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"Ônibus" de Mourinho parou Barcelona de Messi, com Eto'o na lateral; veja

Rafael Reis

17/12/2019 04h00

Para toda uma geração de torcedores, é impossível falar dos confrontos entre Barcelona e Real Madrid sem relembrar a rivalidade construída entre os técnicos Pep Guardiola e José Mourinho.

Durante duas temporadas, de 2010 a 2012, eles protagonizaram clássicos que se tornaram épicos e trocaram toneladas de farpas e declarações polêmicas enquanto dirigiam os dois maiores clubes da Espanha.

Pep levou a melhor nos confrontos diretos da época. Seu Barça ganhou cinco vezes do Real comandado pelo "Special One" e foi derrotado em apenas duas oportunidades. Houve ainda quatro empates.

Mas a rivalidade entre os hoje treinadores de Manchester City e Tottenham, respectivamente, não começou no clássico espanhol. Ela teve início em 2008 e teve um dos seus momentos inesquecíveis dois anos mais tarde.

Em 2010, Pep e Mou se encontraram nas semifinais da Liga dos Campeões. Guardiola era o técnico da moda e comandava um Barcelona que defendia o título europeu e encantava o mundo com um futebol revolucionário. Já o português dirigia uma Inter de Milão cheia de veteranos e que não passava de um azarão.

Só que Mourinho deu um nó no badalado treinador espanhol. Ganhou o confronto direto e acabou conduzindo o time nerazzurro à última conquista de um time italiano na Champions até hoje.

Crédito: Ben Radford/Getty Images

No primeiro jogo, em Milão, a Inter venceu por 3 a 1, com gols de Maicon, Wesley Sneijder e Diego Milito. Mas foi na segunda partida que a "mágica realmente aconteceu".

Com a vantagem de poder ser derrotado por um gol de diferença e ainda assim avançar à decisão, Mourinho montou uma retranca histórica e popularizou a expressão "estacionou o ônibus" (termo usado quando um time posiciona todos, ou quase todos, os seus jogadores na entrada da sua área para bloquear o ataque adversário).

A sede defensiva da Inter era tão grande que o treinador português escalou um zagueiro, o romeno Cristian Chivu, como "atacante" pelo lado esquerdo e fez Samuel Eto'o, um camisa 9 de origem, atuar como ajudante de lateral direito.

Mesmo com um a menos desde os 28 minutos do primeiro tempo, quando Thiago Motta foi expulso, os italianos não se abalaram. Os zagueiros Lúcio e Walter Samuel tiveram grandes atuações e anularam completamente Lionel Messi.

O Barça até venceu o jogo, mas só por 1 a 0, graças a um gol marcado por Gerard Piqué, já aos 38 minutos da etapa final. Assim, a vaga na final ficou com a Inter. E Mourinho ganhou o status de gênio que sabe parar Guardiola, o que o levaria ao Real na temporada seguinte.

Barcelona e Real Madrid fazem amanhã, no Camp Nou, o primeiro "El Clásico" da temporada. A partida, válida pela décima rodada do Campeonato Espanhol, estava originalmente marcada para 26 de outubro, mas acabou adiada em virtude dos protestos em favor da independência da Catalunha.

A equipe blaugrana vem dominando nos últimos tempos os encontros entre as duas maiores forças do futebol espanhol. Já são seis partidas e mais de dois anos sem perder, com quatro vitórias e dois empates.

A última vez que o Real conseguiu comemorar um triunfo sobre seu maior rival foi no dia 16 de agosto de 2017, quando venceu por 2 a 0 o confronto de volta da Supercopa da Espanha.

Na atual temporada, as duas equipes estão brigando cabeça a cabeça pela liderança do Campeonato Espanhol. Barça e Real têm os mesmos 35 pontos. Os catalães levam vantagem no saldo de gols (23 a 21), segundo critério de desempate.


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Sobre o Autor

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

Sobre o Blog

Este espaço conta as histórias dos jogadores que fazem do futebol uma paixão mundial. Não só dos grandes astros, mas também dos operários normalmente desconhecidos pelo público.

Rafael Reis