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Superliga europeia é ideia elitista, mas parece caminho inevitável

Rafael Reis

11/11/2018 04h00

Somadas as últimas cinco temporadas do Campeonato Francês, o Paris Saint-Germain obteve quase 400 pontos. O segundo time mais eficiente, o Monaco, não chegou nem a 320. Algo semelhante acontece na Alemanha: enquanto o Bayern de Munique já passou dos 350 pontos, o Borussia Dortmund está na casa dos 270.

Na Itália, o domínio da Juventus é absoluto. Já são sete anos consecutivos se sagrando campeã nacional e tudo indica que a história de 2018/19 terá o mesmo final feliz de sempre.

Das cinco principais ligas nacionais da Europa, apenas a inglesa e a espanhola ainda podem dizer que têm algum grau de equilíbrio na disputa pelo título (ainda que, na segunda, a briga se resuma a Barcelona, Real Madrid e Atlético de Madri).

A discrepância cada vez maior de forças e a crescente concentração de dinheiro e grandes estrelas do futebol nas mãos de alguns poucos clubes é a razão pela qual o surgimento da Superliga Europeia nos próximos anos parece algo inevitável.

A ideia, que veio à tona há cerca de uma semana graças ao "Football Leaks", não poderia ser mais elitista.

Onze gigantes do Velho Continente (Chelsea, Arsenal, Liverpool, Manchester United, Manchester City, Real Madrid, Barcelona, Bayern de Munique, Milan, Juventus e PSG) se uniram para criar a nova competição a partir de 2021. Atlético de Madri, Borussia Dortmund, Olympique de Marselha, Inter de Milão e Roma seriam os outros clubes convidados para completar o grupo.

O projeto não prevê divisões inferiores. Ou seja, nada de acesso ou rebaixamento. Isso significa que a Superliga teria sempre os mesmos times, o mesmo grupinho que compõe a elite da elite do futebol europeu (e mundial).

Ainda que a ideia inicial seja tentar encontrar uma brecha no calendário atual para tentar inserir a nova competição, não tardará para aparecem vozes defendendo que elas substituam os campeonatos nacionais.

Afinal, vira e mexe aparece na Europa algum dirigente defendendo a fusão de ligas de diferentes países ou mesmo que essas competições nacionais já não são mais interessantes para as principais equipes que as disputam.

E a verdade é que realmente não são. Para o PSG, jogar o Campeonato Francês é até menos empolgante do que a disputa do Gauchão para Internacional e Grêmio. Torneios que todo mundo sabe como será o fim não são interessantes para o público e nem mesmo para os jogadores envolvidos.

É claro que o ideal seria conseguir fortalecer os clubes menores de França, Alemanha, Itália, Espanha e Inglaterra para que as ligas nacionais voltassem a ser competitivas, equilibradas e surpreendentes.

Mas isso significaria distribuir melhor as receitas do futebol de um país. Na prática, tirar dinheiro dos grandes para dar para os pequenos. Uma proposta que dificilmente algum dos gigantes aceitaria de bom grado.

É por isso que eles preferem se unir em uma liga só deles: uma competição formada apenas por endinheirados e com astros espalhados por diferentes times. Mais jogadores conhecidos, mais equilíbrio, mais público, mais dinheiro. Uma equação que agrada muito mais a eles.

A Fifa não gostou da ideia e até ameaçou excluir da Copa do Mundo os atletas dos times envolvidos no projeto. Mas essa é uma queda de braço que está apenas começando. E dificilmente os clubes mais poderosos do planeta sairão derrotados.


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Sobre o Autor

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

Sobre o Blog

Este espaço conta as histórias dos jogadores que fazem do futebol uma paixão mundial. Não só dos grandes astros, mas também dos operários normalmente desconhecidos pelo público.

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