Blog do Rafael Reis

Arquivo : jorge sampaoli

5 motivos que fizeram Ganso virar a “última opção” no Sevilla
Comentários Comente

Rafael Reis

Sessenta e nove dias sem entrar em campo. Treze partidas consecutivas sentado no banco de reservas ou, pior, ficando fora até mesmo da relação de jogadores convocados para ir ao estádio.

Uma das principais contratações do Sevilla para a temporada 2016/17, o meia Paulo Henrique Ganso, 27, praticamente naufragou em seu primeiro ano no futebol europeu.

E, se depender do seu histórico recente, é pouco provável que o brasileiro receba uma nova chance nesta terça-feira, quando o time espanhol visita o Leicester por vaga nas quartas de final da Liga dos Campeões.

Mas por que Ganso virou a última opção do técnico Jorge Sampaoli para o meio-campo do Sevilla? Apontamos abaixo cinco razões para o fiasco do ex-jogador de Santos e São Paulo na Espanha.

1 – MARCA-PASSO
Se a intenção de Sampaoli era que Ganso virasse o coração do meio-campo do Sevilla e ditasse o ritmo do time, o treinador teria de ir atrás de um marca-passo. Segundo o “Who Scored?”, site especializado em estatísticas, o brasileiro é dos jogadores do elenco andaluz que menos tocam na bola. No Campeonato Espanhol, ele dá em média 28,3 passes por partida. Nasri e Vitolo, dois dos titulares da sua posição, distribuem 68,8 e 38,9 passes, respectivamente.

2 – PODER DE FOGO
Ganso ficou em campo por 644 minutos com o Sevilla nesta temporada e marcou apenas um gol, contra o Formentera, da quarta divisão, em confronto pela Copa do Rei. Ainda que não seja um artilheiro nato, é pouco para um jogador que atua do meio para frente. Além do gol, Ganso deu mais três assistências para seus companheiros marcarem.

3 – JOGA ONDE?
Apesar de ter sido escalado apenas 12 vezes por Sampaoli, Ganso foi utilizado em quatro funções diferentes nesta temporada. O brasileiro atuou como segundo volante, meia ofensivo central e também aberto pelos lados direito e esquerdo do meio-campo. Como não conseguiu se fixar em nenhuma delas, perdeu espaço no elenco.

4 – SHOW DE HORRORES
A última partida de Ganso pelo Sevilla, em 4 de janeiro, não poderia ter sido pior. Escalado como titular contra o Real Madrid, pela Copa do Rei, passou os primeiros 45 minutos de jogo perdido e sem ver a cor da bola. A derrota por 3 a 0 ainda na primeira etapa e sua atuação desastrosa fizeram com que ele fosse substituído no intervalo… substituído para não voltar mais ao time.

5 – VONTADE
“É uma decisão dele mesmo ficar fora dos relacionados. Quando ele decidir mudar, será impossível ficar fora”. A bronca pública foi dada pelo próprio Sampaoli, em fevereiro, quando foi questionado por jornalistas sobre o motivo de Ganso não ter sido relacionado para o confronto de ida com o Leicester. Depois do puxão de orelhas, o brasileiro voltou pelo menos a ficar no banco de reservas em algumas partidas do Sevilla.


Mais de Brasileiros pelo Mundo

– Neymar supera Messi e produz 1 gol a cada 47 minutos na Champions
Com ex-São Paulo, Libertadores tem 6 brasileiros em times gringos; conheça
– Brasileiros na China somam 290 partidas e 53 gols pela seleção
– ”Futuro goleiro da seleção”, ex-Santos só jogou uma vez nos últimos 2 anos


Escudeiro de Sampaoli pode ser desafio para o Palmeiras na Libertadores
Comentários Comente

Rafael Reis

Por 13 anos, Sebastián Beccacece foi para Jorge Sampaoli o que Murtosa é há décadas para Luiz Felipe Scolari.

Assistente, braço direito e homem de confiança do ex-treinador da seleção chilena entre 2002 e 2015, o argentino de 35 anos estreia nesta Libertadores em voo solo, à frente da Universidad de Chile.

A partida contra o River Plate uruguaio, fora de casa, nesta terça-feira, que abre a competição sul-americana, será apenas a quarta da carreira de Beccacece como técnico de um time profissional.

O vencedor do mata-mata será adversário do Palmeiras na próxima fase da Libertadores. Além do atual campeão da Copa do Brasil, Nacional (URU) e Rosario Central (ARG) também estão no Grupo 2.

Beccacece

Apesar de novato, Beccacece assumiu o comando da Universidad de Chile já com status de popstar dos bancos de reservas e ares de treinador revolucionário.

Uma rápida pesquisa nas redes sociais pelo nome o mostra sendo chamado de “genial”, “um dos mais promissores técnicos da América do Sul” e “furacão”.

A fama vem principalmente do trabalho realizado ao lado de Sampaoli e dos elogios que recebeu do mentor.

Natural de Rosario, a mesma cidade de Lionel Messi, e um ex-lateral fracassado das categorias de base de um pequeno time chamado Juan XXIII, ele começou a trabalhar com o antigo patrão quando tinha apenas 22 anos.

Juntos, eles passaram pelo futebol do Peru e do Equador antes de alcançarem o estrelato continental na Universidad de Chile campeã da Copa Sul-Americana de 2011 e se tornarem conhecidos mundialmente ao fazerem do Chile uma seleção de primeiro escalão.

Fiel ao professor, Beccacece chegou a recusar um convite para ser auxiliar de Marcelo Bielsa, curiosamente o mentor do seu mentor, na seleção chilena que disputou a Copa do Mundo de 2010.

A separação do antigo mestre só foi selada no final do ano passado, quando já estava claro que a saída de Sampaoli do Chile era apenas uma questão de tempo.

O plano de mudar de cargo já era antigo. Em 2011, o argentino começou um curso online de 25 meses para se tornar treinador. Eram pelo menos três dias por semana de aulas teóricas, exercícios práticos ou provas.

“Com Beccacece, ‘La U’ vai ser uma equipe sem medos, um time que irá ao ataque o tempo todo”, disse Sampaoli, pouco depois do seu discípulo assumir o comando do time chileno.

O gosto pelo futebol intenso e ofensivo é uma das características que unem criador e criatura.

Na semana passada, logo em seu segundo jogo comandada pelo argentino, a Universidad de Chile aplicou uma goleada por 8 a 1 sobre o O’Higgings, no Campeonato Chileno.

Outro traço em comum é a coragem para tomar decisões ousadas. Na rodada seguinte, levou por opção três garotos da base para a partida contra o San Luis. E acabou só empatando por 1 a 1.


Mesmo técnico, mesmo time… Chile é a seleção que menos mudou desde a Copa
Comentários Comente

Rafael Reis

Se tem algo que não falta para o adversário de estreia do Brasil nas eliminatórias da Copa-2018, nesta quinta-feira, é entrosamento.

O Chile é a seleção que menos mudou entre todas as 32 que participaram do Mundial do ano passado.

Dos 23 convocados pelo técnico Jorge Sampaoli, outro remanescente do time de 2014, nada menos que 18 estiveram na última Copa.

Só como comparação, a Alemanha leva para esta Data Fifa apenas 13 campeões mundiais. E o Brasil tem só nove sobreviventes do Mundial do 7 a 1.

Bravo, Medel, Vidal, Valdivia, Alexis Sánchez, todos os principais responsáveis pela transformação de um habitual saco de pancadas em uma das seleções mais temidas e admiradas do planeta, continuam defendendo o Chile.

Mesmo as cinco novidades não são tão novas assim. O meia Matías Fernández, 29, da Fiorentina, só não foi ao Mundial por causa de uma lesão no tornozelo direito. O zagueiro Vilches (Atlético-PR) e os meias Valdés (Colo Colo) e Mark González (Universidad Católica) já são trintões.

O mais próximo de cara nova que o Chile traz para o início das eliminatórias é o meia Carvajal, 26, que tem se destacado com a camisa do local Palestino e ainda não estreou na seleção principal.

Essa opção por manter o mesmo grupo de atletas por tanto tempo faz com que os chilenos larguem em vantagem na disputa por uma vaga para o Mundial da Rússia.

Enquanto a maior parte dos seus adversários sul-americanos estão no início de um novo trabalho, os andinos se conhecem como poucos. Não jogam mais como uma seleção, mas sim como um clube, muito bem treinado e devidamente entrosado.

Esse favoritismo já ficou provado na Copa América, entre junho e julho. Jogando em casa, a geração de ouro chilena conquistou o primeiro título de sua história no futebol.

Por outro lado, a falta de renovação de elencos vencedores costuma, a longo prazo, custar caro a seleções reconhecidamente vencedoras.

Com times envelhecidos após a conquista de títulos mundiais, a França passou vergonha na Copa-2002 e a Espanha, em 2014. O mesmo aconteceu com o Uruguai, em escala continental.

BOM PARA O BRASIL?

A atual geração do Chile pode até ser uma das melhores, ou talvez a melhor, do país em todos os tempos, mas não costuma se dar bem contra o Brasil.

Já são 15 anos de invencibilidade brasileira no confronto desde a derrota por 3 a 0 nas eliminatórias da Copa-2002, em agosto de 2000. Desde então, foram 14 jogos, com 11 vitórias dos pentacampeões mundiais e três empates.

A invencibilidade quase acabou nas oitavas de final da Copa-2014, mas o Brasil acabou vencendo nos pênaltis após o empate por 1 a 1. Na ocasião, o Chile esteve a centímetros da classificação –a finalização de Pinilla, no fim do segundo tempo da prorrogação, parou na trave.

A lista de convocação de Sampaoli para o início das eliminatórias parece até um castigo. Ele manteve 18 jogadores listados para aquela partida. Mas o centroavante da Atalanta, mesmo em boa fase, ficou de fora.


< Anterior | Voltar à página inicial | Próximo>