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Por mais que odeie admitir, PSG ainda depende demais de Neymar

Rafael Reis

23/08/2019 04h20

A diretoria do Paris Saint-Germain gostaria de poder tratar Neymar como o pior tipo de lixo: aquele que precisa ser descartado imediatamente em um lugar bem distante e sem nenhuma possibilidade de reciclagem.

Mas, por mais que esse também seja o desejo expresso de parte considerável da torcida, o clube francês não tomou e nem tomará uma atitude tão radical.

Crédito: Charles Platiau/Reuters

E o motivo principal nem é a intenção de recuperar os 222 milhões de euros (R$ 961,7 milhões) investidos há dois anos na contratação do brasileiro, valor que já está claro que Barcelona, Real Madrid, Juventus ou qualquer outro interessado pelo craque nem sequer cogitam pagar.

Por mais que não queira admitir, o PSG sabe que, dentro de campo, ainda é um time dependente do seu camisa 10… ou de qualquer astro que possa desembarcar na capital francesa como moeda de troca em uma possível transferência do jogador.

Ainda que possua estrelas do nível de Kylian Mbappé e Edinson Cavani, falta ao atual bicampeão da Ligue 1 um atleta com as características de Neymar, um cara capaz de organizar jogadas ofensivas e também desequilibrar a partida em eventuais lances individuais.

A derrota por 2 a 1 para o Rennes, no último domingo, ainda pela segunda rodada do Francês, até poderia ter sido tratada apenas como um tropeço insignificante de início de temporada.

Mas, na verdade, foi uma importante lembrança de como o PSG vem sofrendo nos últimos dois anos quando não pode contar com o jogador que foi contratado para ser seu grande protagonista.

É importante lembrar que Neymar estava machucado quando o clube francês se despediu das duas edições mais recentes da Liga dos Campeões da Europa –contra Real Madrid, em 2018, e Manchester United, em 2019.

E também estava fora de ação quando a equipe emendou três tropeços consecutivos em seu campeonato nacional, no último mês de abril, incluindo aí a humilhante goleada por 5 a 1 aplicada pelo Lille.

O ranço que Neymar desperta por seu comportamento fora de campo, pelas polêmicas nas quais se envolve e pela forma como age quando pretende ser negociado muitas vezes faz com que o torcedor esqueça um pouco o quanto ele é bom jogando bola.

Nessas duas temporadas em que vestiu a camisa do PSG, o brasileiro foi muito bem. Marcou 51 vezes em 58 partidas, deu 29 passes para gol e balançou as redes em cinco dos 13 jogos de Champions que disputou.

Seu pecado foi se machucar nos momentos mais decisivos da temporada, com o agravante de defender um time que perde demais quando não pode escalá-lo. Mas, enfim, isso não é culpa dele.

É por reconhecer suas próprias limitações que o PSG não pode se dar ao luxo de tratar o provável fim da passagem de Neymar com o estômago. Ainda que deseje (e muito) dar uma banana para o jogador, é preciso calma para encontrar o melhor desfecho para a novela.

Por isso, não será nenhuma surpresa se só descobrirmos qual será o futuro do atacante lá em 2 de setembro, a data de fechamento da janela de transferências.


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Sobre o Autor

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

Sobre o Blog

Este espaço conta as histórias dos jogadores que fazem do futebol uma paixão mundial. Não só dos grandes astros, mas também dos operários normalmente desconhecidos pelo público.

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