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Arquivo : arbitragem

Árbitro de vídeo passa em teste, mas não livra apito de erros e polêmicas
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Rafael Reis

Uma boa notícia para aqueles que defendem o uso da tecnologia no futebol: de acordo com o presidente da Fifa, Gianni Infantino, a arbitragem com apoio do vídeo passou no teste na Copa das Confederações e deve ser usada novamente na Copa do Mundo do próximo ano, na Rússia.

Mas a notícia é que, pelo menos por enquanto, o auxílio das imagens está longe de livrar a modalidade dos erros de apito e evitar que os juízes cometam lambanças e interfiram direta e indiretamente no placar.

Por orientação da Fifa, limitação técnica ou escolha dos árbitros principais, aqueles que ficam em campo e são os responsáveis finais pelas decisões da arbitragem, o VAR (Vídeo Assistant Referee) não mostrou todo seu potencial na Copa das Confedações.

A análise das imagens foi usada com razoável frequência em lances capitais da partida, como a existência ou não de impedimento em um lance de gol, a marcação de um pênalti ou a definição da expulsão de um jogador.

Mas o futebol não é feito apenas de lances capitais. Faltas na intermediária, escanteios e cartões amarelos também influenciam o placar de um jogo.

Só que, durante a Copa das Confederações, essas decisões foram tomadas quase que exclusivamente pelo árbitro principal. A tecnologia estava à disposição, mas pouco se recorreu a ela.

Medo de um excesso de paralisações e da perda da dinâmica usual do futebol? Temor de uma certa banalização do sistema de vídeo? Ou apenas o orgulho de um juiz que quer provar que não precisa de ajuda externa para tomar as decisões corretas? Difícil responder com precisão.

O certo é que os erros de arbitragem continuam fazendo parte do cotidiano do futebol. Às vezes, até mesmo quando o VAR é acionado.

Na decisão da Copa das Confederaçõeso árbitro recorreu ao vídeo para analisar uma agressão de Jara a Werner. Mesmo depois de ver imagens que mostravam uma cotovelada clara do zagueiro chileno no rosto do atacante alemão, optou por mostrar apenas o cartão amarelo para o defensor. Questão de interpretação, mas também um erro crasso do seu apito.

Não há dúvidas que o sistema de vídeo será aprimorado e, com o passar do tempo, conseguirá reduzir o número de erros de arbitragem e tornar mais justo o resultado final de uma partida de futebol.

Mas até que isso aconteça, os juízes continuarão sendo os vilões do esporte. Com acertos, é claro, mas também com muitos erros.


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“Rei do cartão”, Neymar é o mais indisciplinado entre os top 10 do mundo
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Rafael Reis

Suspenso da vitória por 2 a 0 do Brasil sobre a Venezuela, na última terça-feira, pelo acúmulo de amarelos, Neymar é o jogador mais indisciplinado dos integrantes do primeiro escalão do futebol mundial.

Entre os dez primeiros colocados da eleição da mais recente eleição de melhor do mundo, nenhum recebeu tantos cartões ao longo dos últimos dois anos quanto a estrela maior do Brasil.

Neymar

Somando apresentações por Barcelona e pela seleção principal, Neymar levou 28 amarelos e um vermelho em 126 partidas desde o fim da Copa do Mundo-2014.

Isso significa que o terceiro colocado da Bola de Ouro-2015 é punido pelos árbitros pouco menos de uma vez a cada quatro jogos, marca altíssima para um jogador de ataque.

Contando apenas a elite da bola, quem mais se aproxima dos números de Neymar é Luis Suárez, com 23 cartões amarelos no período. Vale lembrar, no entanto, que o uruguaio já mordeu três vezes adversários em campo e acumula suspensões por mau comportamento ao longo da carreira.

Comparado aos demais atletas do top 10 do futebol mundial, o número de advertências recebidas pelo camisa 11 do Barcelona parece ainda mais absurdo.

No mesmo período em que Neymar foi punido com 28 amarelos e um vermelho, Lionel Messi levou 13 amarelos, Cristiano Ronaldo e Alexis Sánchez, 12, Andrés Iniesta, 10, e Eden Hazard, apenas sete.

Os dados sobre indisciplina do brasileiro são tão elevados que superam até mesmo os de alguns zagueiros famosos mundialmente pela forma pouco delicada com que se comportam em campo.

O brasileiro naturalizado português Pepe, do Real Madrid, por exemplo, recebeu “apenas” 17 amarelos e um vermelho nos dois últimos anos. Já o italiano Giorgio Chiellini, da Juventus, teve 21 advertências e duas expulsões desde o segundo semestre de 2014.

O excesso de cartões recebidos por Neymar prejudica a imagem internacional do astro, que não consegue se desvincular das famas de “cai-cai” e  de reclamar demais da arbitragem, e também o Brasil.

Nas dez primeiras rodadas das eliminatórias da Copa-2018, a seleção precisou atuar sem seu principal jogador quatro vezes. E, em todas as ocasiões, o motivo do desfalque foi o mesmo: suspensão.

CARTÕES RECEBIDOS DESDE AGOSTO DE 2014

Neymar (BRA) – 28 amarelos e 1 vermelho
Luis Suárez (URU) – 23 amarelos
Lionel Messi (ARG) – 13 amarelos
Cristiano Ronaldo (POR) – 12 amarelos
Alexis Sánchez (CHI) – 12 amarelos
Andrés Iniesta (ESP) – 10 amarelos
Thomas Müller (ALE) – 9 amarelos
Robert Lewandowski (POL) – 8 amarelos
Eden Hazard (BEL) – 7 amarelos
Manuel Neuer (ALE) – 4 amarelos


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