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Como políticas de Putin minaram chances da Rússia na Copa-2018
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Rafael Reis

Apenas uma vitória nos últimos dez jogos disputados, uma vergonhosa 70ª colocação no ranking da Fifa e a nada empolgante sensação de que já estará no lucro caso consiga sobreviver à primeira fase.

Definitivamente, não é assim que o torcedor russo imaginava que sua seleção chegaria à Copa do Mundo-2018 quando descobriu que seu país seria anfitrião da competição.

Oito anos atrás, quando a Fifa anunciou as sedes dos torneios de 2018 e 2022, os planos da Rússia eram ousados. Conquistar o título inédito podia ser mais um sonho que um objetivo. Mas alcançar as semifinais era tratado como uma meta bastante alcançável.

A promessa do presidente Vladimir Putin é de que haveria dinheiro de sobre para o desenvolvimento da seleção. E isso incluía a contratação de um técnico de primeiro escalão (o italiano Fabio Capello) e o fortalecimento da liga local com reforços de alto nível que ajudariam na evolução dos atletas russos.

Mas, então, o que deu errado? Por que a Rússia abre a Copa-2018 nesta quinta-feira, contra a Arábia Saudita, em Moscou, temendo protagonizar um vexame histórico?

A resposta é: faltou dinheiro. A diminuição nos preços do petróleo e do gás natural, produtos essenciais de exportação para a balança comercial russa, e a posição geopolítica agressiva adotada por Putin deixaram o país sem grana suficiente para investir no projeto da seleção.

De acordo com dados da Sipri, uma agência sueca especializada em segurança global, o governo russo ampliou em 87% os gastos militares na última década. Além disso, envolveu-se em pelo menos dois conflitos armados: a Crise da Crimeia, contra a Ucrânia, em 2014, e a luta na Síria.

O conflito com o país vizinho, o apoio ao presidente sírio, Bashar al Assad, e algumas outras intervenções geopolíticas polêmicas, como a influência nas eleições norte-americanas que elegeram Donald Trump e a acusação de envenenamento de um ex-espião que vivia na Inglaterra, fizeram a Rússia sofrer uma série de sanções econômicas do Ocidente.

E quem acabou pagando a conta do crescimento nos gastos militares e da redução do comércio russo com o exterior (que atinge não só o governo, mas também os empresários) foi o futebol.

Para começar, faltou dinheiro para bancar Capello. O treinador italiano, ex-Milan, Juventus e Real Madrid, deixou o cargo em 2015. Seu substituto, Stanislav Cherchesov, ganha o equivalente a 27% do salário do antecessor.

Além disso, as contratações que ampliariam o nível do futebol russo ficaram bem aquém do esperado. Basta olhar as convocações da Copa-2018. O único jogador de uma seleção de primeiro escalão que atua na Rússia é o meia português Manuel Fernandes, do Lokomotiv Moscou.

Os resultados internacionais dos clubes do país anfitrião do Mundial também não são nada animadores. Nos últimos cinco anos, só o Zenit São Petersburgo conseguiu passar pela fase de grupos da Champions e, nas duas oportunidades, caiu já nas oitavas de final.

Os recentes insucessos da seleção russa e a falta de esperança com uma boa campanha na Copa-2018 são apenas o reflexo desse cenário de promessas não cumpridas e ambição geopolítica.


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Falta de dinheiro minou plano megalomaníaco do País da Copa para 2018
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Rafael Reis

Sete anos atrás, quando foi anunciada como sede da Copa do Mundo, a Rússia acreditava que poderia arrasar em 2018. A conquista do título inédito, ou ao menos uma campanha histórica, não era considerado um sonho, mas sim um objetivo alcançável.

O plano era simples: investir pesado em um técnico de elite, no fortalecimento da liga nacional e em amistosos de primeiro escalão para fazer com que os russos chegassem ao Mundial em igualdade de forças com as seleções mais poderosas do planeta.

Só que, faltando menos de um ano para o pontapé inicial da Copa-2018, pensar em título virou um delírio para o time anfitrião, eliminado ainda na fase de grupos da última Eurocopa e da Copa das Confederações.

A meta agora é bem menos ambiciosa: simplesmente não passar vergonha dentro de casa. E o motivo é um velho conhecido brasileiro.

A queda nos preços do petróleo e do gás natural, produtos de exportação essenciais para a balança comercial da Rússia, e o crescente investimento do presidente Vladimir Putin no Exército e em ações militares deixaram o país sem dinheiro para gastar com o futebol.

Resultado: nenhum dos pilares sobre os quais os russos pretendiam construir uma seleção capaz de se sagrar campeã mundial conseguiu permanecer em pé.

Para começar, Stanislav Cherchesov, o atual comandante da equipe anfitriã da Copa-2018, está longe de ser um treinador do primeiro escalão mundial. Ex-Dínamo de Moscou, Spartak e Légia Varsóvia, ele tem como título mais importante de sua carreira o Campeonato Polonês de 2016.

Mas Cherchesov é o técnico que a Rússia pode pagar. Ele recebe 2 milhões de euros (R$ 7,6 milhões) anuais, menos de um terço do salário de 7,3 milhões de euros (R$ 27,8 milhões) que Fabio Capello recebia durante sua passagem pela seleção.

No período em que dirigiu a equipe russa, o treinador italiano (ex-Milan, Real Madrid e Juventus, entre outros) chegou a ser o mais bem pago do mundo. Só que o dinheiro acabou, seus salários começaram a atrasar e ele teve seu contrato rescindido em 2015.

O encolhimento da economia russa também impediu o fortalecimento do campeonato nacional e, consequentemente, o desenvolvimento dos jogadores que podem ser convocados para o Mundial do próximo ano.

Em duas das três últimas temporadas, os clubes da primeira divisão russa ganharam mais dinheiro com venda de jogadores do que gastaram com a chegada de reforços. O valor investido em contratações encolheu de 322,8 milhões de euros (R$ 1,2 bilhão), em 2013, para pouco mais de 104 milhões de euros (R$ 396 milhões), na atual temporada.

Por fim, a Rússia não tem conseguido medir forças com as melhores seleções do mundo. Como não disputa as eliminatórias, o país-sede da Copa depende exclusivamente de amistosos para testar seu nível atual.

Só que jogar contra Alemanha, Brasil, Espanha, França e os outros times de primeiro escalão requer o pagamento de cachês generosos, o que os russos não estão dispostos a fazer neste momento.

A consequência disso são amistosos menos interessantes do ponto de vista técnico, como o encontro com a Hungria, em junho, ou a partida contra a Costa do Marfim, em março. Nesta Data Fifa, o único teste será contra o Dínamo Moscou, atual campeão da segunda divisão russa.


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