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França larga como favorita para Copa-2022 e deve ter 3 novos titulares
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Rafael Reis

Campeã da Copa do Mundo pela segunda vez em sua história, a França já larga como principal favorita na disputa do título da próxima edição do torneio mais importante do futebol no planeta.

A quatro anos do pontapé inicial para o Qatar-2022, a equipe do técnico Didier Deschamps é a que parece mais pronta e com maior quantidade de talento à disposição para daqui quatro anos.

A base do time deve ser mantida no novo ciclo. Afinal, apenas cinco dos 23 jogadores campeões mundiais na Rússia já estão na casa dos 30 anos.

E só três dos escalados para iniciar a decisão contra a Croácia, no domingo, têm idade mais elevada e chances menores de permanecer como titulares até a próxima edição do Mundial: o goleiro Hugo Lloris, o meia Blaise Matuidi e o atacante Olivier Giroud, todos de 31 anos.

Só que todos eles já têm uma linha de sucessão razoavelmente montada, que não deve deixar a França desfalcada em um futuro próximo.

No meio-campo, a opção número um para substituir Matudi é Corentin Tolisso, do Bayern de Munique, que também fez parte do elenco campeão mundial e inclusive começou a Copa como titular.

Outro nome que vem despontado bem no futebol francês é pode conquistar essa vaguinha é Houssem Aouar. O meia de 20 anos e origem argelina virou titular do Lyon na última temporada e já entrou na lista de compras do Barcelona e do Liverpool.

O ataque deve ter mudanças no posicionamento das peças. Sem um jogador mais jovem de características semelhantes às de Giroud, a tendência é que Griezmann ou Mbappé passem a ocupar a faixa central da linha de frente.

Com isso, uma vaga pelos lados do deve ser abrir. O favorito para ocupá-la é Ousmane Dembélé, outro que começou a Copa como titular. Nabil Fekir, do Lyon, e Thomas Lemar, recém-transferido para o Atlético de Madri, também são cartas na manga para o setor.

Por fim, o gol. Quem larga na frente pela futura camisa 1 francesa é Alphonse Aréola, banco na Rússia-2018 e titular do Paris Saint-Germain na última temporada. O problema é que ele precisa deixar a capital francesa se quiser jogar depois da contratação de Gianluigi Buffon.

A maior ameaça a Aréola é o garoto Alban Lafont. Tratado como um fenômeno da posição, ele estreou como titular do Toulouse com 16 anos e 10 meses. Menos de três anos depois, acabou de ser negociado com a Fiorentina.

Por fim, há ainda a chance nada desprezível de Lloris, capitão na conquista do bicampeonato mundial, permanecer na meta francesa por mais quatro anos e disputar a Copa do Qatar, a quarta de sua careira, com 35 anos de idade. Em sua posição, isso não chega a ser um problema.

De qualquer forma, qualquer mudança mais drástica no elenco da campeã do Mundial da Rússia só deve acontecer depois da Eurocopa-2020. Até lá, a equipe deve ser muito parecida com a que vimos triunfar ao longo do último mês.

Possível França para 2022: Aréola (Lafont); Pavard, Varane, Umtiti e Lucas Hernández; Kanté, Pogba e Tolisso (Aouar); Dembélé, Mbappé e Griezmann


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Com zagueiro de R$ 226 mi, França já inicia busca por 1º título pós-Copa
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Rafael Reis

Após derrotar a Croácia por 4 a 2, no domingo, e conquistar pela segunda vez na história o título da Copa do Mundo, a França já começa nesta semana a defender o posto de melhor escola de futebol do planeta.

Os Bleus são uma das atrações do Campeonato Europeu sub-19, na Finlândia, que começa nesta segunda-feira e será disputado até o dia 29 de julho.

Assim como a seleção principal, a equipe de jovens franceses também é comandada por um campeão mundial de 1998, o ex-atacante Bernard Diomède, que passou a maior parte da carreira no Auxerre.

Dentro de campo, o maior destaque é o zagueiro Malang Sarr, que é tratado como uma das maiores promessas do futebol europeu para posição.

Nascido em 1999, ele já é titular do Nice há duas temporadas e faz parte da lista de jovens jogadores que o Barcelona monitora como possíveis reforços para o futuro. Sua multa rescisória é de 50 milhões de euros (R$ 226 milhões).

Outra promessa do time é Amine Gouiri, autor de dois gols em três jogos nas eliminatórias da competição. De ascendência argelina, o centroavante de 18 costuma ser comparado a Karim Benzema (hoje no Real Madrid) pelo sucesso que fez nas categorias de base do Lyon.

Autor de quatro gols na Copa do Mundo (inclusive um na final) e eleito o melhor jogador da competição, o atacante Kylian Mbappé, do Paris Saint-Germain, por pouco também não pode reforçar a seleção de Diomède.

O camisa 10 é de 20 de dezembro de 1998. A Euro sub-19 permite a escalação de atletas nascidos a partir do dia 1º de janeiro de 1999.

A França estreia na competição contra a Ucrânia, na terça. Turquia e Inglaterra serão outras adversárias na primeira fase. O outro grupo conta com as participações de Finlândia, Portugal, Noruega e Itália.

As cinco primeiras colocadas do torneio continental obtêm a classificação para a próxima edição do Mundial sub-20, que será disputada em 2019, na Polônia.

Os franceses têm oito títulos europeus sub-19. O mais recente foi conquistado em 2016, justamente pela equipe que tinha Mbappé como estrela –foi o vice-artilheiro da competição, com cinco gols.

No ano passado, a França decepcionou e não conseguiu chegar à fase final do torneio.


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Pela 3ª Copa consecutiva, título vai para a melhor seleção do planeta
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Rafael Reis

Não é sempre que a Copa do Mundo consagra a melhor seleção do planeta. Mas, assim como aconteceu em 2010, com a Espanha, e quatro anos atrás, com a Alemanha, o troféu foi mais uma vez para as mãos mais merecedoras.

A França pode até não ter sido a seleção com futebol mais agradável de se ver na Rússia-2018.

A agora bicampeã mundial passou boa parte do torneio fugindo da responsabilidade de propor o jogo e cozinhando os adversários para segurar uma vantagem mínima –quatro das suas seis vitórias foram por um gol de diferença.

Mas, não se enganem, os franceses têm sim a melhor seleção do planeta. Uma equipe e principalmente um grupo de jogadores superior que Brasil, Bélgica, Inglaterra, Alemanha, Argentina ou qualquer outra potência do futebol mundial.

Um dos motivos é Didier Deschamps. O ex-volante passou seis anos sendo criticado por boa parte da França. A acusação principal era sua incapacidade de fazer a seleção ter um sólido jogo coletivo.

Mas, quando chegou a Copa, tudo mudou. Os “Bleus” se comportaram como uma equipe de verdade, com forte marcação e uma maturidade absurda para ditar o ritmo da partida. Uma equipe de futebol pouco atraente, mas extremamente competitiva.

Só que o principal motivo para a França merecer o posto de seleção número um do planeta não é seu treinador, mas sim o talento absurdo do qual o país dispõe.

O Mundial da Rússia consagrou Kylian Mbappé, Antoine Griezmann, Paul Pogba, N’Golo Kanté, Raphael Varane e vários outros jogadores que teriam vaga cativa em qualquer uma das 32 seleções que disputaram o torneio.

Também apresentou rostos novos que eram poucos conhecidos pelos apreciadores do futebol, como os laterais Benjamin Pavard e Lucas Hernández, duas apostas pessoais de Deschamps que provaram seu valor.

E vale lembrar ainda que a seleção se deu ao luxo de não levar para a Copa muita gente boa. Karim Benzema, Adrien Rabiot, Tiemoué Bakayoko, Anthony Martial, Alexandre Lacazette, Kingsley Coman foram ignorados pelo treinador e não fizeram falta nenhuma.

Isso mostra a quantidade enorme de jogadores talentosos que a França dispõe atualmente. Uma quantidade que nenhum outro país do planeta possui.

Um trunfo que me fez publicar em abril de 2016, aqui neste mesmo espaço, que a terra de Michel Platini e Zinédine Zidane seria a “próxima melhor seleção do planeta” e que provavelmente conquistaria algum título relevante nos próximos dez anos.

A profecia demorou só dois anos para ser cumprida. A Terra é azul. E o mundo do futebol, também. Vive Leus Bleus!


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Com 5 técnicos em 6 anos, Croácia “rasga cartilha” do sucesso no futebol
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Rafael Reis

Um trabalho de longo prazo, com a manutenção do mesmo técnico por anos a fio, que permita aos jogadores conhecerem os detalhes daquela ideia de jogo, automatizarem os movimentos e executarem perfeitamente tudo aquilo que foi planejado pela comissão técnica.

Esse é o ideal da montagem de um time vencedor de futebol. Um ideal que a Croácia resolveu rasgar para fazer história na Copa do Mundo-2018.

A seleção, que estreia neste domingo em finais da competição de futebol mais importante do planeta, contra a França, teve nada menos do que cinco treinadores diferentes ao longo dos últimos seis anos.

O ex-volante Zlatko Dalic, 51, está no cargo desde outubro. Ele foi contratado para salvar a equipe na última rodada das eliminatórias europeias da Copa, conseguiu bater a Ucrânia fora de casa e levou os croatas para a repescagem, onde desbancou a Grécia.

Com apenas 13 jogos no currículo, sendo oito vitórias, três empates e duas derrotas, será o homem sentado no banco de reservas no dia mais importante da história do futebol croata, o dia que pode consagrar como campeã mundial um pequeno país de 4 milhões de habitantes e menos de 30 anos de independência.

“Não tive muito tempo para trabalhar com os jogadores quando assumi o time antes das partidas decisivas das eliminatórias. Então, passo mais tempo conversando com eles, tentando lhes dar a confiança necessária. A Croácia tem um time talentoso. Meu trabalho é reunir o talento desses jogadores e maximizar o potencial do time”, afirmou o treinador, em entrevista ao “Blog do Rafael Reis”, quatro meses antes da Copa.

Dalic, cujo momento mais expressivo da carreira antes do Mundial havia sido a conquista do campeonato dos Emirados Árabes pelo Al-Ain, substituiu na seleção Ante Cacic, que ficou dois anos na função e não resistiu às eliminatórias.

Cacic, por sua vez, foi o substituto de Niko Kovac, agora comandante do Bayern de Munique, que não conseguiu levar a Croácia além da fase de grupos na Copa-2014. Antes, Igor Stimac havia durado só 15 jogos no cargo. E Slaven Bilic deixou a seleção após a queda na primeira fase da Euro-2012.

Tudo isso aconteceu em um período de apenas seis anos, justamente o tempo em que Didier Deschamps, adversário croata na final deste domingo, comanda a França.

Ao contrário dos rivais na decisão da Copa, os franceses fizeram tudo que a “cartilha do futebol” manda. Mantiveram o capitão da conquista de 1998 à frente da equipe mesmo depois da eliminação nas quartas de final no Mundial passado e da traumática derrota para Portugal na final em casa da Euro-2016.

O resultado foi o fim da desconfiança sobre Deschamps. Se antes da Rússia-2018, a torcida duvidada da sua capacidade de transformar um grupo de jogadores dos mais talentosos em um time da verdade, agora essa discussão ficou passado.

E ficará ainda mais se a França mostrar para a Croácia neste domingo que um trabalho de longo prazo pode fazer toda a diferença.

TÉCNICOS DA CROÁCIA DESDE 2012:

Slaven Bilic (2006-2012): 65 jogos, 64,6% de aproveitamento
Igor Stimac (2012-2013): 15 jogos, 53,3% de aproveitamento
Niko Kovac (2013-2015): 19 jogos, 52,6% de aproveitamento
Ante Cacic (2015-2017): 25 jogos, 60% de aproveitamento
Zlatko Dalic (2017): 13 jogos, 61,5% de aproveitamento


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Precoce, Mbappé pode ser campeão mais jovem como titular em 36 anos
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Rafael Reis

É raro um adolescente conseguir conquistar a Copa do Mundo como titular de sua seleção.

Algo tão raro que Kylian Mbappé pode se tornar neste domingo, quando França e Croácia se enfrentam em Moscou pelo título da Rússia-2018, o jogador mais jovem dos últimos 36 anos a conseguir esse feito.

Com 19 anos, sete meses e 25 dias, o atacante francês do Paris Saint-Germain é mais novo do que todos os titulares das equipes vencedoras das últimas oito edições da competição mais importante de futebol do planeta.

Para encontrar um campeão com idade mais baixa do que o camisa 10, é preciso retornar à 1982.

Na ocasião, o então lateral direito (e posteriormente zagueiro) Giuseppe Bergomi, da Inter de Milão, ajudou a Itália a derrotar a Alemanha por 3 a 1 e se sagrar tricampeã mundial com apenas 18 anos, sete meses e 19 dias.

Mas o caso de Bergomi é uma rara exceção. Quatro anos atrás, a Alemanha venceu a Copa no Brasil com um elenco que não tinha sequer um jogador com menos de 20 anos.

Na decisão contra a Argentina, o titular mais jovem escalado pelo técnico Joachim Löw foi o meio-campista Christoph Kramer, que já havia completado o 23º aniversário.

Mbappé não é só mais jovem do que os jogadores da seleção alemã campeã da Copa-2014. Ele também tem menos idade que todos os integrantes das últimas cinco equipes vencedoras do torneio.

O último atleta com idade menor que a promessa francesa a levantar a taça foi o atacante brasileiro Ronaldo, que tinha apenas 17 anos em 1994, a quem o camisa 10 vem sendo muito comparado.

A diferença é que o Fenômeno nem entrou em campo nos Estados Unidos. Já Mbappé não só é figura central na seleção da França, como é candidato real ao prêmio de melhor jogador do torneio.

Na primeira Copa de sua carreira, o atacante marcou três vezes, teve uma atuação de gala nas oitavas de final contra a Argentina e impressionou o planeta com muita velocidade, capacidade de driblas os adversários e toques precisos para seus companheiros.

Mbappé tem apenas dois anos e meio como profissional. Ele estreou pelo Monaco em dezembro de 2015 e foi protagonista da equipe semifinalista da Liga dos Campeões na temporada 2016/17.

Vendido ao PSG por 180 milhões de euros (R$ 811 milhões), segundo maior valor já pago por um jogador de futebol, chegou à seleção principal em março do ano passado e rapidamente virou titular.

Em 21 partidas pela equipe finalista da Copa-2018, soma sete gols e cinco assistências. Agora, quer o recorde mais importante de sua carreira. Um recorde que vale o título que todo jogador, adolescente, no auge ou já em fim de carreira, sonha conquistar.


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Seleção mais cansada só venceu duas das últimas 9 finais de Copa
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Rafael Reis

A França é apontada como favorita contra a Croácia na decisão da Copa do Mundo e um dos motivos é porque vai chegar à partida de domingo em melhores condições físicas. Enquanto a adversária disputou três prorrogações, o time de Mbappé, Griezmann e Pogba resolveu todos seus confrontos de mata-mata no tempo normal.

O raciocínio, feito por muita gente depois da definição das finalistas da Rússia-2018, pode até parecer simplista. Mas a história da competição mais importante de futebol do planeta mostra que ele faz todo sentido.

Em apenas duas das últimas nove edições da Copa, a seleção que chegou à decisão mais cansada conseguiu reverter essa desvantagem e conquistar o título.

Curiosamente, as únicas finais que tiveram esse desfecho também tinham a França em campo. Em 2006, a Itália driblou o cansaço maior para se sagrar tetracampeã mundial ante os Bleus nos pênaltis, após empate por 1 a 1 em 120 minutos de futebol.

Doze anos atrás, os italianos foram à decisão com uma prorrogação nas costas, a da semifinal contra a Alemanha. Por outro lado, os franceses venceram os três jogos da fase final do Mundial sem precisar de tempo extra.

Já em 1998, a França tinha a desvantagem física contra o Brasil. Afinal, já tinha enfrentado duas prorrogações, contra apenas uma do rival. Mesmo assim, aplicou um implacável 3 a 0 na final.

Ou seja, a situação com que a Croácia sonha no domingo já aconteceu. Mas o padrão é justamente o oposto.

Desde a década de 1980, cinco finais de Copa foram vencidas pela seleção que estava mais descansada. Itália (1982), Argentina (1986), Alemanha (1990), Brasil (1994) e Alemanha (2014) ganharam decisões em que haviam disputado um número menor de prorrogações que seus adversários.

Em outros dois Mundiais no período, o de 2002 (Brasil x Alemanha) e o de 2010 (Espanha x Holanda), nenhuma das finalistas precisou encarar tempos extras durante a competição.

Em busca de um título inédito, a Croácia é a primeira seleção da história das Copas a sobreviver a três prorrogações em uma mesma edição do torneio.

O teste de resistência começou nas oitavas de final, quando derrotou nos pênaltis a Dinamarca. Nas quartas, precisou novamente das penalidades para eliminar a anfitriã Rússia. A semifinal contra a Inglaterra foi um pouco mais curta. O gol de Mario Mandzukic decidiu o jogo nos 120 minutos de bola rolando.

Já a França não precisou queimar tanta energia assim. Seu caminho nos mata-matas teve início com uma vitória por 4 a 3 contra a Argentina, passou por um triunfo por 2 a 0 sobre o Uruguai e foi completado com um magro 1 a 0 ante a Bélgica.

Além do desgaste menor durante a competição, os franceses têm outra vantagem física sobre seus adversários na final: um dia extra de descanso, já que jogaram na terça-feira e a Croácia, na quarta.


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Hugo Lloris, o paredão francês, nasceu rico e queria jogar tênis
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Rafael Reis

Em uma seleção repleta de filhos de imigrantes e garotos que cresceram na periferia das grandes cidades, tendo de lidar com dificuldades financeiras e diferentes tipos de violência, o capitão da França na Copa-2018 é um “estranho no ninho”.

O goleiro Hugo Lloris, 31, é branco, não possui raízes africanas, já nasceu cheio da grana e nem tinha a disputa de uma final de Mundial como seu maior sonho de infância.

Quando criança, o atual camisa 1 francês certamente trocaria a decisão da Rússia-2018, contra  a Croácia, neste domingo, em Moscou, pela oportunidade de disputar o troféu de Roland Garros.

Filho de uma advogada com um banqueiro de Monte Carlo (Mônaco), o arqueiro do Tottenham nasceu e cresceu em Nice, cidade litorânea que é um dos principais polos turísticos franceses e uma parte de uma região cheia dos endinheirados.

Seu primeiro esporte não era o futebol, mas sim o tênis. E Lloris era bom nisso, tanto que chegou a figurar no top 10 do ranking francês na categoria infantil.

Foi só no começo da adolescência, aos 13 anos, que o finalista da Copa do Mundo decidiu trocar definitivamente a raquete pelas luvas de goleiro e tratar os treinos nas categorias de base do Nice como prioridade.

A escolha deu tão certo que, seis anos depois, Lloris já estava na meta do time da cidade em uma partida da primeira divisão francesa. Em 2008, ele assinou com o Lyon, um dos grandes do país. E, após quatro temporadas, migrou para o poderoso futebol inglês para defender o Tottenham.

A primeira chance na seleção também veio em 2008. Dois anos depois, já foi titular em uma Copa. A braçadeira de capitão veio em 2011, apenas três anos após sua estreia. Coube ao goleiro a tarefa de liderar o processo da transição da geração de Franck Ribéry, Patrice Evra e Karim Benzema para a atual, que tem nele um dos seus maiores expoentes.

No Mundial da Rússia, o terceiro de sua carreira, Lloris virou uma espécie de herói nacional.

Apesar de não ter sido exigido muitas vezes, o goleiro salvou a França sempre que foi requisitado. E com intervenções dignas de serem chamadas de milagre.

Nas quartas de final, contra o Uruguai, pegou uma cabeçada de Martín Cáceres que lembrou a icônica defesa do inglês Gordon Banks na Copa-1970. Já na semi, contra a Bélgica, foi buscar um difícil chute no canto dado por Toby Alderweireld.

Neste domingo, o homem de confiança do técnico Didier Deschamps, que nasceu rico e gostava mais de tênis que de futebol, quer repetir o gesto que o comandante fez há 20 anos: levantar a Copa do Mundo.


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Rafael Reis

Aos 19 anos, seis meses e 20 dias, Kylian Mbappé tem nesta terça-feira a missão mais importante de sua curta carreira como jogador profissional de futebol: conduzir a França a uma final de Copa do Mundo depois de 12 anos.

Mas engana-se quem pensa que o confronto com a Bélgica, em São Petersburgo, pela semifinal da Rússia-2018, é responsabilidade demais para um garoto tão jovem.

Fenômeno de precocidade, o atacante do Paris Saint-Germain tem um início de trajetória que supera até mesmo os começos de carreira de Cristiano Ronaldo e Lionel Messi, os craques que bipolarizam a modalidade há uma década.

O Mbappé atual tem números bem melhores do que o português e o argentino ostentavam quando tinham a idade do jovem astro da seleção francesa e davam seus primeiros passos rumo ao Olimpo da Bola.

Em 124 jogos como profissional, camisa 10 soma 55 gols e 37 assistências. As médias de 0,44 bola na rede e 0,3 passe para gol por partida são suficientes para deixar qualquer um de queixo caído.

Quando tinha 19 anos, Messi até se aproximava da média de gols de Mbappé (0,36 por jogo), só que seu número de assistências era bem inferior ao do novo astro do futebol francês (0,17).

Já Cristiano Ronaldo tinha números bem distantes daqueles que o consagrariam como um vencedor de cinco eleições de melhor do mundo: 0,13 gols por partida e 0,14 assistência a cada 90 minutos.

Mas não é só na quantidade de gols e passes precisos que Mbappé supera o início de carreira da dupla de craques. Praticamente tudo aconteceu antes com ele.

O francês disputou sua primeira partida como profissional aos 16 anos, 11 meses e 12 dias (empate por 1 a 1 entre Monaco e Caen, em dezembro de 2015). Messi e CR7 só fizeram suas estreias em jogos oficiais depois de completar o 17º adversário.

O primeiro gol também saiu mais depressa para Mbappé. O atacante estreou como artilheiro aos 17 anos e dois meses (vitória por 3 a 1 do Monaco sobre o Troyes). O português demorou seis meses mais para marcar, e o argentino, oito.

O sucesso na Liga dos Campeões também chegou antes para o camisa 10 da seleção da França. Seu primeiro gol na Champions saiu aos 18 anos e 2 meses (derrota por 5 a 3 do Monaco contra o City). Messi deixou sua marca no torneio continental com 18 anos e 4 meses. CR7, com 20 anos e seis meses.

O trio estreou por suas respectivas seleções com a mesma idade (18 anos), mas Mbappé também se sobressai na largada. No primeiro ano e meio jogando pela França, ele marcou sete vezes, mesmo desempenho de CR7 por Portugal. No mesmo período, Messi só fez dois gols pela Argentina.

Mas a principal vantagem do atacante sobre os dois grandes astros do futebol mundial no século 21 pode ser construída ao longo desta semana.

Mbappé pode conquistar a Copa do Mundo ainda como adolescente, algo que Messi e Cristiano Ronaldo ainda não conseguiram nem como trintões. Será que estamos vendo uma passagem de bastão?

AOS 19 ANOS

Kylian Mbappé
124 jogos
55 gols (0,44 por partida)
37 assistências (0,3 por partida)

Lionel Messi
83 jogos
30 gols (0,36 por partida)
14 assistências (0,17 por partida)

Cristiano Ronaldo
71 jogos
9 gols (0,13 por partida)
10 assistências (0,14 por partida)


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Rafael Reis

Pela quarta edição consecutiva, a Copa do Mundo terá uma seleção europeia como campeã. Pela segunda vez neste século, todos os quatro semifinalistas da competição são do Velho Continente.

Não é preciso mais que uma reflexão rápida para perceber que a Europa virou a “dona” do futebol mundial.

A má notícia para brasileiros, argentinos, uruguaios e torcedores de todos os outros continentes é que essa hegemonia não tem data para acabar. E é bem possível que ela aumente ainda mais nos próximos anos.

Quem diz isso não sou eu, mas sim os resultados das categorias de base. Ainda que revelar jogadores seja mais importante que levantar taças nos torneios para jovens, o que anda acontecendo nos Mundiais sub-17 e sub-20 diz muito sobre o futuro do futebol.

E o que anda acontecendo? A Europa, que até pouco tempo atrás era quase “café com leite” nessas competições e via sul-americanos e africanos nadarem de braçada, vem colecionando um título atrás do outro.

O exemplo mais expressivo é o do Mundial sub-20. O torneio, que teve apenas uma conquista europeia entre 1993 e 2011 (Espanha-1999), vem de três conquistas consecutivas de equipes do continente onde o futebol nasceu.

Em 2013, deu França (com Samuel Umtiti e Paul Pogba no elenco). Dois anos depois, foi a vez da Sérvia se sagrar campeã. E a última edição da competição para jovens de até 20 anos foi vencida pela Inglaterra.

A mesma Inglaterra que também é a atual campeã mundial sub-17. No ano passado, o English Team faturou a taça ao derrotar a Espanha na final. Foi a primeira decisão 100% europeia em 32 anos de história do torneio juvenil.

Ou seja, tudo leva a crer que essa fase de hegemonia do Velho Continente no futebol mundial, sobretudo na Copa, ainda terá alguns capítulos antes de chegar ao fim.

São vários os motivos que fizeram sul-americanos, africanos e asiáticos ficarem para trás na corrida contra os europeus. Mas o principal deles é, sem dúvida, o bom trabalho focado em planejamento e inteligência na formação de jogadores.

Enquanto países como Brasil e Argentina terceirizam a função de criar jovens atletas e deixam toda a responsabilidade desse processo na mão de clubes (cada qual com sua filosofia própria), muitos países europeus adotam filosofias unificadas no desenvolvimento dos seus candidatos a profissionais do futebol.

Responsável pela queda brasileira na Rússia-2018 e uma das semifinalistas da Copa, a Bélgica adota desde a década passada critérios únicos para a formação de jogadores em todo o país. Todos os clubes belgas usar nas categorias de base o mesmo esquema tático e processos semelhantes de treinamento.

O modelo já foi copiado por Alemanha e Inglaterra. A primeira, apesar da queda prematura nesta edição da Copa, é a atual campeã mundial. A segunda unificou os títulos sub-17 e sub-20 no ano passado.

Já a França, adversária dos belgas na semifinal, possui há 30 anos um centro de formação de jogadores mantido pela federação nacional. Clairefontaine recebe garotos talentosos de 12 a 15 anos que tenham potencial para vingar no futebol.

Parte considerável do elenco francês no Mundial da Rússia passou pelo centro. Pogba, Kylian Mbappé e Raphaël Varane são alguns dos titulares do técnico Didier Deschamps que treinaram por lá.


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Global, Copa-2018 terá 80 jogadores em seleções de países onde não nasceram
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Rafael Reis

Thiago Alcântara nasceu na Itália. Samuel Umtiti e Breel Embolo, em Camarões. Raheem Sterling é natural da Jamaica. Johan Djorou, da Costa do Marfim. Nordim Amrabat é holandês de nascimento. Gotoku Sakai, norte-americano.

Nenhum dos países onde eles nasceram conseguiu se classificar para a Copa do Mundo. Mas todos eles estarão nos gramados da Rússia a partir da próxima quinta-feira.

Os sete jogadores citados acima fazem parte de um grupo expressivo, que ultrapassa os 10% do total de convocados para a competição mais importante do futebol mundial. Dos 736 inscritos na Copa-2018, 80 vão defender seleções que não são a da terra onde nasceram.

O caso mais emblemático é o de Marrocos. De volta aos Mundiais depois de 20 anos de ausência, a equipe norte-africana só convocou seis atletas naturais do próprio país. Os outros 17 integrantes de sua seleção são nascidos na França, Holanda, Espanha, Canadá e Bélgica.

Portugal, Suíça, Senegal e Suíça também têm pelo menos 30% dos seus elencos compostos por jogadores “estrangeiros”.

Só dez das 32 seleções da Copa-2018 contam apenas com atletas nascidos dentro do seu território. O Brasil é uma delas, assim como Alemanha, Colômbia, Bélgica, Suécia e Coreia do Sul.

A França é o país que mais cedeu jogadores para o Mundial. São 48 atletas oriundos da terra de Michel Platini e Zinédine Zidane espalhados pelas seleções da Copa. Isso significa duas convocações completas. E ainda mais nomes sobrando.

A Holanda, que nem conseguiu se classificar para a competição, é outro caso que chama a atenção. O país de Johan Cruyff produziu sete jogadores para a Rússia-2018, mais que Marrocos, uma das 32 seleções participantes.

Já o Brasil terá 28 representantes no torneio. Além dos 23 convocados por Tite, outros cinco jogadores nasceram na casa do futebol pentacampeão mundial: os zagueiros Thiago Cionek (Polônia) e Pepe (Portugal), o lateral direito Mário Fernandes (Rússia) e os atacantes Diego Costa e Rodrigo (Espanha).

O número da Copa-2018 é semelhante ao registrado no Mundial passado. Quatro anos atrás, 83 atletas defenderam seleções diferentes da do país onde nasceram. Ou seja, o processo de globalização do futebol parece ter encontrado um ponto de equilíbrio.

A maior parte do grupo dos “estrangeiros” do Mundial da Rússia não é formada por atletas que decidiram buscar uma nova cidadania para conseguir uma chance de disputar a competição, mas sim por jogadores que se mudaram para novos países ainda na infância/adolescência ou descendentes de migrantes que optaram por defender a seleção da terra dos seus antepassados.

É por isso que a Copa-2018 tem tantos nascidos na França. O país é uma porta de entrada na Europa para migrantes africanos e foi metrópole de Tunísia, Marrocos e Senegal, três seleções que estarão no torneio.


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