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Ex-parceiro de Neymar vence doping, brilha na Itália e já sonha com seleção

Rafael Reis

24/12/2019 04h00

Até pouco tempo atrás, João Pedro nem sequer sonhava com a possibilidade de voltar a jogar ao lado de Neymar, Philippe Coutinho, Alisson e Casemiro, seus companheiros na disputa do Mundial sub-17 de uma década atrás.

Mas os últimos meses transformaram completamente as ambições para o futuro do atacante de 27 anos.

Crédito: Divulgação

Terceiro colocado na artilharia do Campeonato Italiano, com 11 gols em 17 rodadas, e um dos protagonistas da surpreendente sexta colocação ocupada pelo Cagliari nesta temporada, o jogador passou a pensar grande: quer atuar novamente ao lado dos seus antigos parceiros, mas agora na seleção brasileira principal.

"Até a temporada passada, ser convocado era algo fora da minha realidade. Neste ano, continua distante, mas o caminho encurtou. O futebol é feito de fases. Lembro de vários jogadores que foram chamados mesmo atuando em times menores. Agora, tenho a oportunidade de fazer ainda mais do que estou fazendo para ser lembrado", afirma o atacante.

Em 2019/2020, a força artilheira de João Pedro é maior que a de qualquer outro atacante brasileiro que atua na Europa e vem fazendo parte das listas de Tite.

Enquanto o camisa 10 do Cagliari já meteu 12 bolas nas redes nesta temporada no acumulado de todas as competições, Gabriel Jesus (Manchester City) soma 11 gols, contra nove de Neymar (PSG), oito de Richarlison (Everton) e seis de Roberto Firmino (Liverpool).

"Não é justo me comparar a eles pela história que escreveram. Mas também não seria justo não me comparar por esta temporada. Jogo em um campeonato nacional tão difícil quanto eles, ou até mais, já que a Itália tem a liga mais tática do mundo. Fazer 11 gols aqui não é fácil. Neste momento, estou no mesmo nível deles", opinou.

Mas ao contrário dos antigos companheiros da seleção sub-17, que se destacaram cedo no Brasil, foram negociados direto para clubes do primeiro escalão europeu e se estabeleceram na prateleira de cima do futebol caminho, João Pedro percorreu caminhou com muito mais curvas.

O atacante foi lançado pelo Atlético-MG no primeiro semestre de 2010, mas acabou vendido ao Palermo, então um time de meio de tabela na Itália, depois de apenas 15 jogos e três meses como profissional.

Considerado muito jovem pela equipe italiana, teve poucas oportunidades e começou a rodar por outros clubes. João Pedro jogou no Vitória de Guimarães, no Peñarol e no Estoril. Além disso, teve uma passagem de um ano pelo Santos antes de ser contratado pelo Cagliari, em 2014.

Na Sardenha, o brasileiro caiu para a segunda divisão, devolveu o time à elite, virou ídolo e assumiu a braçadeira de capitão. Mas, antes do sucesso atual, ele teve uma pesada queda, que não ainda não foi totalmente cicatrizada.

Em março do ano passado, o atacante foi flagrado em dois exames antidoping, que apontaram o uso da substância proibida hidroclorotiazida. O jogador chegou a temer ficar suspenso por até quatro anos, mas pegou um gancho final de seis meses.

"Eu tive um problema com a farmácia. Eles fizeram um remédio para tireoide, que acabou sendo contaminado por uma substância que estavam manipulando antes. Sorte que eu tinha tudo documentado. Levei até meu médico para Itália para provar que eu não tinha culpa", contou.

"Foi complicado lidar com isso. Antes, quando eu via que um atleta havia sido pego no doping, já achava que ele era um drogado ou alguém que queria roubar. Mas descobri que não é assim. Na maioria dos casos, ele só foi descuidado", completou.

Livre da suspensão e fazendo gols como nunca na carreira, João Pedro agora só pensa no futuro, em uma eventual transferência para um clube mais poderoso do cenário europeu, na tão esperada chance na seleção e, bem lá na frente, em uma volta ao Brasil.

"Joguei muito pouco aí, então poucas pessoas me conhecem. Quero realmente viver o Campeonato Brasileiro. Vai chegar a hora, mas não agora. Neste momento, estou focado 100% aqui", afirma.


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Sobre o Autor

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

Sobre o Blog

Este espaço conta as histórias dos jogadores que fazem do futebol uma paixão mundial. Não só dos grandes astros, mas também dos operários normalmente desconhecidos pelo público.

Rafael Reis