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Dos finalistas do melhor do mundo, só Messi é top 50 na Chuteira de Ouro
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Rafael Reis

Os finalistas do prêmio de melhor jogador do mundo de 2017 começaram a nova temporada do futebol europeu sem a mesma fome de gols que lhes é de costume.

O argentino Lionel Messi é o único dos três candidatos (os outros são Cristiano Ronaldo e Neymar) ao troféu que será entregue pela Fifa na próxima segunda-feira que aparece entre os primeiros 50 colocados da Chuteira de Ouro, prêmio destinado ao maior goleador das ligas nacionais europeias em uma temporada.

O astro argentino, que já levou quatro Chuteiras de Ouro para casa e é o atual detentor da honraria, divide a quarta colocação no ranking dos artilheiros do Velho Continente em 2017/18 com o italiano Ciro Immobile (Lazio) e com o marfinense Gerard Gohou (Kairat Almaty). Cada um deles tem 22 pontos.

A liderança continua com o estoniano Albert Prosa, que já marcou 27 gols pelo Tallinn e acumula 27 pontos. O colombiano Radamel Falcao García (24), do Monaco, e o estoniano Rauno Sappinen (23), do Floram, aparecem na sequência.

Já Neymar e Cristiano Ronaldo, os adversários do camisa 10 do Barcelona na disputa pelo prêmio “The Best”, concedido pela Fifa ao maior craque do futebol mundial no ano, estão bem distante das primeiras colocações.

O brasileiro do Paris Saint-Germain aparece no meio da tabela. Com seis gols no Campeonato Francês e 12 pontos na classificação da Chuteira de Ouro, divide a 56ª posição com outros jogadores bem conhecidos, como Gabriel Jesus (Manchester City), Álvaro Morata (Chelsea) e Harry Kane (Tottenham).

Enquanto isso, o favorito para ser eleito o melhor do mundo neste ano mal praticamente não existe no ranking de goleadores dos campeonatos nacionais europeus nesta temporada.

Cristiano Ronaldo disputou apenas quatro jogos do Espanhol desde as férias e marcou somente um gol, contra o Getafe, no último sábado. Com dois pontos, a estrela do Real Madrid não está nem entre os 250 primeiros na classificação da Chuteira de Ouro.

Na temporada passada, Messi conquistou o prêmio com 74 pontos, relativos aos 37 gols que marcou no Espanhol. Ele e Cristiano Ronaldo são os recordistas de troféus de maior goleador da Europa.

O “Blog do Rafael Reis” publica a cada terça-feira uma nova parcial da Chuteira de Ouro.

Confira o top 10 da Chuteira de Ouro

1º – Albert Prosa (EST, Tallinn) – 27 pontos (27 gols)
2º – Radamel Falcao García (COL, Monaco) – 24 pontos (12 gols)
3º – Rauno Sappinen (EST, Flora) – 23 pontos (23 gols)
4º – Ciro Immobile (ITA, Lazio) – 22 pontos (11 gols)
Lionel Messi (ARG, Barcelona) – 22 pontos (11 gols)
Gerard Gohou (CMF, Kairat Almaty) – 22 pontos (22 gols)
7º – Mikhail Gordeichuk (BLR, BATE Borisov) – 21 pontos (14 gols)
Magnus Eriksson (SUE, Djugardens) – 21 pontos (14 gols)
9º – Paulo Dybala (ARG, Juventus) – 20 pontos (10 gols)
Pìerre-Emerick Aubameyang (GAB, Borussia Dortmund) – 20 pontos (10 gols)
Sean Maguire (IRL, Preston North End) – 20 pontos (20 gols)
Rimo Hunt (EST, FC Levadia) – 20 pontos (20 gols)


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No futebol da terra de Cristiano Ronaldo, quem brilha é o primo do craque
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Rafael Reis

Aeroporto Internacional Cristiano Ronaldo, Museu CR7, Praça Cristiano Ronaldo, Hotel Pestana CR7 Funchal, Loja CR7, um polêmico busto, uma estátua de bronze de 3,40 m.

O filho mais ilustre da Ilha da Madeira é lembrado em todos os cantos da região que deu ao planeta o favorito ao prêmio de melhor jogador do mundo em 2017. Até dentro dos gramados da várzea.

No futebol amador do arquipélago de cerca de 260 mil habitantes, não há chutes e cabeçadas mais temidas do que as desferidas por José Adriano Xavier Aveiro, ou, simplesmente, “primo de Cristiano”, como é mais conhecido.

Filho de um irmão do pai de Cristiano Ronaldo, Adriano Aveiro é um ano e meio mais velho que o astro e foi o artilheiro de duas das quatro últimas temporadas da Primeira Divisão Regional da Associação de Futebol da Madeira, um campeonato disputado por clubes amadores equivalente à quarta divisão portuguesa.

Autor de 75 gols nos 76 jogos que disputou entre o segundo semestre de 2013 e o primeiro de 2017 (uma média de quase um gol por partida), o centroavante ganhou na atual temporada a melhor oportunidade de sua carreira e assinou com o Câmara de Lobos, equipe da Madeira promovida para o terceiro escalão do futebol lusitano.

“Na seriedade e na ambição que demonstrou em campo, sou parecido com meu primo. Isso está no nosso sangue. O resto, claro, é muito diferente: ele é o melhor do mundo; eu sou só um dos melhores do meu campeonato”, afirmou o camisa 9, em entrevista ao site português “Mais Futebol”.

Cristiano e Adriano começaram juntos nas categorias de base do Andorinha, time da cidade de Funchal, capital da Madeira, onde nasceram. Mas, enquanto o primeiro deixou a ilha no começo da adolescência para jogar no Sporitng e depois conquistar o mundo, o segundo jamais ficou longe de casa.

O centroavante do Câmara de Lobos até tentou se profissionalizar no Marítimo, clube da região que costuma disputar a primeira divisão portuguesa, mas não teve a mesma sorte do primo. Então, foi trabalhar com telecomunicações.

“Financeiramente não compensa jogar nos ‘Nacionais’ [as duas primeiras divisões portuguesas. Tenho o meu emprego e uma vida estável em termos familiares, jogo futebol por hobby, treino à noite e consigo conciliar com o trabalho, que obriga a alguma rotatividade.”

Apesar de não ter 1% do reconhecimento do Aveiro mais famoso do futebol, Adriano pode se orgulhar de um feito que deixou o primo rico com uma pontinha de inveja.

Na temporada passada, quando defendia o Santacruzense, o centroavante que brilha no futebol amador marcou seis vezes em uma mesma partida (goleada por 8 a 1 sobre o Clube de Formação da Madeira).

Em toda sua carreira como profissional, Cristiano Ronaldo nunca conseguiu superar as cinco bolas na rede em 90 minutos –atingiu essa marca somente duas vezes, contra Granada e Espanyol, ambas em 2015.

O astro do Real Madrid é o favorito para ser eleito, na próxima segunda-feira, o melhor jogador do mundo pela quinta vez na carreira. O argentino Lionel Messi, do Barcelona, e o brasileiro Neymar, do Paris Saint-Germain, são os outros finalistas do prêmio da Fifa.


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Neymar finalista do melhor do mundo é vitória do marketing sobre o futebol
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Rafael Reis

Neymar é um craque. Se não fosse, o Paris Saint-Germain jamais teria gasto 222 milhões de euros (R$ 831 milhões) para tirá-lo do Barcelona e transformá-lo no símbolo máximo de um clube que sonha em se tornar o mais poderoso do planeta.

Mas, apesar de todo esse talento acima da média que possui, o brasileiro não deveria ter sido indicado ao prêmio de melhor jogador do mundo na temporada 2016/17.

E mais: sua presença na lista de finalistas do troféu da Fifa, ao lado do favorito Cristiano Ronaldo (Real Madrid) e de Lionel Messi (Barcelona), não passa de uma vitória do marketing sobre o futebol.

Não que o atacante seja uma invenção da imprensa brasileira ou mereça o apelido de Neymarketing, expressões de sucesso entre seus críticos nas redes sociais. Só que ele simplesmente não jogou bola suficiente na temporada passada para estar entre os três melhores do planeta.

Seu último ano com a camisa do Barcelona foi o menos produtivo de sua carreira desde a Copa-2014. Neymar marcou apenas 20 gols (contra 31 de 2015/16 e 39 de 2014/15) e só conquistou a Copa do Rei pelo clube catalão.

Mas o brasileiro foi a estrela do histórico 6 a 1 aplicado pelo Barça sobre o PSG… Verdade, aquela realmente foi uma atuação extraordinária. Mas foi apenas um entre 45 jogos da temporada e teve como o efeito prático apenas adiar em uma rodada a eliminação do time blaugrana na Liga dos Campeões.

Sergio Ramos e Marcelo, campeões europeus ao lado de Cristiano Ronaldo no Real, Gianluiggi Buffon e Paulo Dybala, vice continentais pela Juventus, e talvez até mesmo a sensação francesa Kylian Mbappé mereciam mais que Neymar estar entre os três finalistas do prêmio da Fifa.

O que levou o brasileiro à segunda indicação de sua carreira (foi terceiro colocado em 2015) foi mesmo o marketing. Não uma campanha orquestrada para colocá-lo lá, mas sim um longo e sólido trabalho de construção da sua imagem como o sucessor natural de CR7 e Messi.

Para muita gente, entre os quais vários eleitores do prêmio da Fifa (técnicos, capitães de seleções, jornalistas e pessoas comuns cadastradas no site da entidade), Neymar será o melhor do mundo assim que os dois maiores astros do futebol na atualidade derem um deslize e perderem rendimento.

É essa crença popular, inflada evidentemente pela transformação do brasileiro no jogador mais caro de todos os tempos (negociação concluída pouco antes do período de votação do prêmio), que colocou o novo camisa 10 do PSG na final da eleição do melhor do mundo, mesmo sem ter jogado futebol suficiente para merecer a indicação.

É por isso que a presença de Neymar na cerimônia do próximo dia 23 de outubro, em Londres, é uma vitória do marketing e das fortunas movimentadas por esse mercado global sobre o futebol praticado dentro de campo.


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Árbitro de vídeo passa em teste, mas não livra apito de erros e polêmicas
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Rafael Reis

Uma boa notícia para aqueles que defendem o uso da tecnologia no futebol: de acordo com o presidente da Fifa, Gianni Infantino, a arbitragem com apoio do vídeo passou no teste na Copa das Confederações e deve ser usada novamente na Copa do Mundo do próximo ano, na Rússia.

Mas a notícia é que, pelo menos por enquanto, o auxílio das imagens está longe de livrar a modalidade dos erros de apito e evitar que os juízes cometam lambanças e interfiram direta e indiretamente no placar.

Por orientação da Fifa, limitação técnica ou escolha dos árbitros principais, aqueles que ficam em campo e são os responsáveis finais pelas decisões da arbitragem, o VAR (Vídeo Assistant Referee) não mostrou todo seu potencial na Copa das Confedações.

A análise das imagens foi usada com razoável frequência em lances capitais da partida, como a existência ou não de impedimento em um lance de gol, a marcação de um pênalti ou a definição da expulsão de um jogador.

Mas o futebol não é feito apenas de lances capitais. Faltas na intermediária, escanteios e cartões amarelos também influenciam o placar de um jogo.

Só que, durante a Copa das Confederações, essas decisões foram tomadas quase que exclusivamente pelo árbitro principal. A tecnologia estava à disposição, mas pouco se recorreu a ela.

Medo de um excesso de paralisações e da perda da dinâmica usual do futebol? Temor de uma certa banalização do sistema de vídeo? Ou apenas o orgulho de um juiz que quer provar que não precisa de ajuda externa para tomar as decisões corretas? Difícil responder com precisão.

O certo é que os erros de arbitragem continuam fazendo parte do cotidiano do futebol. Às vezes, até mesmo quando o VAR é acionado.

Na decisão da Copa das Confederaçõeso árbitro recorreu ao vídeo para analisar uma agressão de Jara a Werner. Mesmo depois de ver imagens que mostravam uma cotovelada clara do zagueiro chileno no rosto do atacante alemão, optou por mostrar apenas o cartão amarelo para o defensor. Questão de interpretação, mas também um erro crasso do seu apito.

Não há dúvidas que o sistema de vídeo será aprimorado e, com o passar do tempo, conseguirá reduzir o número de erros de arbitragem e tornar mais justo o resultado final de uma partida de futebol.

Mas até que isso aconteça, os juízes continuarão sendo os vilões do esporte. Com acertos, é claro, mas também com muitos erros.


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Entenda por que esta pode ser a última Copa das Confederações da história
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Rafael Reis

A décima edição da Copa das Confederações, que começa neste sábado, na Rússia, pode ser a última da história da competição jogada quadrienalmente pelas seleções campeãs de cada continente.

A Fifa anda descontente com os rumos comerciais e técnicos do torneio. Por isso, desde o segundo semestre do ano passado, vem discutindo internamente a possibilidade de extinguir a disputa.

O principal motivo, claro, é de ordem econômica.

A Copa das Confederações está longe de ser um sucesso do ponto de vista comercial. De acordo com o comitê organizador russo, só 70% dos ingressos para competição já foram vendidos. E não há nenhuma garantia de que esses números não estejam inflacionados.

Além disso, a Fifa tem sofrido para conseguir patrocinadores para o evento. A entidade vendeu apenas quatro cotas da competição: Budweiser, McDonalds, Hisense e Vivo.

Os direitos de transmissão do torneio, outra importante fonte de renda da Fifa, também encalharam. Para se ter uma ideia, o acordo para exibição televisiva das partidas na Rússia, o país-anfitrião do campeonato, só foi anunciado no último domingo, seis dias antes do pontapé inicial.

Para piorar, a Copa das Confederações tem perdido aquela aura de aquecimento para a Copa do Mundo que justifica sua existência.

Atual campeã mundial, a Alemanha decidiu levar ao torneio uma espécie de seleção B, formada por jovens jogadores. Na cabeça do técnico Joachim Löw, é mais importante descansar seus principais astros para a temporada que vai culminar Mundial que experimentá-los nos campos russos.

E, para completar, a próxima edição da competição traria um desafio que a Fifa não parece muito disposta a resolver.

Se quiser realizar a Copa das Confederações no Qatar, em novembro ou dezembro de 2021, a entidade terá de mexer ainda mais nos calendários das competições nacionais europeias, que já serão alterados em 2022 em virtude de um Mundial disputado fora do seu período tradicional, o verão europeu.

É por isso que tudo conspira para o fim da Copa das Confederações. Ou, pelo menos, para uma mudança radical na estrutura do torneio depois da Rússia-2017.

A competição é disputada regularmente desde 1992, quando foi criada pela Arábia Saudita para homenagear o Rei Fahd. Em 1997, a Fifa assumiu a organização do torneio e lhe deu seu nome atual.

O Brasil é o maior vencedor da história da Copa das Confederações, com quatro títulos. Pela primeira vez desde 1995, a seleção pentacampeã mundial não disputa o torneio.


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Por onde andam os jogadores do Mazembe que surpreenderam o Inter em 2010?
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Rafael Reis

A primeira vez é inesquecível. E é por isso que o feito do Tout Puissant Mazembe (Todo Poderoso Mazembe, em tradução para o português) foi tão especial.

No dia 14 de dezembro de 2010, o clube congolês derrotou o Internacional por 2 a 0 e rompeu uma antiga máxima que remetia aos tempos da antiga Taça Intercontinental, a de que o Mundial de Clubes da Fifa era um torneio sempre decidido por um time europeu e outro sul-americano.

Na final, o time africano não foi páreo para a Inter de Milão e levou um 3 a 0 incontestável. Mas a história já havia sido escrita: pela primeira vez, uma equipe de outro continente, que não a Europa e a América do Sul, havia disputado a decisão do torneio que elege o melhor time de futebol do planeta.

Sete anos depois de provar que o Mazembe realmente era Todo Poderoso, quais os paradeiros dos jogadores que derrotaram o Inter por 2 a 0 e fizeram a festa da África (e, claro, da metade tricolor do Rio Grande do Sul)? É isso que você irá descobrir logo abaixo:

POR ONDE ANDA – MAZEMBE (2010)?

Robert Kidiaba (41 anos) – O mais folclórico e conhecido jogador do Mazembe ficou famoso internacionalmente graças à dancinha curiosa (uma espécie de trenzinho quicando no gramado) feita para celebrar as conquistas do clube e chegou a ser sondado para jogar no Grêmio. Kidiaba encerrou a carreira como goleiro do Mazembe no fim do ano passado e agora trabalha na comissão técnica do time que o consagrou.

Eric Nkulukuta (34 anos) – O lateral direito da histórica vitória sobre o Internacional passou sete anos vestindo a camisa do Mazembe e disputou mais de 110 partidas pelo clube congolês. Desde 2015, defende o Don Bosco, uma equipe de segundo escalão do futebol nacional.

Joël Kimwaki (30 anos) – Um dos remanescentes da equipe que disputou o Mundial de Clubes de 2010, o zagueiro já conquistou cinco títulos nacionais e dois continentais pelo Mazembe. Kimwaki também acumula mais de 40 jogos pela seleção congolesa.

Mihayo Kazembe (40 anos) – Capitão do Mazembe no Mundial de Clubes, foi revelado nas categorias de base do clube e vestiu sua camisa até a aposentadoria, em 2012. No ano passado, chegou a trabalhar como técnico da equipe congolesa.

Kilitcho Kasusula (34 anos) – Mais um vice-campeão mundial de 2010 que continua vestindo as cores do Mazembe, clube que defendeu toda a carreira e onde segue como dono da lateral esquerda. Em 2015, chegou a se filiar a um partido político para disputar as eleições na República Democrática do Congo.

Bedi Mbenza (32 anos) – O volante foi um dos poucos titulares do Mazembe na vitória sobre o Inter que conseguiram aquilo que todos sonhavam quando foram para o Mundial: uma transferência para a Europa. Em 2011, Mbenza foi contratado pelo Anderlecht, onde ficou por duas temporadas e não teve muito destaque. Após deixar a Bélgica, o jogador ainda passou pela Tunísia antes de retornar ao Congo, em 2015.

Narcisse Ekanga (29 anos) – Nascido em Camarões e portador de passaporte de Guiné-Bissau, o meia rodou bastante desde que deixou o Mazembe, em 2011. Ekanga jogou no Sudão, teve uma rápida passagem pela Turquia e defendeu outros dois clubes congoleses. Atualmente, defendeu o Buildcon, um dos adversários do Mazembe em sua liga nacional.

Given Singuluma (30 anos) – O camisa 10 do Mazembe no Mundial de Clubes de 2010 continua o mesmo sete anos depois. Singuluma é um dos principais jogadores do futebol congolês e já disputou duas edições da Copa Africana de Nações, em 2010 e 2015. Em sua segunda participação, aliás, marcou o gol de abertura da competição.

Patou Kabangu (31 anos) –  O autor do primeiro gol da vitória sobre o Inter retornou ao Mazembe no mês passado, cinco anos depois de deixar o clube pela primeira vez para tentar a sorte na Bélgica. Kabangu também jogou por três temporadas no Qatar e ficou desempregado por mais de um ano até voltar para casa.

Dioko Kaluyituka (30 anos) – O responsável pelo segundo gol do Mazembe na semifinal do Mundial de Clubes vive no Qatar desde 2011 e construiu uma carreira sólida no país-sede da Copa de 2022. O atacante, que defende atualmente o Al-Gharafa, está em fase de recuperação de um problema médico.

Ngandu Kasongo (37 anos) – Um dos homens de frente do Mazembe em 2010, Kasongo defende por uma década o clube congolês e está aposentado desde 2013. O atacante participou de duas edições do Mundial de Clubes e marcou um gol em 2009 –contra o Auckland City, na disputa pelo quinto lugar.

Déo Kanda (27 anos) – Único reserva a ser utilizado na semifinal contra o Inter, o atacante deixou o Mazembe em 2013, jogou em Marrocos, Angola e Grécia, e retornou ao clube em outubro do ano passado. Atualmente, segue como reserva na equipe congolesa.

Lamine N’Diaye (60 anos) – O senegalês de 60 anos dirigiu o Mazembe entre 2010 e 2013 e conquistou dois títulos congoleses e um africano. Quatro anos atrás, deixou o banco de reservas e foi promovido ao cargo de diretor-técnico do clube.


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Mesmo sem escândalos, “nova” Fifa faz tudo para desagradar
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Rafael Reis

Gianni Infantino assumiu o comando da Fifa em 26 de fevereiro do ano passado com uma complicada e urgente missão: recuperar uma instituição marcada por décadas de corrupção epidêmica e manchada pelo afastamento do seu último presidente e pela prisão de vários dos seus principais cartolas.

Mas em seus primeiros 11 meses de mandato, o suíço só conseguiu fazer crescer a já imensa antipatia geral em relação à entidade que gerencia o futebol mundial.

Infantino

Apesar de não ter se metido em nenhum grande escândalo e de ainda estar com o nome relativamente limpo, a nova gestão da Fifa tem sido marcada por decisões polêmicas e apostas bastante impopulares.

Algumas das ideias propostas por Infantino e seus companheiros são tão temerárias que podem inclusive estragar o próprio futebol e aquilo que sempre deu certo nele.

É o caso, por exemplo, da ampliação no número de participantes da Copa do Mundo. A partir de 2026, a competição mais importante do planeta terá a 48 seleções, 16 a mais do que no modelo atual.

Além da presença de várias equipes de baixo nível técnico que conseguirão a classificação, diminuindo assim a qualidade do futebol praticado no Mundial, outro fator que preocupa é o sistema de disputa.

Com 16 grupos de três seleções e o avanço das duas melhores equipes de cada chave para o mata-mata, a primeira fase pode ser tornar um mar de partidas com resultados combinados para garantir a classificação dos times que se enfrentarem na última rodada.

Outra proposta perigosa da administração Infantino veio de Marco van Basten, ex-atacante holandês nomeado pelo suíço para trabalhar no “desenvolvimento técnico” da entidade. Há duas semanas, o ex-jogador do Ajax e do Milan defendeu, entre outras medidas, o fim do impedimento.

Mesmo antes do holandês apresentar essa sugestão, você já deve ter ouvido alguma ideia semelhante… no bar ou em conversas com amigos de pelada, gente que talvez nem saiba que é o impedimento a regra essencial para o funcionamento do futebol e de toda a evolução tática registrada até hoje.

A mais nova polêmica veio na semana passada. Em nota enviada ao jornal “O Estado de S. Paulo”, a Fifa disse que só reconhece como campeões mundiais os clubes que conquistaram os torneios organizados por ela (2000 e desde 2005). Assim, Flamengo, Grêmio e todos os times que venceram a antiga Taça Intercontinental não são, de acordo com a entidade, campeões mundiais legítimos.

Legalmente, não há nada de errado nessa decisão. Pelo contrário, é até natural que a entidade só reconheça como campeões aqueles que conquistaram títulos organizados por ela. Mas a questão é: qual a razão de se adotar uma política tão radical e que irá desagradar a torcedores de tantos clubes?

É por essas e outras que a Fifa de Infantino, apesar de não ter produzido novos escândalos de corrupção, não tem conseguido cumprir a missão para qual o dirigente suíço foi eleito: recuperar a sua imagem. Afinal, desagradar seu consumidor final, o fã de futebol, não é a melhor estratégia para isso.


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Campeão mundial, Zidane tem ano de estreia melhor que o de Guardiola
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Rafael Reis

A vitória por 4 a 2 na prorrogação sobre o Kashima Antlers, no domingo, na decisão do Mundial de Clubes, fez Zinedine Zidane encerrar com chave de ouro seu primeiro ano à frente de um time de primeira divisão.

O melhor jogador do planeta em 1998, 2000 e 2003 já conquistou três títulos na nova função (Liga dos Campeões e Supercopa Europeia, além do torneio da Fifa). E conseguiu um feito ainda mais impressionante: superar o desempenho do já histórico primeiro ano de carreira de Pep Guardiola.

Zidane

Apesar de ter deixado escapar o título espanhol, o Real Madrid de 2016 consegue ser melhor que o Barcelona da temporada 2008/09. Pelo menos, em relação ao aproveitamento de pontos.

Promovido a técnico do time principal em 4 de janeiro, logo após a demissão de Rafa Benítez, Zidane dirigiu o Real Madrid em 53 partidas em seu primeiro ano de carreira. Foram 40 vitórias, 11 empates e 2 derrotas. Ou seja, conquistou 82,4% dos pontos que disputou.

A marca é superior aos 74,7% alcançados por Guardiola em seus primeiros 12 meses à frente do Barcelona, oito anos atrás. Na ocasião, o técnico estreante conseguiu 42 vitórias, 13 empates e 7 derrotas.

A vantagem do ano de estreia da revolução Pep no Barça foi a conquista de todos os títulos possíveis naquele momento: Espanhol, Copa do Rei e Liga dos Campeões.

Nunca na história do Real Madrid um treinador teve um início tão bom quanto o astro francês.

Sem perder há 37 partidas, o time de Zidane ostenta a maior invencibilidade do clube em 114 anos de história e está a dois jogos de igualar a maior marca do futebol espanhol em todos os tempos –estabelecida pelo Barcelona na temporada passada.

A última vez que o ex-camisa 10 da seleção francesa saiu de campo derrotado foi em 6 de abril, quando o Real foi batido pelo Wolfsburg, na Alemanha, no jogo de ida das quartas de final da Champions.

Naquele momento, ainda havia dúvidas se Zidane vingaria na carreira de técnico. Mas, desde então, ele venceu todas as suas batalhas: ganhou o título europeu, faturou o Mundial, fixou Casemiro como um homem essencial para seu meio-campo, provou que James Rodríguez merece ser reserva e convenceu Cristiano Ronaldo a aceitar ser poupado de vez em quando.

Mais que isso, tem conseguido cumprir a pesada meta que a diretoria lhe impôs: ser para o Real Madrid o mesmo que Guardiola havia sido para o Barcelona.

Os predicados são os mesmos: Zidane também foi ídolo como jogador e se formou como técnico nas categorias de base do clube que lhe deu a primeira chance na nova carreira, assumiu um time em crise e teve sucesso praticamente instantâneo.

Os números do início da era Guardiola, ele já superou.


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Rafael Reis

Masatada Ishii, o homem à frente do Kashima Antlers na surpreendente vitória por 3 a 0 sobre o Atlético Nacional, na quarta-feira, pode se considerar um homem de sorte.

Se dependesse apenas da vontade do treinador de 49 anos, ele não teria levado pela primeira vez na história um time asiático à decisão do Mundial de Clubes e nem teria a oportunidade de medir forças com o poderoso Real Madrid, neste domingo.

Ishii

Se Ishii fosse senhor do seu destino, ele não seria mais o técnico do Kashima desde agosto.

Quatro meses atrás, ele chegou a pedir demissão depois de quase ter sido agredido pelo atacante Mu Kanazaki.

Artilheiro da equipe, o jogador se revoltou por ter sido substituído contra o Shonan Bellmare, em partida do Campeonato Japonês, bateu boca com o treinador, foi para cima do treinador e só não chegou a agredi-lo porque seus companheiros de time o impediram.

Ishii, evidente, ficou revoltado com o comportamento do centroavante e pediu que ele fosse afastado do elenco. Como a diretoria rejeitou o pedido, avisou que não voltaria a comandar o Kashima.

Mas aí, o comando do clube voltou a intervir. Não apenas convenceu o técnico a continuar no cargo, como fez com que ele se acertasse com Kanazaki.

A parceria foi essencial para o Kashima encerrar o jejum de seis anos sem conquistar a J. League. O antigo inimigo de Ishii marcou todos os três gols da equipe na fase final da competição –um contra o Kawasaki Frontale, na semifinal, e dois ante o Urawa Red Diamonds, na decisão.

Companheiro de Zico no meio-campo dos Antlers na década de 1990 e ex-assistente técnico do clube, o treinador assumiu o comando do time em julho de 2005, substituindo Toninho Cerezo.

Sua contratação, por si só, já foi um feito histórico. Afinal, foram 21 anos consecutivos de técnicos brasileiros em Kashima.

Desde a saída do japonês Masakatsu Miyamoto, em 1994, passaram por lá Edu Coimbra, João Carlos Costa, Zé Mario, Zico, Toninho Cerezo, Paulo Autuori, Oswaldo de Oliveira e Jorginho, além de Cerezo.

A única exceção foi o interino Takashi Sekizuka, acionado duas vezes nos anos 1990 e rapidamente substituído.

Mas, se pensarmos em técnico japonês efetivo, Ishii é mesmo o primeiro em 21 anos.

E, neste domingo, chegará ao maior momento de sua carreira, a tão esperada final do Mundial de Clube. Tudo graças à diretoria que não o deixou ir embora do Kashima.


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Quase irrelevante, Mundial de Clubes precisa de mudança radical
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Rafael Reis

Kashima Antlers e Auckland City abriram na manhã de quinta-feira a 13ª edição do Mundial de Clubes da Fifa. E, com exceção dos torcedores dos clubes japonês e neozelandês e de alguns poucos realmente fanáticos pelo futebol, ninguém se importou com a partida.

E esse descaso não é exceção. Essa é sim a realidade da competição que passa longe de alcançar a relevância que deveria e o peso de ter sido criada como uma espécie de versão interclubes da Copa do Mundo.

Mundial

Todo ano é assim. Os torcedores dos campeões da Libertadores, da Concacaf, da Ásia, da África, da Oceania e também da J-League (quando o Japão é sede do torneio) tratam o Mundial como o momento ápice do calendário.

Infelizmente, só eles. O resto do planeta considera a competição como algo de segunda linha, inclusive os apoiadores do vencedor da Liga dos Campeões da Europa, nesta edição, o Real Madrid.

A Fifa já percebeu isso e planeja uma reformulação completa no Mundial de Clubes para tirá-lo do marasmo e tentar lhe dar a relevância que um torneio com esse nome pede.

A proposta lançada no mês passado pelo presidente Gianni Infantino prevê aumentar radicalmente o número de participantes (dos 7 clubes atuais para 32) e realizar a competição, em junho, no final da temporada europeia. A ideia é que esse novo Mundial saia do papel em 2019.

Apesar de deixar o calendário do futebol mundial ainda mais inchado do que hoje, esse plano de expansão traria dois efeitos imediatos positivos para o torneio.

Primeiramente, aumentaria o número de torcedores e países interessados na disputa. Mesmo que o resto do planeta ignorasse o Mundial, passaríamos a ter os fãs de 32 times de alguma forma envolvidos com o torneio, e não mais os de sete equipes.

Além disso, a expansão colocaria mais clubes europeus na briga pelo título, o que consequentemente elevaria o nível técnico e agradaria o paladar da maior parte da população que consome futebol.

É fácil comprovar isso. Basta responder uma pergunta. Qual dessas partidas você pararia para assistir: Kashima Antlers x Auckland City, Real Madrid x Atlético Nacional ou Real Madrid x Barcelona?

A conta é simples. Mais clubes significam mais vagas para a Europa. Mais vagas para a Europa significam mais craques. Mais craques significam mais audiência. E mais audiência significa mais relevância. Pode parecer uma visão elitista, mas essa é a regra do jogo.

Uma regra do jogo que Fifa parece querer aplicar. Afinal, o Mundial precisa desesperadamente dela.


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