Blog do Rafael Reis

Rival do Brasil na Copa tem time vencedor da Champions que virou “nanico”

Rafael Reis

Você consegue imaginar um time que não seja de Inglaterra, Espanha, Itália, Alemanha, França ou Portugal conquistando o cobiçado título da Liga dos Campeões da Europa?

Pois a Sérvia, última adversária da seleção brasileira na fase de grupos da Copa do Mundo-2018, já conseguiu emplacar um vencedor do torneio interclubes mais importante do planeta.

Em 1991, quando ainda se chamava Iugoslávia e possuía um território bem maior que o atual, o país viu o Crvena Zvezda (ou Estrela Vermelha, como é conhecido no Brasil) faturar a Champions.

A equipe, repleta de jogadores que construíram carreiras de sucesso em gigantes europeus, como Dejan Savicevic (Milan), Sinisa Mihajlovic (Inter de Milão) e Robert Prosinecki (Barcelona e Real Madrid), sagrou-se campeã ao derrotar nos pênaltis o Olympique de Marselha.

Antes de bater os franceses na decisão, o Estrela Vermelha já havia despachado Grasshopper (Suíça), Rangers (Escócia), Dynamo Dresden (Alemanha Oriental) e Bayern de Munique (Alemanha Ocidental).

Vinte e sete anos depois da conquista, o clube ainda é uma força importante no futebol sérvio, tanto que venceu dois dos três últimos títulos nacionais, mas se tornou um “nanico” em competições continentais.

O Estrela Vermelha não disputa a fase de grupos da Champions desde a temporada 1991/92. Em sua participação mais recente no torneio, em 2016/17, foi eliminado pelo Ludogorets (Bulgária) na terceira rodada da etapa preliminar.

As participações na Liga Europa também não costumam ter muito destaque. Nesta temporada, a equipe conseguiu pela primeira vez na história do torneio passar pela fase de grupos e chegar aos playoffs finais –vai enfrentar o CSKA Moscou por vaga nas oitavas de final.

Atualmente, o time conta com três jogadores brasileiros, mas todos são praticamente desconhecidos por aqui: o zagueiro Zé Marcos é cria do Atlético-PR e está em sua primeira experiência como profissional, o lateral direto Viveiros saiu direto da base do São Paulo para a Sérvia e o meia-atacante Ricardinho (ex-Santo André e Mogi Mirim) é um veterano no futebol do Leste Europeu.

Os atletas locais também não têm muito destaque. De todos os jogadores do elenco do Estrela Vermelha, os únicos com chance razoável de serem convocados para enfrentar o Brasil na Copa-2018 são o volante Nenad Krsticic e o meia-atacante Nemanja Radonkic.

Há pelo menos três motivos que explicam o declínio do Estrela Vermelha e justificam o porquê de um clube que já foi campeão europeu hoje nem conseguir entrar na fase de grupos da competição.

O primeiro tem raízes geopolíticas. A dissolução da Iugoslávia afastou do clube sérvio jogadores talentosos de outros países agora independentes que formavam a antiga república, como Croácia, Bósnia, Montenegro, Macedônia e Eslovênia.

Além disso, o fim do passe (Lei Bosman) e a queda nas restrições a jogadores estrangeiros nos campeonatos nacionais mais ricos do planeta dificultaram a vida dos clubes formadores, principalmente daqueles localizados em centros com menos recursos financeiros.

Desde meados da década de 1990, os jogadores mais talentosos têm se concentrado em um número cada vez menor de clubes, aqueles que são capazes de pagar salários mais altos. Quem não tem tanta grana assim, caso do Estrela Vermelha, já não tem mais condições de competir em tão alto nível.

Brasileiros e sérvios se enfrentam no dia 27 de junho, em Moscou, pela última rodada do Grupo E da Copa da Rússia. Suíça e Costa Rica são as outras seleções que integram a chave.


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