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Arquivo : manipulação de resultados

Punido por fraudar jogos, brasileiro renasce ao lado de pedreiros e garçons
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Rafael Reis

“Para meus companheiros de time, o futebol é só mais um trabalho para completar o salário. Jogo ao lado de pedreiro, eletricista, vendedor de carro. Dia desses, fui a um restaurante e quem veio me atender era um cara que joga comigo.”

Não encontrar mais espaço no futebol profissional e ter de reconstruir a carreira atuando ao lado de atletas amadores: é esse o preço que o único jogador brasileiro punido por manipulação de resultados em partidas de futebol na Europa continua pagando.

O atacante Joelson Inácio, 34, atuava na segunda divisão italiana até 2012 quando recebeu uma suspensão de dois anos e meio de qualquer atividade relacionada à modalidade. A pena está relacionada ao recebimento de dinheiro de uma rede de apostadores ilegais para tentar manipular resultados do Grossetto, da Série B local, em 2010.

O atacante, que deixou o Brasil para viver na Itália quando tinha apenas 13 anos, admitiu ter participado de duas tentativas de fraudar jogos.

Em um episódio, recebeu 20 mil euros (cerca de R$ 75 mil, na cotação atual) para permitir a vitória por 2 a 0 do Reggina sobre o Grossetto. Em outro, ofereceu 30 mil euros (R$ 112 mil) para que o goleiro rival, o brasileiro Angelo da Costa, fosse derrotado de propósito –a proposta foi recusada.

Livre para jogar desde março de 2015, quando sua suspensão chegou ao fim, Joelson não conseguiu mais encontrar espaço nas divisões mais altas da Itália. O jeito foi recomeçar de baixo, no futebol semiprofissional.

O brasileiro está em sua terceira temporada consecutiva na Série D, a quarta divisão do Calcio e a primeira em que os jogadores não são totalmente profissionais. Depois de defender Lecco e Pontisola, agora atua no Caravaggio.

“Sou o único jogador do time que vive só do futebol. O resto trabalha meio período. É claro que meu salário hoje é bem mais baixo do que era antes. Mas consegui fazer uma economia boa durante a carreira, e minha mulher também trabalha”, conta.

A fama de ter sido um manipulador de resultados não apenas prejudica a sequência de sua carreira, como também faz parte do seu cotidiano dentro de campo. Ainda hoje, anos depois do escândalo que mudou sua vida, Joelson continua sendo procurado por quem deseja fraudar placares de jogos de profissional.

“O pessoal da organização nunca mais encostou em mim. Mas, em campo, às vezes aparece um jogador ou outro tentando combinar um resultado. Só que não dou a mínima”, completa o atacante brasileiro, que sempre faz questão de dizer que está arrependido por seus atos do passado.


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Manipuladores de resultados já apagaram luz de jogo do Barça na Champions
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Rafael Reis

Imagine a situação: alguém aposta muito dinheiro no resultado de uma partida de futebol e, quando descobre que o placar que ele precisa não será alcançado, resolve desligar os refletores do estádio para que o jogo não termine, e ele receba o investimento de volta.

Parece cena de filme, esquete de programa de humor ou, na pior das hipóteses, algo que rolou em um torneio de várzea ou nas divisões inferiores de algum país do terceiro escalão do futebol mundial, né?

Mas isso aconteceu na Liga dos Campeões da Europa, a mais rica e importante competição interclubes do planeta. E foi em um jogo do Barcelona.

Em 2001, o Barça visitou o Fenerbahce, na primeira rodada da Champions. Impossibilitados de comprar jogadores e/ou árbitros, um grupo de apostadores malaios acostumados a manipular resultados pagou para um funcionário do estádio Sukru Saracoglu para apagar os refletores caso o placar que eles precisassem não fosse atingido.

Confiantes em um time que tinha Kluivert e Rivaldo como estrelas, os fraudadores apostaram o equivalente a 675 mil dólares (R$ 2 milhões) na vitória do Barça. Só que os turcos fizeram um gol, dois gols, três gols…

Como combinado, a luz foi cortada para que a partida fosse adiada, as apostas acabassem canceladas e, com isso, os manipuladores recebessem o dinheiro de volta.

Só que algo deu errado nesse “plano perfeito”. Os malaios esqueceram de questionar se o estádio de Istambul contava com geradores. Ou seja, após o blecaute, os refletores voltaram a se acender, o Fenerbahce venceu por 3 a 0 e eles perderam toda a grana investida.

O golpe foi relatado pelo cingapuriano Wilson Raj Perumal, o manipulador de resultados mais conhecido do mundo, em sua biografia “O Submundo do Futebol: Confissões de um Manipulador de Resultados”, lançada no Brasil no ano passado pela editora Astral Cultural.

Perumal, que acumula várias passagens pela prisão, colabora desde 2012 com autoridades europeias e com a Fifa nas investigações sobre fraudes em placares de partidas de futebol.

O cingapuriano, que alega ter manipulado jogos das eliminatórias para a Copa do Mundo-2010 e das Olimpíadas de Atlanta-1996 e Pequim-2008, diz também ter sido o inspirador do “golpe do refletor”.

Apesar de ter falhado na Champions, a estratégia de simplesmente cortar a energia de um estádio para impedir um resultado desfavorável aos apostadores foi, de acordo com Perumal, usado com sucesso em partidas do Campeonato Inglês durante a década de 1990.

Ainda segundo o fraudador, Arsenal, Derby County, Wimbledon, West Ham e Crystal Palace protagonizaram jogos que ficaram às escuras e precisaram ser adiados por ação de manipuladores de resultados.


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Sensação da Europa, técnico do Chelsea já foi suspenso por fraude em placar
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Rafael Reis

Líder do Campeonato Inglês com o Chelsea e técnico da moda no futebol europeu, Antonio Conte tem uma mancha daquelas difíceis de apagar do currículo

Em 2012, o treinador ficou quatro meses impossibilitado de comandar a Juventus como pena por não ter relatado às autoridades italianas sobre a manipulação do resultado da partida entre Novara e Siena, no ano anterior.

Conte

Comandante do Siena na época, Conte foi considerado pela Justiça Esportiva italiana cúmplice do esquema por ter ciência de que o resultado do jogo (2 a 2) havia sido combinado e, mesmo assim, não ter feito nenhuma denúncia à organização do Calcio.

Inicialmente, o treinador foi suspenso por dez meses. A pena acabou sendo reduzida posteriormente para os quatro meses que ele acabou cumprindo.

O escândalo, que não o impediu de construir uma vitoriosa carreira na Juventus e dirigir a seleção italiana entre 2014 e 2016, poderia até mesmo colocá-lo na cadeia.

Depois da punição dada pela Justiça Esportiva, o caso foi levado à Justiça Comum. Conte foi indiciado não pela omissão na delação da armação, o que não é considerado crime na Itália,  mas sim por ter supostamente permitido que a partida tivesse o resultado manipulado.

Caso condenado, o hoje comandante do Chelsea teria de pagar uma multa de 8 mil euros (cerca de R$ 26,5 mil) e poderia pegar até seis meses de prisão.

Seu julgamento foi realizado em maio do ano passado, às vésperas da Eurocopa e quando ele já havia assinado contrato para dirigir o clube londrino na temporada 2016/17.

Conte, que sempre negou ter sequer conhecimento de que a partida havia sido fraudada, foi inocentado pela Justiça Comum e pode dar sequência normal em sua carreira.

O italiano se tornou o treinador sensação da Europa nesta temporada ao levar o Chelsea, décimo colocado em 2015/16, à liderança confortável da Premier League e espalhar pelo continente a febre do esquema com três zagueiros.

Sua formação preferida desde os tempos em que dirigia a Juventus andava meio esquecida no Velho Continente até que o sucesso das equipes comandadas por ele provocou um renascimento da ideia, já usada na atual temporada até mesmo por Pep Guardiola, do Manchester City.

Conte é o técnico do momento da Europa e virou fonte de inspiração para seus companheiros de profissão. Mas tem uma mancha difícil de apagar do currículo.


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7% dos jogadores já tiveram oferta para manipular resultado, diz sindicato
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Rafael Reis

Sete a cada 100 jogadores profissionais de futebol do planeta já receberam ao menos uma vez proposta para manipular resultados.

É esse o resultado de uma pesquisa realizada pela FifPro, o sindicato mundial dos jogadores profissionais de futebol, que obteve respostas de 13.876 atletas de 54 países, entre eles o Brasil.

Bola

O “Informe 2016 do Emprego Global”, produzido pelo sindicato, trata das condições de trabalho às quais os profissionais da modalidade são submetidos: salários, atrasos no pagamento, assédio moral e também corrupção.

De acordo com a FiPro, a fabricação de resultados para favorecer apostadores ou mesmo clubes mais endinheirados e poderosos é um fenômeno global, e não de se trata apenas de casos isolados.

Enquanto 7% dos jogadores afirmaram já ter recebido proposta para manipular o resultado de alguma partida em que estava envolvido, 9,3% informaram conhecer algum caso de jogo que teve placar arranjado na liga que disputa.

“Com certeza, esses números são maiores. Para começar, muitos jogadores que receberam ofertas como essa não teriam coragem de admiti-la em uma pesquisa, mesmo sendo uma pesquisa anônima. Além disso, aqueles que aceitaram participar de um esquema de manipulação certamente também negaram conhecimento do fato na pesquisa”, diz o relatório.

A distribuição de jogadores que admitiram ter sido procurados por dirigentes ou mafiosos para fabricarem resultados não é uniforme pelo mundo. Em alguns países, trata-se de uma verdadeira epidemia.

É o caso por exemplo da Geórgia, país onde 34,2% dos jogadores participantes da pesquisa admitiram que já receberam propostas para fraudar partidas. Congo (31,3%), Cazaquistão (25,3%), Zimbábue (19%) e Chipre (18,6%) aparecem na sequência.

Na América, o país com maior incidência de atletas que relataram ter recebido ofertas desse tipo é a Bolívia (17,2%).

O Brasil tem números bem mais modestos. De acordo com a pesquisa da FifPro, 2,1% dos jogadores que atuam no futebol pentacampeão mundial já foram procurados para manipular resultados.

O resultado não é muito semelhante do da Itália (2,7%), país que convive há algumas décadas com grande escândalos de fraudes. Milan, Lazio e Juventus, três dos maiores clubes do Calcio, por exemplo, já foram rebaixados para a segunda divisão por participação em esquemas assim.

No Brasil, o caso mais conhecido não envolveu participação de jogadores. Em 2005, o árbitro Edilson Pereira de Carvalho admitiu ter sido pago por grupos de apostadores para fabricar resultados do Campeonato Brasileiro. Onze partidas foram anuladas e tiveram de ser jogadas novamente.


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Até casa de apostas é dona de time na 1ª divisão da Inglaterra
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Rafael Reis

O inédito título inglês conquistado pelo Leicester na temporada passada provocou prejuízos históricos para as casas de apostas britânicas, que tiveram de desembolsar pelo menos 15 milhões de libras (R$ 66 milhões) para premiar os poucos que previram a façanha histórica.

Se o azarão não fosse a equipe de Vardy e Mahrez, mas sim o Stoke City, essa informação deixaria de ser uma simples curiosidade para se tornar o centro de uma importante discussão ética sobre conflito de interesses.

Stoke City

É que os Potters, apelido do time que está na primeira divisão inglesa desde 2008 e foi nono colocado na última temporada, não têm uma casa de apostas apenas como patrocinador principal e dono dos naming rights do seu estádio.

A relação é bem mais profunda. O Stoke City pertence a uma das maiores redes de apostas esportivas via internet do planeta, o Bet365, que atua em quase 200 países e possui cerca de 19 milhões de clientes.

O presidente do clube, Peter Coates, é também quem dirige o grupo, que foi fundado em 2000 e adquiriu o time da cidade de Stoke-on-Tent seis anos depois

“Eu e minha família não vemos o Stoke como um negócio. É algo importante para nossa região e que gostamos de fazer”, disse Coates, em entrevista publicada pelo jornal “Guardian”, em 2015.

A parceria de dez anos entre o time e uma empresa que ganha dinheiro com as previsões de resultados de partidas de futebol (inclusive as envolvendo a equipe que lhe pertence) nunca produziu nenhum grande escândalo e nem incomoda a Inglaterra, um país que é apaixonado pelas apostas.

Mas, internacionalmente a coisa é bem diferente. A Fifa e Uefa monitoram constantemente apostadores e plataformas de apostas para detectar partidas com propensão a fraude e manipulação de resultados.

O poderio das casas de apostas (as legalizadas, caso da Bet365) sobre o futebol é cada vez maior. Nove dos 20 clubes da Premier League são patrocinados por uma empresa do segmento. A segunda divisão inglesa leva o nome de um site do gênero. E há ainda o caso do Stoke…


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Único jogador brasileiro punido por fraudar jogos capta jovens para agentes
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Rafael Reis

A vida de Joelson Inácio, 32, nunca voltou ao normal depois do seu envolvimento com uma rede de manipulação de resultados no futebol italiano.

Depois de cumprir dois anos e meio de suspensão por trabalhar para fraudar placares de jogos da Série B do calcio, o atacante voltou aos gramados há 11 meses. Mas não foi mais o mesmo.

O brasileiro não conseguiu retornar aos primeiros escalões do futebol da Itália. Atualmente, joga pelo Lecco, que atua na semiprofissional quarta divisão.

A carreira dentro dos campos já não é mais também seu único ganha pão.

“Sou sócio de alguns empresários que estão tentando organizar campings de treinamentos para crianças e jovens. Somos em quatro sócios. Nossa ideia é organizar treinos não só aqui na Itália, mas também nos EUA e na República Dominicana.”

Joelson

O papel de Joelson, ele mesmo faz questão de ressaltar, não é negociar jogadores. “Minha função é mais de olheiro”, conta.

Caberá a Joelson identificar quais garotos entre os participantes das sessões de treinamento têm potencial para se tornarem jogadores de futebol e tentar encaixá-los nas categorias de base de clubes da Itália.

“Muita gente que jogou comigo já se tornou treinador ou direito. A ideia é aproveitar o contato que tenho com esse pessoal”, explica.

Joelson ficou suspenso do futebol entre setembro de 2012 e março de 2015. A pena, aplicada pela Federação Italiana de Futebol, está relacionada ao recebimento de dinheiro de uma rede de apostadores ilegais para tentar manipular resultados do Grossetto, da Série B local, em 2010.

O atacante, que vive na Itália desde os 13 anos, admitiu ter participado de duas tentativas de fraudar jogos.

Em um episódio, recebeu 20 mil euros (quase R$ 87 mil, na cotação atual) para permitir a vitória por 2 a 0 do Reggina sobre o Grossetto. Em outro, ofereceu 30 mil euros (R$ 130 mil) para que o goleiro rival, o brasileiro Angelo da Costa, fosse derrotado de propósito –a proposta foi recusada.

“Eles [os fraudadores] nunca mais me procuraram. Não valeu a pena ter feito aquilo. Fiquei dois anos e meio parado e estou sofrendo para limpar minha imagem. Foi uma experiência muito negativa, mas que me ensinou demais.”

Além da punição esportiva, Joelson ainda aguarda a conclusão do seu caso na Justiça comum da Itália. O julgamento está marcado para a próxima quinta-feira (18 de fevereiro). Segundo o jogador, não há risco de ele ser preso.


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