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Rafael Reis

Tríplice Coroa é comum na Europa, mas "missão quase impossível" no Brasil

Rafael Reis

28/09/2018 04h00

Em 2015, o Barcelona conquistou a Liga dos Campeões, o Campeonato Espanhol e a Copa do Rei. Dois anos antes, o Bayern de Munique se sagrou campeão europeu, nacional e da Copa da Alemanha. Já no começo da década, foi a vez da Inter de Milão levantar os troféus mais importantes que disputou: Champions, Serie A e Copa Itália.

Ao longo de toda a história da Liga dos Campeões, sete times já conseguiram a Tríplice Coroa, os três títulos mais importantes da temporada: Celtic (1967), Ajax (1972), PSV Eindhoven (1988), Manchester United (1999), Barcelona (2009 e 2015), Inter de Milão (2010) e Bayern de Munique (2013).

Mas, aqui no Brasil, um feito semelhante a esse ainda é inédito. Jamais uma equipe representante do futebol pentacampeão mundial conseguiu ganhar no mesmo ano Libertadores, Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil.

A maior possibilidade de algo assim acontecer nesta temporada caiu por terra na última quarta-feira, com a eliminação do Palmeiras, vice-líder da Série A, na semifinal do torneio mata-mata nacional.

O Cruzeiro, adversário do Corinthians na decisão da Copa do Brasil, ainda tem chances matemáticas de fazer história. Mas é só o sétimo colocado no Brasileiro e perdeu por 2 a 0 o primeiro jogo contra o Boca pelas quartas de final da Libertadores.

O clube mineiro, aliás, comemora ter uma Tríplice Coroa, mas ela não incluiu a Libertadores (o clube não estava na competição continental naquele ano). Em 2003, os cruzeirenses tiveram um ano praticamente perfeito: venceram o Brasileiro, a Copa do Brasil e também o Campeonato Mineiro.

Ao contrário do que acontece na Europa, a Tríplice Coroa é uma espécie de "missão impossível" para os clubes brasileiros por uma série de motivos.

O principal é o equilíbrio da bola jogada por aqui. Enquanto nos principais países do Velho Continente há uma concentração de dinheiro e de talento em um número reduzido de times, o futebol brasileiro é pródigo em ter várias equipes de nível semelhante.

Isso por si só já diminui bastante a possibilidade de um mesmo clube ganhar vários títulos em uma mesma temporada.  Os elencos com uma quantidade menor de jogadores de qualidade também obrigam os treinadores a priorizarem uma ou outra competição.

Apesar de os clubes europeus também rodarem suas escalações (principalmente nas copas nacionais), os times reservas de Bayern de Munique e Paris Saint-Germain são suficientemente fortes para derrotar praticamente qualquer adversário da Alemanha e da França, respectivamente. Só que o mesmo não acontece no Brasil.

Por fim, há ainda uma razão história para explicar por que jamais um time brasileiro teve essa temporada dos sonhos. Entre 2001 e 2012, as equipes que disputavam a Libertadores não podiam participar da Copa do Brasil no mesmo ano.

A proibição caiu por terra há cinco anos. Atualmente, os clubes que estão no torneio continental ingressam no torneio mata-mata nacional mais tarde, a partir das oitavas de final. Mas a regra nova ainda não foi suficiente para dar a um time brasileiro a tão sonhada Tríplice Coroa.


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Sobre o Autor

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

Sobre o Blog

Este espaço conta as histórias dos jogadores que fazem do futebol uma paixão mundial. Não só dos grandes astros, mas também dos operários normalmente desconhecidos pelo público.