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Por onde andam os jogadores do Flamengo campeão da Libertadores-1981?

Rafael Reis

22/11/2019 04h00

Trinta e oito anos depois de conquistar seu primeiro (e até agora único) título da Libertadores, o Flamengo volta amanhã a disputar a final do torneio interclubes mais importante do futebol da América do Sul.

Mas, se desta vez a decisão contra o River Plate será disputada em jogo único, em Lima (Peru), a briga pela taça de 1981 durou 270 minutos.

Foram necessários três jogos para a equipe brasileira despachasse o Cobreloa e se sagrasse campeã sul-americana daquele ano.

Na primeira partida, no Rio, o Fla venceu por 2 a 1. Uma semana depois, os chilenos jogaram em casa e deram o troco: 1 a 0. Por isso, houve a necessidade de um jogo desempate. No dia 23 de novembro, os dois finalistas se encontraram em Montevidéu (Uruguai), e os rubro-negros venceram por 2 a 0.

Mas, na véspera de uma nova decisão da Libertadores para o Flamengo, o que estão fazendo da vida os heróis de 1981? O "Blog do Rafael Reis" mostra os paradeiros de cada um deles logo abaixo.

Crédito: Divulgação

POR ONDE ANDA – FLAMENGO DE 1981?

Raul Plassmann (75 anos) – O goleiro que não sofreu gol na decisão do dia 23 de novembro já chegou ao Flamengo como um veterano de 33 anos. Mesmo assim, teve tempo suficiente para escrever seu nome na história do clube. Raul atuou pelo clube do Rio até 1983, quando, aos 39 anos, decidiu encerrar a carreira. Desde então, já fez de tudo um pouco: foi comentarista de rádio e TV (chegou a trabalhar na Globo), tentou a sorte como técnico, foi dirigente e até se lançou na carreira política –foi candidato a deputado federal por Minas Gerais em 2014.

Nei Dias (66 anos) – O menos conhecido dos jogadores que iniciaram a partida decisiva contra o Cobreloa só foi escalado como titular porque Lico estava machucado. Nei Dias jogou no Flamengo durante apenas um ano, 1981, quando faturou o título sul-americano. Ele também defendeu clubes como Botafogo, Atlético-MG e Fluminense. Depois de aposentado, Nei Dias largou o futebol e passou a trabalhar em diferentes áreas.

Marinho (64 anos) – Ex-eletricista, começou a carreira no futebol paranaense e foi campeão brasileiro pelo São Paulo em 1977 antes de ser contratado pelo Flamengo. Marinho fez parte do elenco rubro-negro de 1980 a 1984 e chegou até a defender a seleção no período. Aposentado há quase 30 anos, ele hoje vive em Londrina (PR) e tem negócios na construção civil.

Mozer (59 anos) – Caçula do time campeão da Libertadores, o zagueiro estava apenas em sua segunda temporada como profissional em 1981. Após a passagem pelo Flamengo, Mozer construiu uma carreira de sucesso no exterior e jogou em Portugal (Benfica), França (Olympique de Marselha) e Japão (Kashima Antlers). Além disso, disputou a Copa-1990 pela seleção. Depois de pendurar as chuteiras, trabalhou como técnico em Portugal, Angola e Marrocos. De 2016 até o primeiro semestre do ano passado, foi gerente de futebol do Flamengo.

Júnior (65 anos) – Um dos principais laterais esquerdos da história do Brasil, estendeu a carreira até os 39 anos e pendurou as chuteiras jogando como homem de meio-campo. Depois, ainda passou mais sete anos defendendo a seleção brasileira de beach soccer, modalidade na qual foi hexacampeão mundial. Júnior chegou a trabalhar como técnico de Flamengo e Corinthians, mas se encontrou na função de comentarista esportivo. Atualmente, faz parte do elenco da TV Globo.

Andrade (62 anos) – Apesar de ter sido expulso na final contra o Cobreloa, ainda é lembrado hoje como um dos principais jogadores da equipe que se sagrou campeã da Libertadores. Volante de elevada técnica, Andrade rodou bastante pelo mundo do futebol, chegou a jogar na Roma e arrastou a carreira até 1999, quando já tinha 42 anos. Depois de aposentado, continuou bastante ligado ao Fla. Durante muito tempo, foi auxiliar-técnico do clube. Em 2009, assumiu o comando da equipe interinamente, foi ficando e acabou ganhando o título brasileiro. Mesmo com a conquista, sua carreira não decolou, e Andrade jamais voltou a dirigir um time de primeira divisão.

Leandro (60 anos) – Apesar de ter sido um dos laterais direitos mais talentosos da história, o camisa 2 do Flamengo encarou a decisão da Libertadores improvisado no meio-campo. Além da camisa rubro-negra, Leandro só vestiu mais um uniforme ao longo da carreira, o da seleção brasileira, pela qual disputou a Copa-1982. Aposentado com apenas 31 anos devido a problemas no joelho, o ex-jogador administra uma pousada em Cabo Frio (RJ).

Zico (66 anos) – Capitão, craque e autor dos dois gols do Flamengo na final contra o Cobreloa, o ex-camisa 10 até hoje é sinônimo do clube carioca. Zico passou nada menos que 16 anos da sua carreira como profissional vestindo a camisa rubro-negra. Curiosamente, apesar de trabalhar como treinador há mais de duas décadas, jamais dirigiu o Fla. No banco de reservas, o hoje diretor técnico do Kashima Antlers trabalhou na Copa do Mundo-2006 com a seleção japonesa e foi campeão nacional de Turquia (Fenerbahce, em 2007) e Uzbequistão (Bunyodkor, em 2008).

Tita (61 anos) – Revelado nas categorias de base do Flamengo, o meia-atacante teve uma carreira das mais ricas. Além de ter defendido o clube rubro-negro, também jogou no Vasco, no Grêmio, no Internacional, teve passagens por Alemanha, Itália e México e disputou a Copa-1990. Desde 2000, trabalha como treinador. Tita dirigiu vários times pequenos do Rio, comandou o Vasco em duas oportunidades, chegou a trabalhar em equipes mexicanas e até foi auxiliar da seleção japonesa.

Adílio (63 anos) – Polivalente, o ex-volante também era capaz de atuar como meia de criação e até quebrar o galho no ataque. Foi assim que ele conquistou a torcida do Flamengo, clube que defendeu entre 1975 e 1987 e onde viveu seus melhores dias. Depois de deixar a equipe carioca, Adílio arriscou-se no futsal e fez parte da seleção campeã mundial de 1989. Mas sua despedida dos gramados só aconteceu oito anos depois. Adílio foi treinador na Arábia Saudita, trabalhou com Zico no CFZ e ficou na base do Fla de 2003 a 2008. Em julho, foi homenageado pelo clube carioca com um busto na Gávea.

Nunes (65 anos) – Único atacante de verdade na escalação do técnico Paulo César Carpegiani, Nunes passou em branco nos três jogos da decisão, mas é um ídolo dos grandes para o torcedor flamenguista. O camisa 9 teve três passagens pelo clube e também jogou no México, em Portugal e até em El Salvador. Depois de aposentado, foi subsecretário de esportes de Nova Iguaçu (RJ) e tentou, sem sucesso, ser eleito deputado estadual no Rio de Janeiro.

Anselmo (60 anos) – Única substituição feita por Carpegiani na final, o ex-atacante entrou a campo já nos minutos finais da partida contra o Cobreloa, deu um soco no zagueiro Mario Soto e foi expulso. O cartão vermelho transformou Anselmo em um ídolo da torcida do Flamengo, que estava com o adversário preso na garganta pelo excesso de violência praticado nas partidas anteriores da decisão. O ex-jogador mudou-se para Portugal já na reta final da carreira e, depois de aposentado, trabalhou em uma escola.

Paulo César Carpegiani (70 anos) – Em 1981, quando ganhou a Libertadores e também o Mundial de Clubes, Carpegiani era um ex-jogador de apenas 32 anos que havia acabado de se aposentar e estava tendo sua primeira experiência como treinador. Quase quatro décadas mais tarde, comandar times de futebol ainda é sua profissão. Ao longo de todo esse tempo, o ex-meia passou por boa parte dos maiores clubes do Brasil, teve experiências no exterior e chegou a comandar o Paraguai na Copa-1998. No entanto, nunca voltou a conquistar títulos tão expressivos quanto os levantados no primeiro ano de sua carreira.


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Sobre o Autor

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

Sobre o Blog

Este espaço conta as histórias dos jogadores que fazem do futebol uma paixão mundial. Não só dos grandes astros, mas também dos operários normalmente desconhecidos pelo público.

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