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No país de Jorge Jesus, técnicos brasileiros só têm emprego na 3ª divisão

Rafael Reis

10/11/2019 04h00

Enquanto no Brasil um treinador português (Jorge Jesus, do Flamengo) lidera o campeonato nacional e virou sinônimo de futebol bem jogado e vencedor, em Portugal, os técnico brasileiros são espécies ameaçadas de extinção.

Apesar de compartilharem o mesmo idioma e da ligação histórica entre os dois países, não há sequer um "professor" nascido no Brasil trabalhando no time principal de algum dos 36 clubes que disputam as duas divisões 100% profissionais da terra de Cristiano Ronaldo.

Crédito: Divulgação

Para encontrar um brasileiro executando a função de treinador por lá é preciso mergulhar até o terceiro escalão do futebol local, o Campeonato Portugal, uma competição que mistura times B de agremiações importantes, equipes profissionais de pequenas vilas e até mesmo conjuntos semiamadores.

E, mesmo nessa miscelânea de 72 clubes divididos em quatro divisões regionalizadas, não é tão simples assim achar técnicos com DNA verde e amarelo.

O ex-goleiro Peterson Peçanha, que jogou nas categorias de base do no Flamengo, começou a temporada como técnico do Trofense, mas só durou quatro partidas no cargo. Depois de três derrotas e um empate, foi demitido ainda no mês passado.

Com a queda de Peçanha, atualmente apenas um técnico tupiniquim o trabalha na terceirona lusa: o carioca Armando Santos, um ex-jogador do Bangu, que construiu sua carreira como treinador em Portugal e está em seu segundo clube como treinador por lá.

Crédito: Reprodução

O brasileiro dirige o Mirandela, time de 93 anos de existência que nunca chegou à elite, e que ocupa atualmente a nona colocação do Grupo A do Campeonato Portugal.

A última vez em que treinadores do país passaram pela Série A da terra de Jorge Jesus foi na temporada 2016/17. Na ocasião, Paulo César Gusmão dirigiu o Marítimo por pouco mais de três meses e Fabiano Soares ficou à frente do Estoril Praia até dezembro. Ambos caíram por não atingirem os resultados esperados.

A ausência de técnicos representantes da única nação pentacampeã mundial nos primeiros escalões do futebol português contrasta com o histórico rico que eles sempre tiveram em sua antiga metrópole.

Dois dos três técnicos mais importantes da seleção lusa em todos os tempos nasceram no Brasil: Otto Glória (terceiro colocado na Copa do Mundo-1966) e Luiz Felipe Scolari (vice-campeão europeu em 2004 e quarto na Copa-2006) –Fernando Santos, atual comandante da equipe de CR7 e vencedor da última Euro, é natural de Lisboa.

Além de Glória, que ganhou quatro títulos nacionais com o Benfica e dois com o Sporting, outros dois treinadores tupiniquins também se sagraram campeões portugueses: Dorival Knipel, o Yustrich, vencedor com o Porto em 1956, e Carlos Alberto Silva, bi com o mesmo Porto em 1992 e 1993.

Mais alguns comandantes importantes do futebol brasileiro também trabalham em Portugal, mas sem levantar a taça mais valiosa do país. Esses foram os casos de Paulo Autuori, Abel Braga e Paulo Amaral (preparador físico da seleção canarinho em 1958 e 1962).


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Sobre o Autor

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

Sobre o Blog

Este espaço conta as histórias dos jogadores que fazem do futebol uma paixão mundial. Não só dos grandes astros, mas também dos operários normalmente desconhecidos pelo público.

Rafael Reis