Blog do Rafael Reis

Hugo Lloris, o paredão francês, nasceu rico e queria jogar tênis

Rafael Reis

Em uma seleção repleta de filhos de imigrantes e garotos que cresceram na periferia das grandes cidades, tendo de lidar com dificuldades financeiras e diferentes tipos de violência, o capitão da França na Copa-2018 é um “estranho no ninho”.

O goleiro Hugo Lloris, 31, é branco, não possui raízes africanas, já nasceu cheio da grana e nem tinha a disputa de uma final de Mundial como seu maior sonho de infância.

Quando criança, o atual camisa 1 francês certamente trocaria a decisão da Rússia-2018, contra  a Croácia, neste domingo, em Moscou, pela oportunidade de disputar o troféu de Roland Garros.

Filho de uma advogada com um banqueiro de Monte Carlo (Mônaco), o arqueiro do Tottenham nasceu e cresceu em Nice, cidade litorânea que é um dos principais polos turísticos franceses e uma parte de uma região cheia dos endinheirados.

Seu primeiro esporte não era o futebol, mas sim o tênis. E Lloris era bom nisso, tanto que chegou a figurar no top 10 do ranking francês na categoria infantil.

Foi só no começo da adolescência, aos 13 anos, que o finalista da Copa do Mundo decidiu trocar definitivamente a raquete pelas luvas de goleiro e tratar os treinos nas categorias de base do Nice como prioridade.

A escolha deu tão certo que, seis anos depois, Lloris já estava na meta do time da cidade em uma partida da primeira divisão francesa. Em 2008, ele assinou com o Lyon, um dos grandes do país. E, após quatro temporadas, migrou para o poderoso futebol inglês para defender o Tottenham.

A primeira chance na seleção também veio em 2008. Dois anos depois, já foi titular em uma Copa. A braçadeira de capitão veio em 2011, apenas três anos após sua estreia. Coube ao goleiro a tarefa de liderar o processo da transição da geração de Franck Ribéry, Patrice Evra e Karim Benzema para a atual, que tem nele um dos seus maiores expoentes.

No Mundial da Rússia, o terceiro de sua carreira, Lloris virou uma espécie de herói nacional.

Apesar de não ter sido exigido muitas vezes, o goleiro salvou a França sempre que foi requisitado. E com intervenções dignas de serem chamadas de milagre.

Nas quartas de final, contra o Uruguai, pegou uma cabeçada de Martín Cáceres que lembrou a icônica defesa do inglês Gordon Banks na Copa-1970. Já na semi, contra a Bélgica, foi buscar um difícil chute no canto dado por Toby Alderweireld.

Neste domingo, o homem de confiança do técnico Didier Deschamps, que nasceu rico e gostava mais de tênis que de futebol, quer repetir o gesto que o comandante fez há 20 anos: levantar a Copa do Mundo.


Mais de Cidadãos do Mundo

Só Neymar movimentou mais dinheiro que CR7 em transferências na história
Por onde andam os jogadores da Croácia que foi 3ª colocada na Copa-1998?
Fenômeno da França, Mbappé supera início de carreira de Messi e CR7
Como técnico foi de segundo pior da história a ídolo russo em 3 semanas