Blog do Rafael Reis

Time de Hitler? Como clube alemão tenta apagar nazismo de sua história

Rafael Reis

Todo clube de futebol gostaria de ter como torcedor ilustre uma figura forte, decidida, reconhecida por quase 100% do planeta e que ajudaria a levar seu nome além de qualquer fronteira. Certo? Não se o torcedor em questão for Adolf Hitler.

É contra o estigma de ser conhecido como o time de um maiores genocidas do século XX que o Schalke 04 luta há mais de meio século.

Na verdade, não há nenhuma comprovação de que o pai do nazismo e líder da Alemanha entre 1933 e 1945 tenha realmente sido um admirador do time de Gelsenkirchen, décimo colocado na última edição da Bundesliga.

Mesmo assim, a conexão entre Hitler e o clube não chega a ser uma lenda urbana. Ela tem raízes históricas e, até por isso, continua sendo lembrada até hoje por torcedores adversários.

A principal dessas raízes vem do sucesso obtido pelo Schalke durante o Terceiro Reich. Seis dos sete títulos alemães da história do clube foram conquistados no período do governo nazista: 1934, 1935, 1937, 1939, 1940 e 1942.

Os bons resultados dentro de campo não passaram alheios por Joseph Goebbels, o braço-direito marqueteiro de Hitler, que tratou de usar as vitórias obtidas pelo Schalke 04 na propaganda nazista que era distribuída ao público.

Some-se a isso o fato de o Schalke 04 ter sido classificado pelo governo como um clube ariano, fundado por trabalhadores braçais e mineiros germânicos que deram seu suor pela Alemanha, ao contrário de Borussia Dortmund e Bayern de Munique, de raízes e tendências judias. Ou seja, que deviam ser combatidos…

Abraçado pelo regime dominante e vivendo uma era de sucesso dentro de campo, o time se tornou o mais popular do país durante o período nazista. E, evidentemente, muitos desses torcedores (como boa parte da população da época) eram também simpatizantes de Hitler.

Mas o ditador jamais foi um grande fã do futebol e preferia ginástica e atletismo, esportes que considerava muito mais másculos do que aquele balé de pernas correndo atrás de uma bola.

Por isso, é pouco provável que seu coração fosse azul, como fez questão de ressaltar Gerd Voss, então chefe de relações públicas do Schalke 04, em 2014, seis anos depois de o jornal britânico “Times” classificar Hitler como o pior torcedor famoso de um clube de futebol.

“Descobrimos que ele deve ter sido um torcedor de sofá, porque ele nunca foi a nenhum de nossos jogos, nem mesmo a uma decisão de campeonato ao lado da sua porta, no Estádio Olímpico em Berlim. Talvez ele estivesse muito ocupado com as suas políticas genocidas… ou talvez não fosse um torcedor de futebol”, afirmou o dirigente, em resposta ao artigo.


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