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Em 10 anos, país da Copa gasta quase R$ 1 bilhão em jogadores brasileiros
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Rafael Reis

O país-sede da próxima edição da Copa do Mundo adora um jogador brasileiro.

Só nos últimos dez anos, os clubes da primeira divisão do Campeonato Russo gastaram aproximadamente 255 milhões de euros (R$ 957 milhões, na cotação atual) com a contratação de representantes do futebol pentacampeão mundial.

Esse valor representa muito, mais de 14% do total de 1,8 bilhão de euros (R$ 6,7 bilhões) que os times do país da Copa-2018 investiram em reforços de todas as nacionalidades desde a temporada 2007/08.

Não à toa, um dois jogadores que dividem o posto de contratação cara da história da Rússia é brasileiro: o atacante Hulk, que custou 40 milhões de euros (R$ 150 milhões) ao Zenit em 2012 e foi negociado com a China quatro anos depois.

Os meia-atacantes Willian, atualmente no Chelsea, e Carlos Eduardo, hoje no Vitória, também figuram no top 10 dos maiores negócios futebolísticos já feitos no país de Vladimir Putin.

Além deles, vários outros nomes conhecidos por aqui, com passagem até pela seleção principal, já jogaram na Rússia, como o volante Rafael Carioca, os meias Alex, Giuliano e Wagner e os atacantes Jô e Diego Tardelli.

Desde 2007, o Brasil é o país estrangeiro com maior número de jogadores inscritos no Campeonato Russo, superando nações que possuem uma ligação histórica com a terra da Copa-2018, como Ucrânia, Belarus e Sérvia.

Apesar da recente saída de Giuliano, que trocou o Zenit pelo Fenerbahce, da Turquia, 14 brasileiros disputam a atual temporada.

A lista, que não inclui o goleiro Guilherme (Lokomotiv Moscou) e o lateral direito Mário Fernandes (CSKA), naturalizados russos, tem o volante Fernando (Spartak Moscou) e os atacantes Vitinho (CSKA) e Luiz Adriano (Spartak Moscou) como estrelas.

Oito dos 16 clubes da primeira divisão russa contam atualmente com algum brasileiro no elenco.

E o número de atletas do Brasil no país da próxima Copa ainda pode aumentar até o fechamento da janela de transferências, no dia 31 de agosto.

O atacante Luan, do Grêmio, está na mira do Spartak, atual campeão nacional, que aceitaria pagar até 24 milhões de euros (R$ 90 milhões) pelo jogador.

OS 10 BRASILEIROS MAIS CAROS DA HISTÓRIA DA RÚSSIA

1 – Hulk, contratado em 2012 pelo Zenit por 40 milhões de euros
2 – Willian, contratado 2013 pelo Anzhi por 35 milhões
3 – Carlos Eduardo, contratado em 2010 pelo Rubin Kazan por 20 milhões
4 – Fernando, contratado em 2016 pelo Spartak Moscou por 12,5 milhões
5 – Jucilei, contratado em 2011 pelo Anzhi por 10 milhões
6 – Vitinho, contratado em 2013 pelo CSKA por 9,5 milhões
7 – Rômulo, contratado em 2012 pelo Spartak Moscou por 8 milhões
Hernani, contratado em 2017 pelo Zenit por 8 milhões
Wanderson, contratado em 2017 pelo Krasnodar por 8 milhões
10 – Derlei, contratado em 2005 pelo Dínamo Moscou por 7,5 milhões


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Futebol estatal? No País da Copa-2018, governos ainda são donos de times
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Rafael Reis

Imagine se o governo de Minas Gerais tivesse seu próprio time profissional de futebol. E a prefeitura do Rio de Janeiro também contasse com seu clube, assim como o estado do Rio Grande do Sul.

Agora imagine essas equipes disputando o Campeonato Brasileiro e enfrentando Palmeiras, Corinthians, Flamengo, Atlético-MG e Grêmio.

Pois bem, esse cenário, totalmente distante da realidade do futebol brasileiro, é corriqueiro no país-sede da Copa do Mundo do próximo ano.

Dos 16 clubes que disputam a temporada 2017/18 do Campeonato Russo, pelo menos cinco são completamente estatais, ou seja, pertencem e são administrados por órgãos como prefeituras e governos estaduais ou por empresas de capital público.

Entre os times estatais, um dos mais conhecidos é o FC Rostov, vice-campeão em 2016 e que disputou a última edição da Liga dos Campeões da Europa. O clube pertence ao Oblast (espécie de província) de Rostov.

O Ural Yekaterinburg e o Akhmat Grozny, equipe que pertence à Chechênia, região que inclusive já tentou se separar da Rússia, em um sangrento conflito que durou quase dez anos, possuem estruturas administrativas semelhantes.

Já o Lokomotiv Moscou, duas vezes campeão russo (2002 e 2004) e que conta com os brasileiros Guilherme e Ari no elenco, é um pouco diferente. O clube é administrado não por um Oblast ou por uma prefeitura, mas sim por uma empresa pública.

O dono do time é a Russian Railways, uma companhia ferroviária estatal que possui monopólio dentro do território russo e pertence ao governo de Vladimir Putin.

Assim como o Lokomotiv, o Arsenal Tula também é gerido por uma empresa de capital público, a Rostec, uma companhia especializada em produtos de alta tecnologia para os setores civil e militar.

Outros dois clubes da primeira divisão, o FC Ufa e o estreante SKA-Khabarovsk, são frutos de parcerias entre o poder público e a iniciativa privada.

A existência de tantos clubes estatais na Rússia ainda é um resquício da União Soviética. Durante o regime socialista, oficialmente encerrado em 1991, todos os times de futebol do país (assim como empresas ou qualquer tipo de associações) pertenciam ao governo.

Depois da dissolução da URSS e da queda do comunismo, alguns dos clubes das regiões mais ricas da Rússia, como CSKA Moscou, Spartak Moscou e Zenit São Petesburgo, acabaram privatizados e foram parar nas mãos de magnatas locais.

Outros, principalmente os de áreas mais distantes da capital Moscou, continuaram nas mãos dos governos regionais, e, mesmo sem o mesmo potencial de investimento dos times privados, mantém vivo o fenômeno típico da época do Campeonato Soviético.


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“Novo Ronaldinho” enfrentou olhares e toques por ser negro no País da Copa
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Rafael Reis

Rússia, 2006. Em uma época em que os jogadores negros ainda eram raridade no país que vai sediar a próxima edição da Copa do Mundo, o Lokomotiv Moscou pagou 5 milhões de euros (R$ 18,4 milhões, na conversão atual), uma fortuna na época, por um garoto brasileiro de 17 anos, de pele escura e longos cabelos encaracolados, apontado como “Ronaldinho mais jovem”.

O resultado? O próprio Celsinho conta: “Eu era uma figura diferente da que eles estavam acostumados e despertava a curiosidade de todo mundo. Onde eu ia, eles queriam tocar na minha pele, passar a mão no meu cabelo”.

Ex-promessa da Portuguesa que estourou há pouco mais de uma década, o hoje camisa 10 do Londrina viveu por um ano na Rússia.

E, apesar de não considerar a cena descrita acima como um caso de racismo, mas apenas como uma curiosidade humana perante o novo, admite que o preconceito racial era e continua sendo um problema para o país que irá receber em junho do próximo ano os melhores jogadores do mundo.

“Nunca tive nenhum tipo de problema do tipo, todo mundo sempre me tratou muito bem por lá. Mas é claro que pensamos muito na questão do racismo quando recebemos a proposta da Rússia.  E lá me avisaram que era melhor eu não sair de casa no dia do aniversário de Hitler”, relembra.

O racismo é um dos problemas que mais preocupam a Fifa na organização da Copa-2018. Apesar de recheado de atletas estrangeiros, muitos deles de origem africana, o futebol russo é palco sistematicamente de manifestações de preconceito racial.

No mês passado, o goleiro Guilherme, que nasceu no Brasil, naturalizou-se russo e hoje defende a seleção local, foi chamado de macaco por torcedores do Spartak Moscou durante a final da Copa da Rússia.

Já o atacante Hulk perdeu as contas do número de vezes que ouviu manifestações racistas vindas das arquibancadas durante as quatro temporadas em que vestiu a camisa do Zenit São Petesburgo.

Celsinho não ficou tanto tempo assim no país da próxima Copa. Um ano depois de chegar, foi negociado com o Sporting e se mudou para Portugal. Dos tempos de Rússia, guarda memórias bem mais positivas do que negativas. E um espanto.

“Na época em que cheguei na Rússia, eles já haviam evoluído muito, mas ainda tinham um pouco daquela mentalidade da União Soviética. Era um absurdo ver o comportamento de um homem quando estava tentando conquistar uma mulher. Você achava que ele estava discutindo com ela e que iria agredi-la. Por isso, quando você conversava educadamente com alguma mulher de lá, ela ficava encantada.”

O Blog do Rafael Reis publica às quintas-feiras a seção ”País da Copa”, que conta as histórias do futebol da Rússia e de jogadores brasileiros que passaram por lá.


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Entenda por que esta pode ser a última Copa das Confederações da história
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Rafael Reis

A décima edição da Copa das Confederações, que começa neste sábado, na Rússia, pode ser a última da história da competição jogada quadrienalmente pelas seleções campeãs de cada continente.

A Fifa anda descontente com os rumos comerciais e técnicos do torneio. Por isso, desde o segundo semestre do ano passado, vem discutindo internamente a possibilidade de extinguir a disputa.

O principal motivo, claro, é de ordem econômica.

A Copa das Confederações está longe de ser um sucesso do ponto de vista comercial. De acordo com o comitê organizador russo, só 70% dos ingressos para competição já foram vendidos. E não há nenhuma garantia de que esses números não estejam inflacionados.

Além disso, a Fifa tem sofrido para conseguir patrocinadores para o evento. A entidade vendeu apenas quatro cotas da competição: Budweiser, McDonalds, Hisense e Vivo.

Os direitos de transmissão do torneio, outra importante fonte de renda da Fifa, também encalharam. Para se ter uma ideia, o acordo para exibição televisiva das partidas na Rússia, o país-anfitrião do campeonato, só foi anunciado no último domingo, seis dias antes do pontapé inicial.

Para piorar, a Copa das Confederações tem perdido aquela aura de aquecimento para a Copa do Mundo que justifica sua existência.

Atual campeã mundial, a Alemanha decidiu levar ao torneio uma espécie de seleção B, formada por jovens jogadores. Na cabeça do técnico Joachim Löw, é mais importante descansar seus principais astros para a temporada que vai culminar Mundial que experimentá-los nos campos russos.

E, para completar, a próxima edição da competição traria um desafio que a Fifa não parece muito disposta a resolver.

Se quiser realizar a Copa das Confederações no Qatar, em novembro ou dezembro de 2021, a entidade terá de mexer ainda mais nos calendários das competições nacionais europeias, que já serão alterados em 2022 em virtude de um Mundial disputado fora do seu período tradicional, o verão europeu.

É por isso que tudo conspira para o fim da Copa das Confederações. Ou, pelo menos, para uma mudança radical na estrutura do torneio depois da Rússia-2017.

A competição é disputada regularmente desde 1992, quando foi criada pela Arábia Saudita para homenagear o Rei Fahd. Em 1997, a Fifa assumiu a organização do torneio e lhe deu seu nome atual.

O Brasil é o maior vencedor da história da Copa das Confederações, com quatro títulos. Pela primeira vez desde 1995, a seleção pentacampeã mundial não disputa o torneio.


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Após rejeitar seleção, ex-gremista faz “estágio” para ir à Copa pela Rússia
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Rafael Reis

O lateral direito Mário Fernandes, 25, que cinco anos atrás foi pivô de uma polêmica ao recusar convocação para defender a seleção, acredita que irá disputar a próxima Copa do Mundo. Mas não pelo Brasil.

O ex-jogador do Grêmio, que atua no CSKA Moscou desde 2012, recebeu em julho a cidadania russa e pretende participar do Mundial de 2018 pela seleção anfitriã.

Sem poder jogar pela Rússia até o meio de 2017, quando completará cinco anos de residência no país e terá sua troca de nacionalidade aprovada pela Fifa, o lateral já iniciou uma espécie de “estágio” em sua futura seleção.

“Na última Data Fifa [amistosos contra Turquia e Gana], ele foi almoçar com o grupo, mas ainda não treinou. Nas próximas convocações, deve começar a treinar com a seleção para ir conhecendo os jogadores”, disse o empresário Jorge Machado, que agencia a carreira de Mário Fernandes.

A Rússia não tem pressa para contar com o lateral brasileiro e pode submetê-lo a um logo e completo período de adaptação ao time.

Por ser país-sede da Copa do Mundo, ela não disputas as eliminatórias. Seu próximo compromisso oficial será em junho do próximo ano, quando será disputada a Copa das Confederações.

Na última Eurocopa, os russos contaram com dois jogadores recém-naturalizados: o goleiro brasileiro Guilherme, do Lokomotiv Moscou, e o volante alemão Roman Neustädter, agora do Fenerbahce.

A reportagem tentou contato com Mário Fernandes, mas ouviu de seu agente que o lateral não é muito chegado em falar com a imprensa porque as “entrevistas sempre são muito pejorativas e prejudiciais para ele”.

O ex-gremista foi convocado por Mano Menezes para disputar o Superclássico das Américas de 2011, contra a Argentina, mas não se apresentou à seleção alegando que ele não tinha condições psicológicas de jogar pelo Brasil devido a problemas pessoais que enfrentava na época.

Em 2014, recebeu uma nova chance e chegou a participar normalmente de um amistoso contra o Japão, em Cingapura. Como ele não atuou em nenhuma partida de competição pelo Brasil, ainda está apto a jogar pela Rússia.

E, de acordo com Jorge Machado, é isso que Mário Fernandes quer. Vê-lo com a camisa da seleção do país de Vladimir Putin é apenas uma questão de tempo. E de adaptação.


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Salário atrasado e trocas de técnico: até parece que Xandão joga no Brasil
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Rafael Reis

O zagueiro Xandão, 28, deixou o São Paulo para se aventurar na Europa em 2012. Mas quatro anos depois da mudança para o exterior, ele ainda sente como se estivesse jogando no Brasil.

É que salários atrasados e trocas repentinas de técnicos, características tradicionais do futebol pentacampeão mundial, também fazem parte do Kuban Krasnodar, time que ocupa a 13ª colocação e luta contra o rebaixamento no Campeonato Russo.

“Meu clube é bem abrasileirado mesmo. Para você ter uma ideia, estou com três meses de salário atrasado. Saio do Brasil para viver uma situação melhor e encontro a mesma coisa por aqui”, conta.

Já são três anos no Kuban, tempo em que o zagueiro foi dirigido por sete técnicos diferentes.

“Isso não existe em nenhum lugar da Rússia e nem na Europa, mas é a cultura do clube. A gente teve um treinador [Viktor Goncharenko, hoje no CSKA] que foi demitido quando estávamos em terceiro no campeonato e só com uma derrota em 13 partidas. Ele perdeu o emprego depois de uma vitória. Eu nunca tinha visto isso.”

Infelizmente para Xandão, o comportamento do seu clube é a única coisa na Rússia que lhe lembra o Brasil. O zagueiro sente falta de sua terra e mesmo de Portugal –jogou por um ano no Sporting logo depois de sair do São Paulo.

“Tive um choque de realidade aqui. A diferença na qualidade de vida é muito grande se comparado a São Paulo e Lisboa. Aqui tudo parece mais velho, da época da União Soviética. Tem também o clima, é frio demais, e a língua.”

Mas, pelo menos em relação ao idioma, Xandão admite que o culpado pelas dificuldades foi ele.

“Nas primeiras três temporadas aqui, eu tinha tradutor no clube, então acabei me acomodando. Falo só um pouquinho de russo, o suficiente para me virar no hotel, no aeroporto, nos restaurantes. Mas eu devia ter estudado mais.”

Outro ponto que dificultou o relacionamento entre o zagueiro e o país-sede da Copa do Mundo-2018 foi o conflito bélico na Crimeia, região no leste da Ucrânia, no qual os russos estão envolvidos desde 2014.

“Teve uma época que bateu um certo desespero porque Krasnodar está perto da Ucrânia. Tem uma base militar que fica de frente para o nosso centro de treinamentos. Então, a gente vê aviões pousando, paraquedistas saltando. É meio complicado.”

Com contrato com o Kuban apenas até junho e livre para assinar um pré-acordo com outro clube, Xandão até admite esticar um pouco sua permanência na Rússia. Mas essa não é a sua prioridade para o futuro.

“Queria voltar para o centro da Europa, jogar na Espanha ou na Itália, ou mesmo voltar para o Brasil. Já recebi algumas sondagens daí e não descarto um retorno já no segundo semestre”, completa.


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A China não é a 1ª. Conheça outros mercados que fizeram a limpa no Brasil
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Rafael Reis

Ralf, Renato Augusto e Jadson, alguns dos pilares do Corinthians na conquista do título brasileiro, irão jogar na China em 2016. Assim como Paulinho, Ricardo Goulart e Diego Tardelli, todos com passagem recente pela seleção.

Impulsionado por um projeto de popularização do futebol, o país mais populoso do mundo se tornou o eldorado para os jogadores brasileiros. Paga altos salários e está disposto a investir em todo mundo que começa a se destacar.

Mas a China não é o primeiro mercado alternativo a provocar esse rebuliço no futebol pentacampeão mundial.

De tempos em tempos, surge um país da periferia da bola investindo pesado em jogadores brasileiros e fazendo a limpa nos clubes daqui.

Vamos agora relembrar alguns desses mercados que anteciparam o que a China tem feito:

JAPÃO
Quando: primeira metade da década de 1990
Quem: Zico, Bismarck, Zinho, Dunga e César Sampaio

Dunga

Criada em 1993, a liga profissional japonesa de futebol, a J. League, teve como primeiro garoto-propaganda Zico, que já estava no país há dois anos. O sucesso do Galinho no Oriente fez os clubes japoneses adotarem o Brasil como principal mercado fornecedor de jogadores. Prova disso é que a seleção que foi tetracampeã mundial em 1994 tinha um atleta que atuava no Japão: o zagueiro Ronaldão, então no Shimizu S-Pulse.

UCRÂNIA
Quando: entre a segunda metade da década de 2000 e o início da década de 2010
Quem: Bernard, Douglas Costa, Kleber, Jadson, Fernandinho, Willian, Elano e Alex Teixeira

Até pouco tempo, era só pintar um menino promissor no futebol brasileiro que o Shakhtar Donetsk já aparecia como candidato a levá-lo para a Europa. O clube, que chegou a ter 13 brasileiros no elenco ao mesmo tempo, transformou a Ucrânia em um dos mercados mais férteis para o futebol daqui e influenciou o Dínamo Kiev e o Metalist Kharkiv. A farra acabou quando parte da Ucrânia, justamente a região onde fica Donetsk, entrou em guerra civil, dois anos atrás.

RÚSSIA
Quando: entre a segunda metade da década de 2000 e o início da década de 2010
Quem: Vágner Love, Hulk, Jucilei, Jô, Alex e Mário Fernandes

Vagner Love

Viveu um boom meio que simultâneo ao da vizinha Ucrânia, quando os magnatas que enriqueceram com a dissolução da União Soviética e a implantação do capitalismo na Rússia, como Roman Abramovich, dono do Chelsea, passaram a investir em futebol. Além do conflito bélico na Ucrânia, o mercado enfraqueceu nos últimos anos devido às quedas no preço do petróleo e de outras commodities exportadas pelos russos.

MUNDO ÁRABE
Quando: Desde a segunda metade da década 2000
Quem: Everton Ribeiro, Ricardo Oliveira, Rafael Sóbis, Thiago Neves, Roger e Giovanni

O que convencionamos chamar aqui no Brasil de Mundo Árabe trata-se basicamente de dois países que realmente investem em estrelas brasileiras, os Emirados Árabes Unidos e o Qatar.  Recheados de petrodólares, seus clubes buscam grandes jogadores daqui há pelo menos uma década. De acordo com Marcos Motta, advogado especialista em transferências internacionais, esse mercado é mais constante que os outros citados na matéria, que tiveram um boom específico. Por outro lado, os valores pagos pelas transferências são menores que em outros centros periféricos de destaque.


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