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Rafael Reis

Capitão aos 21, Modric aprendeu português para xingar parceiros brasileiros

Rafael Reis

21/09/2018 04h00

Indicado ao prêmio de melhor jogador do mundo pela primeira vez na carreira, o croata Luka Modric, do Real Madrid, era um garoto de apenas 21 anos quando se tornou capitão do Dínamo Zagreb. Franzino para os padrões do futebol moderno (tem 1,72 m e 66 kg) e mais novo do que boa parte do elenco que comandava, o meia encontrou uma maneira inusitada de conseguir chamar a atenção dos seus companheiros de equipe.

Modric só usava o idioma croata para dar bronca nos jogadores naturais da região que fez parte da antiga Iugoslávia. Se o alvo das suas críticas era um estrangeiro, a ofensa geralmente vinha na língua natal dele.

"Isso realmente aconteceu. Quando ele se tornou capitão, precisou encontrar um jeito de mostrar que tinha liderança. Como éramos cinco brasileiros no time, ele aprendeu português. E, vira e mexe, a gente levava uma dura dele dentro de campo", relembra o zagueiro Carlos.

O defensor foi revelado no São Paulo e atuou ao lado de Modric no Dínamo Zagreb entre 2006 e 2008. O meia assumiu a braçadeira de capitão na segunda temporada de Carlos na Croácia, logo após a venda do atacante Eduardo da Silva para o Arsenal.

"Quando viam ele fora de campo, ninguém dava nada por causa da estatura. Mas, dentro das quatro linhas, a qualidade dele chamava muito a atenção. Por isso, todo mundo o respeitava demais."

Apelidado de "Burrito" pelo ex-parceiro que se tornou um dos grandes nomes do futebol mundial, Carlos tinha um relacionamento bastante próximo em campo com Modric. Afinal, como atuava improvisado pela faixa esquerda, acabava jogando no mesmo lado do capitão e futuro astro.

"Ele ficava muito louco quando eu não passava a bola. Aí, no fim do jogo, chegava para mim e dizia: 'Amigo Burrito, quando estiver em dificuldade, é só tocar para mim que eu resolvo'".

Juntos, Modric e Carlos conquistaram os dois títulos croatas que disputaram. Em 2008, o meia se transferiu para o Tottenham por 21 milhões de euros (R$ 91 milhões, na cotação atual). Quatro anos depois, veio a transferência para o Real Madrid por 30 milhões de euros (R$ 130 milhões).

No clube espanhol, o camisa 10 chegou ao auge de sua carreira. Venceu quatro das últimas cinco edições da Liga dos Campeões da Europa e, neste ano, foi o protagonista da Croácia vice-campeã mundial. O sucesso na Copa-2018 lhe rendeu a indicação para o prêmio da Fifa.

"Meu voto é dele. Por tudo que ele fez, merece ser escolhido o melhor do mundo", completa Carlos.

Modric, Cristiano Ronaldo (Juventus) e Mohamed Salah (Liverpool) disputam na próxima segunda-feira o título de melhor jogador do planeta na temporada 2017/18. O único veterano do prêmio é o português, que já venceu a eleição cinco vezes e busca se isolar como o maior campeão do troféu instituído pela Fifa.


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Sobre o Autor

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

Sobre o Blog

Este espaço conta as histórias dos jogadores que fazem do futebol uma paixão mundial. Não só dos grandes astros, mas também dos operários normalmente desconhecidos pelo público.