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Ganhar Champions e Copa no mesmo ano? Só 1 brasileiro conseguiu até hoje
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Rafael Reis

Vencedores da Liga dos Campeões da Europa pelo Real Madrid, o lateral esquerdo Marcelo e o volante Casemiro irão buscar na Copa do Mundo-2018 um feito tão raro, tão raro que apenas um jogador brasileiro já conseguiu.

O ex-lateral Roberto Carlos foi o único atleta nascido no Brasil que conquistou no mesmo os títulos do principal torneio interclubes do planeta e do Mundial de seleções.

A marca foi alcançada em 2002, quando o Real, clube que defendeu ao longo de 11 temporadas, faturou sua nona taça da Champions e a seleção brasileira sagrou-se pentacampeã mundial.

Além de Roberto Carlos, o campeão europeu da temporada 2001/02 contava com mais dois brasileiros, o volante Flávio Conceição e o atacante Sávio. Mas ambos não fizeram parte da convocação de Luiz Felipe Scolari para a Copa da Coreia do Sul e do Japão.

Ronaldo, destaque na conquista do penta, foi contratado pelo Real logo depois do Mundial.

Desde que a Champions foi criada, em 1955, ainda com o nome de Copa Europeia, somente dez jogadores conseguiram vencê-la no mesmo que ganharam o título mundial por suas seleções.

A maior parte desse grupo fez a dobradinha em 1974, quando a Alemanha Ocidental venceu a Copa do Mundo com sete jogadores do Bayern de Munique, campeão europeu: Sepp Maier, Franz Beckenbauer, Hans Georg-Schwarzenbeck, Paul Breitner, Uli Hoeness, Gerd Müller e Jupp Kapellmann.

Desde então, apenas outros três nomes conseguiram repetir essa façanha. E, curiosamente, todos defendiam o Real Madrid: o volante francês Christian Karembeu, em 1998, Roberto Carlos e o meia alemão Sami Khedira, quatro anos atrás.

A chance de algo assim acontecer novamente em 2018 é grande, já que o elenco dirigido por Zinédine Zidane tem jogadores convocados pela maior parte das seleções favoritas a vencer a Copa.

A Espanha conta com seis jogadores do Real: Carvajal, Sergio Ramos, Nacho, Isco, Asensio e Lucas Vázquez. A França tem o zagueiro Raphaël Varane. A Alemanha, o meia Toni Kroos. Há ainda a dupla brasileira. E, claro, Cristiano Ronaldo em Portugal.

Um dos brasileiros que podem igualar a marca de Roberto Carlos, Marcelo foi justamente seu sucessor no Real Madrid. Ele joga pelo time espanhol desde 2007, já faturou quatro títulos de Champions e disputou a última Copa do Mundo.

Assim como Marcelo, Casemiro também é tetra europeu, apesar de ter menos tempo de casa. O volante desembarcou na Europa em 2013, mas ficou a temporada 2014/15 emprestado ao Porto antes de ganhar um lugar cativo no time. A Copa-2018 será a primeira de sua carreira.


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Rafael Reis

A Liga dos Campeões da Europa terminou há apenas dois dias e consagrou pela 13ª vez o Real Madrid. Mas já está em contagem regressiva para começar novamente.

O pontapé inicial para a próxima edição do principal torneio interclubes do planeta está marcado para o dia 26 de junho e irá coincidir com a terceira rodada da fase de grupos da Copa do Mundo.

Mas os quatro clubes que irão a campo nessa fase preliminar da Champions certamente não terão nenhum jogador participando da Rússia-2018. Farão parte dessa etapa o Santa Coloma (Andorra), o Lincoln Red Imps (Gibraltar), o La Fiorita (San Marino) e o Drita (Kosovo).

Equipes mais conhecidas, com o Celtic (Escócia) e o Estrela Vermelha (Sérvia), que já se sagraram campeões europeus lá no passado, entram na competição a partir da primeira fase das eliminatórias, programada para começar em 10 de julho.

A partir daí, serão quatro rodadas de mata-mata para definir os seis últimos times que irão disputar a fase de grupos, aquela que só vai começar em meados de setembro.

Vinte e seis clubes já estão com o passaporte carimbado para a etapa principal da Champions. São quatro times de Espanha, Alemanha, Itália e Inglaterra, três da França, dois da Rússia e um de Portugal, Ucrânia, Bélgica, Turquia e República Tcheca.

Essa divisão de vagas, aliás, é a principal novidade do torneio para a próxima temporada.

Ao contrário do que acontecia até 2017/18, quando os países mais bem ranqueados no coeficiente da Uefa viam um dos seus quatro representantes terem de disputar um playoff para entrar na fase de grupos, agora todos eles entram direto na etapa principal do torneio.

Além disso, o número de países com direito a quatro vagas cresceu. Eram três na temporada passada. E, agora, são quatro.

Isso significa uma Champions mais elitista (e teoricamente com maior potencial de mercado), já que metade das 32 vagas na fase de grupos pertence de antemão às quatro ligas mais poderosas da Europa: inglesa, espanhola, italiana e alemã.

Conheça os times já garantidos na fase de grupos:

Atlético de Madri (ESP)
Barcelona (ESP)
Bayern de Munique (ALE)
Borussia Dortmund (ALE)
Brugge (BEL)
CSKA Moscou (RUS)
Inter de Milão (ITA)
Juventus (ITA)
Galatasaray (TUR)
Hoffenheim (ALE)
Liverpool (ING)
Lokomotiv Moscou (RUS)
Lyon (FRA)
Manchester City (ING)
Manchester United (ING)
Monaco (FRA)
Napoli (ITA)
Paris Saint-Germain (FRA)
Porto (POR)
Real Madrid (ESP)
Roma (ITA)
Schalke 04 (ALE)
Shakhtar Donetsk (UCR)
Tottenham (ING)
Valencia (ESP)
Viktoria Pilsen (TCH)


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Na final pela 6ª vez, CR7 sonha com recordes de lendas do Real
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Rafael Reis

É de olho em recordes de duas lendas da história do Real Madrid (e consequentemente do futebol mundial) que Cristiano Ronaldo disputa contra o Liverpool, neste sábado, em Kiev (Ucrânia), a sexta final de Liga dos Campeões da Europa de sua carreira.

O astro português, que faturou o título continental em 2008, 2014, 2016 e 2017 e também foi vice em 2009, sonha em alcançar marcas históricas de Alfredo di Stéfano e Ferenc Puskás.

A dupla vestiu a camisa do Real mas décadas de 1950 e 1960 e fez parte do esquadrão mais vitorioso da história da Champions, a equipe que conquistou as cinco primeiras edições da competição, entre 1956 e 1960.

O primeiro recorde pode ser batido pelo atual camisa 7 do time espanhol já neste sábado, mas depende de uma grande atuação contra o Liverpool.

Cristiano Ronaldo está a três gols de igualar Di Stéfano e Puskás como maior artilheiro da história das finais do torneio continental.

Ao longo da carreira, o português já marcou quatro vezes em finais de Champions. Já o argentino e o húngaro meterem sete bolas nas redes cada em partidas que valiam o título mais cobiçado do futebol de clubes.

A outra marca sonhada por CR7 pertence apenas a Di Stéfano e vai demorar pelo menos mais um ano para ser igualada.

O craque da contemporaneidade já marcou em três finais diferentes da competição (2008, 2014 e 2017), duas a menos do que o argentino, que fez gol nas decisões dos cinco primeiros títulos do Real Madrid.

Campeão por Manchester United e Real, Cristiano Ronaldo já é o maior goleador da história da Champions. O português soma 120 gols em 152 partidas pelo torneio –o segundo colocado, Lionel Messi, marcou 20 vezes a menos.

O camisa 7 foi o artilheiro isolado ou dividiu a artilharia das últimas cinco edições do torneio continental. Neste ano, ele também ocupa a liderança do ranking, com 15 gols, cinco a mais que os vice-líderes, os também finalistas Mohamed Salah e Roberto Firmino, do Liverpool.

A Champions é também a competição que tem sido essencial para Cristiano Ronaldo ser eleito o melhor jogador do mundo. Nos quatro anos que faturou o troféu, ele também ganhou a Bola de Ouro – sua outra vitória na eleição aconteceu em 2013, quando o Real parou nas semifinais.


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Final “mais louca do século” deu último título de Champions ao Liverpool
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Rafael Reis

25 de maio de 2005. Todo torcedor do Liverpool que se preze sabe bem o que o que aconteceu nesse dia.

Há exatos 13 anos, o clube inglês não apenas conquistou seu quinto e mais recente título da Liga dos Campeões da Europa. Ele também protagonizou a decisão de Champions mais eletrizante do século.

Assim como na final deste sábado, quando irá enfrentar o Real Madrid, em Kiev (Ucrânia), os Reds tiveram em 2005 um adversário repleto de estrelas de primeira grandeza do futebol mundial. Kaká, Andriy Shevchenko, Clarence Seedorf, Cafu e Paolo Maldini eram só alguns dos astros do elenco do Milan.

E esse poderoso rival foi enfileirando um gol atrás do outro no primeiro tempo no estádio Olímpico de Istambul, na Turquia.

Logo no primeiro minuto de jogo, Maldini abriu o placar. O argentino Hernán Crespo ampliou aos 39 min e fez mais um quando faltava apenas um minuto para o intervalo.

Quando Milan e Liverpool deixaram o gramado, o placar já apontava 3 a 0 para os italianos. Partida decidida… era essa a aposta da maioria esmagadora das milhões de pessoas que acompanhavam a final da Champions pela TV.

“Enquanto eu caminhava rumo ao vestiário, sentia uma combinação deprimente de desânimo e humilhação. Eu não conseguia levantar a cabeça e olhar para que aqueles rostos vestindo camisas vermelhas nas arquibancadas. Meus sonhos haviam virado pó. Eu já não pensava mais no jogo, só nas minhas famílias e amigos”, escreveu o zagueiro Jamie Carragher, em sua autobiografia.

Além do bate-papo do técnico Rafa Benítez com seus comandados, boa parte deles tomados pelo espírito da derrota descrito acima pelo defensor, o fato novo do intervalo foi a lesão sofrida pelo lateral direito irlandês Steve Finnan. Em seu lugar, entrou o meia alemão Dietmar Hamman.

“Sempre digo que fui quem mudou a partida naquela noite. Se eu não fosse minha contusão, não teríamos conquistado a Liga dos Campeões. Aquela lesão foi a melhor coisa que já aconteceu com o Liverpool”, brincou Finnan, em entrevista ao jornal “Liverpool Echo”, em 2015.

Exagero ou não, tudo mudou quando o segundo tempo começou. O capitão Steven Gerrard iniciou a reação aos 9 min. Aos 11 min, foi a vez do tcheco Vladimir Smicer marcar. E, aos 15 min, o espanhol Xabi Alonso converteu o pênalti que transformou o empate em realidade.

Três gols em seis minutos. E a imensa vantagem construída pelo Milan antes do intervalo foi para o espaço.

“No intervalo, eu era um dos que achavam que [a virada] era impossível e que eu deixaria esse gramado aos prantos. Nós tínhamos uma montanha para escalar e conseguimos depois de lutar até o fim”, disse, ao fim da partida, Gerrard.

Mas o Liverpool ainda precisava fazer mais um gol para conquistar a taça… ou arrastar a partida até a decisão por pênaltis e sair dela como vencedor. A segunda opção foi a que prevaleceu. Mas isso só aconteceu graças a mais um dos heróis de Istambul, o goleiro polonês Jerzy Dudek.

A três minutos do fim da prorrogação, ele evitou o gol na cabeçada de Shevchenko, mas não conseguiu tirar a bola para fora da pequena área. O próprio ucraniano pegou o rebote e finalizou à queima-roupa. Por um detalhe do destino, a bola não explodiu nas redes, mas sim nas mãos do goleiro.

“Não sei como consegui fazer aquela defesa. Foi sorte, algo fantástico para mim. Só sei que foi o momento pelo qual eu estava esperando”, disse, logo após a decisão.

Dudek voltou a brilhar na hora dos pênaltis. O polonês viu Serginho chutar para fora sua cobrança e defendeu dois tiros: o de Andrea Pirlo e o de Shevchenko, o vilão da noite milanista.

Resultado: a decisão de Champions “mais louca do século” terminou com a vitória por 3 a 2 do Liverpool nos pênaltis. “Foi uma das grandes finais de todos os tempos. E não consigo acreditar que vencemos”, resumiu Carragher.


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5 jogadores que deram errado na nova “era de ouro” do Real Madrid
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Rafael Reis

O Real Madrid vai a campo neste sábado, às 15h45 (de Brasília), contra o Liverpool, em Kiev (Ucrânia), em busca do seu quarto título nas últimas cinco edições da Liga dos Campeões da Europa.

Os principais responsáveis por essa “nova era de ouro” do clube espanhol todo mundo conhece bem: Cristiano Ronaldo, Sergio Ramos, Marcelo, Luka Modric, Toni Kroos, o técnico Zinédine Zidane…

Mas, apesar de estar vivendo sua fase de maior sucesso continental desde o começo da década de 1960, quando chegou a emendar cinco títulos europeus, o Real também teve alguns pequenos fiascos neste último quinquênio.

Apresentamos abaixo cinco jogadores dessa “era de ouro” que prometiam muito, mas acabaram naufragando no Santiago Bernabéu.

LUCAS SILVA
Volante
25 anos
Brasileiro
Defendeu o Real em 2015

Um dos destaques do Cruzeiro bicampeão brasileiro em 2013 e 2014, foi contratado pelo Real como aposta de jogador de grande futuro. No entanto, Lucas Silva disputou apenas nove partidas pelo clube antes de ser emprestado ao Olympique de Marselha, onde também não foi bem. Diagnosticado com um problema cardíaco em 2016, chegou a ficar afastado até dos treinos do time merengue. Após novos exames que não detectaram nada de errado com seu coração, o volante foi emprestado ao Cruzeiro no ano passado. Lucas Silva recuperou o bom futebol e vive grande momento em Minas Gerais.

FÁBIO COENTRÃO
Lateral esquerdo
30 anos
Português
Defendeu o Real entre 2011 e 2017

Em seus primeiros anos de Real Madrid, o lateral português até que foi bem e chegou a deixar Marcelo inúmeras vezes no banco de reservas –inclusive na decisão da Liga dos Campeões de 2014, contra o Atlético de Madri. O calvário de Coentrão começou no ano seguinte, quando começou a ser “esquecido” pelo comando técnico do clube. Sem espaço, o português foi emprestado ao Monaco em 2015/16 e para o Sporting na atual temporada. O jogador ainda tem mais um ano de contrato, mas é pouco provável que volte a ser utilizado por Zinédine Zidane.

JESÉ
Atacante
25 anos
Espanhol
Defendeu o Real entre 2013 e 2016

Cria das categorias de base do Real Madrid, surgiu como um furacão no time principal, fez gols importantes e dava pinta de que rapidamente se transformaria em um jogador importante. Mas não foi o que aconteceu. Jesé ainda foi negociado com o Paris Saint-Germain antes de mergulhar em problemas disciplinares. Nesta temporada, jogou apenas 13 vezes pelo Stoke City.

ASIER ILLARRAMENDI
Volante
28 anos
Espanhol
Defendeu o Real entre 2013 e 2015

Pelo planejamento da diretoria do Real Madrid, o companheiro de Luka Modric e Toni Kroos no meio-campo merengue deveria ser Illarramendi, e não Casemiro. Essa era a expectativa geral quando o clube desembolsou 32 milhões de euros (R$ 137 milhões) para tirá-lo da Real Sociedad. Mas o volante deu tão errado no Real que acabou engolido pelo brasileiro e sendo negociado de volta com o clube que o formou. Longe da capital espanhola, Illarramendi voltou a jogar bem nas últimas temporadas e chegou a ser cotado para ir à Copa do Mundo-2018.

MARTIN ÖDEGAARD
Meia-atacante
19 anos
Norueguês
Defendeu o Real entre 2015 e 2017

Estreou como profissional em abril de 2014, com apenas 15 anos. Três meses depois, disputou sua primeira partida de Liga dos Campeões. Em agosto, jogou pela seleção principal da Noruega. E, em janeiro, já era jogador do Real Madrid. Só que a ascensão do candidato a futuro melhor do mundo parou por aí. Ödegaard pouco mostrou no Castilla, fez só duas partidas na equipe principal e acabou emprestado ao Heerenveen. Na Holanda desde janeiro de 2017, disputou 43 partidas e fez só três golzinhos.


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Rafael Reis

“Ele é habilidoso, muito veloz e tem uma capacidade rara para a finalização. É profissional, talentoso e trabalhador. Ele mostra o quão formidável é o Islã e sempre agradece a Deus depois de cada gol”. É assim que Mohamed Salah é descrito por seu “pai”, Hamdy Nouh.

Não, o treinador não é o pai biológico da nova estrela da bola mundial. Mas “pai” é a forma carinhosa e respeitosa que a principal esperança do Liverpool para derrotar o Real Madrid, sábado, na decisão da Liga dos Campeões da Europa, costuma usar para se referir ao homem que começou a transformá-lo em jogador de futebol.

Nouh e Salah se conheceram quando o atacante ainda era um pré-adolescente de 12 anos que acabara de chegar nas categorias de base do El Mokawloon.

O técnico egípcio era o comandante da equipe sub-15, categoria para qual o garoto foi encaminhado, e viu de perto o quanto o hoje camisa 11 do Liverpool teve de batalhar para alcançar o estrelato.

O começo foi especialmente difícil. Salah morava em Nagrig, cidade onde nasceu, e tinha de percorrer 130 km para chegar aos treinos do El Mokawloon, em Nasr City, nos arredores do Cairo, capital do Egito.

Apesar dos três ônibus que precisava pegar para cumprir essa jornada, o menino não desistiu. E foi essa persistência (além do futebol bastante acima da média para o país norte-africano) que conquistou Nouh.

“Ele é muito dedicado e comprometido. Quando Salah tinha 15 anos, percebi que ele já havia dominado as noções básicas de profissionalismo e seria um grande jogador de futebol. Ele costumava fazer muitos gols e não tinha medo de entrar na área adversária e finalizar”, conta o técnico, por telefone.

Salah se profissionalizou em 2010 e defendeu o El Mokawloon por mais duas temporadas. Em 2012, desembarcou na Europa para atuar no Basel (Suíça). Dois anos depois, já vestia a camisa do poderoso Chelsea.

Sem brilhar na Inglaterra, entrou na lista dos jogadores “emprestáveis”. Foi cedido a Fiorentina e Roma. Jogou bem, fez seus gols, mas nada que o credenciasse ao posto de um dos grandes do futebol mundial.

Tudo mudou quando o Liverpool aceitou pagar 42 milhões de euros (R$ 183 milhões) para levá-lo a Anfield. Em menos de um ano no novo clube, marcou 44 gols, foi artilheiro do Campeonato Inglês, classificou a seleção egípcia para a Copa do Mundo-2018 e conduziu seu time à decisão da Champions.

O atacante deixou de ser apenas mais um bom jogador de futebol. Virou lenda, mito, exemplo a ser seguido.

“Mo Salah se transformou no ídolo de todos os jogadores egípcios. Ele representa a imagem do Egito, a imagem da África”, diz Nouh.

O primeiro treinador do craque mantém contato frequente com o jogador. Sempre que Salah volta ao Egito, faz questão de visitá-lo. Quando eles estão distantes, as conversas são por telefone.

E onde Nouh quer ver seu pupilo? Talvez na cerimônia de melhor jogador do mundo. Afinal, para ele, o atacante do Liverpool já é tão bom quanto Lionel Messi e Cristiano Ronaldo, dupla que domina a premiação há uma década.

“Certamente [eles estão no mesmo nível]. Salah ainda tem tempo e muitos anos pela frente para continuar brilhando e impressionando seus fãs”.


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Rafael Reis

Para tentar impedir o terceiro título consecutivo do Real Madrid na Liga dos Campeões e voltar a ser campeão europeu depois de 13 anos, o Liverpool aposta em um grupo de jogadores que não estão acostumados a vencer.

Mais da metade dos 25 atletas que compõem o elenco dirigido pelo técnico alemão Jürgen Klopp não levantaram sequer um troféu de campeonato de primeira divisão ou copa como profissionais.

No total, são 13 jogadores ainda em busca do primeiro título. E não pense que eles estarão todos sentados no banco de reservas do Estádio Olímpico de Kiev (Ucrânia) na decisão deste sábado.

Quatro dos prováveis titulares do Liverpool na final da Champions fazem parte desse grupo: o goleiro alemão Loris Karius, os lateral direito inglês Trent Alexander-Arnold, o lateral esquerdo escocês Andrew Robertson e o atacante brasileiro Roberto Firmino.

Outros reservas que também costumam ser bastante utilizados por Klopp, como o lateral direito Nathaniel Clyne e o atacante Dominic Solake, também fazem parte do time dos sem troféu.

Nem mesmo o capitão dos Reds, o volante Jordan Henderson, 27, está muito acostumado com as conquistas O único título de sua carreira foi a Copa da Liga Inglesa, conquistada em 2011/12, sua primeira temporada em Anfield.

A taça, aliás, foi a última que entrou na sala de troféus do Liverpool. Apesar de ser o segundo maior campeão inglês da história, o clube foi campeão nacional pela última vez em 1990. Já a mais recente das suas cinco Champions foi levantada em 2005.

De todos os jogadores do time da terra dos Beatles, só um já faturou o principal torneio interclubes do planeta: o volante alemão Emre Can, que fazia parte (mas não jogava) do elenco do Bayern de Munique em 2012/13.

A situação do Liverpool é completamente diferente da vivida por seu adversário na decisão.

Atual bicampeão europeu, o Real Madrid conta um elenco repleto de jogadores acostumados a subir no pódio, colocar a medalha de peito, levantar o troféu e cantar: “Campeones, campeones”.

O time do treinador francês Zinédine Zidane tem dois jogadores que já ganharam Copa do Mundo (Sergio Ramos e Toni Kroos) e um que é atual campeão da Eurocopa (Cristiano Ronaldo).

Além disso, 18 atletas do elenco atual fizeram parte do elenco de pelo menos um título de Champions. Só CR7, o astro da companhia, já venceu a competição quatro vezes.

BUSCAM O 1º TÍTULO:
Adam Bogdan (G, HUN, 30 anos)
Adam Lallana (M, ING, 30 anos)
Andrew Robertson (LE, ESC, 24 anos)
Ben Woodburn (MA, GAL, 18 anos)
Danny Ings (A, ING, 25 anos)
Danny Ward (G, GAL, 24 anos)
Dominic Solanke (A, ING, 20 anos)
Joe Gomez (LD, ING, 20 anos)
Loris Karius (G, ALE, 24 anos)
Nathaniel Clyne (LD, ING, 27 anos)
Roberto Firmino (A, BRA, 26 anos)
Simon Mignolet (G, BEL, 30 anos)
Trent Alexander-Arnold (LD, ING, 19 anos)


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Rafael Reis

Se derrotar o Liverpool no próximo sábado (26), em Kiev (Ucrânia), e conquistar pelo terceiro ano consecutivo o título da Liga dos Campeões da Europa pelo Real Madrid, é bem possível que Zinédine Zidane receba em seu celular uma mensagem de parabéns vinda de um jogador do Coritiba.

O lateral esquerdo Abner, 21, não apenas tem Zizou no WhatsApp. O garoto considera o treinador francês como um divisor de águas em sua carreira e foi uma espécie de primeiro “xodó” brasileiro dele no clube espanhol.

Muito antes de se derreter em elogios por Casemiro e armar um esquema para explorar todo o potencial ofensivo de Marcelo, Zidane já tinha um carinho especial pelo jogador que conheceu no Real Madrid Castilla, a equipe B do gigante merengue.

“Ele sempre gostou de brasileiros. Na época de jogador, era bastante próximo do Ronaldo. Sinto um privilégio enorme por ter esse carinho do Zidane. Trabalhamos juntos durante um ano e meio, mas só cheguei a jogar duas ou três partidas com ele como técnico do Castilla”, afirma.

O motivo de Abner ter atuado tão pouco com o hoje vitorioso treinador do time principal do Real foi justamente o que o aproximou de Zidane: uma série de contusões que chegaram a ameaçar sua carreira.

Entre 2013 e 2015, o lateral sofreu três graves lesões no joelho, que o fizeram pensar seriamente em abandonar o sonho de ser jogador profissional.

“Se hoje eu ainda jogo futebol, posso dizer que é por causa do Zidane. Quando sofri a terceira contusão, ele era meu treinador. Cheguei para ele e disse que ia parar. Ele não deixou: falou que eu era muito jovem, tinha bastante tempo pela frente e ia sair dessa. O conselho foi fundamental para eu mudar de ideia.”

Além de Zidane, Abner também desenvolveu lanços afetivos com os dois filhos mais velhos do treinador, Enzo e Luca, que atuaram com ele no Castilla –o primeiro é meio-campista e está emprestado ao Lausanne (SUI); já o segundo, goleiro, continua atuando na base do Real.

“Eu tinha o mesmo personal trainer deles, então a gente costumava treinar juntos. Temos uma relação boa. A família toda é gente boa”.

Abner atualmente possui contrato com o PSTC, um clube formador da cidade de Londrina, no norte do Paraná, e está emprestado ao Coritiba até o meio do ano.

O Real Madrid é uma espécie de terceira parte desse vínculo, já que tem opção de compra do jogador e, caso queira exercê-la, pode fazer com que ele retorne à Europa na próxima temporada.


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Por que Firmino é o melhor “camisa 10” brasileiro da atualidade?
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Rafael Reis

A decisão da Liga dos Campeões da Europa, entre Real Madrid e Liverpool, no próximo sábado (26), em Kiev (Ucrânia), levará a campo o melhor camisa 10 brasileiro desta temporada.

Sim, eu sei que Marcelo, Casemiro e Roberto Firmino, os representantes do futebol pentacampeão mundial envolvidos na final, não usam o número que Pelé consagrou e nem atuam (pelo menos oficialmente) na posição de armador de jogadas.

Marcelo é lateral esquerdo e uma das principais opções ofensivas do Real pelos lados do campo. Casemiro, volante, é o cão de guarda da defesa espanhola. E Firmino é centroavante… Será que ele é mesmo centroavante?

Apesar de usar o número 9 às costas e passar a maior parte do tempo em campo na faixa central do ataque do Liverpool, Firmino não é centroavante. Na verdade, centroavante é tudo que ele não é.

O jogador de 26 anos, que deixou o Figueirense ainda na adolescência para tentar a sorte na Alemanha (Hoffenheim) antes de se consagrar nos “Reds”, é o verdadeiro camisa 10 do esquema montado pelo técnico alemão Jürgen Klopp.

Basta acompanhar as movimentações ofensivas do Liverpool para se chegar à essa conclusão.

Em boa parte dos ataques ingleses, Firmino deixa o comando do ataque e recua até a intermediária para buscar a bola e fazer com que os zagueiros adversários se adiantem em campo.

O espaço que ele acaba deixando vazio lá na frente é ocupado pelas entradas em diagonal dos pontas Sadio Mané e, principalmente, Mohamed Salah, os alvos primordiais de seus passes quando está na posição normalmente ocupada por um “camisa 10”.

A facilidade de Firmino em exercer essa função não é mero acaso. Nos seus primeiros anos de Europa, ele não era atacante, mas sim um meia que encostava no ataque (às vezes pela faixa central, outras como ponta). Foi só com Klopp que ele passou a ser escalado como “centroavante”.

A inteligência tática do brasileiro e esse recuo dele para a faixa de criação de jogadas são dois dos motivos do sucesso do Liverpool.

Se Salah vive o momento máximo de sua carreira, foi artilheiro do Campeonato Inglês e pode até aparecer como finalista do prêmio de melhor jogador do mundo, parte da culpa é do ex-Hoffenheim.

Não à toa, Firmino divide com James Milner, seu companheiro nos “Reds”, o posto de jogador com maior número de assistências da Champions. O alagoano já deu oito passes para gol nesta edição do torneio interclubes mais importante do planeta, três só na semifinal contra a Roma.

Em toda a temporada, já são 17 assistências, mais do que em qualquer outro momento de sua carreira.

Mas a característica que faz de Firmino um jogador tão especial e essencial para o sucesso do Liverpool é também o que reduz suas chances de ser titular da seleção brasileira.

Ao contrário dos Reds, o time de Tite não está acostumado a ter no comando de ataque um jogador que se comporta como “camisa 10” e deixa tanto a área para as entradas em diagonais dos atacantes de lado de campo.

Gabriel Jesus, apesar de também ser um centroavante de mobilidade, tem mais presença de área de Firmino. Resta ao jogador do Liverpool convencer Tite que sua grande fase pode compensar qualquer dificuldade tática que ele possa vir a ter em uma formação mais “tradicional”.

A final da Champions é uma boa oportunidade para isso.


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Rafael Reis

Darcy Silveira dos Santos poderia andar tranquilamente pelas ruas de São Paulo, Rio de Janeiro ou qualquer outra metrópole nacional.

Ao se deparar com esse senhor de 83 anos, quase ninguém no país imaginaria estar diante do integrante de um dos maiores esquadrões da história do futebol mundial e do primeiro brasileiro a conquistar o título europeu de clubes.

Canário, como ficou conhecido no mundo da bola, estava ao lado de Alfredo di Stéfano, Ferenc Puskás e Francisco Gento quando o Real Madrid goleou o Eintracht Frankfurt por 7 a 3, no dia 18 de maio de 1960, em Glasgow (Escócia), e conquistou pela quinta vez consecutiva a Copa Europa, hoje Liga dos Campeões da Europa.

O brasileiro, que atuava como ponta direita, não marcou nenhum gol ao longo da campanha, mas era titular absoluto da equipe que até hoje detém o recorde de maior número de títulos consecutivos da Champions.

Didi, o maestro da seleção brasileira na Copa do Mundo-1958, também fazia parte do elenco do Real na temporada 1959/60. Mas, ao contrário de Canário, era reserva e não entrou em campo na conquista do título europeu.

Mas por que o primeiro brasileiro campeão do torneio interclubes mais importante do planeta na atualidade é pouco lembrado em sua terra natal?

Canário não jogou em nenhum dos times que hoje fazem parte do primeiro escalão do futebol nacional. Ele começou a carreira no Olaria e depois se destacou no América (RJ), clube que o negociou com o Real, em 1959.

Sua história na seleção também não foi tão extensa. O ponta fez parte da pré-convocação para a Copa do Mundo-1958, mas acabou fora da lista final. Depois que migrou para o exterior, passou a ser ignorado pela comissão técnica, algo corriqueiro na época.

“Eu estava pré-selecionado, mas aí veio o Garrincha e eu fiquei, né? Foram Garrincha e Joel, dois ótimos jogadores. Garrincha foi um dos maiores fenômenos que passaram pelo futebol brasileiro, só isso”, disse, em entrevista ao UOL, em 2013.

No caso de Canário, a ida para a Espanha foi definitiva. Canário ficou no Real durante três anos e ainda jogou por Sevilla, Zaragoza e Mallorca na década de 1960. Depois da aposentadoria, não quis retornar ao Brasil. Preferiu continuar na Europa.

O primeiro brasileiro vencedor da Champions vive até hoje em Zaragoza, cidade onde se estabeleceu, formou família e criou vínculos. Ele chegou a ter uma cafeteria, mas hoje está aposentado.

Frequentemente, é chamado para participar de algum evento do Real Madrid, onde, ao contrário do Brasil, ainda é tratado como uma celebridade.

“Fiz parte de uma das melhores finais da história da Liga dos Campeões, uma final que acho que jamais irá se repetir. Não acredito que hoje em dia algum time vai conseguir fazer sete gols em uma decisão de Champions”, afirmou, no ano passado, ao jornal espanhol “As”.


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