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Meia que assumiu ser gay: espero que em 10 anos seja algo normal no futebol

Rafael Reis

01/10/2018 04h00

Há três meses, o meia norte-americano Collin Martin, 23, do Minnesota United, concede mais entrevistas falando sobre sua sexualidade do que propriamente sobre os feitos alcançados dentro de campo.

No final de junho, mês que se celebra o Orgulho LGBT, o jogador fez história ao anunciar em um post em suas redes sociais que é homossexual. O ato o transformou instantaneamente em uma espécie de embaixador informal da luta contra a homofobia no futebol.

"É claro que eu preferiria viver em um mundo onde minha orientação sexual fosse totalmente aceita e eu não precisasse falar com a imprensa sobre ela. Mas, isso que estou fazendo é importante para conscientizar as pessoas", afirmou, por telefone.

Após o anúncio, Martin se tornou o único jogador assumidamente homossexual em atividade em uma liga nacional relevante no futebol masculino.

A maioria dos poucos nomes importantes que se declararam gays só o fizeram depois da aposentadoria, como o alemão Thomas Hitzlsperger, que disputou a Copa-2006, e o francês Olivier Rouyer, que jogou o Mundial-1978.

"Espero que daqui dez anos a homossexualidade no futebol seja algo normal, e os jogadores se sintam mais à vontade para não terem mais de esconder essa condição."

O meia do Minnesota United está fazendo sua parte. Além do seu exemplo pessoal, que tem aparecido na imprensa do mundo todo, virou uma espécie de conselheiro de atletas gays que ainda não assumiram sua homossexualidade.

Segundo Martin, vários jogadores de futebol, a maioria deles amadores e universitários, já o contataram em busca de dicas sobre como lidar com a homofobia em campo. Pelo menos um profissional também o procurou para conversar sobre o tema, mas o camisa 17 prefere não revelar a identidade dele.

Natural de uma cidadezinha de 9 mil habitantes nos arredores de Washington, começou a carreira no DC United, time pelo qual foi draftado e estreou na MLS (Major League Soccer), a elite do futebol dos EUA, em 2013.

O jogador passou por praticamente todas as seleções norte-americanas de base. Desde 2017, defende o Minnesota United, clube onde atua ao lado de três brasileiros: os meias Fernando Bob (ex-Ponte Preta), Ibson (ex-Corinthians e Flamengo) e Luiz Fernando (ex-Fluminense).

Atualmente, Martin é reserva da equipe, mesma condição que já tinha antes da revelação. Sua última partida como titular foi a derrota por 2 a 0 para o FC Dallas, em 19 de agosto.

"Revelar ao mundo que sou gay foi uma decisão delicada. Não estava preocupado se isso poderia prejudicar o futuro da minha carreira. Era algo que eu precisava fazer. Hoje, posso dizer que isso só me trouxe coisas positivas".


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Sobre o Autor

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

Sobre o Blog

Este espaço conta as histórias dos jogadores que fazem do futebol uma paixão mundial. Não só dos grandes astros, mas também dos operários normalmente desconhecidos pelo público.

Rafael Reis