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Envelhecida, Rússia recebe a Copa com seleção “soviética”
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Rafael Reis

O zagueiro Sergei Ignashevich tinha 12 anos, estava completamente alfabetizado e já possuia alguma noção de política quando o país onde nasceu e viveu durante toda a infância chegou ao fim.

Assim como o veterano defensor do CSKA Moscou, outros 16 jogadores da seleção anfitriã da Copa do Mundo-2018 não foram registrados como russos quando vieram ao mundo.

Todos eles, com exceção do lateral direito Mário Fernandes, brasileiro de nascimento e naturalizado há apenas dois anos, são remanescentes da antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).

Apesar de a antiga potência dos tempos de Guerra Fria ter sido dissolvida oficialmente há quase 27 anos, no dia 25 de dezembro de 1991, para dar lugar a 15 países independentes, os soviéticos ainda são maioria na seleção que abre a Copa contra a Arábia Saudita, nesta quinta-feira, no estádio Luzhniki, em Moscou.

Prova de como o técnico Stanislav Cherchesov falhou na missão de levar à Copa um grupo rejuvenescido, cheio de gente nova e alheio às marcas dos insucessos recentes do país –parou na fase de grupos do Mundial-2014 e nas Euros-2012 e 2016.

No lugar de renovação, a Rússia chegou a 2018 com os mesmos envelhecidos rostos de sempre. Ignashevich já tem 38 anos. Aleksandr Samedov, 33. O goleiro Igor Akinfeev, 32. E há ainda os trintões Vladimir Gabulov. Fyodor Kudryashov e Vladimir Granat.

As caras realmente novas são poucas e podem ser contadas nos dedos das mãos. O meia Aleksandr Golovin, 22, maior revelação do CSKA nos últimos tempos, e os irmãos gêmeos Anton e Aleksei Miranchuk, 22, campeões nacionais pelo Lokomotiv Moscou nesta temporada.

O trio faz parte do pequeno grupo de jogadores da seleção anfitriã que são genuinamente russos. Para eles, URSS, comunismo e Guerra Fria contra os EUA foram apenas conteúdo das aulas de história e lembranças de infância dos companheiros de time.

Além de Rússia e Arábia Saudita, Egito e Uruguai também fazem parte do Grupo A da Copa do Mundo. A competição começa nesta quinta e terá a final disputada no dia 15 de julho, novamente em Moscou.


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Como políticas de Putin minaram chances da Rússia na Copa-2018
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Rafael Reis

Apenas uma vitória nos últimos dez jogos disputados, uma vergonhosa 70ª colocação no ranking da Fifa e a nada empolgante sensação de que já estará no lucro caso consiga sobreviver à primeira fase.

Definitivamente, não é assim que o torcedor russo imaginava que sua seleção chegaria à Copa do Mundo-2018 quando descobriu que seu país seria anfitrião da competição.

Oito anos atrás, quando a Fifa anunciou as sedes dos torneios de 2018 e 2022, os planos da Rússia eram ousados. Conquistar o título inédito podia ser mais um sonho que um objetivo. Mas alcançar as semifinais era tratado como uma meta bastante alcançável.

A promessa do presidente Vladimir Putin é de que haveria dinheiro de sobre para o desenvolvimento da seleção. E isso incluía a contratação de um técnico de primeiro escalão (o italiano Fabio Capello) e o fortalecimento da liga local com reforços de alto nível que ajudariam na evolução dos atletas russos.

Mas, então, o que deu errado? Por que a Rússia abre a Copa-2018 nesta quinta-feira, contra a Arábia Saudita, em Moscou, temendo protagonizar um vexame histórico?

A resposta é: faltou dinheiro. A diminuição nos preços do petróleo e do gás natural, produtos essenciais de exportação para a balança comercial russa, e a posição geopolítica agressiva adotada por Putin deixaram o país sem grana suficiente para investir no projeto da seleção.

De acordo com dados da Sipri, uma agência sueca especializada em segurança global, o governo russo ampliou em 87% os gastos militares na última década. Além disso, envolveu-se em pelo menos dois conflitos armados: a Crise da Crimeia, contra a Ucrânia, em 2014, e a luta na Síria.

O conflito com o país vizinho, o apoio ao presidente sírio, Bashar al Assad, e algumas outras intervenções geopolíticas polêmicas, como a influência nas eleições norte-americanas que elegeram Donald Trump e a acusação de envenenamento de um ex-espião que vivia na Inglaterra, fizeram a Rússia sofrer uma série de sanções econômicas do Ocidente.

E quem acabou pagando a conta do crescimento nos gastos militares e da redução do comércio russo com o exterior (que atinge não só o governo, mas também os empresários) foi o futebol.

Para começar, faltou dinheiro para bancar Capello. O treinador italiano, ex-Milan, Juventus e Real Madrid, deixou o cargo em 2015. Seu substituto, Stanislav Cherchesov, ganha o equivalente a 27% do salário do antecessor.

Além disso, as contratações que ampliariam o nível do futebol russo ficaram bem aquém do esperado. Basta olhar as convocações da Copa-2018. O único jogador de uma seleção de primeiro escalão que atua na Rússia é o meia português Manuel Fernandes, do Lokomotiv Moscou.

Os resultados internacionais dos clubes do país anfitrião do Mundial também não são nada animadores. Nos últimos cinco anos, só o Zenit São Petersburgo conseguiu passar pela fase de grupos da Champions e, nas duas oportunidades, caiu já nas oitavas de final.

Os recentes insucessos da seleção russa e a falta de esperança com uma boa campanha na Copa-2018 são apenas o reflexo desse cenário de promessas não cumpridas e ambição geopolítica.


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4 seleções que saem em alta dos amistosos de março, e 3 que temem pela Copa
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Rafael Reis

Confrontos entre grandes seleções, goleadas históricas, resultados surpreendentes. Quem queria um bom preview da Copa do Mundo-2018 teve uma semana cheia de futebol para apreciar e avaliar.

Os amistosos de março consolidaram alguns favoritos, mostraram que umas seleções estão mais fortes do que se imaginava e que outros times, inclusive alguns dos mais tradicionais do planeta, correm risco de passar vergonha na Rússia.

Apresentam abaixo quatro seleções que saem em alta da última Data Fifa antes da divulgação dos convocados para a Copa. E três países que têm motivos de sobra para ficarem preocupados com a sua equipe nacional

EM ALTA

Espanha
1 x 1 Alemanha
6 x 1 Argentina

A grande vencedora desta Data Fifa. Primeiro, empatou com a Alemanha, atual campeã mundial, em um jogo de altíssimo nível técnico e tático. Depois, aplicou uma inesquecível goleada sobre a Argentina. Os resultados fizeram o time de Julen Lopetegui subir alguns degraus na escala de favoritos da Copa-2018. A Espanha sai dos amistosos de março como a seleção a ser batida.

Suíça
1 x 0 Grécia
6 x 0 Panamá

A primeira adversária do Brasil na Copa-2018 optou por não enfrentar nenhuma seleção de primeiro escalão nos amistosos deste mês. Mesmo assim, as vitórias sobre Grécia e Panamá, foram expressivas. Os suíços mostraram a solidez defensiva tradicional e não foram vazados. Mas, mais do que isso, conseguiram marcar sete vezes em dois jogos. Prova que seu ataque também funciona.

Uruguai
2 x 0 República Tcheca
1 x 0 País de Gales

O título da China Cup nem é o principal motivo para o Uruguai sair desta Data Fifa cheio de esperanças. O que realmente empolga o técnico Óscar Tabárez é a percepção de que o trabalho de renovação da equipe está dando certo. Garotos como Rodrigo Bentancur, Nahitan Nández e Lucas Torreira estão cada vez mais integrados à seleção e prometem dar aos uruguaios sangue novo para o Mundial.

Peru
2 x 0 Croácia
3 x 1 Islândia

De volta a uma Copa do Mundo depois de 26 anos, o Peru mostrou força para ir além do papel de simples coadjuvante na Rússia-2018 que parecia destinado a ele. Ainda sem seu principal jogador, o atacante Paolo Guerrero, o time sul-americano desbancou a Croácia, de Luka Modric, Ivan Rakitic e Mario Mandzukic, e também superou a Islândia, sensação da última Eurocopa.

EM BAIXA

Argentina
2 x 0 Itália
1 x 6 Espanha

A vitória sobre a Itália deu ao torcedor argentino a falsa ilusão de que há vida sem Lionel Messi, que estava machucado. Mas a goleada por 6 a 1 sofrida contra a Espanha foi um choque de realidade suficientemente forte para destruir qualquer esperança. A Argentina será melhor quando tiver o craque do Barcelona em campo. Mas só Messi será suficiente para evitar um vexame na Copa?

Portugal
2 x 1 Egito
0 x 3 Holanda

Levar 6 a 1 de uma das melhores seleções do planeta é feio. Mas, tomar 3 a 0 de um time que nem conseguiu se classificar para a Copa não fica muito atrás. Contra a Holanda, Portugal mostrou que está longe de ser uma equipe confiável. É verdade que Fernando Santos escalou vários reservas no fatídico amistoso. No entanto, Cristiano Ronaldo estava em campo. E ele é 50% da seleção portuguesa.

Rússia
0 x 3 Brasil
1 x 3 França

O sonho do torcedor russo é que sua equipe faça um papel digno na Copa. Mas está cada vez mais difícil acreditar na seleção anfitriã. O time é fraco, carece de talento individual e não dá mostras de evolução no jogo coletivo. Poderia ter sido goleado por Brasil e França. Sofrer seis gols nos amistosos de março ficou barato pela bolinha jogada pela Rússia.


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Climão? Artilheiro de rival do Brasil foi casado com embaixadora da Copa
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Rafael Reis

Principal homem de ataque da seleção da Rússia, adversária do Brasil em amistoso nesta sexta-feira, o atacante Fedor Smolov, 28, do Krasnodar, tem evitado participar dos eventos que promovem a Copa do Mundo em seu país.

O motivo é sua ex-mulher.

Smolov foi casado durante dois anos com a modelo, atriz apresentadora de TV e Miss Rússia 2003, Victoria Lopyreva, a embaixadora oficial do Mundial-2018.

A russa tem viajado por todo o planeta para promover a competição que será realizada pela primeira vez em sua terra-natal. Além disso, também é figurinha carimbada nos eventos do torneio dentro do território russo.

Lopyreva está envolvida com o futebol desde 2007, quando estreou como apresentadora de um programa esportivo. Em 2012, ela começou a namorar Smolov, então jogador do Dínamo de Moscou. Eles se casaram no ano seguinte, e o relacionamento durou até 2015.

O casamento entre o atacante da seleção russa e a embaixadora da Copa-2018 terminou com algumas trocas de farpas públicas.

A modelo publicou em sua conta no Instagram que o relacionamento chegou ao fim porque Smolov “estava mais interessado em redes sociais e belos carros” do que em manter o casamento.

A mãe do atacante rebateu a declaração da ex-nora e disse que Lopyreva, por ter uma carreira de sucesso, participava de muitos eventos profissionais e não tinha tempo suficiente para se dedicar ao marido, que “gosta de ficar em casa e de atenção”.

Agora solteiro, Smolov vive a melhor fase de sua carreira. O atacante foi o artilheiro das duas últimas edições do Campeonato Russo e também ocupa o topo da tabela dos goleadores nesta temporada, com 12 gols em 16 partidas.

Principal esperança de bolas na rede da seleção anfitriã da Copa-2018, o camisa 10 do Krasnodar é o jogador convocado pelo técnico Stanislav Cherchesov para os amistosos contra Brasil e França que mais gols já marcou pela seleção: 11 em 28 apresentações.

Cabeça de chave do Grupo A, a Rússia estreia no Mundial contra a Arábia Saudita, no dia 14 de junho, em Moscou. Egito e Uruguai são os outros adversários da primeira fase.


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Falta de dinheiro minou plano megalomaníaco do País da Copa para 2018
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Rafael Reis

Sete anos atrás, quando foi anunciada como sede da Copa do Mundo, a Rússia acreditava que poderia arrasar em 2018. A conquista do título inédito, ou ao menos uma campanha histórica, não era considerado um sonho, mas sim um objetivo alcançável.

O plano era simples: investir pesado em um técnico de elite, no fortalecimento da liga nacional e em amistosos de primeiro escalão para fazer com que os russos chegassem ao Mundial em igualdade de forças com as seleções mais poderosas do planeta.

Só que, faltando menos de um ano para o pontapé inicial da Copa-2018, pensar em título virou um delírio para o time anfitrião, eliminado ainda na fase de grupos da última Eurocopa e da Copa das Confederações.

A meta agora é bem menos ambiciosa: simplesmente não passar vergonha dentro de casa. E o motivo é um velho conhecido brasileiro.

A queda nos preços do petróleo e do gás natural, produtos de exportação essenciais para a balança comercial da Rússia, e o crescente investimento do presidente Vladimir Putin no Exército e em ações militares deixaram o país sem dinheiro para gastar com o futebol.

Resultado: nenhum dos pilares sobre os quais os russos pretendiam construir uma seleção capaz de se sagrar campeã mundial conseguiu permanecer em pé.

Para começar, Stanislav Cherchesov, o atual comandante da equipe anfitriã da Copa-2018, está longe de ser um treinador do primeiro escalão mundial. Ex-Dínamo de Moscou, Spartak e Légia Varsóvia, ele tem como título mais importante de sua carreira o Campeonato Polonês de 2016.

Mas Cherchesov é o técnico que a Rússia pode pagar. Ele recebe 2 milhões de euros (R$ 7,6 milhões) anuais, menos de um terço do salário de 7,3 milhões de euros (R$ 27,8 milhões) que Fabio Capello recebia durante sua passagem pela seleção.

No período em que dirigiu a equipe russa, o treinador italiano (ex-Milan, Real Madrid e Juventus, entre outros) chegou a ser o mais bem pago do mundo. Só que o dinheiro acabou, seus salários começaram a atrasar e ele teve seu contrato rescindido em 2015.

O encolhimento da economia russa também impediu o fortalecimento do campeonato nacional e, consequentemente, o desenvolvimento dos jogadores que podem ser convocados para o Mundial do próximo ano.

Em duas das três últimas temporadas, os clubes da primeira divisão russa ganharam mais dinheiro com venda de jogadores do que gastaram com a chegada de reforços. O valor investido em contratações encolheu de 322,8 milhões de euros (R$ 1,2 bilhão), em 2013, para pouco mais de 104 milhões de euros (R$ 396 milhões), na atual temporada.

Por fim, a Rússia não tem conseguido medir forças com as melhores seleções do mundo. Como não disputa as eliminatórias, o país-sede da Copa depende exclusivamente de amistosos para testar seu nível atual.

Só que jogar contra Alemanha, Brasil, Espanha, França e os outros times de primeiro escalão requer o pagamento de cachês generosos, o que os russos não estão dispostos a fazer neste momento.

A consequência disso são amistosos menos interessantes do ponto de vista técnico, como o encontro com a Hungria, em junho, ou a partida contra a Costa do Marfim, em março. Nesta Data Fifa, o único teste será contra o Dínamo Moscou, atual campeão da segunda divisão russa.


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Para evitar fracasso em 2018, País da Copa “fabrica” jogadores russos
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Rafael Reis

Para tentar evitar um fiasco na Copa do Mundo-2018, a seleção anfitriã da competição está “fabricando” novos jogadores russos.

Com o intuito de montar uma equipe que consiga ser competitiva no torneio do próximo ano, a Rússia tem aderido à naturalização de estrangeiros e ao resgaste de atletas que até possuem raízes russas, mas que sempre defenderam outras camisas.

Desde o segundo semestre de 2014, quando o plano de preparação para a Copa-2018 começou a ser colocado em prática, quatro desses novos russos foram convocados para a seleção.

Dois deles, inclusive, são nascidos no Brasil.

O goleiro Guilherme, ex-Atlético-PR, que defende o Lokomotiv Moscou desde 2007, disputou a última Eurocopa e a Copa das Confederações. Já o lateral direito Mário Fernandes, do CSKA Moscou, que chegou no passado a jogar amistosos pela seleção brasileira, foi chamado para uma sessão de treinos na próxima semana.

Ao lado do ex-jogador do Grêmio, estarão outros dois russos “recém-fabricados”: o zagueiro Roman Neustädter (Fenerbahce) e o lateral esquerdo Konstantin Rausch (Hannover). Ambos cresceram na Alemanha e atuaram pelas seleções germânicas de base até receberem o convite da Rússia.

Neustädter, que também esteve na Euo-2016, nasceu na antiga União Soviética, mas em território que hoje pertence à Ucrânia e pode defender a seleção russa devido à sua família paterna. Rausch, por outro lado, é nativo da Rússia, mas deixou o país quando tinha apenas cinco anos e optou inicialmente pela cidadania alemã no mundo da bola.

Além dos quatro jogadores que já fazem parte do elenco do técnico Stanislav Cherchesov, pelo menos outros três estrangeiros, dois deles brasileiros, estão sendo observados e podem ganhar uma chance até a Copa do Mundo.

O meia-atacante Joãozinho (Krasnodar), que vive na Rússia desde 2011 e já está apto a defender a seleção, e o centroavante Ari, do Lokomotiv Moscou, que ainda aguarda seu passaporte russo, já admitiram interesse em defender a nova pátria no Mundial.

Além deles, o meia Edgar Prib, capitão do Hannover 96, mais um caso de russo de nascimento que emigrou para Alemanha no começo da infância, pode pintar na seleção anfitriã da Copa.

A preocupação da Rússia em garimpar novos jogadores para o Mundial é justificada pelos resultados ruins que a equipe tem obtido na fase de preparação para 2018.

Os russos pararam ainda na fase de grupos na Copa das Confederações, não venceram sequer uma partida na última Eurocopa e só ganharam dois dos últimos sete amistosos que disputaram.

O medo da Rússia é repetir o fracasso vivido pela África do Sul. Em 2010, a seleção anfitriã da Copa passou vergonha ao se despedir do Mundial que organizou na primeira fase –ficou na terceira colocação em um grupo que tinha Uruguai, México e França.

É para não ser uma nova África do Sul que o time da casa em 2018 decidiu “fabricar” seus próprios russos.


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Em 10 anos, país da Copa gasta quase R$ 1 bilhão em jogadores brasileiros
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Rafael Reis

O país-sede da próxima edição da Copa do Mundo adora um jogador brasileiro.

Só nos últimos dez anos, os clubes da primeira divisão do Campeonato Russo gastaram aproximadamente 255 milhões de euros (R$ 957 milhões, na cotação atual) com a contratação de representantes do futebol pentacampeão mundial.

Esse valor representa muito, mais de 14% do total de 1,8 bilhão de euros (R$ 6,7 bilhões) que os times do país da Copa-2018 investiram em reforços de todas as nacionalidades desde a temporada 2007/08.

Não à toa, um dois jogadores que dividem o posto de contratação cara da história da Rússia é brasileiro: o atacante Hulk, que custou 40 milhões de euros (R$ 150 milhões) ao Zenit em 2012 e foi negociado com a China quatro anos depois.

Os meia-atacantes Willian, atualmente no Chelsea, e Carlos Eduardo, hoje no Vitória, também figuram no top 10 dos maiores negócios futebolísticos já feitos no país de Vladimir Putin.

Além deles, vários outros nomes conhecidos por aqui, com passagem até pela seleção principal, já jogaram na Rússia, como o volante Rafael Carioca, os meias Alex, Giuliano e Wagner e os atacantes Jô e Diego Tardelli.

Desde 2007, o Brasil é o país estrangeiro com maior número de jogadores inscritos no Campeonato Russo, superando nações que possuem uma ligação histórica com a terra da Copa-2018, como Ucrânia, Belarus e Sérvia.

Apesar da recente saída de Giuliano, que trocou o Zenit pelo Fenerbahce, da Turquia, 14 brasileiros disputam a atual temporada.

A lista, que não inclui o goleiro Guilherme (Lokomotiv Moscou) e o lateral direito Mário Fernandes (CSKA), naturalizados russos, tem o volante Fernando (Spartak Moscou) e os atacantes Vitinho (CSKA) e Luiz Adriano (Spartak Moscou) como estrelas.

Oito dos 16 clubes da primeira divisão russa contam atualmente com algum brasileiro no elenco.

E o número de atletas do Brasil no país da próxima Copa ainda pode aumentar até o fechamento da janela de transferências, no dia 31 de agosto.

O atacante Luan, do Grêmio, está na mira do Spartak, atual campeão nacional, que aceitaria pagar até 24 milhões de euros (R$ 90 milhões) pelo jogador.

OS 10 BRASILEIROS MAIS CAROS DA HISTÓRIA DA RÚSSIA

1 – Hulk, contratado em 2012 pelo Zenit por 40 milhões de euros
2 – Willian, contratado 2013 pelo Anzhi por 35 milhões
3 – Carlos Eduardo, contratado em 2010 pelo Rubin Kazan por 20 milhões
4 – Fernando, contratado em 2016 pelo Spartak Moscou por 12,5 milhões
5 – Jucilei, contratado em 2011 pelo Anzhi por 10 milhões
6 – Vitinho, contratado em 2013 pelo CSKA por 9,5 milhões
7 – Rômulo, contratado em 2012 pelo Spartak Moscou por 8 milhões
Hernani, contratado em 2017 pelo Zenit por 8 milhões
Wanderson, contratado em 2017 pelo Krasnodar por 8 milhões
10 – Derlei, contratado em 2005 pelo Dínamo Moscou por 7,5 milhões


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Futebol estatal? No País da Copa-2018, governos ainda são donos de times
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Rafael Reis

Imagine se o governo de Minas Gerais tivesse seu próprio time profissional de futebol. E a prefeitura do Rio de Janeiro também contasse com seu clube, assim como o estado do Rio Grande do Sul.

Agora imagine essas equipes disputando o Campeonato Brasileiro e enfrentando Palmeiras, Corinthians, Flamengo, Atlético-MG e Grêmio.

Pois bem, esse cenário, totalmente distante da realidade do futebol brasileiro, é corriqueiro no país-sede da Copa do Mundo do próximo ano.

Dos 16 clubes que disputam a temporada 2017/18 do Campeonato Russo, pelo menos cinco são completamente estatais, ou seja, pertencem e são administrados por órgãos como prefeituras e governos estaduais ou por empresas de capital público.

Entre os times estatais, um dos mais conhecidos é o FC Rostov, vice-campeão em 2016 e que disputou a última edição da Liga dos Campeões da Europa. O clube pertence ao Oblast (espécie de província) de Rostov.

O Ural Yekaterinburg e o Akhmat Grozny, equipe que pertence à Chechênia, região que inclusive já tentou se separar da Rússia, em um sangrento conflito que durou quase dez anos, possuem estruturas administrativas semelhantes.

Já o Lokomotiv Moscou, duas vezes campeão russo (2002 e 2004) e que conta com os brasileiros Guilherme e Ari no elenco, é um pouco diferente. O clube é administrado não por um Oblast ou por uma prefeitura, mas sim por uma empresa pública.

O dono do time é a Russian Railways, uma companhia ferroviária estatal que possui monopólio dentro do território russo e pertence ao governo de Vladimir Putin.

Assim como o Lokomotiv, o Arsenal Tula também é gerido por uma empresa de capital público, a Rostec, uma companhia especializada em produtos de alta tecnologia para os setores civil e militar.

Outros dois clubes da primeira divisão, o FC Ufa e o estreante SKA-Khabarovsk, são frutos de parcerias entre o poder público e a iniciativa privada.

A existência de tantos clubes estatais na Rússia ainda é um resquício da União Soviética. Durante o regime socialista, oficialmente encerrado em 1991, todos os times de futebol do país (assim como empresas ou qualquer tipo de associações) pertenciam ao governo.

Depois da dissolução da URSS e da queda do comunismo, alguns dos clubes das regiões mais ricas da Rússia, como CSKA Moscou, Spartak Moscou e Zenit São Petesburgo, acabaram privatizados e foram parar nas mãos de magnatas locais.

Outros, principalmente os de áreas mais distantes da capital Moscou, continuaram nas mãos dos governos regionais, e, mesmo sem o mesmo potencial de investimento dos times privados, mantém vivo o fenômeno típico da época do Campeonato Soviético.


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“Novo Ronaldinho” enfrentou olhares e toques por ser negro no País da Copa
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Rafael Reis

Rússia, 2006. Em uma época em que os jogadores negros ainda eram raridade no país que vai sediar a próxima edição da Copa do Mundo, o Lokomotiv Moscou pagou 5 milhões de euros (R$ 18,4 milhões, na conversão atual), uma fortuna na época, por um garoto brasileiro de 17 anos, de pele escura e longos cabelos encaracolados, apontado como “Ronaldinho mais jovem”.

O resultado? O próprio Celsinho conta: “Eu era uma figura diferente da que eles estavam acostumados e despertava a curiosidade de todo mundo. Onde eu ia, eles queriam tocar na minha pele, passar a mão no meu cabelo”.

Ex-promessa da Portuguesa que estourou há pouco mais de uma década, o hoje camisa 10 do Londrina viveu por um ano na Rússia.

E, apesar de não considerar a cena descrita acima como um caso de racismo, mas apenas como uma curiosidade humana perante o novo, admite que o preconceito racial era e continua sendo um problema para o país que irá receber em junho do próximo ano os melhores jogadores do mundo.

“Nunca tive nenhum tipo de problema do tipo, todo mundo sempre me tratou muito bem por lá. Mas é claro que pensamos muito na questão do racismo quando recebemos a proposta da Rússia.  E lá me avisaram que era melhor eu não sair de casa no dia do aniversário de Hitler”, relembra.

O racismo é um dos problemas que mais preocupam a Fifa na organização da Copa-2018. Apesar de recheado de atletas estrangeiros, muitos deles de origem africana, o futebol russo é palco sistematicamente de manifestações de preconceito racial.

No mês passado, o goleiro Guilherme, que nasceu no Brasil, naturalizou-se russo e hoje defende a seleção local, foi chamado de macaco por torcedores do Spartak Moscou durante a final da Copa da Rússia.

Já o atacante Hulk perdeu as contas do número de vezes que ouviu manifestações racistas vindas das arquibancadas durante as quatro temporadas em que vestiu a camisa do Zenit São Petesburgo.

Celsinho não ficou tanto tempo assim no país da próxima Copa. Um ano depois de chegar, foi negociado com o Sporting e se mudou para Portugal. Dos tempos de Rússia, guarda memórias bem mais positivas do que negativas. E um espanto.

“Na época em que cheguei na Rússia, eles já haviam evoluído muito, mas ainda tinham um pouco daquela mentalidade da União Soviética. Era um absurdo ver o comportamento de um homem quando estava tentando conquistar uma mulher. Você achava que ele estava discutindo com ela e que iria agredi-la. Por isso, quando você conversava educadamente com alguma mulher de lá, ela ficava encantada.”

O Blog do Rafael Reis publica às quintas-feiras a seção ”País da Copa”, que conta as histórias do futebol da Rússia e de jogadores brasileiros que passaram por lá.


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Entenda por que esta pode ser a última Copa das Confederações da história
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Rafael Reis

A décima edição da Copa das Confederações, que começa neste sábado, na Rússia, pode ser a última da história da competição jogada quadrienalmente pelas seleções campeãs de cada continente.

A Fifa anda descontente com os rumos comerciais e técnicos do torneio. Por isso, desde o segundo semestre do ano passado, vem discutindo internamente a possibilidade de extinguir a disputa.

O principal motivo, claro, é de ordem econômica.

A Copa das Confederações está longe de ser um sucesso do ponto de vista comercial. De acordo com o comitê organizador russo, só 70% dos ingressos para competição já foram vendidos. E não há nenhuma garantia de que esses números não estejam inflacionados.

Além disso, a Fifa tem sofrido para conseguir patrocinadores para o evento. A entidade vendeu apenas quatro cotas da competição: Budweiser, McDonalds, Hisense e Vivo.

Os direitos de transmissão do torneio, outra importante fonte de renda da Fifa, também encalharam. Para se ter uma ideia, o acordo para exibição televisiva das partidas na Rússia, o país-anfitrião do campeonato, só foi anunciado no último domingo, seis dias antes do pontapé inicial.

Para piorar, a Copa das Confederações tem perdido aquela aura de aquecimento para a Copa do Mundo que justifica sua existência.

Atual campeã mundial, a Alemanha decidiu levar ao torneio uma espécie de seleção B, formada por jovens jogadores. Na cabeça do técnico Joachim Löw, é mais importante descansar seus principais astros para a temporada que vai culminar Mundial que experimentá-los nos campos russos.

E, para completar, a próxima edição da competição traria um desafio que a Fifa não parece muito disposta a resolver.

Se quiser realizar a Copa das Confederações no Qatar, em novembro ou dezembro de 2021, a entidade terá de mexer ainda mais nos calendários das competições nacionais europeias, que já serão alterados em 2022 em virtude de um Mundial disputado fora do seu período tradicional, o verão europeu.

É por isso que tudo conspira para o fim da Copa das Confederações. Ou, pelo menos, para uma mudança radical na estrutura do torneio depois da Rússia-2017.

A competição é disputada regularmente desde 1992, quando foi criada pela Arábia Saudita para homenagear o Rei Fahd. Em 1997, a Fifa assumiu a organização do torneio e lhe deu seu nome atual.

O Brasil é o maior vencedor da história da Copa das Confederações, com quatro títulos. Pela primeira vez desde 1995, a seleção pentacampeã mundial não disputa o torneio.


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