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O dia em que um técnico brasileiro eliminou Pelé da Copa do Mundo
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Rafael Reis

Comandar uma seleção estrangeira em Copa do Mundo não chega a ser nenhuma novidade para treinadores brasileiros. Ter de enfrentar a equipe de sua terra natal em um Mundial também não tem nada de inédito.

Agora, derrotar a seleção mais vitoriosa da história na principal competição do futebol mundial é um feito que apenas um técnico brasileiro conseguiu.

E o carioca Otto Glória o fez em grande estilo. À frente de Portugal, derrotou o Brasil por 3 a 1 e provocou a eliminação da equipe canarinho ainda na fase de grupos da Copa do Mundo de 1966.

Uma marca tão histórica que jamais voltou a se repetir. Nos últimos 52 anos, a seleção brasileira sempre chegou pelo menos às oitavas de final do torneio que conquistou cinco vezes.

O feito de Otto Glória é ainda mais impressionante quando se analisa quem estava do outro lado do campo. Apesar de envelhecido e taticamente confuso, o Brasil vinha de dois títulos mundiais consecutivos e tinha em campo Pelé e Jairzinho. O banco também era estrelado: Djalma Santos, Bellini, Gerson, Zito, Garrincha e Tostão.

Por ter vencido nas duas primeiras rodadas do Grupo 3 (contra Hungria e Bulgária), Portugal só precisava de um empate para passar para a fase final do Mundial. Mesmo assim, não demorou para construir o placar.

Aos 15 min do primeiro tempo, António Simões abriu o placar. Doze minutos depois, o craque Eusébio ampliou. A situação brasileira ficou ainda pior depois que o zagueiro João Pedro Morais deu duas entradas violentas em Pelé e deixou o camisa 10 baleado, arrastando-se em campo.

Na segunda etapa, Rildo (Botafogo) diminuiu. Mas Eusébio fez mais um, selou a classificação portuguesa, mandou o Brasil de volta para a casa e decretou a façanha de Otto Glória.

Após o 3 a 1 em Liverpool, o treinador brasileiro continuou fazendo história no Mundial da Inglaterra. Os portugueses terminaram a competição na terceira posição, algo que nem as gerações de Figo e Cristiano Ronaldo conseguiram repetir.

Otto Glória, que já tinha passado por Botafogo, Vasco, Benfica, Belenenses, Sporting, Olympique de Marselha, Vasco e Porto antes da Copa, migrou para a Espanha e foi dirigir o Atlético de Madri após ganhar destaque com a seleção lusa.

Em 1971, voltou para o futebol brasileiro e entrou para o folclore local na decisão do Paulista-1973, quando ordenou que os jogadores da Portuguesa deixassem o gramado ao perceber que o árbitro da partida contra o Santos havia errado na contagem dos gols na disputa de pênaltis. Por essa razão, o título estadual daquele ano foi dividido entre os dois clubes.

O treinador ainda teve uma segunda passagem pela seleção de Portugal.  Após ser goleado por 4 a 0 em um amistoso contra o Brasil (o mesmo país que ele havia eliminado na Copa-1966), Otto Glória perdeu o emprego e encerrou sua trajetória internacional.

O técnico sensação do Mundial da Inglaterra morreu no dia 4 de setembro de 1986, aos 69 anos.


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Ex-Flamengo defende nível técnico do Campeonato Francês: “Não é ruim”
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Rafael Reis

Dez pontos de vantagem do líder para o segundo colocado, uma facilidade imensa para o Paris Saint-Germain ganhar a maior parte de suas partidas e marcadores que são incapazes de parar Neymar.

Para muitos torcedores nas redes sociais, essas são provas que mostram que o Francês, o campeonato escolhido pelo principal jogador brasileiro da atualidade para tentar se tornar o melhor do mundo, não tem um nível técnico tão bom assim.

Mas o lateral esquerdo Jorge, ex-Flamengo e atualmente no Monaco, pensa diferente.

“Não concordo [com as críticas]. O nível sempre foi esse, e não é ruim. Como em qualquer grande liga aqui na Europa, é claro que existem os clubes com maior poderio econômico, que conseguem montar elencos mais fortes. O que nem sempre é sinal de que as coisas vão dar certo. A chegada do Neymar fez o PSG dar um salto de qualidade, é um dos grandes nomes da atualidade. O que fez muito bem para o campeonato, que ganhou ainda mais visibilidade”, afirmou o jogador.

Jorge está na Europa há um ano. Nos primeiros seis meses, ficou no banco de Benjamin Mendy. Na atual temporada, com a venda do titular para o Manchester City, assumiu a posição no time.

Em 28 partidas pela equipe do Principado, o brasileiro acumula dois gols e quatro assistências. Segundo o “WhoScored?”, site que avalia o desempenho dos jogadores com base nas estatísticas, ele é o melhor lateral esquerdo do futebol francês em 2017/18, com nota 7,5.

É com base nesses números que o jogador de 21 anos sonha ainda disputar em junho a primeira Copa do Mundo de sua carreira. Jorge já disputou um amistoso com a seleção e foi convocado por Tite na última rodada das eliminatórias.

“Enquanto a lista final não for divulgada, todos têm chance. Sabemos, é claro, que grande parte dela já está definida, já que o professor Tite é muito coerente nas suas escolhas. Nós, jogadores, precisamos estar sempre preparados para quando a chance aparecer.”

Além da alta concorrência na seleção (Marcelo, a quem Jorge considera o “melhor do mundo” na posição, Filipe Luís e Alex Sandro), um outro fator atrapalha um pouco os planos do ex-Flamengo.

Após ser campeão francês e semifinalista da Liga dos Campeões na temporada passada, o Monaco vem decepcionando em 2017/18. O time, que vendeu seus principais jogadores no último verão europeu, é só o terceiro colocado na Ligue 1 e se despediu da Champions ainda na fase de grupos, sem vencer uma única partida.

“Nem a gente imaginava [essa campanha tão ruim]. Todos esperavam muito da gente pela bela temporada que fizemos.Ficamos tristes, pois sabíamos que dava pra chegar mais longe. Pecamos um pouco pela falta de entrosamento, mas melhoramos e estamos fazendo bons jogos agora”, completa o camisa 6.


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Barcelona e Real têm algum jogador que ainda não estreou por seleção?
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Rafael Reis

Os treinos dos grandes clubes europeus parecem um deserto durante as Datas Fifa. Afinal, se um jogador tem qualidade suficiente para atuar em um dos maiores times do planeta é bem provável também que faça parte da seleção do país que escolheu defender.

Essa situação é corriqueira no Barcelona e no Real Madrid. Os adversários do clássico deste sábado, válido pela 17ª rodada do Campeonato Espanhol, têm atletas espalhados por várias seleções e serão representados em peso na próxima Copa do Mundo.

Assim, a pergunta não é se determinado jogador de Barça ou Real foi convocado para a seleção, mas sim o contrário.

E será que existe algum atleta nos elencos dos dois maiores clubes da Espanha que jamais defendeu a seleção do seu país?

A resposta para essa questão é sim, mas eles não são tantos e podem ser contados usando apenas os dedos das mãos.

Dos 49 jogadores que compõem os elencos profissionais dos adversários deste sábado, apenas sete jamais atuaram por uma seleção principal.

A maioria absoluta deles está no Real Madrid, que possui nesta temporada um grupo de jogadores repleto de jovens que até pouco tempo atrás militavam nas canteras (categorias de base) ou em clubes de menor escalão.

Seis jogadores que hoje estão à disposição de Zinédine Zidane ainda sonham com a primeira oportunidade em seleção: o zagueiro Jesús Vallejo, o lateral esquerdo Theo Hernández, os meias Marcos Llorente e Dani Ceballos, o atacante Borja Mayoral e o goleiro Luca Zidane, filho do treinador e segundo reserva da posição.

Todos eles, porém, têm história em seleções de base. Vallejo, Llorente, Ceballos e Mayoral foram vice-campeões europeus sub-21 com a Espanha em junho. Zidane já disputou um Mundial sub-17 com a França, e Hernández já disputou vários amistosos com as equipes menores francesas.

A situação no Barcelona é ainda mais extrema. Apesar de ter alguns jogadores que raramente são convocados e por isso treinam no clube durante as Datas Fifa, como Aleix Vidal, Sergi Roberto e Gerard Deulofeu, o time tem apenas um jogador em todo seu elenco que ainda não estreou pela seleção.

O terceiro goleiro, Adrián Ortolá, é o estranho nesse ninho. O arqueiro de 24 anos, que até costuma atuar mais pelo Barça B do que pela equipe principal, até disputou o Mundial sub-20 de 2013 pela Espanha, mas ainda não passou nem perto de ser lembrado por Julen Lopetegui para o time adulto.


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Adversária na Copa, Sérvia já entrou em briga com o Brasil por zagueiro
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Rafael Reis

Última adversária do Brasil na fase de grupos da Copa-2018, a Sérvia já chegou a disputar um jogador com a seleção pentacampeã mundial.

Ex-jogador do São Paulo e atualmente no Torino (ITA), o zagueiro Lyanco Vojnovic defendeu as duas nas seleções de base.

Neto de um sérvio que fugiu da Europa durante a Segunda Guerra Mundial, na década de 1940, e encontrou refúgio em Franca, no interior do estado de São Paulo, o defensor foi descoberto pela comissão técnica da terra de sua família paterna no final de 2015.

No começo do ano seguinte, Lyanco foi convocado para defender a seleção sérvia sub-19 e participou de três jogos oficiais da fase preliminar do Campeonato Europeu da categoria –foi titular contra Dinamarca, França e Montenegro.

Mas ainda em 2016, sua história teve uma reviravolta. O zagueiro foi convencido pela CBF a defender o Brasil e vestiu a amarelinha em amistosos e no Sul-Americano sub-20, disputado entre janeiro e fevereiro deste ano.

Segundo o regulamento da Fifa, a escolha de Lyanco ainda não é definitiva. Como já possuía a dupla cidadania no momento em que atuou por seleções de base, o jogador só assumirá uma nacionalidade definitiva quando disputar uma partida oficial pelo time adulto da Sérvia ou do Brasil.

Contratado do São Paulo na última janela de transferências por 7 milhões de euros (R$ 27 milhões), o zagueiro de 20 anos ainda vem tentando encontrar seu espaço no futebol italiano. Na atual temporada, Lyanco participou de apenas quatro partidas pelo Torino –três na liga nacional e uma na Copa.

Casos como o dele não são raros na Sérvia, que fazia parte da antiga Iugoslávia. Devido às inúmeras guerras enfrentadas pelo país durante o século 20, muitos dos seus cidadãos migraram para o exterior em busca de paz e melhores oportunidades de vida.

Pelo menos três jogadores que fizeram parte da mais recente convocação da seleção principal sérvia são frutos de histórias semelhantes à de Lyanco. O zagueiro Milos Veljkovic (Werder Bremen) e o atacante Aleksandar Prijovic (PAOK) nasceram na Suíça. Já o meia Sergej Milinkovic-Savic (Lazio) é natural da Espanha.

Todos eles podem aparecer na escalação da equipe que irá enfrentar o Brasil, no dia 27 de junho, em Moscou. Suíça e Costa Rica são as outras integrantes do Grupo E da Copa do Mundo-2018.


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Firmino elogia “rival” Gabriel Jesus e ainda não se vê na Copa-2018
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Rafael Reis

Sete gols na atual temporada, a titularidade do Liverpool e mais de um ano consecutivo sem ficar fora de uma convocação da seleção brasileira por critérios técnicos. Aos 26 anos, Roberto Firmino parece nome certo na lista de Tite para a Copa do Mundo-2018.

Só que o atacante não acha isso. Para Firmino, “muito difícil dizer que atleta A ou B está garantido na lista final para a Copa do Mundo” e é preciso continuar trabalhando duro para conseguir realizar seu sonho de infância e viajar para a Rússia em junho do próximo ano.

Natural de Alagoas, Firmino era praticamente um desconhecido no Brasil quando, após duas temporadas como profissional, trocou o Figueirense pelo Hoffenheim, da Alemanha.

As primeiras chances na seleção vieram em 2014, quando era um dos destaques da Bundesliga. No ano seguinte, desembarcou no badalado do Campeonato Inglês como uma contratação de 41 milhões de euros (R$ 156 milhões) do Liverpool.

Em entrevista ao “Blog do Rafael Reis”, Firmino falou sobre a adaptação ao posto de centroavante, revelou a importância do técnico Jürgen Klopp no seu crescimento como jogador e fez vários elogios a Gabriel Jesus, seu titular na seleção.

“É um garoto de ouro e merece todo o sucesso que vem fazendo.”

Confira abaixo a íntegra do bate-papo com o atacante do Liverpool, que enfrenta nesta sexta-feira o Japão e joga na próxima terça (14) contra a Inglaterra.

Desde sua chegada ao futebol europeu, você nunca foi tão centroavante quanto agora. Por que houve essa mudança no seu posicionamento? Como foi a adaptação a essa função?
Acredito que o trabalho do treinador seja esse de achar a melhor posição para os atletas que tem no elenco. Temos jogadores que atuam mais pelo lado, como o Mané e o Salah, além do Philippe Coutinho, que faz um papel de vir mais de trás. O Klopp vem usando bastante essa formação e tem dado certo. Espero que os gols continuem saindo e o Liverpool vencendo suas partidas.

Este início de temporada tem sido o melhor da sua carreira, pelo menos em relação ao número de gols marcados. Por que você tem feito tantos gols?
É difícil definir um motivo específico para um bom momento de um atleta. Estou entrando na minha terceira temporada pelo Liverpool e a cada ano que passa me sinto mais à vontade, mais em casa, e isso é muito positivo pra mim. Ter a oportunidade de trabalhar com o Klopp foi muito bom para o meu desenvolvimento. Ele é um treinador que cobra muito, tem muita experiência e entende muito de futebol.

O quanto o Klopp, que já te conhecia desde a Alemanha, ajudou a fazer o seu futebol crescer?
O Klopp é um cara fantástico. Tem aquele jeito diferente de comemorar os gols, é bastante agitado, mas é uma pessoa incrível. O Liverpool acertou em cheio quando trouxe ele pra cá e, certamente, esse crescimento do clube nas últimas temporadas passa diretamente pelas mãos dele. Espero que no final da temporada possamos comemorar um título juntos para celebrar esse excelente trabalho desenvolvido por ele.

Faz mais de um ano que você não fica fora de uma convocação da seleção por critérios técnicos. Sua vaga na Copa já está garantida?
Acho muito difícil dizer que atleta A ou B está garantido na lista final para a Copa do Mundo. É um sonho que tenho desde criança, trabalhei minha carreira inteira para defender a seleção, e disputar uma Copa é algo que sempre me imaginei fazendo parte. Fico feliz pelas convocações do professor Tite, mas ainda temos um longo caminho até a Rússia. Tenho que continuar focado em fazer bem meu trabalho aqui no Liverpool, para, se Deus quiser, estar na lista final.

Você sentiu preconceito de parte da torcida e da imprensa nas primeiras convocações para a seleção por ser um cara pouco conhecido dentro do Brasil?
Não senti isso diretamente comigo. Como saí muito cedo, depois de apenas um ano como profissional no Figueirense, seria natural que algumas pessoas não me conhecessem. Quando fui convocado pela primeira vez, em 2014, pelo professor Dunga, foi uma sensação especial, única. Mas aquela primeira vez foi resultado do bom momento que eu vivia no Hoffenheim, da Alemanha. Quando vi meu nome pela primeira vez, fui surpreendido e, naquele momento, coloquei na cabeça que trabalharia muito para me manter sempre dentro do grupo da seleção.

Quando você deixou o Figueirense para se arriscar em um quase desconhecido Hoffenheim conseguia imaginar que um dia estaria prestes a disputar uma Copa do Mundo?
Copa do Mundo e seleção brasileira são, obrigatoriamente, os sonhos de qualquer jogador, desde criança, e comigo nunca foi diferente. Batalhei muito para chegar aonde estou e sei que ainda preciso trabalhar bastante para me manter no radar do professor Tite. A Copa do Mundo está cada vez mais próxima, mas até lá preciso manter um futebol de alto nível aqui no Liverpool e ajudar o clube a conquistar os objetivos na temporada.

O Gabriel Jesus virou uma espécie de mania na Inglaterra e hoje é titular na seleção. É possível roubar a vaga dele até a Copa?
O Gabriel Jesus é mais um ótimo talento que o futebol brasileiro revelou nos últimos anos. Chegou aqui no Manchester City com personalidade, lidou bem com a pressão de atuar em uma das ligas mais competitivas do mundo e vem correspondendo dentro de campo, tanto com a camisa do City quanto com a da seleção. É um garoto de ouro e merece todo o sucesso que vem fazendo.

Seu último título foi a Série B do Campeonato Brasileiro, sete anos atrás. E qual será o próximo? A Copa do Mundo?
Estou com boas expectativas para a minha temporada aqui no Liverpool. O clube montou um elenco forte, mantivemos a base do último ano e estamos fazendo um bom início de Premier League e Champions League. Ainda é cedo para falar em títulos, mas certamente temos objetivos na temporada e estamos trabalhando muito para alcançá-los.


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Zagueiro Gil fala em retorno ao Brasil, mas nega prioridade do Corinthians
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Rafael Reis

O zagueiro Gil passou três anos no Corinthians, foi campeão brasileiro por lá e chegou à seleção brasileira enquanto vestia o uniforme alvinegro. Mas isso não significa que o clube paulista tenha alguma prioridade em um possível repatriamento do jogador.

Com contrato com o Shandong Luneng até o fim de 2019, o hoje defensor do Shandong Luneng não esconde que deseja retornar ao futebol brasileiro depois do encerramento do seu vínculo: “Pretendo um dia voltar ao Brasil. É meu país, onde vivi grandes momentos”. Só que não acha que o líder da Série A seja seu destino quase que obrigatório.

“É óbvio que o carinho pelo Corinthians é muito grande. Tenho grandes amigos lá e, sempre que posso, procuro visitar. É sempre bom encontrar o pessoal, afinal de contas, foram três anos juntos. Procuro acompanhar também. Apesar do fuso, a gente dá um jeito de estar de olho e torcer pelos amigos. Mas não posso falar em prioridade, pois no futebol as coisas acontecem muito rapidamente”, disse o zagueiro, em entrevista realizada no início da semana passada, antes da convocação da seleção para a próxima rodada das eliminatórias da Copa-2018.

Gil foi um dos quatro jogadores corintianos que deixaram o clube logo depois da conquista do Brasileiro-2015 para atuar na China. Jadson já retornou ao Itaquerão, enquanto o zagueiro, Ralf e Renato Augusto continuam no Oriente.

“Temos um carreira curta e precisamos ter estabilidade. Mas também temos de pensar no desempenho. O Shandong pagou a multa ao Corinthians e foi algo muito bom para o clube. Um clube que fiquei por três anos, pelo qual tenho um grande carinho, onde conquistei títulos e ainda pude ajudar financeiramente. Foi um projeto bom para todos.”

O defensor já acumula mais de 60 partidas pelo Shandong, clube que também conta com Diego Tardelli e Graziano Pellé, ex-seleção italiana. O time viveu um sufoco na temporada passada e até lutou contra o rebaixamento, mas atualmente faz bela campanha e ocupa a terceira colocação da Superliga Chinesa.

Mesmo distante da elite do futebol mundial, Gil faz parte dos jogadores que estão no radar de Tite. Apesar de não ter sido convocado para as partidas contra Equador e Colômbia, o atleta de 30 anos fez parte das listas do treinador desde que chegou ao cargo, no ano passado.

“Acho que isso [preconceito] já passou e temos vários atletas jogando na China e representando suas seleções. Acho que as convocações do Tite têm respondido a quem ainda duvida. Ou alguém ainda discorda de Renato Augusto e Paulinho na seleção? Acho que não. Isso foi no começo. Hoje, não creio que alguém ainda tenha dúvidas dos que estão sendo chamados, seja da China ou de qualquer outro país.”


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Tite é o melhor do Brasil, mas está no nível dos grandes técnicos do mundo?
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Rafael Reis

Tite resgatou o bom futebol e a confiança da seleção brasileira, tirou-a de uma situação delicada nas eliminatórias e a classificou com quatro rodadas de antecedência para a Copa do Mundo. E, de quebra, a colocou na liderança do ranking da Fifa.

É preciso ser muito do contra para não concordar que Tite é o maior técnico brasileiro da atualidade. Seu trabalho no Corinthians e o sucesso instantâneo na equipe pentacampeã mundial são incontestáveis.

Mas será que o gaúcho de Caxias do Sul está no mesmo patamar dos principais técnicos do planeta? Seria Tite tão bom quanto Pep Guardiola, José Mourinho, Diego Simeone, Carlo Ancelotti, Jürgen Klopp e Antonio Conte?

Como toda comparação, essa também pode estar cheia de injustiças. Mas a discussão vale para entendermos o real tamanho de Adenor Bacchi no cenário global da bola.

Por um lado, o treinador brasileiro jamais mediu forças com nenhum dos nomes que ocupam o “Olimpo da função”. O único rival europeu de sua carreira, o Chelsea, derrotado pelo Corinthians na final do Mundial de 2012, era comandado por um bastante questionável Rafa Benítez.

Já pelo outro, Tite construiu sua carreira sem ter à disposição um elenco composto por estrelas do primeiro escalão mundial, como as que fizeram as famas de Guardiola, Mourinho e Ancelotti, por exemplo. Seu vitorioso Corinthians tinha como astro Paulinho, aquele mesmo que fracassaria mais tarde no Tottenham e hoje voltou a brilhar na seleção.

Como passou praticamente toda sua vida profissional no Brasil (teve apenas duas experiências nos Emirados Árabes), o treinador jamais experimentou a vantagem de disputar uma liga desequilibrada com um time infinitamente superior à maioria dos seus adversários.

Isso ajuda explicar porque Tite só ganhou dois títulos brasileiros (2011 e 2015, pelo Corinthians) em mais de 25 anos de carreira, enquanto Guardiola, por exemplo, faturou dois espanhóis em três anos de trabalho como treinador.

Uma característica que o comandante da seleção tem em comum com os maiores técnicos do mundo é a empatia com o elenco. Sabe aquela sensação de que os jogadores do Atlético de Madri morreriam em campo por Diego Simeone e o brilho nos olhos dos atletas do Barcelona de 2009 a 2012 ao falarem de Guardiola?

Tite também tem isso. Seu discurso centrado no “merecimento” e o jeitão de gente boa demonstrado no dia a adia contagiam os jogadores que ele dirige e faz com que eles se dediquem ao máximo para ajudá-lo dentro de campo. Essa é uma das chaves do seu sucesso.

A outra, claro, é a parte tática. O comandante da seleção está antenado a tudo aquilo de mais moderno que existe no futebol mundial: marcação pressão, defesa alta, composição de espaços, alternância entre a posse de bola e transição rápida entre ataque e defesa.

Mas, até hoje, Tite se mostrou mais um reprodutor de tendências táticas em alta internacionalmente do que alguém que revoluciona o futebol ao mostrar dentro de campo novidades que serão copiadas por outros treinadores.

É justamente essa capacidade de ditar tendências que faz (ou fez) Guardiola, Mourinho, Klopp e Simeone, por exemplo, serem tão especiais.

É lógico que a trajetória internacional de Tite está apenas começando. Se vencer a Copa ou fizer um bom papel na Rússia, o ex-comandante do Corinthians pode descolar uma proposta para trabalhar na Europa e dirigir um dos grandes clubes do mundo.

E aí sim teremos condições reais de descobrir se ele está no mesmo nível dos maiores treinadores do planeta.


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Diego Alves não quer ser “só” o goleiro que pega pênaltis e mira seleção
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Rafael Reis

“Não coloquem a fama de pegador de pênaltis acima do meu trabalho como goleiro.”

É assim que Diego Alves, 31, reage quando questionado sobre sua mais impressionante estatística.

O goleiro brasileiro do Valencia é o recordista em pênaltis defendidos da história do Campeonato Espanhol: 21. Desde que chegou ao Valencia, em 2011, pouco mais de 50% das cobranças contra ele viraram gols.

Griezmann, Cristiano Ronaldo e Messi estão entre os figurões do futebol mundial que já esbarraram nele.

“É só uma característica, não chega a ser um cartão de visitas, como as cobranças de falta são para Cristiano Ronaldo e Messi. Para se analisar um goleiro, é preciso olhar para toda a história dele, não só para uma temporada”, afirma, por telefone.

O ex-jogador do Atlético-MG, que se mudou para a Espanha há dez anos e atuou por quatro temporadas no Almería até desembarcar no Valencia, definitivamente não quer ser conhecido apenas como o “milagreiro dos pênaltis”.

Uma das razões é por saber que só esse rótulo não será suficiente para devolvê-lo às convocações da seleção.

Diego Alves não esconde de ninguém que pretende voltar a defender a meta do Brasil, como em 2012, quando foi titular no final da gestão Mano Menezes, e em dois amistosos do início da segunda passagem de Dunga, em 2014. No ano passado, foi convocado para a Copa América Centenário, mas não saiu do banco.

E ele está ciente de que há muitos torcedores que também desejam vê-lo em breve outra vez na seleção.

“Sei que minha possível convocação gera muito debate, e isso muitas vezes vem da própria imprensa. Mas essa chance depende do que eu apresentar no clube. O trabalho vem sendo feito da melhor maneira possível. Só tenho que esperar o momento certo”.

O goleiro do Valencia ainda evita críticas a Tite por dar a titularidade da meta da seleção a um arqueiro que é reserva em seu clube. Alisson só disputou 15 jogos na temporada pela Roma e ainda não saiu banco nas partidas do Campeonato Italiano.

“Essa situação depende do treinador, da confiança que ele tem ou não em um determinado jogador. E isso você precisa respeitar. É a opinião do técnico. O que costumo dizer é que, técnica e psicologicamente, estou mais preparado do que nunca”, completa.


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Será que chegou a hora de David Luiz voltar à seleção?
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Rafael Reis

Em cinco meses, David Luiz deixou para trás o rótulo de zagueiro estabanado, imaturo e pouco confiável para se tornar pilar de uma das defesas mais sólidas do futebol europeu.

Líder do Campeonato Inglês e um dos destaques da equipe dirigida por Antonio Conte: não há dúvidas de que o jogador renasceu para o futebol internacional em sua segunda passagem pelo Chelsea.

E o bom momento de David Luiz na Premier League levanta uma importante questão: chegou a hora de ele retornar para a seleção brasileira?

Titular da camisa amarelinha na última Copa do Mundo, o cabeludo foi convocado pela última vez em março do ano passado. Desde então, trocou o Paris Saint-Germain pelo Chelsea e também viu a seleção mudar de comando.

Tite conta atualmente com três zagueiros do primeiro escalão do futebol europeu: Thiago Silva e Marquinhos, ambos do PSG, e Miranda, da Inter de Milão. A quarta vaga hoje é ocupada por Gil, ex-Corinthians, que atua na China.

Para cogitarmos a possibilidade de David Luiz voltar à seleção é importante entendermos primeiramente as razões que levaram o zagueiro, uma unanimidade no país até o primeiro semestre de 2014, a se tornar perseguido por parte da torcida brasileira.

Qualidade técnica e velocidade nunca foram problema para o jogador de 29 anos. Pelo contrário, ele sempre foi bem acima da média nesses atributos em relação a outros zagueiros.

Só que essas qualidades sempre estiveram acompanhadas de um grave defeito, principalmente para um jogador de defesa: a falta de rigor tático. David Luiz nunca foi muito de limitar sua atuação às áreas pré-determinadas por seus treinadores.

Essa falha foi exposta como nunca no 7 a 1. Reveja a humilhante derrota brasileira para a Alemanha. No primeiro minuto de jogo, já é possível ver o zagueiro se aventurando na ponta direita, bem distante da posição onde deveria estar.

Mas tudo começou a mudar quando Conte cruzou seu caminho. O atual treinador do Chelsea, um gênio na montagem de sistemas defensivos, enquadrou o brasileiro e fez com que ele se tornasse um zagueiro de fato.

O esquema 3-4-3 usado pelo líder da Premier League até poderia, em tese, permitir que o cabeludo se arriscasse mais no ataque. Mas o David Luiz versão 2017 não tem mais essa ânsia de estar em todos os lugares do campo. Graças ao técnico italiano, ele amadureceu.

A capacidade técnica acima da média para um zagueiro é hoje usada no próprio campo defensivo do Chelsea, nos lançamentos longos que ele costuma fazer para seus companheiros mais ofensivos.

Sendo assim, voltamos à pergunta: chegou a hora de David Luiz voltar à seleção?

Não acho que Tite deva prescindir do melhor zagueiro brasileiro desta temporada devido a atuações não muito convincentes (algumas até catastróficas) no passado. Mas, o retorno do cabeludo não deve ser feito com alarde.

A seleção atravessa uma grande fase, e os jogadores que ajudaram a colocá-la neste rumo devem ser valorizados. Na minha opinião, David Luiz deveria sim receber uma nova oportunidade… mas apenas quando uma vaga fosse aberta naturalmente, por lesão ou suspensão de um dos defensores que vêm sendo chamados.


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Maior tabu, Brasil não bate Colômbia nas eliminatórias desde Kaká e Ronaldo
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Rafael Reis

Embalada pela vitória por 3 a 0 sobre o Equador, na estreia do técnico Tite, a seleção terá pela frente nesta terça-feira, em Manaus, um dos seus maiores tabus nas eliminatórias da Copa do Mundo.

A Colômbia é, ao lado da Bolívia, a adversária que o Brasil não derrota há mais tempo no torneio qualificatório sul-americano para o Mundial.

Nos dois casos, a última vitória brasileira aconteceu ainda no primeiro turno das eliminatórias da Copa-2006, época em que o time pentacampeão mundial ainda contava com Kaká e Ronaldo.

Os dois ex-melhores jogadores do planeta marcaram os gols da vitória por 2 a 1 sobre os colombianos, no dia 7 de setembro de 2003, em Barranquilla.

Desde então, foram três encontros entre as duas equipes nas eliminatórias. E todos terminaram com o mesmo placar: empates por 0 a 0.

Fora das eliminatórias, no entanto, os confrontos entre Brasil e Colômbia têm sido muito mais frequentes e movimentados.

Em 2014, os brasileiros bateram a equipe de James Rodríguez nas quartas de final da Copa do Mundo, mas perderam Neymar, machucado.

No ano seguinte, foi a vez de a Colômbia se dar melhor em uma partida da primeira fase da Copa América.

O encontro mais recente aconteceu há menos de um mês, entre as equipes olímpicas dos dois países. Com gols de Neymar e Luan, o Brasil venceu por 2 a 0 e avançou para as semifinais dos Jogos do Rio-2016.

Na partida válida pelas eliminatórias nesta terça, os colombianos terão os desfalques do volante Daniel Torres e do atacante Teo Gutiérrez. Já Tite poderá escalar a mesma equipe de sua estreia na seleção.

O Brasil tem 12 pontos no qualificatório e ocupa a quinta colocação, posto que o levaria para a repescagem. Com um ponto a mais, a Colômbia é a terceira e está na zona de conquista de uma das vagas da América do Sul para a Copa da Rússia-2018.


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Pela 1ª vez, jogadores negros serão maioria na final da Eurocopa
– Mês das seleções pode colocar Brasil atrás de Gales no ranking da Fifa