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Ouro na Rio-2016, lateral dá show nos desarmes e espera chance na seleção

Rafael Reis

05/12/2019 04h00

Só nas primeiras 13 rodadas do Campeonato Alemão, William já desarmou seus adversários 51 vezes. A média de 3,9 roubadas de bola por jogo é a melhor da primeira divisão germânica e a sétima maior dentre todos os jogadores que atuam nas cinco principais ligas nacionais da Europa.

A marca acima já seria expressiva para um atleta que, desde pequeno, tinha a marcação como preocupação número um dentro de campo. Mas esse não é o caso do lateral direito do Wolfsburg.

Crédito: Divulgação

Meio-campista de origem e transformado em ala só na reta final da sua formação nas categorias de base do Internacional, o brasileiro precisou trabalhar duro para se acostumar às exigências defensivas do futebol alemão depois de ser vendido em 2017.

"Na minha chegada à Alemanha, sofri demais por ser muito ofensivo. Então, botei na minha cabeça que teria que trabalhar em cima disso. Tenho tentando ficar concentrado durante a partida. Aqui, basta um vacilo e você já toma o gol", afirma o jogador de 24 anos.

Os números do "WhoScored?", site especializado nas estatísticas do futebol, atestam essa evolução. Da temporada de estreia no Wolfsburg para a atual, a quantidade de bolas roubadas pelo lateral cresceu 10%. Já em relação ao seu primeiro ano como profissional, 2015, a evolução foi de mais de 30%.

Apesar de o Wolfsburg jogar atualmente com uma linha de três zagueiros, o que libera William para atuar como ala e se preocupar um pouco menos com a defesa, o jogador chegou agora ao ápice desse crescimento. Em 2019/2020, ninguém na Alemanha desarma mais que ele – o austríaco Konrad Laimer (RB Leipzig), com média de 3,8 por jogo, é quem mais se aproxima de sua marca.

No primeiro escalão do futebol europeu, o brasileiro só fica atrás de três jogadores que atuam na Inglaterra e outros três que jogam na França.

O bom momento do ex-Inter também se reflete no desempenho da retaguarda do Wolfsburg. A equipe da Volkswagen possui a defesa menos vazada do Alemão, com apenas 13 gols sofridos – o Bayern de Munique, clube mais poderoso do país, já buscou 18 bolas nas redes.

O destaque que tem obtido como marcador ainda faz William pensar alto. Ouro com a seleção olímpica nos Jogos do Rio-2016, ele agora quer uma vaga entre os comandados de Tite e sabe que o momento é propício para isso.

Daniel Alves (São Paulo), o titular da posição nos últimos tempos, já tem 36 anos e anda se aventurando no meio-campo. Fagner (Corinthians), que disputou a última Copa, acabou de entrar na casa dos 30. Danilo (Juventus) e Emerson (Betis), os convocados da última Data Fifa, também não estão consolidados com a amarelinha.

"Seleção é um sonho. Tive o privilégio de ganhar as Olimpíadas e agora quero voltar à seleção para ajudá-la a ser campeã de novo. Com a renovação que está acontecendo, abriu um grande espaço na lateral direita. Claro que há bons nomes, como o Danilo, mas vou dar o meu melhor para atingir esse objetivo", afirmou.

Nono colocado da Bundesliga com 20 pontos, oito a menos que o Borussia Mönchengladbach, surpreendente líder da competição, o Wolfsburg volta a campo neste sábado para enfrentar o Freiburg, fora de casa. Mais uma chance para William mostrar que o caminho para a seleção pode estar na defesa.


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Sobre o Autor

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

Sobre o Blog

Este espaço conta as histórias dos jogadores que fazem do futebol uma paixão mundial. Não só dos grandes astros, mas também dos operários normalmente desconhecidos pelo público.

Rafael Reis