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Cinco clubes em 3 anos e meio: por que Calleri não para em nenhum time?

Rafael Reis

11/09/2019 04h20

Artilheiro da Copa Libertadores de 2016 pelo São Paulo, Jonathan Calleri enrolou até os últimos dias da janela de transferências para anunciar o clube que irá defender na temporada 2019/2020 do futebol europeu.

Foi só em 26 de agosto que o centroavante argentino foi apresentado como reforço do Espanyol. O contrato, como todos os outros que ele assina, é bem curto: tem duração de apenas um ano.

Crédito: Divulgação

O segundo clube mais importante de Barcelona é o quinto destino diferente do atacante ao longo dos últimos três anos e meio.

Calleri desembarcou no São Paulo em janeiro de 2016. No segundo semestre, fez as malas e se mandou para o West Ham. Depois de apenas uma temporada na Inglaterra, foi para o Las Palmas, da Espanha, onde também só ficou por 12 meses.

Em agosto de 2018, assinou com o Alavés. E agora, um ano depois, transformou-se em reforço do Espanyol.

Mas por que será que esse atacante de 25 anos, que disputou os Jogos Olímpicos do Rio pela seleção argentina em 2016, não para em lugar nenhum?

O problema não é técnico. Com exceção do West Ham, equipe em que só marcou um gol em 19 partidas e passou boa parte do tempo no banco de reservas, Calleri foi artilheiro em todos os clubes que defendeu desde que passou a levar uma vida de nômade da bola.

Ou seja, São Paulo, Las Palmas e Alavés gostariam de ter mantido o jogador em seus elencos por mais tempo. Só que essa nunca foi uma possibilidade real para nenhum deles.

Calleri tem a carreira administrada por Juan Figer. Desde 2016, seus direitos econômicos estão presos ao Deportivo Maldonado, clube da segunda divisão uruguaia que é mantido pelo empresário e que serve para registro dos contratos dos seus clientes.

Todas as transferências do atacante argentino nos últimos três anos e meio foram por empréstimo. Em outras palavras, depois do encerramento dos seus contratos, ele retoma o vínculo com o Maldonado e fica outra vez nas mãos do seu agente.

Esse foi o modo encontrado por Figer e seus sócios para faturar anualmente com o jogador. A cada 12 meses, eles recebem uma grana como pagamento pelo novo empréstimo do centroavante.

É claro que pode aparecer um clube disposto a romper esse ciclo, comprar os direitos econômicos de Calleri e assinar um contrato mais longo com o atacante. Mas a dificuldade desse negócio é o preço.

Quando foi tirado do Boca Juniors pelos investidores ligados a Figger, o argentino custou cerca de 11 milhões de euros (quase R$ 50 milhões, na cotação atual). Como os integrantes desse fundo vêm recebendo periodicamente comissões pelos acordos selados pelo jogador, não há desespero para vendê-lo.

Assim, o negócio só sairia se eles recebessem uma proposta bem lucrativa, com valor consideravelmente acima do investimento feito em 2016. Só que não são muitos clubes que possuem esse dinheiro em caixa e disposição para contratar Calleri.

A aposta do seu estafe continua a mesma: fazer o argentino rodar de clube em clube na Europa até ele ter uma temporada brilhante, que desperte o interesse de uma equipe mais poderosa do Velho Continente, e só aí vendê-lo por um preço bem alto.

Enquanto isso não acontecer, Calleri continuará sendo um jogador que não para em clube nenhum.


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Sobre o Autor

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

Sobre o Blog

Este espaço conta as histórias dos jogadores que fazem do futebol uma paixão mundial. Não só dos grandes astros, mas também dos operários normalmente desconhecidos pelo público.

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