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Em expansão no Brasil, Red Bull tem times em 4 países, mas só ganha em um

Rafael Reis

2026-03-20T19:04:00

26/03/2019 04h00

A possível parceria entre a Red Bull e o Bragantino para a disputa da Série B do Campeonato Brasileiro é o mais novo passo do audacioso projeto da empresa de energéticos de expandir sua marca por meio do investimento no futebol.

A companhia austríaca, que possui duas equipes de F-1, patrocina os mais variados eventos de esportes radicais por todo o mundo e conta com garotos propaganda do nível de Neymar, coloca dinheiro na modalidade mais popular do planeta há 14 anos.

O projeto já fundou ou adquiriu cinco clubes de três continentes diferentes (Europa, América e África). O Red Bull Gana fechou as portas — durou seis temporadas e morreu em 2014, quando o time estava na segunda divisão local.

Dos quatro times sobreviventes, apenas o brasileiro está fora da primeira divisão do seu país. A equipe, que enfrenta o Santos nesta terça-feira em busca da classificação para as semifinais do Campeonato Paulista, disputou a Série D em duas oportunidades (2015 e 2017), mas não conseguiu o acesso.

O time de maior sucesso do grupo é também aquele que abriu as portas para a entrada de empresa no futebol. O Red Bull Salzburg, ex-FC Salzburg, que foi comprado em 2005, já ganhou nove edições do Austríaco e é atual pentacampeão do país.

A "equipe matriz" é a única da companhia que já se sagrou campeã nacional.

O RB Leipzig, da Alemanha, ficou no quase. Logo em sua temporada de estreia na elite germânica, em 2016/17, terminou na segunda colocação, atrás apenas do poderoso Bayern de Munique.

Já o norte-americano New York Red Bulls, adquirido em 2006 e que já teve estrelas como Thierry Henry, Rafa Márquez e Juninho Pernambucano em seu elenco, emplacou por três vezes a melhor campanha da temporada regular da MLS (Major League Soccer), mas sempre se deu mal na hora dos playoffs.

Além da escassez de títulos (com exceção da Áustria), o projeto de inserção na Red Bull no futebol sofre também com o excesso de polêmicas.

O Leipzig, por exemplo, é frequentemente criticado por torcedores dos outros clubes da Bundesliga por supostamente ter burlado a regra que impede que uma empresa seja a acionista majoritária de um time profissional de futebol na Alemanha.

Além disso, a Uefa fez vistas grossas para seu regulamento que proíbe que duas equipes com o mesmo dono disputem a mesma competição e permitiu que Salzburg e Leipzig não só jogassem a Liga Europa simultaneamente, como acabassem se enfrentando na fase de grupos da atual temporada.

Aqui no Brasil, as polêmicas envolvendo a atuação da empresa de energéticos não são tão significativas assim, já que o time passou a maior parte de sua existência nas divisões menores do futebol paulista.

Agora, a companhia quer ver seu representante sul-americano tendo resultados mais expressivos. Por isso, de acordo com o presidente do Bragantino, Marquinhos Chedid, é possível que ocorra uma parceria com o clube alvinegro para a disputa da segunda divisão do Brasileiro.

"Não vejo problema nenhum de botar (o nome) RB Bragantino. Vai jogar aqui, no estádio do Bragantino – é o Bragantino que tem a vaga. Deixa eles investirem. Eles têm um orçamento para esse ano de R$ 45 milhões para a Série B", disse o dirigente, no domingo, à rádio 102 FM, de Bragança Paulista.

O Red Bull Brasil fez a melhor campanha da fase de grupos do Paulista, mas estreou nas quartas de final sendo derrotado por 2 a 0 pelo Santos, fora de casa. Nesta terça-feira, a equipe precisa vencer por três gols de diferença para continuar na briga pelo título estadual.

Caso vença por apenas dois gols, a vaga para as semifinais será decidida nos pênaltis.


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Sobre o Autor

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

Sobre o Blog

Este espaço conta as histórias dos jogadores que fazem do futebol uma paixão mundial. Não só dos grandes astros, mas também dos operários normalmente desconhecidos pelo público.

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