Blog do Rafael Reis

Ex-Sevilla, Mariano não teme ostracismo na Turquia e ainda sonha com Copa

Rafael Reis

A pouco mais de quatro meses do início da Copa-2018, o lateral direito Mariano ainda acredita que pode conseguir um lugar na seleção brasileira que vai à Rússia em junho para tentar o hexacampeonato mundial.

Apesar de ter sido convocado apenas uma vez por Tite (para a partida contra o Paraguai, em março do ano passado, pelas eliminatórias), o ex-jogador do Fluminense acredita que pode ser lembrado pelo treinador e ganhar a disputa com Danilo (Manchester City) e Fagner (Corinthians) pela reserva de Daniel Alves.

“Acredito que essa oportunidade pode aparecer de novo. Fui convocado e seria um orgulho enorme voltar à seleção, ainda mais falando em defender o país numa Copa do Mundo”, diz.

Em sua primeira temporada no Galatasaray, depois de dois anos atuando no futebol espanhol pelo Sevilla, Mariano afirma também não temer o ostracismo na Turquia e lembra que a liga que disputa agora também costuma ceder jogadores para as seleções –inclusive para o Brasil, já que o meia Giuliano defende o Fenerbahce.

Confira abaixo a íntegra da entrevista com o lateral:

Na Espanha, você tinha uma visibilidade legal, disputava Champions e já havia até sido convocado pelo Tite. Por que você decidiu trocar essa situação pelo Galatasaray, que atua em uma liga com menos holofotes que a espanhola?
Eu tinha um ano de contrato no Sevillla e o Galatasaray me fez uma proposta muito boa. Em Sevilla conquistei um título muito importante, então achei que era a hora de sair e tentar outro título na Turquia, e com um time que tem um nome respeitado dentro do futebol mundial, assim como o Sevilla. O Galatasaray sempre tem jogadores de renome no futebol mundial, sempre jogadores convocados por seleção. Os grandes clubes turcos têm uma visibilidade grande também, disputa grandes competições, têm grandes jogadores. Pensando em seleção brasileira, por exemplo, o holofote ainda existe, a liga é competitiva e os grandes clubes da Turquia são muito respeitados no cenário europeu e mundial.

Você ainda acredita que tem chances de ser convocado para a Copa do Mundo? Por quê?
Sei que não será fácil, na minha posição existem grandes jogadores, mas sempre farei meu melhor no Galatasaray e, se por acaso pintar uma nova chance com o Tite, quero estar pronto. Acredito que essa oportunidade pode aparecer de novo. Fui convocado e seria um orgulho enorme voltar à seleção, ainda mais falando em defender o país numa Copa do Mundo. Estarei na torcida, ou na Rússia ou no Brasil.

O futebol turco é bem mais físico que o espanhol. O quão complicado foi para você se adaptar a esse estilo de jogo?
Para mim, a liga espanhola é muito mais complicada, mas eu estava bem adaptado e me adapto rapidamente aos diferentes estilos de jogo. O nível de competição na Espanha é altíssimo. Já a liga turca vem crescendo muito pelos grandes jogadores que já passaram por aqui e também, claro, com os que estão vindo pra cá e os que já disputam a competição. O nível é bom aqui também, a competitividade entre os grandes clubes é gigantesca, sem falar nos emergentes.

O Galatasay é um clube gigantesco, mas que não ganha o título turco há duas temporadas. A pressão pela volta dos títulos é muito grande?
Sim, toda equipe grande tem pressão, ainda mais quando fica algum tempo sem ganhar títulos. Mas tenho certeza que este ano sairemos campeões e daremos esse titulo para nossa torcida. A torcida é muito exigente, mas também apoia bastante. Não tenho dúvidas que levantaremos a taça nesta temporada.

Os torcedores turcos são conhecidos como os mais fanáticos do mundo. Você concorda com essa afirmação? Qual foi a maior loucura que já viu por aí?
Realmente eles são fanáticos e adoram o futebol. É impressionante. Ainda não vi uma loucura deles desde que cheguei aqui, mas o clima no estádio é de arrepiar. Já vi muita coisa pela televisão e pela internet antes de chegar ao Galatasaray, sei o quanto são fanáticos. A festa no estádio é maravilhosa, sempre pedem autógrafos e fotos nas ruas, mas ainda não presenciei nenhuma “loucura” desde que cheguei.

Você tem planos de retornar ao futebol brasileiro? Recebeu alguma proposta recentemente?
Sim, ainda penso em jogar no Brasil. Sondagens são normais em épocas de transferência, tanto do Brasil quanto da Europa, mas deixo com o [empresário] Marcelo Robalinho e a Think Ball. Temos um planejamento de carreira muito bem feito e bem alinhado, e ele sempre foi muito positivo pra mim. Alguns objetivos foram conquistados aqui na Europa e por isso penso em terminar minha carreira no meu país. Mas enquanto eu tiver contrato aqui, meu foco total e minha energia será colocada aqui. Como disse, ainda quero ser campeão no Galatasaray, como fui no Bordeaux e no Sevilla aqui na Europa. Ainda tem muito chão pela frente, mas um dia sonho em voltar a jogar no Brasil.


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