve estrear pela seleção principal contra os EUA ou ante El Salvador, na terça.

Dos 23 jogadores chamados para os dois amistosos, 12 não participam do Mundial da Rússia e nove jamais disputaram uma partida com a camisa brasileira.

E, mesmo fora dessa primeira lista de convocados para o novo ciclo, há um número expressivo de jovens que podem ganhar espaço na seleção nos próximos meses/anos e fazer com que a seleção chegue no Qatar-2022 não dependendo tanto de Neymar.

Vinícius Júnior e Rodrygo são os jogadores sub-18 mais caros da história do futebol. Cada um deles custou 45 milhões de euros (R$ 215 milhões).

O primeiro, que chegou à maioridade em julho, desembarcou no Real Madrid nesta temporada e, por enquanto, tem defendido o Castilla, a equipe B do atual tricampeão da Champions. Já o segundo tem 17 anos e ficará no Santos até a concretização da sua ida para o mesmo Real, provavelmente em julho de 2019.

Além disso, o Brasil tem ainda com David Neres, 21, destaque do último Campeonato Holandês pelo Ajax, e Malcom, 21, que chegou ao Barcelona depois de brilhar no Francês pelo Bordeaux.

E, claro, há ainda os “sobreviventes” da Copa-2014, os contemporâneos de Neymar que têm idade suficiente para disputar o próximo Mundial ainda em boas condições físicas, como Philippe Coutinho (Barcelona), 26, Douglas Costa (Juventus), 27, e Casemiro (Real Madrid), 26.

Ou seja, o astro do Paris Saint-Germain pode ficar tranquilo. Tudo indica que, nos próximos anos, a seleção brasileira não será “Neymar e mais dez”.


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5 motivos para a França acabar com “maldição” dos campeões mundiais
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Rafael Reis

Cinquenta e três dias depois de conquistar o segundo título mundial de sua história, a França volta a campo nesta quinta-feira, contra a Alemanha, pela rodada de abertura da Liga das Nações, nova competição da Uefa que estreia nesta temporada.

E sua primeira adversária pós-Copa serve como um alerta para o futuro francês. Campeã mundial em 2014, a equipe germânica protagonizou um vexame na Rússia-2018 e caiu na primeira fase.

A Alemanha é a mais recente vítima de uma espécie de “maldição” que atinge os vencedores da Copa do Mundo. As duas últimas campeãs antes dela, Espanha-2010 e Itália-2006, também pararam na fase de grupos da edição posterior à de suas conquistas.

Motivo de pânico para a França? Não necessariamente. Abaixo, listamos cinco motivos pelos quais o time de Mbappé, Pogba e Griezmann pode acabar com esse estigma negativo e fazer bonito na próxima Copa.

TIME JOVEM
Os franceses dificilmente cometerão o tradicional erro de chegar à próxima Copa com uma equipe envelhecida. Isso porque o grupo que conquistou o bicampeonato mundial era muito jovem. Quinze dos 23 jogadores que participaram da vitoriosa campanha na Rússia-2018 tinham no máximo 25 anos. Ou seja, ainda nem serão trintões no Qatar-2022. Desde o tricampeonato do Brasil em 1970, uma seleção não faturava a Copa com tantos jogadores jovens.

ESTRELA ASCENDENTE
Kylian Mbappé foi um dos melhores jogadores da última Copa do Mundo apesar de ter apenas 19 anos. Se nada muito fora do comum acontecer, o jovem do Paris Saint-Germain será um atacante ainda melhor daqui quatro anos. Contar com um dos (prováveis) grandes craques do planeta pode ser um trunfo importante para a França fazer bonito na defesa do seu título mundial.

BASE VALORIZADA
Apesar de não ter tido grandes resultados nas categorias de base desde o título mundial sub-20 de 2013, a França está repleta de jovens jogadores muito valorizados no mercado internacional. A prova disso é que quatro dos dez atletas sub-19 mais caros da última janela de transferências estão aptos a defender os “Bleus”. Além de Mbappé, fazem parte desse grupo os atacantes Willem Geubbels (Monaco) e Myziane Maolida (Nice), assim como o goleiro Alban Lafont (Fiorentina).

CONSTÂNCIA
Desde que caiu na primeira fase da Copa-2010 e lavou a roupa suja em público, a França tem alcançado pelo menos as quartas de final de todas as competições que disputa. Na Euro-2012 e no Mundial do Brasil, a seleção ficou entre as oito melhores. No último torneio continental, há dois anos, foi até a final e perdeu para Portugal. E na Copa-2018, todo mundo lembra do resultado…

SOMBRA
Ao contrário do que aconteceu com Vicente del Bosque (Espanha) e Joachim Löw (Alemanha), o técnico da França, Didier Deschamps, tem dentro de casa uma grande “sombra”. Por mais poderoso que tenha se tornado depois do bicampeonato mundial, o ex-volante continua convivendo com a possibilidade de ser trocado em algum momento por Zinédine Zidane, maior ídolo da história do futebol francês e vencedor de três edições da Liga dos Campeões à frente do Real Madrid. Ou seja, não dá para se acomodar muito.


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Argentina promove maior “reformulação” pós-Copa; Brasil fica acima da média
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Rafael Reis

Eliminada pela Bélgica nas quartas de final da Copa do Mundo, a seleção brasileira promoveu uma verdadeira revolução na sua primeira convocação depois da Rússia-2018, para os amistosos contra Estados Unidos, nesta sexta-feira, e El Salvador, no dia 11.

A equipe pentacampeã mundial é uma das que mais modificou seu grupo de jogadores para a Data Fifa de abertura do ciclo do Qatar-2022.

Em relação ao time que Tite levou ao último Mundial, são 12 novidades: os goleiros Hugo e Neto, os zagueiros Dedé e Felipe, os laterais Fabinho, Alex Sandro e Éder Militão, os meias Arthur, Lucas Paquetá e Andreas Pereira, além dos atacantes Éverton e Richarlison.

Das outras 30 seleções que foram à Copa passada (com exceção da Dinamarca, que vive uma crise entre a federação e seus principais jogadores), somente sete promoveram reformulações mais expressivas que a brasileira.

A maior transformação em relação ao elenco da Rússia-2018 é a da Argentina. Em crise técnica e ainda sem um treinador definitivo, a equipe que está sendo comandada interinamente por Lionel Scaloni convocou 21 jogadores que não foram ao Mundial para os amistosos contra Guatemala e Colômbia.

Peças importantes da equipe, como Lionel Messi, Sergio Agüero, Ángel di María e Marcos Rojo, foram deixadas de fora. Algumas delas, no entanto, ainda devem fazer parte do novo ciclo de trabalho.

Assim como a Argentina, outros seis países promoveram reformulações maiores que a brasileira para a primeira Data Fifa pós-Copa: Japão, México, Egito, Colômbia, Austrália e Polônia.

Do outro lado da tabela está o Uruguai, que decidiu levar apenas 20 jogadores para o amistoso contra o México. Desses, 19 participaram da Copa. A única novidade é o meia Gastón Pereiro, do PSV Eindhoven (HOL).

Atual campeã mundial, a França é outra seleção que não vê necessidade de mudanças imediatas. A lista para os jogos contra Alemanha e Holanda, pela Liga das Nações, só não é exatamente a mesma da conquista do bi na Rússia-2018 porque os goleiros Hugo Lloris e Steve Mandanda estão machucados.

As contusões permitiram as convocações de Benoit Costil, do Bordeaux, e de Benjamin Lecomte, do Montpellier.

O calendário internacional para este ano prevê ainda mais duas janelas para jogos de seleções, as chamadas Datas Fifa: uma para meados de outubro e outra para novembro.


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Rafael Reis

Jonathan Guishard é atacante, tem 22 anos e já defende há quatro anos a seleção de Anguilla. Neste tempo todo sendo convocado, jamais viu sua equipe balançar as redes de um adversário.

Não, você não leu errado. Não é que o centroavante nunca fez gol com a camisa anguilana. Isso também nunca aconteceu. Mas ele jamais marcou porque, desde que passou a ser convocado, a seleção não anotou um golzinho sequer.

A seca já dura seis anos. A última vez que o torcedor do pequeno arquipélago comemorou um gol foi na derrota por 4 a 1 para a Guiana Francesa, em 12 de outubro de 2012, pelas eliminatórias da Copa do Caribe.

É verdade que Anguilla não vai a campo com tanta frequência assim. Desde a última bola empurrada para as redes, foram apenas nove confrontos oficiais.

Mas os resultados da seleção são desastrosos. A série de derrotas consecutivas já dura 14 partidas (ou sete anos). A última vitória foi registrada em 2010.

E não pense que Anguilla costuma ter adversários poderosos pela frente. Nesta década, enfrentou apenas outros países filiados à Concacaf –Porto Rico, Guiana, Nicarágua, República Domincana, São Vicente e Granadinas, Antígua e Barbuda, Trinidad e Tobago, São Cristóvão e Nevis, Ilhas Virgens e Saint-Martin.

Assim, não chega a ser surpresa que ela seja uma das seis seleções que dividem a 206ª e última colocação do ranking da Fifa. Assim como Bahamas, Eritreia, Somália, Tonga e Ilhas Tuks e Caios, não têm um ponto sequer na lista.

Anguilla é uma ilha localizada no Mar do Caribe, na América Central, a leste de Porto Rico. De colonização britânica, tem área de apenas 91 km2 e população de cerca de 15 mil habitantes.

Seu campeonato nacional conta com a participação de oito times. Todos eles são amadores, ou seja, contam com jogadores que não se dedicam exclusivamente ao futebol e têm outros trabalhos como meio de ganhar a vida.

O maior vencedor do futebol local é o Roaring Lions, que já ganhou a liga sete vezes e costuma servir como base para a seleção. O atual campeão é o Kicks United.

A seleção anguilana existe desde 1990, mas nunca chegou perto de se classificar para uma Copa do Mundo ou mesmo para a Copa Ouro. Nas eliminatórias da Rússia-2018, foi eliminada logo na primeira fase, um mata-mata contra a Nicarágua. O placar agregado do confronto foi 8 a 0.

O maior artilheiro da história da equipe é um inglês naturalizado. Richard O’Connor chegou a atuar no Wimbledon antes de passar a defender o time caribenho. Entre 2000 e 2006, ele marcou cinco vezes pela seleção.

Pelo menos na sua época, Anguilla fazia gols. Poucos, mas fazia.


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