Blog do Rafael Reis

Arquivo : schalke 04

“Tiozão” do Schalke, ex-seleção faz sucesso como zagueiro artilheiro
Comentários Comente

Rafael Reis

Para os jogadores do Schalke 04, ele é uma espécie de “tiozão”, o cara mais velho do elenco, sempre disposto a dar conselhos para os (muitos) jogadores jovens do clube. Já para o restante do futebol alemão, um outro apelido lhe cai melhor: artilheiro.

Naldo, 35, é (e sempre foi) zagueiro. Mas possui um gosto um tanto quanto peculiar para os jogadores de sua posição: a fome de gol.

Em 12 anos disputando a Bundesliga, a primeira divisão germânica, o ex-jogador de Werder Bremen e Wolsfburg foi às redes 44 vezes.

Só na atual temporada, já foram cinco gols, mais do que qualquer outro zagueiro que disputa algum dos cinco principais campeonatos nacionais da Europa (Inglês, Espanhol, Alemão, Italiano e Francês).

No elenco do Schalke 04, apenas um jogador tem mais gols do que ele nesta edição da Bundesliga: o centroavante Guido Burgstaller, autor de nove tentos.

Mas, afinal, qual o segredo para esse sucesso todo no ataque? O 1,98 m de altura certamente ajuda, mas não faz trabalho sozinho.

“Sempre fui um zagueiro que faz muitos gols, e a maioria é de cabeça. Além da altura, é preciso ter um posicionamento bom. Em todo jogo existe uma marcação especial sobre mim, então preciso me posicionar bem e ter um bom tempo de bola. É isso, o tempo de bola é muito importante”, afirma.

Revelado pelo RS Futebol, projeto que o técnico Paulo César Carpegiani mantinha na região de Porto Alegre (RS), Naldo disputou apenas duas temporadas no Juventus antes de migrar para a Europa, em 2005.

Na terra da atual seleção campeã mundial, o zagueiro ganhou duas Copas da Alemanha (2009, com Werder Bremen, e 2015, com o Wolfsburg), foi vice de uma Copa da Uefa (2009, com o Werder), hoje Liga Europa, e se credenciou para defender a seleção brasileira.

“Joguei só quatro partidas [entre 2007 e 2009]. Na minha época, havia o Lúcio e o Juan. Mas acho que eu poderia ter tido mais oportunidades na seleção. Infelizmente, seis meses antes da Copa-2010, acabei me machucando”, relembra.

Aos 35 anos, Naldo é mais velho até que o seu atual treinador, o alemão Domenico Tedesco, 32. Mas aposentadoria é uma ideia que ainda passa longe, muito longe de sua cabeça.

“Tenho muita bola pela frente. O Zé Roberto e o Juan demonstraram bem isso. Idade só existe no documento. Tenho vínculo com o Schalke até 2019 e não acho que esse será o último contrato de minha carreira.”

Com o “tiozão” Naldo em forma na defesa e também lá no ataque, o Schalke sonha em voltar à Liga dos Campeões. A equipe de Gelsenkirchen ocupa a quinta colocação do Campeonato Alemão, mas está só um ponto atrás do vice-líder, Bayer Leverkusen.


Mais de Brasileiros pelo Mundo

– 7 brasileiros que treinaram seleções estrangeiras em Copas
– Ex-Sevilla, Mariano não tem ostracismo na Turquia e ainda sonha com Copa
– Olho neles: 5 brasileiros que jogam por seleções de base de outros países
– Lembrado por briga, zagueiro fala em volta ao Palmeiras para fazer justiça


Time de Hitler? Como clube alemão tenta apagar nazismo de sua história
Comentários Comente

Rafael Reis

Todo clube de futebol gostaria de ter como torcedor ilustre uma figura forte, decidida, reconhecida por quase 100% do planeta e que ajudaria a levar seu nome além de qualquer fronteira. Certo? Não se o torcedor em questão for Adolf Hitler.

É contra o estigma de ser conhecido como o time de um maiores genocidas do século XX que o Schalke 04 luta há mais de meio século.

Na verdade, não há nenhuma comprovação de que o pai do nazismo e líder da Alemanha entre 1933 e 1945 tenha realmente sido um admirador do time de Gelsenkirchen, décimo colocado na última edição da Bundesliga.

Mesmo assim, a conexão entre Hitler e o clube não chega a ser uma lenda urbana. Ela tem raízes históricas e, até por isso, continua sendo lembrada até hoje por torcedores adversários.

A principal dessas raízes vem do sucesso obtido pelo Schalke durante o Terceiro Reich. Seis dos sete títulos alemães da história do clube foram conquistados no período do governo nazista: 1934, 1935, 1937, 1939, 1940 e 1942.

Os bons resultados dentro de campo não passaram alheios por Joseph Goebbels, o braço-direito marqueteiro de Hitler, que tratou de usar as vitórias obtidas pelo Schalke 04 na propaganda nazista que era distribuída ao público.

Some-se a isso o fato de o Schalke 04 ter sido classificado pelo governo como um clube ariano, fundado por trabalhadores braçais e mineiros germânicos que deram seu suor pela Alemanha, ao contrário de Borussia Dortmund e Bayern de Munique, de raízes e tendências judias. Ou seja, que deviam ser combatidos…

Abraçado pelo regime dominante e vivendo uma era de sucesso dentro de campo, o time se tornou o mais popular do país durante o período nazista. E, evidentemente, muitos desses torcedores (como boa parte da população da época) eram também simpatizantes de Hitler.

Mas o ditador jamais foi um grande fã do futebol e preferia ginástica e atletismo, esportes que considerava muito mais másculos do que aquele balé de pernas correndo atrás de uma bola.

Por isso, é pouco provável que seu coração fosse azul, como fez questão de ressaltar Gerd Voss, então chefe de relações públicas do Schalke 04, em 2014, seis anos depois de o jornal britânico “Times” classificar Hitler como o pior torcedor famoso de um clube de futebol.

“Descobrimos que ele deve ter sido um torcedor de sofá, porque ele nunca foi a nenhum de nossos jogos, nem mesmo a uma decisão de campeonato ao lado da sua porta, no Estádio Olímpico em Berlim. Talvez ele estivesse muito ocupado com as suas políticas genocidas… ou talvez não fosse um torcedor de futebol”, afirmou o dirigente, em resposta ao artigo.


Mais de Clubes

– Novo rico e adeus de Buffon: 7 motivos para acompanhar o Italiano
– Disputa é pela artilharia: 7 motivos para acompanhar o Campeonato Alemão
– Sem Neymar, mas com Messi e Ronaldo: 7 motivos para acompanhar o Espanhol
– Antes de ganhar o mundo, São Paulo de Telê goleou Barça e Real Madrid


Garçom da Europa, Özil teve ex-Palmeiras como mentor e padrinho
Comentários Comente

Rafael Reis

“Teve um dia que ele chegou para treinar com o cabelo mais comprido e com mechas vermelhas. Falei para ele que era melhor cortar. No dia seguinte, apareceu com o cabelo curto e todo certinho.”

A dica para abandonar o visual ousado e considerado um tanto quanto inadequado pelos técnicos “linha dura” foi apenas um dos muitos conselhos que Mesut Özil recebeu de Lincoln.

Rei das assistências do futebol europeu nesta temporada, o alemão do Arsenal teve o ex-meia brasileiro Lincoln, com passagens por Palmeiras, Atlético-MG e Coritiba, como seu mentor e padrinho.

Eles jogaram juntos por apenas um ano no Schalke 04. Tempo suficiente para criarem uma relação de aprendiz e mestre.

Özil

Em 2006, Özil era um garoto de 17 anos em busca das primeiras oportunidades na equipe adulta quando conheceu Lincoln, nove anos mais velho e uma das principais estrelas do time alemão.

“Ele veio fazer um treino com a gente. E, no fim da sessão, eu fui conversar com o [técnico] Mirko Slomka para mantê-lo no time principal porque era um garoto de muito talento”, conta o brasileiro.

“Então, ele começou como reserva e no fim da temporada já era titular ao meu lado.”

Do garoto que pedia conselhos para Lincoln nos treinos do Schalke 04, Özil virou amigo do brasileiro.

No último domingo, por exemplo, eles conversaram por telefone. O ex-jogador brasileiro, que está aposentado há pouco mais de um ano, também visitou a concentração da Alemanha na Copa do Mundo-2014.

O antigo aprendiz de Lincoln é nesta temporada o maior garçom das principais ligas nacionais da Europa.

Özil já deu 16 passes para gol nesta edição do Campeonato Inglês. Está a quatro assistências de igualar o recorde da Premier League, estabelecido por Thierry Henry, também do Arsenal, em 2002/03.

“Isso não é nenhuma surpresa. Ele é aquele jogador como eu também era. A gente chega praticamente dentro do gol, mas não chuta. Prefere tocar para trás para um companheiro marcar.

Também é a principal esperança dos Gunners para voltar a se sagrar campeão inglês depois de 12 anos. O time de Özil é hoje o terceiro colocado, com três pontos de desvantagem para o surpreendente líder Leicester.


< Anterior | Voltar à página inicial | Próximo>