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Fundo do poço? 7 clubes de futebol que faliram e conseguiram renascer

Rafael Reis

No Brasil, estamos acostumados a ver clubes de futebol tocando a vida normalmente, mesmo devendo meses e mais meses de salários atrasados aos jogadores, atrasando pagamentos para fornecedores e estando atolados em dívidas fiscais.

Mas essa é a realidade do futebol brasileiro. Em vários outros cantos do Mundo da Bola, a administração financeira de um time de futebol é coisa séria e precisa obedecer a leis bastante rígidas.

É por isso que, vez ou outra, ouvimos falar que algum time conhecido decretou falência e está prestes a fechar as portas. O caso mais recente é o do Vicenza, vice-campeão italiano da temporada 1977/78 e responsável por revelar ao mundo Roberto Baggio.

Mas a falência não é necessariamente o fim da linha para um clube de futebol. Enquanto alguns times efetivamente deixam de existir devido aos problemas financeiros, outros renascem com administrações mais profissionais e voltam ao estrelato.

Conheça abaixo 7 times de futebol que “quebraram”, mas que conseguiram (ou estão conseguindo) renascer das cinzas:

NAPOLI (ITA)

O melhor time do futebol italiano na atual temporada quase deixou de existir no começo dos anos 2000. Com uma dívida acumulada de 70 milhões de euros (R$ 274 milhões), o Napoli foi condenado à falência pela Justiça local e expulso da liga que organiza o Calcio em 2004. O clube renasceu pelas mãos do produtor de cinema Aurelio de Laurentis, que comprou o espólio do antigo time de Maradona, refundou a equipe com um novo nome (Napoli Soccer, no lugar do tradicional Società Sportiva Calcio Napoli, recuperado mais tarde) e teve de recomeçar na Serie C1, a terceira divisão italiana e a última do futebol profissional.

FIORENTINA (ITA)

O primeiro clube italiano a disputar uma final de Liga dos Campeões da Europa (em 1957, quando ainda se chamava Copa Europeia) também chegou ao fundo do poço no início da década passada. Em 2002, o clube passou por uma intervenção devido a dívidas na casa de US$ 50 milhões (R$ 157 milhões) e incapacidade de arcar com os salários dos jogadores. Refundado no mesmo ano pelas mãos do empresário Diego della Valle, o clube precisou disputar a Serie C2, que é amadora, mas teve uma ajudinha para voltar à elite –pulou diretamente da quarta para a segunda divisão.

RACING (ARG)

Adversário do Cruzeiro na fase de grupos da Libertadores-2018, o clube que tem 17 títulos argentinos no currículo ficou perto de deixar de existir no fim do século passado. Atolado em dívidas, o Racing teve sua falência decretada em 1999 e só não fechou as portas porque sua torcida não deixou. A solução encontrada para a equipe de Buenos Aires continuar existindo foi a sua transformação em uma empresa. Entre 2000 e 2008, o clube foi administrado pela Blanquiceleste S.A. O Racing só voltou a ser uma associação com presidente eleito por sócios, modelo de administração que é o mais comum na Argentina e também no Brasil, em 2009.

RANGERS (ESC)

Até seis anos atrás, o então chamado Glasgow Rangers disputava anualmente com o Celtic o título escocês e protagonizava uma das maiores rivalidades do futebol mundial. Em 2012, tudo isso foi para o buraco. Com dívidas na casa de 134 milhões de libras (quase R$ 600 milhões), o clube entrou em estado de falência. Uma nova agremiação, o The Rangers, foi fundada e precisou começar sua vida na quarta divisão da Escócia. O novo time só chegou à elite em 2016 e terminou sua primeira temporada no escalão de cima na terceira colocação –o campeão, claro, foi o Celtic.

PARMA (ITA)

Uma das potências do futebol italiana na década de 1990, quando era controlado pela Parmalat e tinha estrelas como Asprilla, Crespo e Taffarel no seu elenco, o Parma ainda está em processo de recuperação. Atualmente brigando no alto da tabela da segunda divisão, o clube faliu em 2015, após acumular dívidas na casa de 218 milhões de euros (R$ 853 milhões). O novo Parma recomeçou sua história na Serie D italiana e, desde o último mês de junho, é bancado por dinheiro de um proprietário chinês.

LA CORUÑA (ESP)

Campeão espanhol em 2000 e com a história marcada por brasileiros como Bebeto, Mauro Silva e Djalminha, o La Coruña não chegou efetivamente a ter sua falência decretada, mas, assim como os times citados acima, “quebrou”. Em 2013, o clube estava na segunda divisão, devia 93 milhões de euros (R$ 363 milhões) e não tinha como dar garantias a seus credores para disputar a competição, o que provocaria seu rebaixamento e o levaria à falência. Trinta minutos antes do fim do prazo para a inscrição na temporada 2013/14, o La Coruña chegou a um acordo com seus credores, renegociou a dívida e evitou a bancarrota.

BORUSSIA DORTMUND (ALE)

Assim como o La Coruña, o Dortmund não chegou a passar por um processo legal de falência, mas ficou praticamente sem nenhum dinheiro em caixa. Entre 2002 e 2005, o clube só não faliu porque fez um “saldão” dos seus principais jogadores, cortou os salários dos atletas que ficaram em 20% e até recebeu empréstimos do Bayern de Munique para conseguir pagar as contas mais urgentes. Recuperado dos problemas financeiros, o Dortmund já conquistou dois títulos alemães (2011 e 2012) e foi vice-campeão europeu (2013) nesta década.


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