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Como o Brasil ajudou a transformar o Peru em uma seleção competitiva

Rafael Reis

21/06/2019 04h00

O Brasil encerra neste sábado sua participação na primeira fase da Copa América-2019 contra uma seleção que ganhou mais de 45 posições no ranking da Fifa nesta década e que encerrou em 2018 um tabu de 36 anos sem disputar a Copa do Mundo.

Só que a evolução experimentada recentemente pelos peruanos no cenário internacional da bola teve uma bela ajudinha do futebol pentacampeão mundial.

Crédito: Pedro Ugarte/AFP

O Peru deixou de ser um saco de pancadas da América do Sul e passou a fazer jogo duro até mesmo com as melhores seleções do planeta depois que vários dos seus jogadores desembarcaram no Brasil.

Dos 11 titulares que devem iniciar a partida contra a equipe de Tite, três atuam por aqui: o centroavante Paolo Guerrero, já foi ídolo do Corinthians e do Flamengo, hoje defende o Inter; o meia Cristian Cueva, que joga no Santos, e o lateral esquerdo Miguel Trauco, do Fla.

Outros quatro dos 23 convocados para a Copa América jogaram no Brasil. O goleiro Pedro Gallese defendeu o Atlético-MG em 2009, o lateral direito Luis Advíncula atuou na Ponte Preta em 2014, o meia Yoshimar Yotún foi do Vasco em 2013 e o atacante Raúl Ruidíaz teve contrato com o Coritiba entre 2012 e 2015.

Até mesmo o técnico da seleção peruana, o argentino Ricardo Gareca, trabalhou na terra de Philippe Coutinho, Roberto Firmino e Alisson. Em 2014, depois de fazer sucesso no comando do Velez Sarsfield (ARG), ele teve uma rápida e conturbada passagem pelo Palmeiras.

Ou seja, o Brasil ajudou a dar experiência internacional para 30% dos jogadores que medirão força contra sua seleção neste sábado.

Na prática, o futebol brasileiro ajudou o peruano a evoluir por ter possibilitado aos atletas do país vizinho a possibilidade de atuar em um mercado de nível técnico bem mais elevado que o deles (ainda que mediano na escala global) sem precisar se distanciar muito de casa.

Como os principais países da Europa ainda são bem fechados para os jogadores peruanos (só quatro atuam no Velho Continente, um na Espanha, um na Suíça, um na Holanda e outro na Rússia), o Brasil acaba exercendo esse papel de internacionalização para os compatriotas de Guerrero.

E os resultados dessa evolução estão mais que provados. Em 2010, o Peru ocupava a 68ª colocação no ranking da Fifa. Hoje, está em 21º, mas já foi até 11º (em 2017). Nos últimos anos, obteve vitórias em jogos contra Croácia, Uruguai e até Brasil. Também participou da Copa do Mundo-2018, o que não acontecia desde 1982.

Essa é a 46ª edição da Copa América. O Uruguai é o maior campeão da história do torneio, com 15 títulos, um a mais que a Argentina. O Brasil já levantou o troféu oito vezes (1919, 1922, 1949, 1989, 1997, 1999, 2004 e 2007) e o Peru ficou com a taça em duas oportunidades (1939 e 1975).

Brasileiros e peruanos fazem neste sábado, a partir das 16h, no Itaquerão, um confronto direto pela primeira colocação do Grupo A, já que ambos somaram quatro pontos nas duas primeiras rodadas. Mas se o jogo terminar empatado, a dupla ainda pode terminar atrás da Venezuela, que tem dois pontos e enfrenta a Bolívia.


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Sobre o Autor

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

Sobre o Blog

Este espaço conta as histórias dos jogadores que fazem do futebol uma paixão mundial. Não só dos grandes astros, mas também dos operários normalmente desconhecidos pelo público.

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