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Como agente de CR7 fez nanico das divisões de baixo virar líder em Portugal

Rafael Reis

26/09/2019 04h00

Benfica, Porto e Sporting. Em 83 das 85 temporadas já disputadas do Campeonato Português, o título foi para um dos integrantes do trio de ferro da terra de Cristiano Ronaldo. As zebras só aconteceram duas vezes. Em 1946, deu Belenenses. Cinquenta e cinco anos depois, foi a vez de o Boavista levantar a taça.

Por isso, é com espanto que os torcedores lusos estão acompanhando o início desta temporada. Depois de seis rodadas disputadas, o time que está no alto da tabela não é nenhum dos campeões de sempre, mas sim um que estava na segundona há poucos meses.

Crédito: Divulgação

Com cinco vitórias, um empate e nenhuma derrota, o Famalicão se tornou a sensação do futebol português em 2019/2020. Sua liderança provisória já é muito mais do que se esperava de uma equipe que disputava a quinta divisão uma década atrás, joga a elite apenas pela sétima vez na história e nunca foi além da 13ª colocação na liga nacional.

Mas como é possível que um clube de história tão medíocre tenha conseguido se transformar, de uma hora para outra, no time a ser batido em Portugal?

A pergunta mais correta para se descobrir a razão principal do sucesso do Famalicão na sua temporada de volta à primeira divisão nem é "qual é o seu segredo?", mas sim "quem é o seu segredo?".

A resposta tem nome e sobrenome: Jorge Mendes, o empresário de futebol mais poderoso do planeta, que "manda" em Portugal e tem como principais clientes estrelas como Cristiano Ronaldo, José Mourinho e João Félix.

O superagente é amigo pessoal do bilionário israelita Idan Ofer, acionista minoritário do Atlético de Madri, que assumiu o comando do clube há pouco mais de um ano, e atuou ativamente na formação do elenco para esta temporada.

Pelo menos nove dos jogadores comandados pelo técnico João Pedro Sousa são agenciados diretamente pela Gestifute, empresa de Mendes, ou por algum dos seus braços. Outros tantos foram emprestados por clubes que possuem ligação íntima com o empresário, como Porto, Wolverhampton, Valencia e o próprio Atleti.

Crédito: Divulgação

Em comum, quase todo o elenco tem uma característica: a juventude. 18 dos 26 atletas que compõem o grupo do Famalicão têm até 22 anos. A explicação é simples: o clube é uma vitrine para o empresário de CR7 expor seus jovens valores e conseguir vendê-los posteriormente.

A estratégia está começando a dar frutos. O meia Guga e o atacante Ruben Lameiras – autor de um dos gols da vitória por 2 a 1 sobre o Sporting, a mais expressiva do clube – já estão sendo apontados como candidatos a revelação da temporada portuguesa. O meia Fábio Martins, que andava com a carreira estagnada no Braga, marcou quatro vezes e briga pela artilharia da competição.

Sondagens e até mesmo propostas por esses três (e outros) jogadores não devem tardar. E não será surpresa nenhuma se eles vierem justamente dos times poderosos mais próximos de Mendes.

Líder do Português com um ponto de vantagem para Benfica e Sporting, o Famalicão defende o primeiro lugar neste sábado, contra o Belenenses, que só venceu uma partida na competição até o momento.


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Sobre o Autor

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

Sobre o Blog

Este espaço conta as histórias dos jogadores que fazem do futebol uma paixão mundial. Não só dos grandes astros, mas também dos operários normalmente desconhecidos pelo público.

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