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Seleção brasileira já teve um jogador argentino: verdade ou lenda?

Rafael Reis

13/10/2019 04h00

Em 1942, quando o mundo do futebol andava meio parado devido à Segunda Guerra Mundial, um atacante argentino chamado Adolpho Milman e conhecido por aqui como Russo, que fez história no Fluminense, defendeu a seleção brasileira.

A participação foi pequena, durou apenas um jogo do Campeonato Sul-Americano daquele ano: a vitória por 2 a 1 sobre o Peru. Mas foi o tempo suficiente para uma discussão que persiste até hoje.

Crédito: Reprodução

Será que a seleção realmente já teve um jogador oriundo da Argentina vestindo sua camisa? Ou essa história de que Russo nasceu no país vizinho (e arquirrival na bola) é apenas uma das inúmeras lendas do futebol, como o autismo de Lionel Messi e a transexualidade de Marco Verratti.

O xis da questão é descobrir exatamente onde o ex-atacante nasceu. Sabe-se que sua família era natural da região onde hoje fica o Afeganistão, então dominada pelo Império Russo, migrou para a província de Entre Ríos, na Argentina, e depois se estabeleceu no Rio Grande do Sul.

Ao longo da história, esses três lugares já foram apontados como berço do ex-jogador.

Enquanto ele atuava profissionalmente, a história que circulava entre os torcedores era de que Russo havia nascido na Rússia/Afeganistão e vindo para o Brasil ainda quando bebê. Os jornais da época, no entanto, diziam que ele era de Pelotas (RS).

No entanto, a família de Russo tem essa outra versão para a nacionalidade o antigo centroavante. De acordo com seu filho, Fernando Milman, ele era mesmo um imigrante argentino.

Caso essa realmente seja a versão verdadeira da história, o ex-atacante do Fluminense é um dos cinco jogadores de toda história nascidos no exterior que defenderam em algum momento a seleção brasileira.

Além dele, apenas o britânico Sidney Pullen, o português Casemiro do Amaral e o italiano Fracisco Police, todos no começo do século passado, além do meia belga Andreas Pereira, ainda em atividade e hoje no Manchester United, alcançaram esse feito.

A história de Adolpho Milman é muito semelhante à do seu oposto perfeito, Aarón Wergifker, o único brasileiro que jogou pela Argentina. O ex-zagueiro do River Plate também era de família russa e nasceu no Brasil em uma parada da viagem dos seus pais rumo ao país vizinho.

Russo dedicou praticamente toda sua carreira ao Fluminense. Ele chegou ao clube quando tinha 18 anos, em 1933, e se aposentou 11 anos depois. Com exceção de uma passagem de alguns meses pela França (Cercle Paris), só vestiu a camisa tricolor.

Depois da aposentadoria, trabalhou como técnico do América-RJ e também nos bastidores do Flu. Amigo de João Saldanha, foi supervisor da seleção brasileira antes da Copa do Mundo-1970. Ele morreu em 1980, aos 65 anos, no Rio de Janeiro.


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Sobre o Autor

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

Sobre o Blog

Este espaço conta as histórias dos jogadores que fazem do futebol uma paixão mundial. Não só dos grandes astros, mas também dos operários normalmente desconhecidos pelo público.

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