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Condenado por abuso de menor, ex-City deixa a prisão, mas vira "maldito"

Rafael Reis

18/09/2019 04h20

Adam Johnson defendeu o Manchester City durante duas temporadas e meia, fez parte do elenco da seleção inglesa por dois anos e já disputou mais de 230 partidas oficiais da Premier League, o campeonato nacional mais rico do planeta.

Mas, apesar da trajetória significativa no futebol, o meio-campista de 32 anos passou os últimos seis meses desempregado e acumulando respostas negativas de boa parte dos clubes profissionais da Inglaterra.

Crédito: Getty Images

O motivo para sua dificuldade de reinserção no mercado de trabalho não está expresso em seu currículo, mas sim em sua ficha criminal.

O jogador foi condenado em março de 2016 à prisão por abuso sexual de menores. Johnson foi acusado de ter tido relações sexuais com uma garota de 15 anos e pegou seis anos de detenção.

O crime teria acontecido enquanto sua esposa estava grávida. O meia era a grande estrela do Sunderland, e a vítima torcida para o clube. O astro inglês admitiu que chegou a beijá-la, mas sempre negou que a relação com a menor foi além disso, de trocas de mensagens e de algumas carícias.

Johnson passou três anos na prisão. Em março, ganhou o direito de cumprir a segunda metade da pena em liberdade da pena e pôde voltar para casa.

Desde então, vem tentando, ainda que timidamente, retomar a carreira profissional nos gramados. Mas suas opções são bastante limitadas… isso para não dizer que chegam a ser inexistentes.

Como é condenado da Justiça britânica e ainda está em regime de cumprimento de pena, Johnson não pode deixar o país. Isso impossibilita uma transferência para clubes asiáticos, de outros países da Europa ou de qualquer parte do mundo.

Resta a Johnson encontrar um clube na Inglaterra. Porém, digamos que sua imagem anda um tanto quanto queimada por lá.

Após deixar a prisão, o jogador entrou em contato com os times da elite inglesa pedindo uma nova oportunidade, mas só recebeu "nãos". De acordo com reportagem do "The Sun", todas as equipes da League One e da League Two (terceira e quarta divisões) também negaram a possibilidade de contratá-lo.

Pelo menos por enquanto, o destino de Johnson tem sido bem diferente do de outro atleta de futebol conhecido que foi parar atrás das grades.

Condenado a 20 anos e 9 meses de prisão, em 2010, por homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver de sua ex-companheira Eliza Samudio, o goleiro brasileiro Bruno (ex-Flamengo) assinou no mês passado com o Poços de Caldas FC para disputar a segunda divisão mineira em 2020.

O arqueiro, que está em regime semiaberto desde julho, já havia retomado a carreira em 2017, quando disputou cinco partidas pelo Boa Esporte antes de ter de voltar à prisão por decisão do STF (Supremo Tribunal Federal).

Johnson começou a carreira no Middlesbrough e defendeu Leeds e Watford antes de ser negociado com o Manchester City, em 2010. Dois anos depois, acabou vendido para o Sunderland, clube que defendeu por quatro temporadas até ter seu contrato rescindido devido ao escândalo sexual em que se meteu.


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Sobre o Autor

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

Sobre o Blog

Este espaço conta as histórias dos jogadores que fazem do futebol uma paixão mundial. Não só dos grandes astros, mas também dos operários normalmente desconhecidos pelo público.

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