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Pivô de escândalo no Barça, “Messi japonês” estreia aos 15 e causa furor
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Rafael Reis

É possível que você já tenha visto no YouTube algum vídeo de uma criança asiática, pequena e franzina, enfileirando adversários, marcando golaços e produzindo verdadeiras obras de arte com a camisa do Barcelona.

Não foi à toa que Takefusa Kubo ganhou o mais óbvio e imponente apelido para um menino com essas características: “Messi japonês”.

Dois anos depois de ser obrigado a deixar as categorias de base do Barcelona, em um escândalo que fez o clube catalão até ser punido pela Fifa, o garoto já começou a escrever seu nome na história do futebol.

Em novembro, Kubo se tornou o jogador mais jovem a disputar uma partida como profissional no Japão. No início deste mês, virou o segundo mais novo a estrear em uma competição de primeira divisão por lá. E, a partir deste sábado, poderá ser visto no Mundial sub-20.

Detalhe: fez tudo isso com apenas 15 anos. É isso mesmo, o precoce meia-atacante nasceu em junho de 2001.

“Não gosto de ser comparado a Messi, mas espero algum dia ser como ele”, afirmou Kubo ao jornal “Nikkan Sports”.

O adolescente, que hoje veste a camisa do FC Tokyo e se alterna entre a equipe principal e o time que disputa a terceira divisão japonesa, passou quatro anos nas categorias de base do Barcelona, onde começou a ser comparado ao astro argentino.

Kubo foi descoberto pelo Barça quando tinha oito anos e passou a se destacar em uma escolinha do clube em Fukuoka, no sul do Japão. Dois anos depois, foi convidado a mudar para a Espanha e treinar em La Masia, a celebrada fábrica de jovens jogadores do time catalão.

Logo na primeira temporada na nova casa, marcou 74 gols em 30 partidas. Passou a ser tratado como fenômeno e se tornou uma das mais apostas para uma futura sucessão para Messi.

Mas, no final de 2014, seu mundo caiu. Kubo foi um dos pivôs do escândalo que fez com que a Fifa punisse o Barcelona com um ano de proibição na contratação de jogadores. O motivo: justamente a contratação irregular de jogadores estrangeiros menores de 18 anos, caso da promessa japonesa.

É por isso que o “Messi do Japão” voltou para casa em 2015 e, desde então, defende o FC Tokyo. No entanto, de acordo com a imprensa asiática, essa é uma situação temporária, e o adolescente deve retornar ao Barça assim que tiver condições legais para isso.

Kubo e a seleção japonesa estreiam no Mundial sub-20 contra a África do Sul, na madrugada de domingo. Itália e Uruguai são os outros integrantes do Grupo D da competição.


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Mais que Obina: 5 jogadores conhecidos para seu time repatriar do Japão
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Rafael Reis

Mercado de primeira importância para o Brasil na década de 1990, quando contratou Mazinho, Dunga e Zinho, entre outros, o Japão ainda é um dos maiores importadores de jogadores do futebol brasileiro no planeta.

De acordo com o Transfermarkt, site especializado no Mercado da Bola, há atualmente 93 brasileiros atuando nas três primeiras divisões do arquipélago do Oriente.

Separamos cinco deles, todos nomes conhecidos dos torcedores daqui, que poderiam ser repatriados para reforçar seu time nas disputas do Campeonato Brasileiro e também da Copa do Brasil.

OBINA
Atacante
33 anos
Matsumoto Yamaga
Obina
O folclórico atacante com passagens por Flamengo e Palmeiras está há um ano e meio escondido na segunda divisão japonesa e não repete a boa fase de temporadas anteriores na Ásia. Já um veterano, dificilmente encontraria espaço em um dos principais times do Brasil, mas ainda é um reforço válido (também devido ao marketing que a contratação provocaria) para equipes pequenas da Série A ou mesmo para quem disputa a Série B.

MURIQUI
Meia-atacante
30 anos
FC Tokyo
Muriqui
Um dos grandes nomes do futebol asiático nos últimos anos, Muriqui já foi artilheiro do Campeonato Chinês e eleito o craque da Liga dos Campeões continental e está fora do Brasil desde 2010, quando deixou o Atlético-MG. Tem contrato em vigência com o Al-Sadd, do Qatar, mas está emprestado até o fim do ano ao FC Tokyo. É um jogador caro, mas que vem atuando em alto nível há várias temporadas.

ADEMILSON
Atacante
22 anos
Gamba Osaka
Ademilson
Atacante que fez sucesso nas categorias de base do São Paulo e da seleção brasileira, Ademilson precisou ir para o Japão, dois anos atrás, para conseguir se consolidar como profissional. O jogador está emprestado ao Gamba Osaka até dezembro, mas ainda tem contrato com o clube do Morumbi, que pode negociá-lo com outro time ou pedir o retorno de sua cria.

ÉDERSON
Atacante
27 anos
Kashiwa Reysol
Ederson
Artilheiro do Campeonato Brasileiro de 2013 pelo Atlético-PR, Éderson foi emprestado em 2014 ao Al Wasl, dos Emirados Árabes Unidos, e depois teve seus direitos econômicos negociados com o Kashiwa Reysol. No Japão desde o ano passado, o atacante está longe de ser titular absoluto da equipe amarela e tem sofrido com a falta de gols, situação que facilita uma possível volta ao Brasil.

CORTEZ
Lateral esquerdo
29 anos
Albirex Niigata
Cortez
Lateral com passagem pela seleção, ficou com o filme meio queimado pelo futebol abaixo do esperado mostrado no São Paulo. Cortez ainda é contratado do time do Morumbi, mas está emprestado há um ano e meio para o Albirex Niigata. No Japão, tem sido titular absoluto e um jogador importante para a equipe –tem um gol e já deu três assistências nesta temporada.


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Torcedores: Time japonês fez Gustavo passar o Reveillón vendo futebol
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Rafael Reis

O estudante Gustavo Tonetto, 19, teve um Reveillón um tanto quanto incompreensível para a maioria das pessoas em 2012.

Depois da ceia, nada de cama ou de festejos com amigos e familiares. Às 3h da manhã, seus olhos ficaram fixos na tela que exibia a final da Copa do Imperador do Japão.

A vitória por 1 a 0 do Kashiwa Reysol sobre o Gamba Osaka o deixou feliz. Passar a primeira noite do ano em claro e ter um Reveillón atípico haviam valido a pena.

Foi apenas três anos antes daquela madrugada às claras que Gustavo ouviu falar do time da Hitachi (conglomerado famoso no Brasil pelos eletrônicos) pela primeira vez. Justamente em um dos momentos mais delicados da história do clube.

Gustavo Tonetto

“Estava jogando videogame com um amigo e decidimos escolher o time aleatoriamente. Caí com o Kashiwa Reysol, comecei a ganhar com ele e achei legal. Só que comecei a pesquisar sobre o clube e ele descobri que estava na segunda divisão.”

Mas o time da província de Chiba ganhou o torneio de acesso daquele ano. E, logo na temporada seguinte, conquistou pela primeira vez na história o título japonês.

Estava escrita a história épica que conquistaria o coração de Gustavo. “Aí me apaixonei”, confessa.

A partir daí, o estudante de jornalismo passou a dedicar uma parte considerável do seu tempo ao Kashiwa Reysol. Começou a estudar japonês, fez contato com outros torcedores e até montou um blog para publicar e analisar as notícias sobre time.

Só falta a visita ao Japão. O sonho de Gustavo é participar de uma das sessões semanais em que o clube abre suas instalações para a torcida.

“Eu sei que é meio estranho, mas não tenho paixão por nenhum time brasileiro. Gosto do Botafogo [de Ribeirão Preto, cidade onde mora] porque meu pai me levava ao estádio.”


A seção “Torcedores” é publicada semanalmente e traz histórias de brasileiros que torcem para clubes de outros países. Se você é apaixonado por um time estrangeiro e quer ter seu caso publicado, escreva para rafaelmdosreis@gmail.com

 

 


A China não é a 1ª. Conheça outros mercados que fizeram a limpa no Brasil
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Rafael Reis

Ralf, Renato Augusto e Jadson, alguns dos pilares do Corinthians na conquista do título brasileiro, irão jogar na China em 2016. Assim como Paulinho, Ricardo Goulart e Diego Tardelli, todos com passagem recente pela seleção.

Impulsionado por um projeto de popularização do futebol, o país mais populoso do mundo se tornou o eldorado para os jogadores brasileiros. Paga altos salários e está disposto a investir em todo mundo que começa a se destacar.

Mas a China não é o primeiro mercado alternativo a provocar esse rebuliço no futebol pentacampeão mundial.

De tempos em tempos, surge um país da periferia da bola investindo pesado em jogadores brasileiros e fazendo a limpa nos clubes daqui.

Vamos agora relembrar alguns desses mercados que anteciparam o que a China tem feito:

JAPÃO
Quando: primeira metade da década de 1990
Quem: Zico, Bismarck, Zinho, Dunga e César Sampaio

Dunga

Criada em 1993, a liga profissional japonesa de futebol, a J. League, teve como primeiro garoto-propaganda Zico, que já estava no país há dois anos. O sucesso do Galinho no Oriente fez os clubes japoneses adotarem o Brasil como principal mercado fornecedor de jogadores. Prova disso é que a seleção que foi tetracampeã mundial em 1994 tinha um atleta que atuava no Japão: o zagueiro Ronaldão, então no Shimizu S-Pulse.

UCRÂNIA
Quando: entre a segunda metade da década de 2000 e o início da década de 2010
Quem: Bernard, Douglas Costa, Kleber, Jadson, Fernandinho, Willian, Elano e Alex Teixeira

Até pouco tempo, era só pintar um menino promissor no futebol brasileiro que o Shakhtar Donetsk já aparecia como candidato a levá-lo para a Europa. O clube, que chegou a ter 13 brasileiros no elenco ao mesmo tempo, transformou a Ucrânia em um dos mercados mais férteis para o futebol daqui e influenciou o Dínamo Kiev e o Metalist Kharkiv. A farra acabou quando parte da Ucrânia, justamente a região onde fica Donetsk, entrou em guerra civil, dois anos atrás.

RÚSSIA
Quando: entre a segunda metade da década de 2000 e o início da década de 2010
Quem: Vágner Love, Hulk, Jucilei, Jô, Alex e Mário Fernandes

Vagner Love

Viveu um boom meio que simultâneo ao da vizinha Ucrânia, quando os magnatas que enriqueceram com a dissolução da União Soviética e a implantação do capitalismo na Rússia, como Roman Abramovich, dono do Chelsea, passaram a investir em futebol. Além do conflito bélico na Ucrânia, o mercado enfraqueceu nos últimos anos devido às quedas no preço do petróleo e de outras commodities exportadas pelos russos.

MUNDO ÁRABE
Quando: Desde a segunda metade da década 2000
Quem: Everton Ribeiro, Ricardo Oliveira, Rafael Sóbis, Thiago Neves, Roger e Giovanni

O que convencionamos chamar aqui no Brasil de Mundo Árabe trata-se basicamente de dois países que realmente investem em estrelas brasileiras, os Emirados Árabes Unidos e o Qatar.  Recheados de petrodólares, seus clubes buscam grandes jogadores daqui há pelo menos uma década. De acordo com Marcos Motta, advogado especialista em transferências internacionais, esse mercado é mais constante que os outros citados na matéria, que tiveram um boom específico. Por outro lado, os valores pagos pelas transferências são menores que em outros centros periféricos de destaque.


Ele prometia um “Toró de gols”; hoje, tem orgulho da 3ª divisão japonesa
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Rafael Reis

“O que você está fazendo por aqui, cara?” Essa é a pergunta que o volante Toró, 29, mais ouviu no último um ano e meio.

A curiosidade faz sentido. Não é todo dia que você encontra um jogador que passou por Fluminense, Flamengo, Atlético-MG, Figueirense e Bahia atuando na terceira divisão do futebol japonês.

Mas o volante não considera “demérito nenhum” estar longe dos holofotes e vestir a camisa do nanico Sagamihara. Pelo contrário, tem um orgulho danado da decisão que o levou a defender o jovem clube fundado em 2008.

“Eu estava há seis meses sem jogar depois do Bahia e fui levado ao Japão por um grupo de investidores para jogar no Yokohama Marinos [da primeira divisão]. Mas eu cheguei e percebi que não estava bem. Eu não queria bater no Japão e voltar.”

“Então, um desses investidores me ofereceu o clube que ele era presidente para eu me readaptar ao futebol. Não é nenhum luxo jogar na terceira divisão do Japão. Mas eu sabia que estava dando passos para trás para dar um salto para frente no futuro”, explica.

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Badalado nas categorias de base do Fluminense, onde era conhecido por fazer um “Toró de gols” e transformado em volante quando se profissionalizou, o jogador conheceu um outro lado do futebol no Oriente: a rotina de um time pequeno.

Não que o brasileiro ganhe mal, já que seu salário é assegurado pelo grupo de investidores que o levou para o futebol japonês. Mas a vida com que ele estava acostumado em seu país-natal deixou de existir.

“O clube onde estou tem suas dificuldades. Por exemplo, eu preciso pagar uma fisioterapeuta por fora para fazer uma boa fisioterapia. Aqui também não tem essa de carrão, da ostentação que você vê no Brasil. O japonês é simples, não se mete na vida dos outros e anda de metrô. Não faz diferença se é rico ou pobre.”

Toró admite que “de vez em quando bate uma neurose” pelo fato de estar no terceiro escalão de um futebol que nem está entre os melhores do mundo. Mas, em vez de lamentar pelo lado profissional, prefere se apegar aos ganhos como pessoa que essa experiência está lhe trazendo.

“Amadureci demais neste ano e meio que estou aqui. Esqueci o Toró menino, que achava que tudo tinha que acontecer naquele momento que ele queria. Aqui, tenho de ser mais paciente. Sou eu que tenho que puxar o grupo dos jogadores.”

Apesar de não ter vergonha nenhuma da decisão que tomou no meio de 2014, Toró acredita que seus dias de terceira divisão do Japão estão no fim e que o próximo ano trará boas novidades para sua carreira.

“Tem algumas coisas por aí. É hora de dar o salto para frente.”


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