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Árbitro de vídeo passa em teste, mas não livra apito de erros e polêmicas
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Rafael Reis

Uma boa notícia para aqueles que defendem o uso da tecnologia no futebol: de acordo com o presidente da Fifa, Gianni Infantino, a arbitragem com apoio do vídeo passou no teste na Copa das Confederações e deve ser usada novamente na Copa do Mundo do próximo ano, na Rússia.

Mas a notícia é que, pelo menos por enquanto, o auxílio das imagens está longe de livrar a modalidade dos erros de apito e evitar que os juízes cometam lambanças e interfiram direta e indiretamente no placar.

Por orientação da Fifa, limitação técnica ou escolha dos árbitros principais, aqueles que ficam em campo e são os responsáveis finais pelas decisões da arbitragem, o VAR (Vídeo Assistant Referee) não mostrou todo seu potencial na Copa das Confedações.

A análise das imagens foi usada com razoável frequência em lances capitais da partida, como a existência ou não de impedimento em um lance de gol, a marcação de um pênalti ou a definição da expulsão de um jogador.

Mas o futebol não é feito apenas de lances capitais. Faltas na intermediária, escanteios e cartões amarelos também influenciam o placar de um jogo.

Só que, durante a Copa das Confederações, essas decisões foram tomadas quase que exclusivamente pelo árbitro principal. A tecnologia estava à disposição, mas pouco se recorreu a ela.

Medo de um excesso de paralisações e da perda da dinâmica usual do futebol? Temor de uma certa banalização do sistema de vídeo? Ou apenas o orgulho de um juiz que quer provar que não precisa de ajuda externa para tomar as decisões corretas? Difícil responder com precisão.

O certo é que os erros de arbitragem continuam fazendo parte do cotidiano do futebol. Às vezes, até mesmo quando o VAR é acionado.

Na decisão da Copa das Confederaçõeso árbitro recorreu ao vídeo para analisar uma agressão de Jara a Werner. Mesmo depois de ver imagens que mostravam uma cotovelada clara do zagueiro chileno no rosto do atacante alemão, optou por mostrar apenas o cartão amarelo para o defensor. Questão de interpretação, mas também um erro crasso do seu apito.

Não há dúvidas que o sistema de vídeo será aprimorado e, com o passar do tempo, conseguirá reduzir o número de erros de arbitragem e tornar mais justo o resultado final de uma partida de futebol.

Mas até que isso aconteça, os juízes continuarão sendo os vilões do esporte. Com acertos, é claro, mas também com muitos erros.


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Entenda por que esta pode ser a última Copa das Confederações da história
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Rafael Reis

A décima edição da Copa das Confederações, que começa neste sábado, na Rússia, pode ser a última da história da competição jogada quadrienalmente pelas seleções campeãs de cada continente.

A Fifa anda descontente com os rumos comerciais e técnicos do torneio. Por isso, desde o segundo semestre do ano passado, vem discutindo internamente a possibilidade de extinguir a disputa.

O principal motivo, claro, é de ordem econômica.

A Copa das Confederações está longe de ser um sucesso do ponto de vista comercial. De acordo com o comitê organizador russo, só 70% dos ingressos para competição já foram vendidos. E não há nenhuma garantia de que esses números não estejam inflacionados.

Além disso, a Fifa tem sofrido para conseguir patrocinadores para o evento. A entidade vendeu apenas quatro cotas da competição: Budweiser, McDonalds, Hisense e Vivo.

Os direitos de transmissão do torneio, outra importante fonte de renda da Fifa, também encalharam. Para se ter uma ideia, o acordo para exibição televisiva das partidas na Rússia, o país-anfitrião do campeonato, só foi anunciado no último domingo, seis dias antes do pontapé inicial.

Para piorar, a Copa das Confederações tem perdido aquela aura de aquecimento para a Copa do Mundo que justifica sua existência.

Atual campeã mundial, a Alemanha decidiu levar ao torneio uma espécie de seleção B, formada por jovens jogadores. Na cabeça do técnico Joachim Löw, é mais importante descansar seus principais astros para a temporada que vai culminar Mundial que experimentá-los nos campos russos.

E, para completar, a próxima edição da competição traria um desafio que a Fifa não parece muito disposta a resolver.

Se quiser realizar a Copa das Confederações no Qatar, em novembro ou dezembro de 2021, a entidade terá de mexer ainda mais nos calendários das competições nacionais europeias, que já serão alterados em 2022 em virtude de um Mundial disputado fora do seu período tradicional, o verão europeu.

É por isso que tudo conspira para o fim da Copa das Confederações. Ou, pelo menos, para uma mudança radical na estrutura do torneio depois da Rússia-2017.

A competição é disputada regularmente desde 1992, quando foi criada pela Arábia Saudita para homenagear o Rei Fahd. Em 1997, a Fifa assumiu a organização do torneio e lhe deu seu nome atual.

O Brasil é o maior vencedor da história da Copa das Confederações, com quatro títulos. Pela primeira vez desde 1995, a seleção pentacampeã mundial não disputa o torneio.


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Por onde andam os jogadores do Mazembe que surpreenderam o Inter em 2010?
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Rafael Reis

A primeira vez é inesquecível. E é por isso que o feito do Tout Puissant Mazembe (Todo Poderoso Mazembe, em tradução para o português) foi tão especial.

No dia 14 de dezembro de 2010, o clube congolês derrotou o Internacional por 2 a 0 e rompeu uma antiga máxima que remetia aos tempos da antiga Taça Intercontinental, a de que o Mundial de Clubes da Fifa era um torneio sempre decidido por um time europeu e outro sul-americano.

Na final, o time africano não foi páreo para a Inter de Milão e levou um 3 a 0 incontestável. Mas a história já havia sido escrita: pela primeira vez, uma equipe de outro continente, que não a Europa e a América do Sul, havia disputado a decisão do torneio que elege o melhor time de futebol do planeta.

Sete anos depois de provar que o Mazembe realmente era Todo Poderoso, quais os paradeiros dos jogadores que derrotaram o Inter por 2 a 0 e fizeram a festa da África (e, claro, da metade tricolor do Rio Grande do Sul)? É isso que você irá descobrir logo abaixo:

POR ONDE ANDA – MAZEMBE (2010)?

Robert Kidiaba (41 anos) – O mais folclórico e conhecido jogador do Mazembe ficou famoso internacionalmente graças à dancinha curiosa (uma espécie de trenzinho quicando no gramado) feita para celebrar as conquistas do clube e chegou a ser sondado para jogar no Grêmio. Kidiaba encerrou a carreira como goleiro do Mazembe no fim do ano passado e agora trabalha na comissão técnica do time que o consagrou.

Eric Nkulukuta (34 anos) – O lateral direito da histórica vitória sobre o Internacional passou sete anos vestindo a camisa do Mazembe e disputou mais de 110 partidas pelo clube congolês. Desde 2015, defende o Don Bosco, uma equipe de segundo escalão do futebol nacional.

Joël Kimwaki (30 anos) – Um dos remanescentes da equipe que disputou o Mundial de Clubes de 2010, o zagueiro já conquistou cinco títulos nacionais e dois continentais pelo Mazembe. Kimwaki também acumula mais de 40 jogos pela seleção congolesa.

Mihayo Kazembe (40 anos) – Capitão do Mazembe no Mundial de Clubes, foi revelado nas categorias de base do clube e vestiu sua camisa até a aposentadoria, em 2012. No ano passado, chegou a trabalhar como técnico da equipe congolesa.

Kilitcho Kasusula (34 anos) – Mais um vice-campeão mundial de 2010 que continua vestindo as cores do Mazembe, clube que defendeu toda a carreira e onde segue como dono da lateral esquerda. Em 2015, chegou a se filiar a um partido político para disputar as eleições na República Democrática do Congo.

Bedi Mbenza (32 anos) – O volante foi um dos poucos titulares do Mazembe na vitória sobre o Inter que conseguiram aquilo que todos sonhavam quando foram para o Mundial: uma transferência para a Europa. Em 2011, Mbenza foi contratado pelo Anderlecht, onde ficou por duas temporadas e não teve muito destaque. Após deixar a Bélgica, o jogador ainda passou pela Tunísia antes de retornar ao Congo, em 2015.

Narcisse Ekanga (29 anos) – Nascido em Camarões e portador de passaporte de Guiné-Bissau, o meia rodou bastante desde que deixou o Mazembe, em 2011. Ekanga jogou no Sudão, teve uma rápida passagem pela Turquia e defendeu outros dois clubes congoleses. Atualmente, defendeu o Buildcon, um dos adversários do Mazembe em sua liga nacional.

Given Singuluma (30 anos) – O camisa 10 do Mazembe no Mundial de Clubes de 2010 continua o mesmo sete anos depois. Singuluma é um dos principais jogadores do futebol congolês e já disputou duas edições da Copa Africana de Nações, em 2010 e 2015. Em sua segunda participação, aliás, marcou o gol de abertura da competição.

Patou Kabangu (31 anos) –  O autor do primeiro gol da vitória sobre o Inter retornou ao Mazembe no mês passado, cinco anos depois de deixar o clube pela primeira vez para tentar a sorte na Bélgica. Kabangu também jogou por três temporadas no Qatar e ficou desempregado por mais de um ano até voltar para casa.

Dioko Kaluyituka (30 anos) – O responsável pelo segundo gol do Mazembe na semifinal do Mundial de Clubes vive no Qatar desde 2011 e construiu uma carreira sólida no país-sede da Copa de 2022. O atacante, que defende atualmente o Al-Gharafa, está em fase de recuperação de um problema médico.

Ngandu Kasongo (37 anos) – Um dos homens de frente do Mazembe em 2010, Kasongo defende por uma década o clube congolês e está aposentado desde 2013. O atacante participou de duas edições do Mundial de Clubes e marcou um gol em 2009 –contra o Auckland City, na disputa pelo quinto lugar.

Déo Kanda (27 anos) – Único reserva a ser utilizado na semifinal contra o Inter, o atacante deixou o Mazembe em 2013, jogou em Marrocos, Angola e Grécia, e retornou ao clube em outubro do ano passado. Atualmente, segue como reserva na equipe congolesa.

Lamine N’Diaye (60 anos) – O senegalês de 60 anos dirigiu o Mazembe entre 2010 e 2013 e conquistou dois títulos congoleses e um africano. Quatro anos atrás, deixou o banco de reservas e foi promovido ao cargo de diretor-técnico do clube.


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Mesmo sem escândalos, “nova” Fifa faz tudo para desagradar
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Rafael Reis

Gianni Infantino assumiu o comando da Fifa em 26 de fevereiro do ano passado com uma complicada e urgente missão: recuperar uma instituição marcada por décadas de corrupção epidêmica e manchada pelo afastamento do seu último presidente e pela prisão de vários dos seus principais cartolas.

Mas em seus primeiros 11 meses de mandato, o suíço só conseguiu fazer crescer a já imensa antipatia geral em relação à entidade que gerencia o futebol mundial.

Infantino

Apesar de não ter se metido em nenhum grande escândalo e de ainda estar com o nome relativamente limpo, a nova gestão da Fifa tem sido marcada por decisões polêmicas e apostas bastante impopulares.

Algumas das ideias propostas por Infantino e seus companheiros são tão temerárias que podem inclusive estragar o próprio futebol e aquilo que sempre deu certo nele.

É o caso, por exemplo, da ampliação no número de participantes da Copa do Mundo. A partir de 2026, a competição mais importante do planeta terá a 48 seleções, 16 a mais do que no modelo atual.

Além da presença de várias equipes de baixo nível técnico que conseguirão a classificação, diminuindo assim a qualidade do futebol praticado no Mundial, outro fator que preocupa é o sistema de disputa.

Com 16 grupos de três seleções e o avanço das duas melhores equipes de cada chave para o mata-mata, a primeira fase pode ser tornar um mar de partidas com resultados combinados para garantir a classificação dos times que se enfrentarem na última rodada.

Outra proposta perigosa da administração Infantino veio de Marco van Basten, ex-atacante holandês nomeado pelo suíço para trabalhar no “desenvolvimento técnico” da entidade. Há duas semanas, o ex-jogador do Ajax e do Milan defendeu, entre outras medidas, o fim do impedimento.

Mesmo antes do holandês apresentar essa sugestão, você já deve ter ouvido alguma ideia semelhante… no bar ou em conversas com amigos de pelada, gente que talvez nem saiba que é o impedimento a regra essencial para o funcionamento do futebol e de toda a evolução tática registrada até hoje.

A mais nova polêmica veio na semana passada. Em nota enviada ao jornal “O Estado de S. Paulo”, a Fifa disse que só reconhece como campeões mundiais os clubes que conquistaram os torneios organizados por ela (2000 e desde 2005). Assim, Flamengo, Grêmio e todos os times que venceram a antiga Taça Intercontinental não são, de acordo com a entidade, campeões mundiais legítimos.

Legalmente, não há nada de errado nessa decisão. Pelo contrário, é até natural que a entidade só reconheça como campeões aqueles que conquistaram títulos organizados por ela. Mas a questão é: qual a razão de se adotar uma política tão radical e que irá desagradar a torcedores de tantos clubes?

É por essas e outras que a Fifa de Infantino, apesar de não ter produzido novos escândalos de corrupção, não tem conseguido cumprir a missão para qual o dirigente suíço foi eleito: recuperar a sua imagem. Afinal, desagradar seu consumidor final, o fã de futebol, não é a melhor estratégia para isso.


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Campeão mundial, Zidane tem ano de estreia melhor que o de Guardiola
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Rafael Reis

A vitória por 4 a 2 na prorrogação sobre o Kashima Antlers, no domingo, na decisão do Mundial de Clubes, fez Zinedine Zidane encerrar com chave de ouro seu primeiro ano à frente de um time de primeira divisão.

O melhor jogador do planeta em 1998, 2000 e 2003 já conquistou três títulos na nova função (Liga dos Campeões e Supercopa Europeia, além do torneio da Fifa). E conseguiu um feito ainda mais impressionante: superar o desempenho do já histórico primeiro ano de carreira de Pep Guardiola.

Zidane

Apesar de ter deixado escapar o título espanhol, o Real Madrid de 2016 consegue ser melhor que o Barcelona da temporada 2008/09. Pelo menos, em relação ao aproveitamento de pontos.

Promovido a técnico do time principal em 4 de janeiro, logo após a demissão de Rafa Benítez, Zidane dirigiu o Real Madrid em 53 partidas em seu primeiro ano de carreira. Foram 40 vitórias, 11 empates e 2 derrotas. Ou seja, conquistou 82,4% dos pontos que disputou.

A marca é superior aos 74,7% alcançados por Guardiola em seus primeiros 12 meses à frente do Barcelona, oito anos atrás. Na ocasião, o técnico estreante conseguiu 42 vitórias, 13 empates e 7 derrotas.

A vantagem do ano de estreia da revolução Pep no Barça foi a conquista de todos os títulos possíveis naquele momento: Espanhol, Copa do Rei e Liga dos Campeões.

Nunca na história do Real Madrid um treinador teve um início tão bom quanto o astro francês.

Sem perder há 37 partidas, o time de Zidane ostenta a maior invencibilidade do clube em 114 anos de história e está a dois jogos de igualar a maior marca do futebol espanhol em todos os tempos –estabelecida pelo Barcelona na temporada passada.

A última vez que o ex-camisa 10 da seleção francesa saiu de campo derrotado foi em 6 de abril, quando o Real foi batido pelo Wolfsburg, na Alemanha, no jogo de ida das quartas de final da Champions.

Naquele momento, ainda havia dúvidas se Zidane vingaria na carreira de técnico. Mas, desde então, ele venceu todas as suas batalhas: ganhou o título europeu, faturou o Mundial, fixou Casemiro como um homem essencial para seu meio-campo, provou que James Rodríguez merece ser reserva e convenceu Cristiano Ronaldo a aceitar ser poupado de vez em quando.

Mais que isso, tem conseguido cumprir a pesada meta que a diretoria lhe impôs: ser para o Real Madrid o mesmo que Guardiola havia sido para o Barcelona.

Os predicados são os mesmos: Zidane também foi ídolo como jogador e se formou como técnico nas categorias de base do clube que lhe deu a primeira chance na nova carreira, assumiu um time em crise e teve sucesso praticamente instantâneo.

Os números do início da era Guardiola, ele já superou.


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Técnico de zebra do Mundial quase apanhou de jogador e pediu para ir embora
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Rafael Reis

Masatada Ishii, o homem à frente do Kashima Antlers na surpreendente vitória por 3 a 0 sobre o Atlético Nacional, na quarta-feira, pode se considerar um homem de sorte.

Se dependesse apenas da vontade do treinador de 49 anos, ele não teria levado pela primeira vez na história um time asiático à decisão do Mundial de Clubes e nem teria a oportunidade de medir forças com o poderoso Real Madrid, neste domingo.

Ishii

Se Ishii fosse senhor do seu destino, ele não seria mais o técnico do Kashima desde agosto.

Quatro meses atrás, ele chegou a pedir demissão depois de quase ter sido agredido pelo atacante Mu Kanazaki.

Artilheiro da equipe, o jogador se revoltou por ter sido substituído contra o Shonan Bellmare, em partida do Campeonato Japonês, bateu boca com o treinador, foi para cima do treinador e só não chegou a agredi-lo porque seus companheiros de time o impediram.

Ishii, evidente, ficou revoltado com o comportamento do centroavante e pediu que ele fosse afastado do elenco. Como a diretoria rejeitou o pedido, avisou que não voltaria a comandar o Kashima.

Mas aí, o comando do clube voltou a intervir. Não apenas convenceu o técnico a continuar no cargo, como fez com que ele se acertasse com Kanazaki.

A parceria foi essencial para o Kashima encerrar o jejum de seis anos sem conquistar a J. League. O antigo inimigo de Ishii marcou todos os três gols da equipe na fase final da competição –um contra o Kawasaki Frontale, na semifinal, e dois ante o Urawa Red Diamonds, na decisão.

Companheiro de Zico no meio-campo dos Antlers na década de 1990 e ex-assistente técnico do clube, o treinador assumiu o comando do time em julho de 2005, substituindo Toninho Cerezo.

Sua contratação, por si só, já foi um feito histórico. Afinal, foram 21 anos consecutivos de técnicos brasileiros em Kashima.

Desde a saída do japonês Masakatsu Miyamoto, em 1994, passaram por lá Edu Coimbra, João Carlos Costa, Zé Mario, Zico, Toninho Cerezo, Paulo Autuori, Oswaldo de Oliveira e Jorginho, além de Cerezo.

A única exceção foi o interino Takashi Sekizuka, acionado duas vezes nos anos 1990 e rapidamente substituído.

Mas, se pensarmos em técnico japonês efetivo, Ishii é mesmo o primeiro em 21 anos.

E, neste domingo, chegará ao maior momento de sua carreira, a tão esperada final do Mundial de Clube. Tudo graças à diretoria que não o deixou ir embora do Kashima.


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Quase irrelevante, Mundial de Clubes precisa de mudança radical
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Rafael Reis

Kashima Antlers e Auckland City abriram na manhã de quinta-feira a 13ª edição do Mundial de Clubes da Fifa. E, com exceção dos torcedores dos clubes japonês e neozelandês e de alguns poucos realmente fanáticos pelo futebol, ninguém se importou com a partida.

E esse descaso não é exceção. Essa é sim a realidade da competição que passa longe de alcançar a relevância que deveria e o peso de ter sido criada como uma espécie de versão interclubes da Copa do Mundo.

Mundial

Todo ano é assim. Os torcedores dos campeões da Libertadores, da Concacaf, da Ásia, da África, da Oceania e também da J-League (quando o Japão é sede do torneio) tratam o Mundial como o momento ápice do calendário.

Infelizmente, só eles. O resto do planeta considera a competição como algo de segunda linha, inclusive os apoiadores do vencedor da Liga dos Campeões da Europa, nesta edição, o Real Madrid.

A Fifa já percebeu isso e planeja uma reformulação completa no Mundial de Clubes para tirá-lo do marasmo e tentar lhe dar a relevância que um torneio com esse nome pede.

A proposta lançada no mês passado pelo presidente Gianni Infantino prevê aumentar radicalmente o número de participantes (dos 7 clubes atuais para 32) e realizar a competição, em junho, no final da temporada europeia. A ideia é que esse novo Mundial saia do papel em 2019.

Apesar de deixar o calendário do futebol mundial ainda mais inchado do que hoje, esse plano de expansão traria dois efeitos imediatos positivos para o torneio.

Primeiramente, aumentaria o número de torcedores e países interessados na disputa. Mesmo que o resto do planeta ignorasse o Mundial, passaríamos a ter os fãs de 32 times de alguma forma envolvidos com o torneio, e não mais os de sete equipes.

Além disso, a expansão colocaria mais clubes europeus na briga pelo título, o que consequentemente elevaria o nível técnico e agradaria o paladar da maior parte da população que consome futebol.

É fácil comprovar isso. Basta responder uma pergunta. Qual dessas partidas você pararia para assistir: Kashima Antlers x Auckland City, Real Madrid x Atlético Nacional ou Real Madrid x Barcelona?

A conta é simples. Mais clubes significam mais vagas para a Europa. Mais vagas para a Europa significam mais craques. Mais craques significam mais audiência. E mais audiência significa mais relevância. Pode parecer uma visão elitista, mas essa é a regra do jogo.

Uma regra do jogo que Fifa parece querer aplicar. Afinal, o Mundial precisa desesperadamente dela.


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Griezmann, Bale ou Suárez: quem será finalista do melhor do mundo?
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Rafael Reis

A cada ano, a pergunta se repete: quem será o companheiro de Lionel Messi e Cristiano Ronaldo entre os três finalistas do prêmio de melhor jogador do mundo?

O posto já pertenceu a Xavi (2011), Andrés Iniesta (2012), Franck Ribéry (2013), Manuel Neuer (2014) e, no ano passado, foi ocupado por Neymar.

Desta vez, o brasileiro é zebra e dificilmente estará entre os três nomes que serão anunciados nesta sexta-feira.

E como o argentino e o português já ganharam status de intocáveis e dificilmente ficarão de fora da lista, apresentamos abaixo as armas dos três favoritos para ocupar a vaga de terceira via na eleição da Fifa: Griezmann, Bale e Suárez.

ANTOINE GRIEZMANN
25 anos
Atacante
Atlético de Madri/França
63 jogos e 36 gols (0,57 por partida) em 2016
Vice da Liga dos Campeões, pelo Atlético, e da Eurocopa, pela França
Não ficou entre os 23 indicados em 2015
Griezmann
O camisa 7 do Atlético de Madri é o principal favorito para fazer companhia a Cristiano Ronaldo e Messi na eleição. Afinal, o atacante francês faturou vários prêmios ao longo de 2016, como o de melhor jogador do Campeonato Espanhol, a artilharia e o posto de craque da Eurocopa. Além disso, tem a vantagem de ser o protagonista do clube que tão bem defende há dois anos e meio. Joga contra Griezmann o fato de não ter conseguido levantar um troféu com suas equipes e também de ter perdido em casa o título europeu para Portugal.

GARETH BALE
27 anos
Meia-atacante
Real Madrid/País de Gales
34 jogos e 25 gols (0,74 por partida) em 2016
Vencedor da Liga dos Campeões
16º colocado em 2015
Bale
O “jogador número 2” do Real Madrid venceu a Liga dos Campeões. Mas seu maior brilho foi com a camisa de Gales. Graças ao futebol do astro, a seleção nanica conseguiu um feito histórico ao alcançar as semifinais da Eurocopa. É principalmente isso que o credencia a um lugar entre os três melhores do mundo em 2016. Por outro lado, Bale tem uma desvantagem clara em relação a seus rivais. Ao longo do ano, enfrentou uma série de problemas físicos, o que fez com que disputasse um número pequeno de partidas.

LUIS SUÁREZ
29 anos
Atacante
Barcelona/Uruguai
54 jogos e 47 gols (0,87 por partida) em 2016
Vencedor do Campeonato Espanhol e da Copa do Rei
5º colocado em 2015
Suarez
Em 2016, Luis Suárez conseguiu um feito que parecia impossível: acabar com a hegemonia de seis anos de Messi e Cristiano Ronaldo no topo da artilharia do Campeonato Espanhol. Aliás, se o critério de decisão dos eleitores for o número de gols marcados, o camisa 9 do Barcelona já pode comemorar. Mas se o desempenho na Liga dos Campeões, o principal torneio interclubes do ano, tiver um peso muito grande, a cotação do uruguaio irá cair radicalmente, já que o Barça não foi além das quartas de final.


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Longe de indicação, Neymar merece 6º lugar em prêmio de melhor do mundo
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Rafael Reis

A Fifa divulga nesta sexta-feira os três finalistas do prêmio de melhor jogador do mundo. E, apesar da empolgação do seu estafe com a regra que permite votos de torcedores na eleição, Neymar não deve estar entre os indicados.

O motivo é bem simples: o atacante brasileiro não está entre os três atletas que melhor jogaram futebol no planeta em 2016.

Neymar

Não é preciso pensar muito para achar, não três, mas apenas cinco nomes que merecem mais o prêmio que o camisa 11 do Barcelona neste ano: Cristiano Ronaldo, Gareth Bale, Antoine Griezmann, Lionel Messi e Luis Suárez.

Por essa ótica, Neymar foi o sexto melhor jogador do planeta em 2016, três posições abaixo que o terceiro lugar conquistado na última edição da eleição da Fifa.

Os prêmios que já tiveram seus resultados divulgados neste ano confirmam a tendência do brasileiro fora do top 3.

Neymar ficou de fora da seleção da última temporada do Campeonato Espanhol e também do “elenco ideal” de 18 jogadores da Liga dos Campeões da Europa.

CR7, Bale, Griezmann, Messi e Suárez, os caras que jogaram mais que ele em 2016, apareceram em pelo menos uma dessas duas listas de premiados.

Ao contrário do português e do galês do Real Madrid, Neymar não conquistou a Liga dos Campeões, o principal torneio interclubes do ano. Os dois rivais também se destacaram na Eurocopa, o maior momento futebolístico de 2016.

Já Griezmann leva vantagem sobre o brasileiro principalmente por ter liderado sua equipe, o Atlético de Madri, rumo à segunda colocação na Champions.

Neymar, por sua vez, teve um único momento de real protagonismo: a conquista da medalha de ouro nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro-2016, um torneio de baixo nível técnico e para qual o mundo do futebol estava se lixando.

Em relação aos seus companheiros de Barcelona, o brasileiro foi o integrante do trio de ataque do clube catalão que menos balançou as redes no ano.

O camisa 11 balançou as redes 25 vezes desde janeiro. No mesmo período, Suárez marcou 47 gols e Messi, 55.

Por tudo isso, Neymar não merece estar entre os três finalistas do prêmio de melhor do mundo. Desta vez, o sexto lugar já está de bom tamanho para ele.


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Envolvido em corrupção, time parceiro e “íntimo” da Fifa pode jogar Mundial
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Rafael Reis

Real Madrid, Atlético Nacional e América (MEX) podem ter como adversário no Mundial de Clubes, no próximo mês, no Japão, um clube que pertence a um dos principais patrocinadores da Fifa, entidade organizadora do torneio.

É que o Jeonbuk Hyundai Motors está a um passo de conquistar pela segunda vez na história a Liga dos Campeões da Ásia e assegurar classificação para a competição que reúne as melhores equipes de cada continente.

Hyundai

Após vencer o Al-Ain por 2 a 1 no primeiro jogo da final, o time sul-coreano precisa apenas de um empate (ou de derrota por um gol, desde que marque ao menos duas vezes) nos Emirados Árabes, neste sábado, para levantar o troféu e carimbar seu passaporte rumo ao Japão.

O clube, como o próprio nome denuncia, pertence à Hyundai, montadora com sede na Coreia do Sul, que também é dona da Kia e possui um forte programa esportivo –possui também equipes de futebol feminino, beisebol, vôlei, basquete, automobilismo, rúgbi e tiro com arco.

O problema ético é que a empresa do ramo automobilístico também é uma das seis principais parceiras comerciais da Fifa, ao lado de Adidas, Coca-Cola, Wanda, Gazprom e Visa.

Isso significa que a dona do Jeonbuk envia algo em torno de US$ 32 milhões (R$ 108 milhões) por ano para os cofres do Fifa.

Só que a ligação entre a montadora e a entidade organizadora do Mundial de Clubes (e também administradora do futebol pelo planeta todo) vai muito além dessa volumosa transferência de dinheiro.

Acionista majoritário da Hyundai, o empresário Chung Mong-joon ocupou entre 2002 e 2011 uma cadeira no comitê executivo da Fifa e chegou a ser vice-presidente da entidade. No ano passado, lançou-se candidato à sucessão de Joseph Blatter, mas o comitê de ética barrou sua participação na eleição.

O magnata sul-coreano está impedido de realizar qualquer atividade ligada ao futebol até 2020 por ter violado “em cinco pontos” o código de ética da entidade na escolha das sedes das Copas do Mundo de 2018 e 2022 –o que ele realmente fez não foi divulgado pela Fifa.

E esse não foi o único escândalo de corrupção no qual a “família Hyundai” se meteu no futebol.

O Jeonbuk deixou escapar o título sul-coreano deste ano porque foi punido com a perda de nove pontos e uma multa equivalente a US$ 85 mil (R$ 288 mil) porque um dos seus olheiros foi flagrado “comprando” dois árbitros da liga local em 2013.

Convenientemente, a Hyundai é a única das seis patrocinadoras premium da Fifa cujo nome não aparece no site oficial do Mundial de Clubes. Mas isso não apaga sua ligação com a entidade.


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