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Na contramão de rivais, Tottenham brilha com presidente inglês e "pão duro"

Rafael Reis

2026-05-20T19:04:00

26/05/2019 04h00

Em uma liga dominada por magnatas estrangeiros que não têm pudor nenhum em abrir a carteira e desembolsar milhões e mais milhões para montar times cheios de estrelas, o Tottenham é um estranho no ninho.

O time londrino, que enfrenta o Liverpool na decisão da Liga dos Campeões da Europa, no próximo sábado, é a antítese perfeita daquilo que se espera atualmente de um clube da Inglaterra.

Crédito: Divulgação

Para começar, não tem como proprietário um xeque vindo de um país do Oriente Médio, um russo que fez fortuna com a dissolução da União Soviética e a privatização de suas antigas empresas estatais ou um norte-americano que vê o futebol apenas como um meio de ganhar dinheiro.

Quem manda no Tottenham é um inglês "da gema" e alguém que frequenta as arquibancadas do White Hart Lane, o antigo estádio da equipe, desde a década de 1960.

De família judia, assim como boa parte da torcida do time em Londres, o empresário Daniel Levy, de 57 anos, preside o clube desde 2001. Seu principal sócio no ENIC Group, que detém 85% das ações da agremiação, é outro inglês, Joe Lewis.

Isso faz do Tottenham o único dos integrantes do "Big Six", as seis maiores potências do futebol inglês, que está em mãos britânicas –Arsenal, Liverpool e Manchester United são comandados por norte-americanos, o Chelsea pertence a um russo e o Manchester City, a um integrante da família real dos Emirados Árabes.

Além do finalista da Champions, só outros quatro clubes que disputaram a Premier League nesta temporada têm ingleses com proprietários majoritários: Brighton, Burnley, Huddersfield e Newcastle.

Filho do dono de uma rede de lojas de vestuário, Levy é formado em economia e construiu sua carreira em um fundo de investimentos que trabalhas nas áreas esportiva, de entretenimento e comunicação. Sob seu guarda-chuva, já estiveram times como AEK Atenas, Basel, Vicenza e Slavia Praga.

O presidente do Tottenham também se diferencia dos mandatários dos outros principais times da Inglaterra pela fama de "pão duro" que carrega desde que chegou ao poder, há quase duas décadas.

Até hoje, o clube nunca pagou mais de 40 milhões de euros (R$ 180 milhões) para ter um jogador. Essa marca, aliás, só foi atingida uma única vez, na contratação do zagueiro colombiano Davinson Sánchez, em 2017.

Nas duas últimas janelas de transferência, Levy não gastou sequer um centavo para reforçar a equipe. A justificativa é que todos os recursos estavam sendo aplicados na construção de um novo estádio, inaugurado no mês passado.

O resultado dessa rigidez financeira aparece nos balanços do clube. Em 2017/18, o Tottenham registrou o maior lucro de um time na história do futebol mundial. Suas receitas foram 128 milhões de euros (R$ 577 milhões) maiores que as despesas.

Apesar do sucesso na atual temporada, até o técnico Mauricio Pochettino tem se irritado com o excesso de conservadorismo de Levy na hora de gerir as contas. No começo do mês, o treinador argentino afirmou que a diretoria precisa mudar de comportamento se quiser continuar com um time competitivo e admitiu que pode deixar o clube depois da Champions se não receber um projeto que o convença do contrário.

"Seria muito ingênuo pensar que podemos continuar operando como fizemos e que isso nos levará à final da Liga dos Campeões e aos quatro primeiros lugares [da Premier League] em todas as temporadas, quando estamos competindo contra projetos como o Liverpool ou os clubes de Manchester."

Tottenham e Liverpool se enfrentam na final da Champions no dia 1º de junho, no estádio Wanda Metropolitano, casa do Atlético de Madri, na capital espanhola. Os Spurs sonham com um troféu inédito. Os Reds buscam o sexto título continental de sua história.


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Sobre o Autor

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

Sobre o Blog

Este espaço conta as histórias dos jogadores que fazem do futebol uma paixão mundial. Não só dos grandes astros, mas também dos operários normalmente desconhecidos pelo público.

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