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Salah é o símbolo do Islã para o mundo, diz 1º técnico de astro egípcio

Rafael Reis

Adversário de Cristiano Ronaldo (Juventus) e Luka Modric (Real Madrid) na final do prêmio de melhor jogador do mundo, o atacante egípcio Mohamed Salah, do Liverpool, virou o maior símbolo do Islã no planeta.

É essa a avaliação de Hamdy Nouh, primeiro técnico do artilheiro do último Campeonato Inglês e que costuma ser chamado de ''pai'' por ele.

''Salah é o muçulmano que mais chama a atenção no mundo hoje em dia. Ele é uma inspiração para todos nós e nos mostra o quão formidável é o Islã. Sempre que marca um gol, faz questão de agradecer a Deus'', disse o treinador, por telefone, em maio.

Nouh conheceu Salah quando o atacante tinha 11 anos e o treinou na equipe sub-15 do El Mokawloon, clube que chegou a defender como profissional e onde partiu em 2012 rumo ao início de sua trajetória europeia (Basel, Chelsea, Fiorentina, Roma e, desde o ano passado, Liverpool).

De acordo com o técnico, o atacante demonstrava, já na adolescência, uma qualidade técnica muito acima da média para um egípcio e uma fé inabalável na religião islâmica, característica que mantém até hoje.

A filha única de Salah se chama Makka, uma adaptação de Mecca, a cidade sagrada do Islã, para onde os praticantes da religião precisam viajar ao menos uma vez na vida.

Também não é raro ver o atacante ajoelhar-se em campo e levar a testa até o gramado após balançar as redes. O gesto é uma das características das orações realizadas diariamente pelos muçulmanos.

Até mesmo o Ramadã, período do ano em que os islâmicos precisam jejuar durante o dia e se alimentam exclusivamente à noite, Salah faz questão de seguir.

Mesmo com a final da Liga dos Campeões (e partida mais importante de sua carreira) coincidindo com o mês sagrado muçulmano, o jogador fez questão de manter a dieta na preparação para a decisão e só voltou a se alimentar normalmente dois dias antes do confronto com o Real Madrid, em maio.

Ao contrário de símbolos anteriores do Islã no Ocidente, como Saddam Hussein e Osama bin Laden, normalmente identificados com questões bélicas pela população deste lado do mundo, Salah transmite uma ideia de paz e caridade.

É ele quem sustenta a escola, o hospital e o ginásio de esportes de Nagrig, a cidade onde nasceu. Entre suas doações ao vilarejo estão também uma ambulância, duas incubadoras para bebês prematuros e unidades de tratamento para artrite e problemas de coluna.

O atacante também ajuda o principal hospital especializado em câncer infantil do Egito e faz doações mensais para uma associação que presta auxílio a ex-jogadores de futebol do país.

O astro já se meteu até na política econômica da sua terra natal. Em janeiro, ele doou cerca de R$ 1 milhão a um fundo de investimentos local para ajuda a combater a desvalorização da moeda egípcia.

Salah, CR7 e Modric disputam na próxima segunda-feira o título de melhor jogador do planeta na temporada 2017/18. O único veterano do prêmio é o português, que já venceu a eleição cinco vezes e busca se isolar como o maior campeão do troféu instituído pela Fifa.


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