Blog do Rafael Reis

Arquivo : união soviética

Envelhecida, Rússia recebe a Copa com seleção “soviética”
Comentários Comente

Rafael Reis

O zagueiro Sergei Ignashevich tinha 12 anos, estava completamente alfabetizado e já possuia alguma noção de política quando o país onde nasceu e viveu durante toda a infância chegou ao fim.

Assim como o veterano defensor do CSKA Moscou, outros 16 jogadores da seleção anfitriã da Copa do Mundo-2018 não foram registrados como russos quando vieram ao mundo.

Todos eles, com exceção do lateral direito Mário Fernandes, brasileiro de nascimento e naturalizado há apenas dois anos, são remanescentes da antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).

Apesar de a antiga potência dos tempos de Guerra Fria ter sido dissolvida oficialmente há quase 27 anos, no dia 25 de dezembro de 1991, para dar lugar a 15 países independentes, os soviéticos ainda são maioria na seleção que abre a Copa contra a Arábia Saudita, nesta quinta-feira, no estádio Luzhniki, em Moscou.

Prova de como o técnico Stanislav Cherchesov falhou na missão de levar à Copa um grupo rejuvenescido, cheio de gente nova e alheio às marcas dos insucessos recentes do país –parou na fase de grupos do Mundial-2014 e nas Euros-2012 e 2016.

No lugar de renovação, a Rússia chegou a 2018 com os mesmos envelhecidos rostos de sempre. Ignashevich já tem 38 anos. Aleksandr Samedov, 33. O goleiro Igor Akinfeev, 32. E há ainda os trintões Vladimir Gabulov. Fyodor Kudryashov e Vladimir Granat.

As caras realmente novas são poucas e podem ser contadas nos dedos das mãos. O meia Aleksandr Golovin, 22, maior revelação do CSKA nos últimos tempos, e os irmãos gêmeos Anton e Aleksei Miranchuk, 22, campeões nacionais pelo Lokomotiv Moscou nesta temporada.

O trio faz parte do pequeno grupo de jogadores da seleção anfitriã que são genuinamente russos. Para eles, URSS, comunismo e Guerra Fria contra os EUA foram apenas conteúdo das aulas de história e lembranças de infância dos companheiros de time.

Além de Rússia e Arábia Saudita, Egito e Uruguai também fazem parte do Grupo A da Copa do Mundo. A competição começa nesta quinta e terá a final disputada no dia 15 de julho, novamente em Moscou.


Mais de Seleções:

– Como políticas de Putin minaram chances da Rússia na Copa-2018
– Mais velha da história, Copa se enche de “tiozões” e tem até quarentão
– China “invade” Copa do Mundo e chega até a seleções favoritas
– Site aponta Espanha como seleção mais cara da Copa-2018; Brasil é o 3º


Futebol estatal? No País da Copa-2018, governos ainda são donos de times
Comentários Comente

Rafael Reis

Imagine se o governo de Minas Gerais tivesse seu próprio time profissional de futebol. E a prefeitura do Rio de Janeiro também contasse com seu clube, assim como o estado do Rio Grande do Sul.

Agora imagine essas equipes disputando o Campeonato Brasileiro e enfrentando Palmeiras, Corinthians, Flamengo, Atlético-MG e Grêmio.

Pois bem, esse cenário, totalmente distante da realidade do futebol brasileiro, é corriqueiro no país-sede da Copa do Mundo do próximo ano.

Dos 16 clubes que disputam a temporada 2017/18 do Campeonato Russo, pelo menos cinco são completamente estatais, ou seja, pertencem e são administrados por órgãos como prefeituras e governos estaduais ou por empresas de capital público.

Entre os times estatais, um dos mais conhecidos é o FC Rostov, vice-campeão em 2016 e que disputou a última edição da Liga dos Campeões da Europa. O clube pertence ao Oblast (espécie de província) de Rostov.

O Ural Yekaterinburg e o Akhmat Grozny, equipe que pertence à Chechênia, região que inclusive já tentou se separar da Rússia, em um sangrento conflito que durou quase dez anos, possuem estruturas administrativas semelhantes.

Já o Lokomotiv Moscou, duas vezes campeão russo (2002 e 2004) e que conta com os brasileiros Guilherme e Ari no elenco, é um pouco diferente. O clube é administrado não por um Oblast ou por uma prefeitura, mas sim por uma empresa pública.

O dono do time é a Russian Railways, uma companhia ferroviária estatal que possui monopólio dentro do território russo e pertence ao governo de Vladimir Putin.

Assim como o Lokomotiv, o Arsenal Tula também é gerido por uma empresa de capital público, a Rostec, uma companhia especializada em produtos de alta tecnologia para os setores civil e militar.

Outros dois clubes da primeira divisão, o FC Ufa e o estreante SKA-Khabarovsk, são frutos de parcerias entre o poder público e a iniciativa privada.

A existência de tantos clubes estatais na Rússia ainda é um resquício da União Soviética. Durante o regime socialista, oficialmente encerrado em 1991, todos os times de futebol do país (assim como empresas ou qualquer tipo de associações) pertenciam ao governo.

Depois da dissolução da URSS e da queda do comunismo, alguns dos clubes das regiões mais ricas da Rússia, como CSKA Moscou, Spartak Moscou e Zenit São Petesburgo, acabaram privatizados e foram parar nas mãos de magnatas locais.

Outros, principalmente os de áreas mais distantes da capital Moscou, continuaram nas mãos dos governos regionais, e, mesmo sem o mesmo potencial de investimento dos times privados, mantém vivo o fenômeno típico da época do Campeonato Soviético.


Mais de Clubes

– Chape é o 6º brasileiro em torneio amistoso do Barça; veja as participações
– Não é só Neymar: 7 motivos para acompanhar de perto o Campeonato Francês
– Sensação do Mercado da Bola, Milan vira “novo rico” pela 2ª vez
– Mercado da Bola já movimentou quase R$ 11 bi; veja os clubes mais gastões


< Anterior | Voltar à página inicial | Próximo>