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Argentina deu água “batizada” ao Brasil na Copa-1990: verdade ou lenda?

Rafael Reis

No dia 24 de junho de 1990, a Argentina derrotou o Brasil por 1 a 0 e eliminou o arquirrival nas oitavas de final da Copa do Mundo da Itália. A partida ficou marcada pelo gol de Claudio Caniggia e por uma polêmica história que já está prestes a completar três décadas.

Ao entrar no gramado para atender um jogador, o massagista da seleção argentina, Miguel di Lorenzo, conhecido como Galíndez, deu uma garrafa de água para Branco se reidratar. Só que o líquido estava “batizado” com um tranquilizante, o que deixou o brasileiro grogue em campo.

Crédito: Allsport UK/Allsport/Getty Images

Mas será que essa história, que tanto sucesso faz nas redes sociais e também em veículos de informação, é realmente verdadeira? Ou tudo não passa de mais uma das inúmeras lendas urbanas do futebol, como o autismo de Lionel Messi e a transexualidade de Marco Verratti?

O conteúdo da garrafa plástica servida pelos argentinos a Branco jamais foi analisada. Ou seja, não dá para afirmar com precisão científica se a “pegadinha” realmente aconteceu.

Então, o que nos resta nessa investigação é usar aquilo que os jogadores envolvidos no caso falaram ao longo dos últimos 28 anos. Branco, a vítima do possível golpe dado pelos argentinos, tem certeza que ele realmente aconteceu.

''Nenhum ser humano que estava dentro do campo ia imaginar que ia ter uma trapaça dessa. Eu fiquei sabendo depois de três meses. O Ruggieri [zagueiro argentino naquele jogo] me falou. Depois do jogo eu falei, todo mundo ironizou'', afirmou o lateral, ao UOL, em 2016.

Alguns jogadores argentinos que estavam em campo na Copa-1990 também confirmam a história (e costumam se divertir cada vez que a relembram para alguém).

Um deles, inclusive, era o craque da companhia. Diego Maradona, que já foi apontado como cúmplice do técnico Carlos Bilardo na trapaça, falou sobre o caso inúmeras vezes ao longo dos anos. “Alguém colocou umas gotas de Rohypnol [um tranquilizante psiquiátrico] na água e complicou tudo”, afirmou o camisa 10, em 2004. “Não retiro nada do que eu disse. Foi tudo verdade”, repetiu no ano seguinte.

Ruggeri foi outro que riu sobre o escândalo da água batizada. “Não se pode tomar água do time adversário, não se pode. Tome a sua, idiota, não a nossa… Que água você acha que vamos dar a um brasileiro?”, disse, em 2017.

Mas nem todo mundo na Argentina confirma a veracidade da história. Bilardo e o Galíndez, o massagista responsável por entregar a água para Branco, juram até hoje que tudo não passa de uma lenda que entrou para a mitologia do futebol.

''Não tenho nada o que dizer, absolutamente nada. É uma desculpa [dada pelo Brasil para justificar a derrota]. Sempre uma coisa, a outra, e me metem no meio, mas aquela água o Carlitos Giusti tomou também. Eu dei água a todos, porque estava atendendo Pedrito Troglio'', disse, em entrevista ao site “Infobae”, em setembro.

A versão de Galíndez difere daquilo que o vídeo do lance mostra. Nele, fica claro que Giusti até pegou a garrafa verde que posteriormente foi oferecida a Branco, mas acabou bebendo o conteúdo de outro recipiente, um transparente, após conversar com o massagista.

As oitavas de final de 1990 foi o último encontro entre brasileiros e argentinos em uma Copa do Mundo. As duas seleções se cruzaram outras três vezes na competição: em 1974 e 1982, a seleção canarinho levou a melhor; já em 1978, houve um empate sem gols.


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