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PSG nunca vendeu jogador 100% titular desde que ficou milionário

Rafael Reis

10/07/2019 04h00

Neymar já deixou claro que não pretende continuar no Paris Saint-Germain. Mas se desvincular do clube francês, com o qual tem contrato até 2022, pode ser uma tarefas mais difíceis de sua carreira.

Desde que foi comprada pelo QSI, um fundo de investimentos ligado ao governo do Qatar, em 2011, e entrou para o grupo dos milionários do futebol europeu, a equipe parisiense jamais vendeu um dos seus jogadores considerados titulares indiscutíveis.

Crédito: Divulgação

Todos os jogadores que gozavam desse status e deixaram Paris nos últimos oito anos só foram embora porque seus contratos chegaram ao fim e ficaram livres para decidir o rumo que dariam a suas carreiras.

Foi o que aconteceu com Zlatan Ibrahimovic. Segundo maior artilheiro da história do PSG, com 156 gols, o sueco só se transferiu para o Manchester United, em 2016, depois de cumprir integralmente os quatro anos do seu vínculo com o time mais poderoso da França.

O meia Adrien Rabiot tentou subverter essa lógica… e se deu mal. Um ano atrás, ele forçou a barra para ser negociado com o Barcelona. A diretoria não cedeu e o obrigou a permanecer no clube durante o último ano do seu contrato.

Como o jogador se negava a abrir negociações para renovar o vínculo, o clube simplesmente decidiu afastá-lo do elenco principal no final do ano passado e não o escalou nenhuma vez na segunda metade da temporada 2018/19.

Só na atual janela de transferências, com seu contrato com o PSG já devidamente expirado, Rabiot conseguiu assinar com uma nova equipe, a Juventus.

Os jogadores importantes que o clube aceitou negociar desde o início de sua era milionária já haviam perdido a titularidade ou estavam com a posição ameaçada devido a reforços ainda mais caros ou à ascensão de jogadores que já estavam no elenco.

O meia Blaise Matuidi, campeão mundial com a seleção francesa no ano passado, foi vendido à Juventus em 2017 porque Rabiot e Marco Verratti já estavam ocupando seu espaço.

Algo semelhante aconteceu com David Luiz. O brasileiro foi liberado para retornar ao Chelsea em 2016 porque os parisienses já contavam com dois zagueiros de alto nível, Thiago Silva e Marquinhos, e queriam dar mais minutos a Presnel Kimpembe.

Mesmo lá atrás, quando o dinheiro do Qatar ainda estava começando a jorrar nos seus cofres, o PSG já adotava esse comportamento no mercado. Em 2012, o clube topou vender o zagueiro Mamadou Sakho ao Liverpool porque havia contratado Thiago Silva dois meses antes.

Desde então, sempre que a negociação envolve um titular indiscutível, ela simplesmente não acontece. Em 2017, Verrati fez de tudo para trocar Paris por Barcelona. Mas os franceses bateram o pé, não venderam o italiano e ainda o convenceram a renovar contrato.

Contratado há dois anos pelo PSG por 222 milhões de euros (R$ 962 milhões, na cotação atual), um recorde na história do futebol mundial, Neymar não se apresentou aos treinos do clube francês na última segunda-feira e decidiu não participar da pré-temporada.

Seu objetivo é forçar a barra para que o clube francês aceite negociá-lo ao Barcelona, clube onde jogou entre 2013 e 2017 e que está interessado em repatriá-lo para a temporada 2019/20.

Como o contrato de Neymar não prevê multa rescisória, a única possibilidade de o atacante brasileiro concretizar uma transferência agora é se o time parisiense aceitar uma proposta de outra agremiação.

Em entrevista ao jornal francês "Le Parisien", o diretor esportivo do PSG, Leonardo, admitiu que o Barcelona fez contatos "superficiais" pelo atacante, mas nenhum oferta oficial, e fez questão de ressaltar que uma possível negociação não deve ser tão simples assim.

"Eles disseram que querem comprar, mas não somos vendedores", afirmou o dirigente brasileiro.


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Sobre o Autor

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

Sobre o Blog

Este espaço conta as histórias dos jogadores que fazem do futebol uma paixão mundial. Não só dos grandes astros, mas também dos operários normalmente desconhecidos pelo público.

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