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Rafael Reis

Adversária do Brasil, Alemanha só teve 10 técnicos em toda sua história

Rafael Reis

27/03/2018 04h00

Tite ainda não completou nem dois anos à frente do Brasil e vai para a primeira Copa do Mundo de sua carreira. Já Loachim Löw comanda a Alemanha desde 2006 e disputará seu terceiro Mundial no comando do time germânico.

A diferença nos tempos de trabalho dos treinadores das seleções que ocupam as duas primeiras posições no ranking da Fifa e que se enfrentam em amistoso nesta terça-feira, em Berlim, não é fruto do acaso.

Ela reflete um conflito claro na forma de pensar futebol dos dirigentes brasileiros e alemães: a importância da continuidade.

Enquanto a seleção brasileira já teve oito técnicos diferentes só nos últimos 20 anos (Zagallo, Vanderlei Luxemburgo, Emerson Leão, Luiz Felipe Scolari, Carlos Alberto Parreira, Dunga, Mano Menezes e Tite), a alemã foi comandada por apenas dez homens diferentes em toda sua história.

Contratado em 2004 para trabalhar como assistente de Jürgen Klinsmann e promovido ao cargo de treinador dois anos mais tarde, logo depois do terceiro lugar na Copa-2006, Löw já é um dos mais longevos deles.

Há 12 anos na função, o atual treinador da Alemanha já soma 158 partidas dirigindo a seleção tetracampeã mundial, com direito a um título de Copa do Mundo (2014), um troféu de Copa das Confederações (2017) e um vice da Euro (2012).

Em número de jogos, Löw só está atrás de Sepp Herberger, o técnico do primeiro título mundial da Alemanha, conquistado em 1954, que dirigiu a equipe 167 vezes durante inacreditáveis 28 anos –se bem que a seleção ficou inativa durante oito anos devido à Segunda Guerra Mundial.

Já em tempo no cargo, perde também para Helmut Schön, o comandante do bi (1974), que sucedeu Herberger e permaneceu no comando do time durante 14 anos ininterruptos.

Löw ainda tem mais dois anos de contrato, pode superar a quantidade de partidas de Herberger e igualar o tempo de casa de Schön.

Mas, apesar de seu vínculo só terminar depois da próxima Eurocopa, em 2020, não é certo que ele permanecerá no cargo depois da Copa do Mundo-2018.

Seu sucesso à frente da Alemanha o transformou em um dos nomes mais visados do mercado internacional de treinadores. Bayern de Munique, Arsenal, PSG e Real Madrid tiveram recentemente seus nomes vinculados ao de Löw, o longevo técnico de uma Alemanha que adora a continuidade.

TODOS OS TÉCNICOS DA SELEÇÃO ALEMÃ*

Comitê de Gestão (entre 1908 e 1936): 58 partidas
Otto Nerz (entre 1926 e 1936): 70 partidas
Sepp Herberger (entre 1936 e 1964): 167 partidas
Helmut Schön (entre 1964 e 1978): 139 partidas
Jupp Derwall (entre 1978 e 1984): 67 partidas
Franz Beckenbauer (entre 1984 e 1990): 66 partidas
Berti Vogts (entre 1990 e 1998): 102 partidas
Erich Ribbeck (entre 1998 e 2000): 24 partidas
Rudi Völler (entre 2000 e 2004): 53 partidas
Jürgen Klinsmann (entre 2004 e 2006): 34 partidas
Joachim Löw (desde 2006): 158 partidas

*inclui Alemanha Ocidental e unificada

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Sobre o Autor

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

Sobre o Blog

Este espaço conta as histórias dos jogadores que fazem do futebol uma paixão mundial. Não só dos grandes astros, mas também dos operários normalmente desconhecidos pelo público.