Blog do Rafael Reis

6 jogadores que foram ídolos no futebol brasileiro e fracassaram na Europa

Rafael Reis

Construir uma carreira de sucesso no futebol brasileiro, tornar-se ídolo de uma das maiores torcidas do país, ganhar uma chance na seleção e só depois brilhar com a camisa de um time europeu.

Durante as décadas de 1980, 1990 e o comecinho dos anos 2000, essa era a trajetória natural dos melhores jogadores de futebol que brotavam no Brasil.

No entanto, nem todos conseguiram completar esse ciclo. Uns jamais se firmaram na seleção, outros fracassaram completamente no Velho Continente.

Conheça abaixo seis jogadores brasileiros que fizeram muito sucesso por aqui, mas que, por indisciplina, dificuldade de adaptações ou limitações táticas, tiveram passagens apagadas pelo futebol europeu.

VAMPETA
PSV Eindhoven (HOL): 1994-97
VVV Venlo (HOL): 1995
Inter de Milão (ITA): 2000
Paris Saint-Germain (FRA): 2001

O volante saiu cedo do Brasil e ficou na Holanda dos 20 aos 23 anos. Vampeta só retornou à Europa anos mais tarde, já consagrado como integrante do elenco do Corinthians que ganhou tudo no final da década de 1990. E foi aí que ele fracassou. Sua passagem pela Inter de Milão lhe rendeu um posto no time de “maiores micos” do futebol italiano montado pela revista “Guerin Sportivo” em 2015. A trajetória no PSG não foi muito diferente. Vampeta passou seis meses em cada um desses clubes. Depois, voltou ao Brasil para defender o Flamengo.

MARCELINHO CARIOCA
Valencia (ESP): 1997
Ajaccio (FRA): 2004-05

Um dos maiores cobradores de falta do planeta na década de 1990, o brasileiro teve duas experiências no futebol europeu, uma na Espanha e outra na França, e não fez sucesso em nenhuma delas. A mais expressiva foi a passagem pelo Valencia, em 1997. Contratado por US$ 7 milhões (R$ 23,1 milhões, na cotação atual), Marcelinho era uma das apostas do time para fazer frente a Real Madrid e Barcelona, mas ficou a maior parte do tempo no banco de reservas. Desgostoso com a situação, foi resgatado pela FPF (Federação Paulista de Futebol), que comprou seu passe e realizou uma promoção para definir qual seria seu destino, o “Disque Marcelinho”, que o devolveu ao Corinthians.

VIOLA
Valencia (ESP): 1995-96
Gaziantepspor (TUR): 2002-03

O Valencia definitivamente não deu sorte com jogadores brasileiros nos anos 1990. Dois anos antes de Marcelinho Carioca, o clube investiu um valor recorde de US$ 4 milhões (R$ 13,2 milhões) para ter o então ídolo do Corinthians. Viola até que marcou seus golzinhos na Espanha, mas não conseguiu se adaptar à vida na Europa. Ficaram célebres suas entrevistas falando que vivia à base de bolachas e iogurtes no novo país. Com dificuldade de relacionamento com os companheiros de time e após bater boca com o capitão do Valencia, Viola acabou negociado com o Palmeiras na temporada seguinte a da sua chegada à Espanha.

MINEIRO
Hertha Berlim (ALE): 2007-08
Chelsea (ING): 2008-09
Schalke 04 (ALE): 2009-10
TuS Koblenz (ALE): 2011-12

Herói do último título mundial conquistado pelo São Paulo, em 2005, o volante chegou à Europa já veterano, aos 32 anos, e atuou por lá até o fim da carreira. Mineiro até que fez um papel razoável no Hertha Berlim, seu primeiro clube no Velho Continente. Levado por Luiz Felipe Scolari para o Chelsea, mal jogou na temporada que passou na Inglaterra, situação que se repetiu no Schalke 04. Em 2011, disputou a quarta divisão alemã pelo nanico Koblenz antes de anunciar a aposentadoria.

LUIZÃO
La Coruña (ESP): 1997-98
Hertha Berlim (ALE): 2002-04

Campeão mundial com a seleção brasileira na Copa-2002, foi artilheiro de Campeonato Brasileiro (1999) e da Taça Libertadores da América (2000), mas não conseguiu chegar a uma dezena de gols na soma das suas duas passagens pelo futebol europeu. Na primeira, Luizão foi fazer companhia a Djalminha, seu parceiro dos tempos de Palmeiras, no La Coruña, mas não passou perto de alcançar o mesmo sucesso do meia. Após o penta, o centroavante teve uma nova oportunidade no Velho Continente, mas também não deixou saudades no Hertha Berlin.

RICARDINHO
Bordeaux (FRA): 1997-98
Middlesbrough (ING): 2004
Besiktas (TUR): 2006-08

Um dos meias mais talentosos do futebol brasileiro na virada do século 20 para o 21, Ricardinho não teve na Europa 10% do sucesso que fez por aqui, especialmente durante o período em que defendeu o Corinthians (1998 a 2002). Das três passagens que teve pelo Velho Continente, a pior sem dúvida foi a pelo Middlesbrough. Em uma época em que brasileiros eram raridade no futebol inglês, Ricardinho não conseguiu emplacar seu jogo de passes curtos em um time bem chegado à ligação direta e pouco jogou por lá.


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