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Às vésperas da Copa, futebol europeu sofre com queda de gols
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Rafael Reis

Dos 47 jogos válidos pelos cinco principais campeonatos nacionais da Europa disputados no último fim de semana, cinco terminaram sem um golzinho sequer e outros quatro viram apenas uma bola na rede cada.

Os números podem até não te impressionar, mas representam uma importante mudança de paradigma. Às vésperas da Copa da Rússia-2018, a elite do futebol mundial vem sofrendo com a falta de gols.

A média de bolas na rede da primeira divisão dos campeonatos Inglês, Espanhol, Italiano, Alemão e Francês, que foi de 2,83 por partida na temporada passada, despencou para 2,68 em 2017/18.

Isso significa que as cinco grandes ligas da Europa já perderam na atual temporada 221 gols em relação ao ano passado.

O Campeonato Espanhol foi o que sofreu a maior queda: de 2,94 tentos por partida para 2,66. Já o Alemão tem hoje a quarta pior média de gols de sua história (2,69), a mais baixa dos últimos 15 anos.

Dos 20 times que disputam a elite do futebol italiano, oito têm média inferior a um gol por jogo nesta temporada. Na Espanha, o Málaga ostenta uma marca de dar pena: comemorou apenas 17 vezes em 30 rodadas.

Os goleadores também têm deixado a desejar. Na Bundesliga, o polonês Robert Lewandowski (Bayern de Munique) é o único jogador que já passou dos 13 gols. Na França, o uruguaio Edinson Cavani (PSG) deve repetir a artilharia da temporada passada, mas vai passar longe da marca de 35 gols –está atualmente com 24.

Mas, afinal, qual é a razão para essa queda tão abrupta de gols em um período tão curto de tempo (apenas um ano)?

A questão não é tão simples assim para ser resumida a apenas um motivo. Há várias possibilidades que podem ter impactado o jeito de se jogar futebol na Europa e, consequentemente, o número de bolas nas redes.

A primeira é a consolidação dos esquemas com três zagueiros, novidade tática do Chelsea na temporada passada. A simples escalação de mais um homem na defesa não torna automaticamente nenhum time mais defensivo. No entanto, equipes inferiores tecnicamente tendem a usar essa formação para criar retrancas.

Além disso, boa parte dos grandes fazedores de gol do futebol mundial nos últimos tempos, como Messi, Cristiano Ronaldo, Cavani e Suárez, já passaram dos 30 anos e estão em uma fase de declínio físico. Isso significa mais períodos de descanso e menos minutos em campo para mostrarem sua arte… principalmente, em ano de Copa do Mundo.

A proximidade do Mundial da Rússia é um outro fator que pode estar impactando a média de gols.

Jogadores que estão com passaporte garantido para a Copa-2018 têm uma tendência natural de se poupar em partidas que já estão decididas. Imagina perder o Mundial porque você correu demais e acabou se contundindo em um jogo que seu time está ganhando por 4 a 0… Essa é uma situação que ninguém quer.

Independente das razões, o fato é que a temporada 2017/18 dos principais campeonatos nacionais da Europa têm decepcionado no número de gols. E esse é um sinal de alerta para quem gosta de futebol ofensivo.


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Por que astro do Napoli e da Bélgica é o jogador mais “fofo” do mundo?
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Rafael Reis

Dries Mertens é o artilheiro e um dos principais jogadores do Napoli, vice-líder do Campeonato Italiano. Também é uma das maiores apostas da Bélgica para fazer uma boa campanha na Copa do Mundo-2018.

Mas não foram os 21 gols e nem as 12 assistências contabilizadas nesta temporada que colocaram o jogador de 30 anos em evidência na imprensa italiana nas últimas semanas.

O que está chamando a atenção não apenas de torcedores do Napoli, mas também de boa parte das pessoas que curtem futebol na Itália, são os vários atos de bom mocismo protagonizados pelo atacante belga.

O “lado fofo” do camisa 14 do time dirigido por Maurizio Sarri começou a ser descoberto no começo do mês, quando o jornal “Corriere dela Sera” revelou que Mertens costuma andar pelas ruas de Nápoles à noite distribuindo pizzas para mendigos e desabrigados.

O belga tem esse costume desde dezembro do ano passado. E a história só não foi divulgada antes porque ele costuma praticar esse ato de caridade disfarçado para não ser reconhecido pelos moradores de rua ou outras pessoas que estejam passando pelos locais das entregas de pizza.

“Ultimamente, tenho procurado ajudar aqueles que posso. Não era minha intenção mostrar isso nas redes sociais, mas como alguns jornais começaram a escrever sobre isso, prefiro ser eu mesmo a postar um vídeo daquilo que fiz. Talvez assim possa dar a outros a vontade de fazer o mesmo. Ajudar quem atravessa dificuldades, mesmo que seja com pouco, não exige muito esforço”, publicou Mertens, em sua conta no Instragram, após ser “desvendado”.

O caso da entrega das pizzas para mendigos fez com que os torcedores e jornalistas pesquisassem um pouco mais sobre os trabalhos sociais feitos pelo belga. E o que eles descobriram é que o artilheiro vive ajudando os outros.

Mertens é um visitante frequente do hospital infantil de Nápoles, por exemplo. Em um vídeo publicado três anos atrás, o jogador aparece simulando uma entrada de casamento com uma garota doente pelos corredores do hospital ao som da “Marcha Nupcial”.

O atacante e sua mulher, Katlyn, também apoiam uma instituição que cuida de animais abandonados – Juliette, a cachorra do casal, foi encontrada nessa organização e adotada pela família.

Além das ações citadas acima, Mertens também costuma enviar medicamentos para crianças na Venezuela e promove feiras de doação de roupas usadas.

O atacante é o terceiro colocado na artilharia do Campeonato Italiano (17 gols) e a principal arma ofensiva do Napoli para encerrar a hegemonia da Juventus e conquistar o scudetto nesta temporada.

O time de Mertens é vice-líder da competição, com 70 pontos, quatro a menos que a atual hexacampeã nacional.


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Sensação da Roma esnobou Guardiola e move apostas de futuro melhor do mundo
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Rafael Reis

Se Cengiz Ünder conquistar o prêmio de melhor jogador do mundo até 2023, os apostadores que colocaram dinheiro nessa previsão irão faturar 50 euros (R$ 200) para cada euro (R$ 4) investido.

A cotação, semelhante às de Harry Kane, Luis Suárez e Philippe Coutinho nas casas de apostas da Itália, mostra o quanto o Calcio está encantado com o meia-atacante turco de apenas 20 anos.

Ünder foi contratado pela Roma em junho, ganhou a posição de titular há 40 dias e agora já é a principal esperança da equipe para conseguir a virada sobre o Shakhtar Donetsk, nesta terça-feira, e avançar às quartas de final da Liga dos Campeões da Europa.

Derrotado por 2 a 1 na Ucrânia, o time italiano precisa de uma vitória simples (1 a 0) para igualar as campanhas de 2006/07 e 2007/08, as suas melhores neste século.

E, para alcançar esse objetivo, a Roma deposita todas as suas fichas no momento mágico vivido pelo novo xodó do futebol italiano.

Desde que assumiu a titularidade da ponta direita do time dirigido por Eusebio di Francesco, no fim de janeiro, o jovem turco disputou nove partidas e marcou seis gols. Um deles, justamente no confronto de ida contra o Shakhtar, que marcou sua estreia na Champions.

Revelado no pequeno Altinordu, da Turquia, Ünder foi o grande nome da campanha histórica feita pelo Istanbul Basaksehir na temporada passada. A equipe, que até pouco tempo atrás militava na segunda divisão, liderou boa parte do campeonato e ficou a quatro pontos de superar o Besiktas e ser campeã nacional pela primeira vez.

O futebol cheio de habilidade e velocidade mostrado pelo pequeno meia-atacante de 1,73 m e 66 kg despertou a atenção da Roma, que aceitou pagar 13,4 milhões de euros (R$ 53,4 milhões) pela joia turca.

Mas para conseguir ficar com Ünder, o time italiano teve de vencer um concorrente pesado: o Manchester City, do técnico Pep Guardiola, que também queria o jogador.

O estafe do meia-atacante turco chegou a conversar com dirigentes do atual líder do Campeonato Inglês, mas não gostaram de saber que o plano do clube era emprestá-lo para a Alemanha (provavelmente para o Freiburg) para ganhar mais experiência antes de lançá-lo na Premier League.

A Roma, ao contrário do Manchester City, oferecia a Ünder a possibilidade de ser integrado ao time principal logo de cara.

Por isso, venceu a disputa. E hoje tem um pequeno grande motivo para acreditar na classificação para as quartas da Champions. Seu nome é Cengiz Ünder, a aposta de um grupo de torcedores italianos para vencer o prêmio de melhor jogador do mundo até 2023.


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Ele negou Juve, Real e Manchester United para virar o sucessor de Maradona
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Rafael Reis

Juventus, Milan, Manchester United, Real Madrid e tantos outros clubes que já tentaram contratar Marek Hamsik ouviram dele a mesma resposta: “Adoro o Napoli, e os torcedores me adoram. Jamais irei embora desta cidade. É preferível ganhar um título aqui do que dez em outro lugar.”

O meia eslovaco de 30 anos, os últimos 11 dedicados ao líder do Campeonato Italiano, tem um sonho que não esconde de ninguém: fazer com que a torcida napolitana “esqueça um pouco” de Diego Maradona.

O astro argentino é uma espécie de “Deus” no Napoli. Foi durante sua passagem pelo sul da Itália que o clube conquistou seus dois títulos de Serie A (1987 e 1990) e também a antiga Copa da Uefa, hoje Liga Europa, em 1989.

“Todos sabem que Diego significa muito para esta cidade. Ele é o número 1 e será assim para sempre. No entanto, queremos e precisamos que esse mito se dissolva um pouco. E para isso, é preciso vencer. Faz muito tempo que o Napoli não ganha nada e seria maravilhoso reviver sua época de glórias”, disse o jogador, em entrevista à rede de TV alemã Sport1.

Jogando na Itália desde a adolescência, Hamsik já deu o primeiro passo nesse plano para eclipsar Maradona.

Em dezembro, o eslovaco quebrou o recorde do argentino e se tornou o maior artilheiro da história do Napoli. O camisa 17, dono de um famoso cabelo moicano, soma 118 gols com a camisa azul, três a mais do que o antigo detentor da marca.

A segunda (e mais ousada) parte da meta também nunca esteve tão perto de ser alcançada.

Vice-campeão nacional clube em 2013 e 2016, o capitão agora vê o Napoli na liderança da Serie A. Com 24 das 38 rodadas já disputadas, o clube tem 63 pontos, um a mais que a Juventus, atual hexacampeã e adversária a ser batida nesta temporada.

“Já passamos da metade do campeonato e estamos em uma corrida cabeça a cabeça com a Juventus. Talvez isso não volte a acontecer nos próximos anos. Por isso, temos que mergulhar fundo nessa briga. A Juve é um clube de repercussão mundial, que tem um excelente time de 600 milhões de euros. Não tem como comparar conosco. Mas estamos à beira de fazer algo incrível e queremos vencer o campeonato. Tenho certeza que chegou a nossa vez.”

Será que um dia o torcedor napolitano colocará Maradona e Hamsik lado a lado no mesmo pedestal? Só o tempo responderá essa pergunta, mas Marek está se esforçando para isso.


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Lembrado por briga, zagueiro fala em volta ao Palmeiras para fazer justiça
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Rafael Reis

Já faz quase nove anos que Maurício brigou em campo com Obina durante uma partida do Campeonato Brasileiro e acabou sendo dispensado do Palmeiras. A mágoa com o atacante acabou há tempos. Mas aquele episódio ainda não saiu completamente da cabeça do zagueiro.

Vivendo na Europa desde 2013, o hoje jogador da Lazio (ITA) ainda aguarda uma oportunidade de retornar ao clube onde deu seus primeiros chutes e passou quase metade da sua vida.

“Tenho muita vontade de voltar ao Palmeiras, mas não por dinheiro. Quero mostrar para o Brasil inteiro que fui injustiçado. É claro que eu errei, mas todo mundo tem o direito de errar. O Obina teve a oportunidade [de retornar ao clube], mas eu não. Minha vontade é mostrar o novo Maurício, bem mais experiente do aquele menino de nove anos atrás”, afirmou o defensor, hoje com 29 anos.

Cria da base palmeirense, o defensor foi promovido ao time profissional em 2008, logo depois de um empréstimo bem-sucedido ao CRB. No ano seguinte, quando havia se firmando na equipe titular, veio o incidente que marcou sua carreira e repercute até hoje.

A caminho do vestiário para o intervalo de uma partida contra o Grêmio, no Rio Grande do Sul, Maurício e Obina começaram a discutir sobre a jogada de um gol marcado pelos gaúchos. O clima esquentou, e o zagueiro tentou agredir o companheiro com um tapa. Na sequência, levou um soco do atacante.

Os dois jogadores foram expulsos da partida e acabaram dispensados pelo Palmeiras. Obina acabou recontratado em 2012. Maurício, não.

“Eu era um dos jogadores mais queridos do elenco até por ser um garoto que veio da base. Ninguém esperava que eu fosse brigar, ainda mais com o Obina, que também era querido por todos.”

Liberado pelo Palmeiras, Maurício começou a rodar o Brasil em empréstimos para Grêmio, Portuguesa, Vitória e Joinville. Após o fim do seu contrato, ainda defendeu o Sport antes de migrar para a Europa.

No Velho Continente, conquistou a Taça de Portugal pelo Sporting, foi campeão russo pelo Spartak Moscou e, desde 2015, faz parte do elenco da Lazio.

Maurício foi titular da equipe italiana durante mais de um ano, mas acabou perdendo espaço no clube e hoje está fora dos planos do técnico Simone Inzaghi –jogou apenas quatro minutos nesta temporada.

“Tive uma primeira temporada muito boa aqui. Conseguimos levar a Lazio para a Champions, mas houve algumas mudanças no clube e que acabei sendo prejudicado. Tive um desgaste com os diretores e com a comissão técnica. Falaram que eu não estava focado devido a problemas pessoais que vinha tendo. Meu rendimento acabou caindo um pouco”, justifica.

Maurício alega que está há mais de três meses sem receber da Lazio e tenta uma rescisão do seu contrato com o clube de Roma. A ideia inicial é permanecer mais um pouco na Europa, mas…

“Alguns clubes grandes do Brasil já me procuraram, mas as condições salariais são um pouco complicadas. Por isso, combinei com minha família de ficar mais uns anos aqui. Mas sofro demais na Europa. Morro de vontade de voltar para o Brasil”, completa.


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Falido, time que mostrou ao mundo Baggio e Paolo Rossi tem data para acabar
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Rafael Reis

O clube que apresentou ao mundo Paolo Rossi e Roberto Baggio, dois dos maiores nomes do futebol italiano nas últimas décadas, está prestes a fechar as portas.

Fundado em 1902, campeão da Copa Itália em 1997 e vice da primeira divisão do Calcio em 1978, o Vicenza teve declarada sua falência na última quinta-feira e deixará oficialmente de existir ao fim da temporada.

O time, que não paga os salários dos seus atletas desde setembro, recebeu uma permissão para continuar na disputa da Série C do Campeonato Italiano até a última rodada da liga, em abril.

O Vicenza vinha passando por graves problemas financeiros há dois anos. Com dívidas fiscais na casa de 20 milhões de euros (R$ 78 milhões), o clube mudou de proprietário duas vezes desde 2016 e chegou a enfrentar um processo por fraude na declaração de valores de compra e venda de jogadores.

Com a falência, o nome do clube passa a ser propriedade da prefeitura de Vicenza, que poderá negociá-lo com qualquer interessado em refundar a equipe. O novo time, no entanto, terá de recomeçar na quarta divisão italiana, que é amadora.

Napoli, Fiorentina e Parma, clubes até mais vitoriosos que ele, já passaram por processos semelhantes.

O Vicenza foi o primeiro time de futebol fundado na região de Veneto, no norte da Itália, que tem como principais cidades Verona, Veneza, Pádova e Treviso.

A equipe estreou no Campeonato Italiano em 1911 e disputou 37 temporadas da primeira divisão. Sua última participação na elite foi em 2000/01, quando ficou na 16ª posição entre os 18 participantes.

Os dois maiores nomes da história do clube também brilharam com a camisa da seleção.

Paolo Rossi, artilheiro da Copa do Mundo-1982 e algoz da eliminação brasileira naquele Mundial, despontou para o estrelato no Vicenza –marcou mais de 60 gols pelo time entre 1976 e 1980.

Já Roberto Baggio, eleito o melhor jogador do mundo em 1993, é cria das categorias de base do Vicenza. Ele estreou como profissional aos 15 anos e ficou três temporadas no clube até ser negociado com a Fiorentina.

O brasileiro de maior sucesso no Vicenza foi o atacante Luís Vinícius, que ficou por lá entre 1962 e 1968 e foi o artilheiro do Campeonato Italiano em 1966. Chinesinho (ex-Palmeiras), China (ex-Botafogo) e, mais recentemente, Alemão (ex-Santos) também vestiram a camisa alvirrubra.


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Como um produtor de cinema transformou time falido no líder do Italiano
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Rafael Reis

Treze anos atrás, o Napoli era um clube em estado de falência, com dívidas na casa de 70 milhões de euros (R$ 270 milhões) e que estava perdido no último escalão do futebol da Itália. Hoje é um dos times mais admirados da Europa, lidera o Campeonato Italiano e sonha com o título que não conquista desde a “era Maradona”.

Essa história de superação é tão boa que parece até coisa de cinema, não? Pois o homem responsável por escrevê-la ganha a vida justamente fazendo filmes.

Aurelio de Laurentiis é dono do Napoli desde setembro de 2004. Antes, já era um renomado produtor de cinema italiano especialista em filmes natalinos e presidente da Federação Internacional de Associações de Produtores Cinematográficos.

Sobrinho de Dino de Laurentiis, vencedor do Oscar de melhor filmes estrangeiro de 1958 com “Noites de Cabíria” e produtor de sucessos como “Hannibal” e “Conan, o Bárbaro”, o magnata decidiu se dedicar ao futebol quando viu o roteiro do Napoli se desfazendo.

Em 2004, o clube estava condenado à falência. Sua situação financeira era tão grave que ele chegou a ser expulso da entidade que organiza o futebol profissional na Itália. Foi aí que surgiu De Laurentiis.

O produtor de cinema pagou 30 milhões de euros (aproximadamente R$ 115 milhões) pelo espólio, refundou o clube com um novo nome (Napoli Soccer, no lugar do tradicional Società Sportiva Calcio Napoli, recuperado mais tarde) e teve de recomeçar na Serie C1, a terceira divisão italiana e a última do futebol profissional.

A promessa do novo proprietário que o Napoli retornaria à elite do Calcio em cinco temporadas. A meta foi alcançada bem antes, em apenas três anos.

Impulsionado por uma torcida fiel, que chegou a levar 51 mil pessoas a um jogo de terceira divisão, por um ótimo senso de negócios de Laurentiis, que multiplicou as receitas do clube com diretos de TV e patrocinadores, e pelos bons reforços contratados, como Cavani, Hamsik e Higuaín, o time foi se tornando aos poucos uma das potências do Calcio.

Em 2011, o Napoli voltou a disputar a Liga dos Campeões da Europa. No ano seguinte, ganhou a Copa Italia, seu primeiro título de elite desde 1990. Em 2014, repetiu a dose. Desde 2010, sempre termina o Campeonato Italiano entre os seis primeiros colocados –foi vice-campeão em 2013 e 2016.

O objetivo que falta ao clube é faturar o Italiano pela terceira vez. Nas outras duas, 1987 e 1990, o time era liderado dentro de campo por Diego Armando Maradona, o maior jogador de sua história.

Apesar de não contar com nenhuma estrela digna de Hollywood, como era o camisa 10 argentino, o Napoli faz bonito na atual temporada. Depois de 20 rodadas disputadas, soma 51 pontos, um a mais que a Juventus, vencedora das últimas seis edições do campeonato.

O time dirigido pelo técnico Maurizio Sarri, hoje uma quase unanimidade no Calcio, tem a melhor defesa do país, com apenas 13 gols sofridos, e um setor ofensivo liderado por baixinhos cheios de habilidade e talento, como o belga Dries Mertens (1,69 m) e o italiano Lorenzo Insigne (1,63 m).

São eles os personagens em que o Napoli aposta para que o filme que começou a ser escrito há pouco mais de 13 anos por De Laurentiis encontre nesta temporada seu final feliz.


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Por que meia da seleção argentina usou braçadeira de capitão da Peppa Pig?
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Rafael Reis

Uma porquinha rosa, famosa entre as crianças do mundo todo, deu o que falar na rodada do último fim de semana do Campeonato Italiano.

O meia Alejandro “Papu” Goméz, principal jogador da Atalanta e um dos integrantes da seleção argentina, disputou a partida contra a Roma, no último sábado, usando em seu braço esquerdo uma braçadeira de capitão da Peppa Pig.

De acordo com o jogador, a brincadeira foi uma forma de comemorar o terceiro aniversário de sua filha Constantina, que é completamente apaixonada pelo desenho animado protagonizado pela porquinha.

A braçadeira utilizada por Gómez na vitória por 2 a 1 sobre a equipe da capital italiana trazia uma foto da garotinha, acompanhada dos desenho de Peppa segurando um bolo e de George, irmão da personagem, com um dinossauro de brinquedo nas mãos.

A animação que o capitão da Atalanta usou para homenagear sua filha foi lançada em 2004, no Reino Unido, e conta a história de uma família de porquinhos. O desenho, destinado para crianças em idade pré-escolar, é uma febre mundial. No Brasil, é exibido pela TV Cultura e pela Discovery Kids.

Essa não foi a primeira vez que Papu Gómez surpreendeu o público com uma faixa de capitão temática. O meia é famoso por usar sua braçadeira para prestar homenagens a pessoas queridas e passar mensagens aos torcedores.

Desde que se tornou capitão da Atalanta, o argentino já usou braçadeiras com imagens do Papa Francisco, dos desenhos animados Frozen e Supercampeões e de escalações de times de futebol do game Pro Evolution Soccer. Suas faixas também apresentaram mensagens sobre Halloween e sustentabilidade.

A ideia partiu da esposa do jogador, Linda, que confecciona uma nova braçadeira para o marido a cada partida.

“É algo que achamos muito divertido e custa apenas cinco euros [cerca de R$ 19] para fazer cada braçadeira. O que faço com essas faixas depois de utilizá-las? Estão todas guardadas em casa, menos uma, que dei de presente ao presidente [da Atalanta] Percassi quando vencemos em casa a Inter de Milão”, disse Gómez, em entrevista ao jornal argentino “La Nación”.

Revelado pelo Arsenal de Sarandí, o meia está na Atalanta desde 2014 e já é um dos maiores jogadores da história do clube. O camisa 10 soma 33 gols e 34 assistências em 126 partidas pelo time de Bergamo.

O bom futebol apresentado nas últimas temporadas levou Gómez à seleção argentina. O ídolo da Atalanta esteve em três das quatro convocações feitas pelo técnico Jorge Sampaoli e tem tudo para disputar a próxima Copa do Mundo.


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Grande de novo? Como projeto de renascimento do Milan virou fiasco
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Rafael Reis

Um novo proprietário, investimento de quase 200 milhões de euros (R$ 771 milhões) em contratações, reforços desejados por praticamente qualquer clube do mundo, renovação de contrato da sua maior revelação dos últimos tempos e promessa de que esse era só o pontapé inicial de uma era de fartura.

O torcedor do Milan começou 2017/18 acreditando que os anos perdidos no meio da tabela do Campeonato Italiano haviam chegado ao fim e que o clube retomaria sua tradição de ser um protagonista do futebol europeu.

Só que meia temporada depois, até o milanista mais otimista já pensa que tudo isso não passou de uma mera ilusão.

Dentro de campo, a situação não difere muito da vista nas últimas temporadas.

Passadas 15 rodadas do Italiano, o time ocupa a oitava colocação, com 21 pontos. A desvantagem para a líder, Inter de Milão, já é de 18 pontos. A desvantagem para a zona de classificação para a Liga dos Campeões, de 13.

Das últimas oito partidas que disputou, o Milan só ganhou duas. E seus dois resultados mais recentes foram especialmente vergonhosos: empate por 2 a 2 com o Benevento, time de pior largada da história do Calcio, com direito a gol marcado pelo goleiro adversário nos acréscimos, e derrota por 2 a 0 para o Rijeka, da Croácia, na última rodada da fase de grupos da Liga Europa – os italianos já estavam classificados para a fase final.

“Eu estava esperando mais. Foi uma apresentação muito pobre. Temos de mudar nossa mentalidade e virar tudo do avesso. Precisamos de mais intensidade e vontade de ganhar”, afirmou o ex-volante Gennaro Gattuso, ídolo do clube na década passada que foi contratado há dez dias para substituir Vincenzo Montella e ainda não venceu como técnico milanista.

Para piorar a situação, os tão aclamados reforços contratados a peso de ouro no início da temporada estão devendo… e muito. O zagueiro Leonardo Bonucci, ex-Juventus, vem falhando frequentemente. Já o atacante português André Silva ainda não balançou as redes no Campeonato Italiano e foi parar no banco de reservas.

E se, dentro de campo, o projeto de “novo Milan” vai patinando, fora das quatro linhas as coisas estão ainda mais fora do lugar.

O novo proprietário do clube, o chinês Li Yonghong, vem sendo bombardeado com reportagens que colocam em dúvida sua capacidade de pagar o empréstimo de US$ 354 milhões (R$ 1,3 bilhão) que contraiu para fechar o negócio e até mesmo se ele realmente é o dono do time italiano.

Uma matéria publicada no mês passado pelo norte-americano “New York Times” informou que a empresa de mineração de fosfato que o empresário alegou ser sua para que o negócio fosse aprovado não está em seu nome.

Além disso, a companhia já não atende mais no endereço que consta como sua sede – o jornalista que visitou o local encontrou-o fechado, todo bagunçado e com um bilhete de despejo na porta.

O Milan ainda corre sério risco de ser punido pela Uefa por desrespeitar o limite de déficit acumulado de 30 milhões de euros (R$ 115,8 milhões) em três anos imposto pelo fair play financeiro da entidade. A pena pode ser a exclusão de torneios continentais a partir da temporada 2018/19, o que complicaria ainda mais a sua já nebulosa situação financeira.


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Punido por fraudar jogos, brasileiro renasce ao lado de pedreiros e garçons
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Rafael Reis

“Para meus companheiros de time, o futebol é só mais um trabalho para completar o salário. Jogo ao lado de pedreiro, eletricista, vendedor de carro. Dia desses, fui a um restaurante e quem veio me atender era um cara que joga comigo.”

Não encontrar mais espaço no futebol profissional e ter de reconstruir a carreira atuando ao lado de atletas amadores: é esse o preço que o único jogador brasileiro punido por manipulação de resultados em partidas de futebol na Europa continua pagando.

O atacante Joelson Inácio, 34, atuava na segunda divisão italiana até 2012 quando recebeu uma suspensão de dois anos e meio de qualquer atividade relacionada à modalidade. A pena está relacionada ao recebimento de dinheiro de uma rede de apostadores ilegais para tentar manipular resultados do Grossetto, da Série B local, em 2010.

O atacante, que deixou o Brasil para viver na Itália quando tinha apenas 13 anos, admitiu ter participado de duas tentativas de fraudar jogos.

Em um episódio, recebeu 20 mil euros (cerca de R$ 75 mil, na cotação atual) para permitir a vitória por 2 a 0 do Reggina sobre o Grossetto. Em outro, ofereceu 30 mil euros (R$ 112 mil) para que o goleiro rival, o brasileiro Angelo da Costa, fosse derrotado de propósito –a proposta foi recusada.

Livre para jogar desde março de 2015, quando sua suspensão chegou ao fim, Joelson não conseguiu mais encontrar espaço nas divisões mais altas da Itália. O jeito foi recomeçar de baixo, no futebol semiprofissional.

O brasileiro está em sua terceira temporada consecutiva na Série D, a quarta divisão do Calcio e a primeira em que os jogadores não são totalmente profissionais. Depois de defender Lecco e Pontisola, agora atua no Caravaggio.

“Sou o único jogador do time que vive só do futebol. O resto trabalha meio período. É claro que meu salário hoje é bem mais baixo do que era antes. Mas consegui fazer uma economia boa durante a carreira, e minha mulher também trabalha”, conta.

A fama de ter sido um manipulador de resultados não apenas prejudica a sequência de sua carreira, como também faz parte do seu cotidiano dentro de campo. Ainda hoje, anos depois do escândalo que mudou sua vida, Joelson continua sendo procurado por quem deseja fraudar placares de jogos de profissional.

“O pessoal da organização nunca mais encostou em mim. Mas, em campo, às vezes aparece um jogador ou outro tentando combinar um resultado. Só que não dou a mínima”, completa o atacante brasileiro, que sempre faz questão de dizer que está arrependido por seus atos do passado.


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