Blog do Rafael Reis

Como guerra e fome transformaram seleção suíça em ameaça real ao Brasil

Rafael Reis

Xherdan Shaqiri nasceu em Gjilan, no leste do Kosovo, na época em que a região ainda fazia parte da Iugoslávia. Antes de completar seu primeiro aniversário, mudou-se com os familiares para bem longe do conflito que matou mais de 15 mil pessoas.

Johan Djorou é de Abidjan, capital econômica da Costa do Marfim, país localizado na costa oeste da África que tem apenas o 171º IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do planeta. Quando tinha apenas 17 meses, seu pai deixou a dureza da vida no continente africano rumo à Europa.

Foi com histórias assim, forjadas à base de guerra e fome, como a do meia-atacante do Stoke City (ING) e a do zagueiro do Antalyaspor (TUR), que nasceu a seleção mais perigosa que o Brasil irá enfrentar na primeira fase da Copa do Mundo-2018.

Oitava colocada no ranking da Fifa e derrotada apenas uma vez em suas últimas 18 partidas oficiais, a Suíça é uma seleção formada por imigrantes e descendentes de estrangeiros que tiveram de lutar muito para superar as mazelas da vida.

Dos 24 jogadores que fizeram parte de sua última convocação, para os confrontos com a Irlanda do Norte, pela repescagem das eliminatórias europeias, 14 possuem múltiplas cidadanias, ou seja, estariam aptos a defender outras seleções.

A maioria deles chegou à Suíça na onda de imigração provocada pelas inúmeras guerras que levaram à desintegração da Iugoslávia, entre as décadas de 1990 e 2000. Behrami, Xhaka e Shaqiri carregam sangue kosovar. Dzemaili e Mehmedi são da Macedônia. Gavranovic é filho de croatas. E Seferovic é descente de bósnios.

A diáspora provocada pela fome na África também contribuiu muito para a formação do adversário de estreia do Brasil no Mundial-2018. Os primos Gelson e Edimilson Fernandes são de família oriunda de Cabo Verde. Embolo nasceu em Camarões. Akanji é descendente de nigerianos. Zakaria é fruto da união entre congoleses e sudaneses. Já Djorou, que não enfrentou a Irlanda do Norte, é marfinense de nascimento.

Essa verdadeira Torre de Babel fica completa com dois descendentes de sul-americanos. O lateral esquerdo Ricardo Rodríguez tem mãe chilena. Já a família materna do zagueiro Léo Lacroix é do Rio de Janeiro. Ambos, no entanto, nasceram na Suíça.

A chegada de tantos estrangeiros, com tipos físicos diferentes daqueles com quais os suíços estavam acostumados e sede de sobrevivência grafada em seus DNAs, foi um divisor de águas para o futebol helvético.

O país, que só disputou uma Copa entre 1970 e 2002, vai para o seu quarto Mundial consecutivo e avançou para a fase final em duas das suas últimas três participações (2006 e 2014).

Só nesta década, a Suíça já venceu Portugal, Espanha Brasil e Alemanha. Também empatou com França, Inglaterra e Holanda. Em agosto alcançou sua melhor colocação na história do ranking da Fifa, o quarto lugar.

Brasileiros e suíços se enfrentam no dia 17 de junho, em Rostov, pela primeira rodada da Copa-2018. Costa Rica e Sérvia são as outras seleções que formam o Grupo E da principal competição do futebol mundial.


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