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"Vinícius Jr. dos anos 2000", Lulinha cita choro e depressão no Corinthians

Rafael Reis

09/06/2017 04h00

Aos 27 anos, Lulinha encontrou a paz na Ásia. Na Coreia do Sul, ele é apenas o camisa 10 do Pohang Steelers, um dos times mais tradicionais do país, e não aquele garoto que jamais conseguiu se transformar no craque de proporção global que o torcedor brasileiro imaginava.

A sensação é libertadora. Tão boa que fez a ex-eterna promessa do Corinthians se transformar em um dos destaques do futebol sul-coreano. Apesar de jogar no meio-campo, já marcou cinco gols em 13 rodadas da K-League, a primeira divisão local.

"Quando chego em algum clube no Brasil, fica sempre aquela questão: será que ele vai vingar? Na Ásia, é diferente. Os torcedores têm mais paciência, entendem que não dá para você jogar bem todos os jogos. Dá tempo de você se adaptar e assimilar a cultura", afirmou, por telefone.

Para quem não se lembra, Lulinha foi uma espécie de Vinícius Júnior da década passada. Fenômeno das categorias de base do Corinthians, ele marcou inacreditáveis 297 gols pela equipe sub-17 do clube até ser promovido, com apenas 16 anos, para o time profissional.

Sua multa rescisória, de US$ 50 milhões (R$ 164 milhões) não foi suficiente para afastar o interesse de gigantes do futebol mundial, como Chelsea, Real Madrid e Barcelona.

Mas, ao contrário do novo astro do Flamengo, já negociado com o Real, Lulinha não transformou a fama juvenil em uma transferência internacional. Ele optou por permanecer no Corinthians e viu sua vida se transformar em um martírio no Parque São Jorge.

O momento da sua promoção não poderia ter sido pior. Afinal, o clube paulistano frequentava as páginas policiais por escândalos ligados à MSI e ao presidente Alberto Dualib e acabaria rebaixado para a Série B do Brasileiro em 2007. A torcida não perdoou aquele garoto que imaginava que seria seu salvador.

"Tive meus momentos de depressão e choro, evitava assistir aos programas de TV para não ver as pancadas que davam em mim. Mas a pior lembrança foi um jogo contra o Palmeiras, em 2008, aquele em que o Valdivia comemorou o gol fazendo o chororô. Na saída do Morumbi, quando passei, ouvi a torcida xingando o meu nome. Nem no rebaixamento, tinham me xingado diretamente."

"Aquilo doeu demais. Meu pai tinha feito um churrasco em casa para acompanhar a partida. Mas cheguei e fui direto para o quarto chorar. Fiquei muito mal porque perdi a bola no lance que originou o gol."

Com a imagem manchada no Corinthians, Lulinha passou os últimos três anos do seu contrato sendo emprestado para equipes menores de Portugal, como Estoril e Olhanense. O meia foi emprestado também para o Bahia.

Depois, rodou por Ceará, Criciúma, Red Bull Brasil, Botafogo e Mogi Mirim, até se mudar para a Coreia do Sul, no ano passado. O meia até teve alguns momentos de destaque, mas nada que lembrasse um garoto que um dia valeu US$ 50 milhões.

É do alto dessa experiência que Lulinha faz questão de aconselhar Vinícius Júnior e o Flamengo. Afinal, ele não quer que sua história se repita com outro garoto cheio de talento e sonhos para o futuro.

"Vão querer que ele arrebente logo, mas a adaptação com o profissional não é tão simples. O mais importante é o Flamengo não jogar ele na fogueira e querer que ele resolva rapidamente os problemas do time", completa.


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Sobre o Autor

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

Sobre o Blog

Este espaço conta as histórias dos jogadores que fazem do futebol uma paixão mundial. Não só dos grandes astros, mas também dos operários normalmente desconhecidos pelo público.

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