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Como time com 3 campeões mundiais virou candidato a rebaixamento no Japão

Rafael Reis

13/09/2019 04h00

Andrés Iniesta e David Villa foram companheiros de Barcelona no auge da "era Guardiola" e estiveram juntos na conquista da Copa do Mundo de 2010 pela Espanha. Lukas Podolski é o terceiro maior artilheiro da história da seleção alemã e ajudou a equipe germânica a conquistar o tetra no Brasil em 2014.

Qualquer time que invista pesado na contratação de três campeões mundiais imagina um futuro com títulos e glórias, ainda mais quando disputa uma liga com elencos modestos e cheia de jogadores pouco expressivos no cenário internacional.

Crédito: Divulgação

Mas o sonho do Vissel Kobe de ser campeão japonês pela primeira vez na história durou pouco. Deu lugar a um impensável pesadelo: o risco de ser rebaixado para a segunda divisão.

Com 25 das 34 rodadas desta temporada da J-League já disputadas, a equipe de Iniesta, Villa e Podolski ocupa uma modesta 12ª colocação. Com 29 pontos ganhos, está apenas dois acima do início da zona de descenso.

Mas como é possível que um projeto tão caro e que reúna um trio de medalhões com lindas carreiras no primeiro escalão do futebol europeu esteja dando tão errado?

Primeiro, é o importante entender como uma equipe tradicionalmente pequena do Japão tem dinheiro suficiente para arcar com os salários de três campeões mundial. A resposta é Hiroshi Mikitani, dono do clube e também da Rakuten, patrocinadora máster do Barcelona.

O bilionário, dono da gigante de e-commerce, é um apaixonado pelo futebol do Barça e montou um projeto para fazer do Vissel Kobe uma versão japonesa do clube catalão.

Além de Iniesta e Villa, a equipe japonesa conta com mais dois jogadores que já vestiram a camisa blaugrana: o zagueiro belga Thomas Vermaelen e o volante espanhol Sergi Samper. O técnico Juan Manuel Lillo, um adepto de estilo de jogo culé, também passou por lá.

Só que o Barça do Japão simplesmente não deu liga. Com muitos veteranos (os três campeões mundiais já passaram dos 33 anos), o time até joga bem quando tem a bola nos pés, mas sofre com a falta de fôlego para correr atrás dos adversários.

Resultado: o Vissel Kobe até tem o terceiro melhor ataque da J-League com 44 gols marcados, mas sua defesa sofreu 43 e é a segunda mais vazada da competição. Apenas em três das 25 rodadas a equipe conseguiu encerrar sua partida sem sofrer gols.

O clima no elenco também não é dos melhores. Os atletas menos famosos acusam as estrelas, especialmente Podolski, de serem "ex-jogadores em atividade" e não se dedicarem o suficiente nos treinos e nas partidas. O atacante alemão não aliviou na atmosfera de guerra e publicou em suas redes sociais a mensagem: "Pare de esperar lealdade de pessoas que não podem nem te dar honestidade."

Na tentativa de evitar a queda para a segundona japonesa, o Vissel Kobe recebe no sábado o Matsumoto Yamaga, penúltimo na classificação, em confronto direto para permanecer na elite. O líder da J-League é o FC Tokyo, que soma 52 pontos e busca o inédito título nacional.


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Sobre o Autor

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

Sobre o Blog

Este espaço conta as histórias dos jogadores que fazem do futebol uma paixão mundial. Não só dos grandes astros, mas também dos operários normalmente desconhecidos pelo público.

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