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Para cada gol, futebol brasileiro leva 2 cartões amarelos na Europa
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Rafael Reis

Para cada gol marcado, os jogadores brasileiros que atuam no primeiro escalão do futebol da Europa recebem em média dois cartões amarelos.

É essa uma das conclusões da análise da participação do futebol pentacampeão mundial nas cinco principais ligas nacionais do Velho Continente na temporada 2016/17.

Até o início da rodada deste fim de semana, os atletas brasileiros acumulavam 137.741 minutos (ou 5.739 horas e 5 minutos), 163 gols, 330 cartões amarelos e 15 expulsões na primeira divisão de Espanha, Inglaterra, Alemanha, Itália e França.

Isso significa um gol a cada 845 minutos, uma advertência a cada 417 minutos e um vermelho a cada 9.182 minutos de futebol brasileiro nos gramados europeus.

No total, 114 brasileiros já foram utilizados em partidas das cinco maiores ligas nacionais da Europa nesta temporada. Desses, 97 (85%) receberam pelo menos um cartão e 52 (45%) balançaram as redes.

De todos eles, quem mais permaneceu em campo foi o lateral esquerdo Lucas Lima, do Nantes. O ex-jogador do Botafogo e do Internacional participou integralmente de todas as 32 rodadas já disputadas do Francês. Ou seja, foi titular em todos os jogos e não foi substituído uma única vez.

Já o recordista brasileiro de cartões na elite europeia é um atacante. Deyverson, que chamou a atenção um mês atrás por comemorar um gol abaixando parte do calção, já recebeu 13 amarelos pelo Alavés no Espanhol.

O volante Fernandinho, do Manchester City, é o único brasileiro que foi expulso mais de uma vez nos campeonatos analisados. O jogador da seleção recebeu dois cartões vermelhos no Inglês e, por causa disso, precisou cumprir sete jogos de suspensão.

Quanto à artilharia, há um empate na primeira colocação. Roberto Firmino, do Liverpool, e Willian José, da Real Sociedad, marcaram dez gols cada nos campeonatos Inglês e Espanhol, respectivamente.

Neymar, o maior astro do futebol brasileiro nos últimos anos, fez nove gols pelo Barcelona na liga espanhola e aparece logo na sequência.

Entre os cinco campeonatos, o com maior presença brasileira até o momento é o Espanhol (35.382 minutos, contra 35.379 minutos do Italiano). Também é o país campeão mundial de 2010 que viu o maior número de gols (57) e de cartões (104) dos atletas aptos a defender a seleção líder do ranking da Fifa.


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Após 1.050 dias de banco, goleiro ex-Corinthians volta a jogar… e leva 5
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Rafael Reis

Depois de quase três anos sentado no banco de reservas, o goleiro brasileiro Rubinho, 34, ex-Corinthians, voltou neste domingo a disputar uma partida oficial.

Só que o retorno não foi como ele esperava. Escalado como titular do Genoa na 30ª rodada do Campeonato Italiano, acabou vazado cinco vezes na derrota por 5 a 0 para o Atalanta.

A goleada foi a primeira apresentação de Rubinho desde o dia 18 de maio de 2014, quando permaneceu em campo por 37 minutos na vitória por 3 a 0 da Juventus sobre o Cagliari, na despedida da temporada 2014/15.

No total, o brasileiro ficou 1.050 dias sem disputar uma partida oficial. Foram duas temporadas inteiras como terceiro goleiro da Juve, cinco meses de desemprego entre julho e agosto do ano passado, uma rápida passagem de um mês no Como e quase três meses como reserva do Genoa.

Ele ganhou uma chance para voltar a jogar contra a Atalanta porque o titular da meta genovesa, Mattia Perin, está machucado e seu reserva imediato, Eugenio Lamanna, não vem atravessando um bom momento.

Irmão do ex-volante Zé Elias, hoje comentarista da ESPN, e revelado nas categorias de base do Corinthians, Rubinho passou por todas as seleções brasileiras de base e está na Europa desde 2005.

Após passagens por Hellas Verona, Vitória de Setúbal, Genoa, Palermo, Livorno e Torino, o goleiro foi contratado em 2012 para fazer parte do elenco da Juventus, o clube mais vitorioso do futebol italiano.

A ida para a Vecchia Signora pode até ter rendido um bom dinheiro para Rubinho, mas acabou interrompendo sua trajetória dentro de campo.

À sombra de Gianluigi Buffon, um dos maiores nomes da história da posição, o brasileiro virou terceira opção no gol da Juve e atuou por apenas 47 minutos ao longo de quatro anos no clube alvinegro.

No final da temporada passada, a atual pentacampeã italiana optou por não renovar seu contrato e o deixou desempregado.

“Ninguém me informou de nada. Só deixaram acabar o contrato e me mandaram uma mensagem por telefone avisando que haviam feito uma homenagem para mim na página do clube. Não queria fogos de artifício, mas esperava que tivessem me avisado antes que eu pudesse correr atrás de algo”, disse, em setembro.

Rubinho ficou parado até dezembro, quando assinou com o Como, da terceira divisão italiana. Antes de estrear, recebeu uma proposta para retornar ao Genoa e voltou à elite do calcio.


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Após frustração em 82, Cerezo conquistou há 25 anos seu primeiro “Mundial”
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Rafael Reis

Um dos pilares da seleção brasileira que ganhou o mundo, mas perdeu a Copa-1982, Toninho Cerezo precisou de mais nove anos para enfim conquistar o primeiro “título mundial” de sua carreira.

Antes mesmo de ganhar por duas vezes o Mundial Interclubes pelo São Paulo, em 1992 e 1993, o meia se sagrou “campeão mundial” em 19 de maio de 1991, dia em que a Sampdoria derrotou o Lecce por 3 a 0 e venceu pela primeira e única vez na história o Italiano.

Ah, então esse tal de “título nacional” não passa de uma mera conquista nacional?

Toninho Cerezo

Mas, entre o fim da década de 1980 e o começo dos anos 1990, nenhuma competição interclubes do planeta merecia tanto o rótulo de Mundial quanto a Série A italiana. Nem mesmo o próprio Mundial Interclubes ou a Liga dos Campeões da Europa.

Eram tempos em que a Itália concentrava os maiores craques do mundo.

O Napoli tinha Diego Maradona. O Milan, o trio de holandeses formado por Van Basten, Gullit e Rijkaard. A Inter de Milão respondia com os alemães Matthäus, Klinsmann e Brehme. E a Juventus contava com Roberto Baggio e Toto Schillaci.

Ainda existam outros craques espalhados por times de segundo ou terceiro escalão, como Cannigia (Atalanta), Enzo Francescoli (Cagliari), Lentini (Torino) e o sueco Tomas Brolin (Parma).

E, em meio a tantas constelações, nenhum time italiano na temporada 1990/91 foi melhor que a Sampdoria de Gianluca Pagliuca, Pietro Vierchwood, Roberto Mancini, Gianluca Vialli e, claro, Toninho Cerezo.

“Nosso time tinha uma estrutura muito boa e não mexia muito de um ano para outro. Acho que ficamos com uns oito jogadores fixos durante seis anos e trocava só dois ou três por temporada”, conta.

O brasileiro desembarcou em Gênova em 1986, já aos 31 anos, depois de passar três temporadas na Roma. Foi contratado para aproximar da Sampdoria do audacioso projeto do magnata Paolo Mantonvani, que fez fortuna com a crise do petróleo da década de 1970: transformar o pequeno time da belíssima camisa azul em campeão da liga nacional mais importante do globo.

A conquista foi procedida por outras taças menores. O time foi campeão da Copa Italia em 1985, 1988 e 1989 e faturou a Recopa Europeia em 1990. Mas o título italiano mesmo só veio na temporada posterior à Copa-1990, jogada na Itália.

Cerezo ainda ficou mais um ano da Samp. Despediu-se do clube e do futebol europeu na melancólica derrota na prorrogação para o Barcelona na decisão da Liga dos Campeões.

Sua vingança veio meses mais tarde, quando ajudou o São Paulo a vencer por 2 a 1 o mesmo Barça e ganhar o Mundial Interclubes de 1992.

Depois de ganhar um título mundial extraoficial, Cerezo enfim pode levantar o troféu de um campeonato com o nome de Mundial.


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Ídolo palmeirense foi 1º brasileiro campeão como protagonista na Europa
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Rafael Reis

Exatos 60 anos atrás, no dia 6 de maio de 1956, o futebol viu pela primeira vez um jogador brasileiro ser protagonista de um título de primeiro escalão na Europa.

Julinho Botelho, o homem que transformaria vaias em aplausos no Maracanã e que faria história com a camisa do Palmeiras, liderou a Fiorentina na então inédita conquista do Campeonato Italiano.

Coube ao ponta direita brasileiro fazer o gol que deu o título à equipe de Firenze com cinco rodadas de antecipação, o do empate por 1 a 1 com a Triestina, fora de casa.

Julinho Botelho

No total, Julinho marcou seis gols naquela campanha. Menos que Virgili (23) e Montuori (13). Mas seus dribles desconcertantes e a criatividade que exibia dentro de campo o transformaram no craque daquela conquista.

O brasileiro, que ficou na Itália por apenas três temporadas e foi vice europeu em 1957, integra o Hall da Fama da Fiorentina. E, em 1996, foi eleito o melhor jogador do clube em todos os tempos.

Transformado em grande jogador pela Portuguesa, Julinho já era uma estrela mundial quando foi contratado pela Viola.

A transferência, que custou hoje inacreditáveis US$ 5.500, aconteceu em 1955, um ano depois de ele ter sido considerado um dos craques da Copa do Mundo-1954.

A atitude pioneira de deixar o futebol brasileiro para bilhar em território europeu lhe custou o direito de ser campeão mundial.

Julinho até foi convocado por Vicente Feola para disputar a Copa na Suécia, mas recusou o convite por achar que não era justo roubar uma vaga na seleção de quem atuava no próprio país.

Meses depois, já eclipsado para os brasileiros pelo campeão mundial Mané Garrincha, retornou para a casa e assinou com o Palmeiras, clube que defenderia até 1967 e onde se tornaria um ícone da “Primeira Academia”, time que fez frente ao Santos de Pelé.

Em 1959, viveu talvez o episódio mais conhecido de sua carreira. Escalado como titular no amistoso da seleção contra a Inglaterra, teve seu nome vaiado pelo Maracanã que desejava ver Garrincha em seu lugar.

Mas, a grande atuação na vitória por 2 a 0 sobre os inventores do futebol fez a torcida presente no estádio se arrepender mudar de ideia. E Julinho deixou o gramado ovacionado pelo público.

Julinho, o ídolo de Palmeiras e Fiorentina e o primeiro brasileiro a ganhar um título importante na Europa como protagonista, morreu em 2003, aos 73 anos de idade.

Quer saber mais sobre Julinho Botelho? Acesse a seção “Quem fim levou?”, do Terceiro Tempo


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Torcedores: Fiascos do Vasco fizeram Leonardo se aproximar da Juventus
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Rafael Reis

O professor de italiano e tradutor carioca Leonardo Theml, 26, não tem vergonha de admitir: graças aos seguidos fracassos dentro de campo do Vasco, ele cada vez dedica mais tempo e atenção à Juventus.

É aquele que originalmente era seu segundo time que têm suprido sua necessidade de títulos e sorrisos ligados ao futebol.

“Como o Vasco está em uma situação complicada, agora eu acompanho mais a Juventus. Sigo todos os jogos, compro pelo menos uma camisa por ano e coloquei o hino da Juve como toque do meu celular”, diz.

Leonardo

O interesse pela “Vecchia Signora”, atual tetracampeã italiana e vice europeia, vem do início da adolescência. Tempos em que Davids e Zidane o convenceram que cabia mais uma equipe em seu coração vascaíno.

“Comecei a estudar italiano muito novo, quando estava na quinta série. Sempre me interessei demais pela cultura italiana e, consequentemente, pelo futebol de lá. Por isso, a Juventus chamou minha atenção.”

Curiosamente, a descoberta de que aquilo se tratava se uma paixão não veio em um momento de alta. Mas sim quando a Juve vivia uma situação semelhante à que o Vasco enfrenta atualmente.

“O rebaixamento e retorno para a Série A [em 2006 e 2007] me fizeram perceber que eu era um torcedor de verdade. A gente só começa a entender isso quando sofre”, filosofa.

E, em breve, Leonardo planeja trocar os arredores de São Januário pelas cercanias da Juventus Stadium. O plano para um futuro próximo tem razões profissionais, mas, principalmente, sentimentais.

“Tenho um projeto de ir morar na Itália. E um dos motivos, claro, é acompanhar a Juventus mais de perto, conseguir ver alguns jogos no estádio.”


A seção “Torcedores” é publicada semanalmente e traz histórias de brasileiros que torcem para clubes de outros países. Se você é apaixonado por um time estrangeiro e quer ter seu caso publicado, escreva para rafaelmdosreis@gmail.com


Após falência, novo Parma se ergue na Itália com molecada e tiozões
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Rafael Reis

É com um time formado por muitos jovens e alguns tiozões que o Parma começa a dar os primeiros passos para retornar ao primeiro escalão do futebol italiano.

O bicampeão da Copa da Uefa (atual Liga Europa), que decretou falência no ano passado devido a dívidas na casa de 96 milhões de euros (cerca de R$ 425 milhões), precisou mudar de nome e recomeçar na quarta divisão.

Hoje, é a maior atração da Série D. Está invicto depois de 21 rodadas, lidera um dos nove grupos da competição e caminha para o primeiro acesso de sua nova história.

Mas, para quem já teve Buffon, Zola, Cannavaro, Asprilla, Crespo, Taffarel e Amoroso, o elenco atual causa até estranhamento.

Parma

O Parma montou sua equipe para a disputa da Série D com garotos cedidos das categorias de base de outros clubes, reforçados por um ou outro veterano em fim de carreira.

Dos 29 jogadores que formam o elenco atual, nada que menos que 16 ainda não chegaram aos 21 anos. Os três goleiros do grupo, por exemplo, nasceram no mesmo ano: 1997.

O traço de experiência na equipe é dado por alguns trintões especialistas em jogar as últimas divisões do futebol italiano e que encontraram no Parma uma oportunidade derradeira de ter algum destaque.

E, claro, pelo já quase quarentão Alessandro Lucarelli.

“Morri junto com o Parma e com o Parma quero renascer”, disse o jogador, logo depois do rebaixamento.

O zagueiro de 38 anos, que chegou ao Parma desde 2008, foi o único nome importante da era anterior à falência que decidiu ficar para jogar no novo clube.

Ele é o capitão da equipe dirigida por Luigi Apolloni, um ídolo dos tempos em que o dinheiro da Parmalat transformou o Parma em potência nacional, que voltou à velha casa para a missão de reconstruí-la.

Exemplos de sucesso para os garotos e os tiozões do Parma não faltam.

O Napoli, atual líder do Campeonato Italiano, quebrou no início dos anos 2000 e precisou recomeçar de baixo. A Fiorentina, quarta colocada no cálcio nesta temporada, também.

Se conseguir acumular um acesso após o outro e passar apenas um ano em cada divisão, o Parma pode retornar à elite italiana em 2018.


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