Blog do Rafael Reis

Arquivo : islândia

Técnico de sensação da Copa ainda trabalha como dentista “de vez em quando”
Comentários Comente

Rafael Reis

O homem que colocou a Islândia no mapa da bola tem um hobby um tanto quanto incomum. Quando está cansado e precisa relaxar, troca o campo de futebol por um consultório de dentista e vai mexer nos dentes dos pacientes.

Até pouco tempo atrás, esse era o ganha-pão de Heimir Hallgrimsson, 50. Técnico da seleção islandesa desde 2013, ele só conseguiu abandonar a jornada dupla e viver apenas do dinheiro ganho no futebol depois da Eurocopa-2016.

Afinal, foi há um ano e meio que o planeta descobriu seu trabalho. Com uma equipe formada por jogadores aguerridos e organizados de um país minúsculo, com pouco mais de 300 mil habitantes, ele conseguiu alcançar as quartas de final do torneio continental.

Mas esse conto de fadas não termina assim. Hallgrimsson já fez história de novo. Pela primeira vez, a Islândia irá disputar uma Copa do Mundo, um feito que nenhum país com população tão pequena alcançara antes.

E, logo na primeira fase, os nórdicos terão pela frente a Argentina e Lionel Messi, “um dos melhores [jogadores] que o mundo já viu”, segundo as palavras do treinador islandês.

Problema? Que nada. Esse dentista que dirige a seleção mais carismática da Copa-2018 pensa grande. “A magia do futebol é que sempre há espaço para que a zebra aconteça”, afirma.

Confira abaixo a íntegra da entrevista com Heimir Hallgrimsson

1 – Primeiro, a Islândia conseguiu se classificar para a Europa. Depois, foi uma das oito melhores equipes do continente. Agora, vai disputar pela primeira vez a Copa do Mundo. Qual é o limite para vocês?
Conseguimos entrar para um determinado escalão do futebol mundial e agora vamos lutar para permanecer nele pelo maior tempo possível. Mas, para isso, precisamos continuar sempre melhorando.

2 – Quando você percebeu que a vaga na Copa do Mundo não era mais um sonho, mas sim um objetivo possível de ser alcançado?
Acho que o momento chave para nossa classificação foi a virada sobre a Finlândia [na segunda rodada das eliminatórias, perdia até os 45 minutos do segundo tempo e fez dois gols nos acréscimos]. E também aquela vitória significativa contra a Turquia [3 a 0, fora de casa], que deixou a classificação nas nossas mãos, dependendo apenas de um bom resultado contra Kosovo na rodada final. Mas, para ser justo, desde o início das eliminatórias, nosso objetivo sempre foi a classificação para a Copa.

3 – O que você precisam fazer na Copa-2018 para ficarem satisfeitos? Qual é o propósito da Islândia na Rússia?
Nós entramos em todas as partidas que disputamos para vencer, não importa quem é nosso oponente. Sendo assim, nosso primeiro objetivo é o mesmo de qualquer outra equipe participante, passar da fase de grupos e ver até onde dá para chegar. Nosso grupo é complicado, os jogos serão difíceis, mas já provamos várias vezes que, em um dia bom, podemos vencer qualquer adversário.

4 – Enfrentar Messi na primeira fase é a realização de um sonho ou algo que tira seu sono? Como a Islândia pode detê-lo?
Messi é obviamente um excelente jogador, um dos melhores que o mundo já viu. Mas não vamos enfrentar apenas ele, mas sim a Argentina, que tem uma história fantástica em Copas do Mundo. Nosso estilo de jogo prega muita organização coletiva e esforço individual. Não será diferente contra a Argentina. Afinal, dentro de campo, são 11 conta 11.

5 – Acho que boa parte das pessoas que gostam de futebol vão de alguma forma torcer pela Islândia durante a Copa. Você acha que essa espécie de apoio global pode ajudá-los na Rússia?
Temos recebido um grande apoio vindo do mundo todo, e isso é incrível. Apreciamos demais o que está acontecendo. Nosso torcedores também viajarão em bom número para Rússia e certamente vão nos estimular bastante na hora dos jogos. Quem sabe os torcedores russos e dos outros países se unam ao nosso “exército azul” no aplauso viking [tradicional saudação da torcida islandesa]. Seria uma ótima experiência para todos.

6 – Como a seleção de um país com 300 mil habitantes pode ser capaz de enfrentar (e vencer) times de países com uma população muito maior, superior a 100 milhões de habitantes, por exemplo?
Há vários motivos para o nosso recente sucesso, mas a maior parte se resume a trabalho duro, esforço coletivo e organização, características que são consideradas essenciais na sociedade islandesa. Dentro de campo, vale lembrar que cada time tem 11 jogadores e tudo pode acontecer. A magia do futebol é que sempre há espaço para que a zebra aconteça.

7 – O que mudou na sua vida depois da Eurocopa?
Para falar a verdade, até que não foram tantas coisas assim. Sigo como treinador da seleção islandesa de futebol, e a procura da imprensa internacional continua a mesma de antes da competição.

8 – Você abandonou completamente sua carreira como dentista para comandar a Islândia? Pensa em voltar às clínicas no futuro ou pretende viver a partir de agora só do futebol?
Eu ainda tenho o meu consultório, e gosto de ir até lá para atender um ou outro paciente de vez em quando. Mas, atualmente, meu foco é mesmo o trabalho no futebol. E pretendo continuar assim pelo tempo que for possível.

9 – A Islândia é apenas um fenômeno passageiro ou chegou para ficar no futebol mundial? O que vocês estão fazendo para manter esse quadro de evolução pelos próximos 5, 10, 15 anos?
A base da nossa equipe ainda vai continuar por alguns anos, mas também temos alguns atletas mais jovens pedindo espaço e as seleções de base têm tido bons resultados. O importante é que os clubes islandeses estão fazendo um trabalho fantástico na formação de jovens talentos. Então, esperamos nos manter nesse nível por muito tempo.


Mais de Cidadãos do Mundo

Neymar, Messi e cia.: Top 10 da artilharia da Europa tem 7 sul-americanos
Como agente de Ibra virou pivô de crise de casal mais polêmico do futebol
Zidane é recordista de expulsões em Copas do Mundo: verdade ou lenda?
7 astros que estão com contrato no fim e já podem assinar com novo time


5 seleções que podem surpreender nas eliminatórias europeias da Copa-2018
Comentários Comente

Rafael Reis

Último continente a iniciar as eliminatórias da Copa, a Europa começa neste domingo a definir quem serão seus representantes no Mundial da Rússia, daqui dois anos.

Cinquenta e quatro das 55 seleções filiadas à Uefa entram em campo entre hoje e terça-feira para a primeira rodada do qualificatório europeu da Copa-2018.

As eliminatórias irão distribuir 13 vagas, uma para a melhor seleção de cada um dos nove grupos e mais quatro para os segundos colocados das chaves, que irão se enfrentar em um mata-mata na repescagens.

França, Portugal, Alemanha, Inglaterra e as seleções de sempre são favoritas para a conquista da vaga. Mas, é bem provável que a Europa tenha algumas surpresas na Copa da Rússia.

Apontamos então cinco seleções que podem surpreender nas eliminatórias e pintar no próximo Mundial.

ISLÂNDIA
Participações em Copas do Mundo: nenhuma
Última Copa do Mundo: nunca participou
Ranking da Fifa: 23ª
Grupo nas eliminatórias: I (Croácia, Ucrânia, Turquia, Finlândia e Kosovo)

Sensação da última Eurocopa, quando chegou até as quartas de final e só parou na anfitriã França, deve travar uma disputa equilibrada com ucranianos e turcos pelo segundo lugar da chave. Tem uma base já bastante experimentada, liderada pelo meia Gylfi Sigurdsson, do Swansea City, e que esbanja vontade.  Nas eliminatórias de 2014, bateu na trave e perdeu na repescagem. Agora, pode ir mais longe.

GALES
Participações em Copas do Mundo: 1
Última Copa do Mundo: sexta colocado em 1958
Ranking da Fifa: 11º
Grupo nas eliminatórias: D (Áustria, Sérvia, Irlanda, Moldova e Geórgia)
Bale
Semifinalista da Eurocopa, Gales deixou de ser zebra para se tornar favorito ao primeiro lugar de sua chave nas eliminatórias e à vaga direta na Copa do Mundo. Cabeça de chave no sorteio dos grupos, deu sorte ao escapar de rivais tradicionais, como França e Itália. A criatividade e o poder de decisão da dupla formada por Gareth Bale (Real Madrid) e Aaron Ramsey (Arsenal) são os pontos fortes do time britânico.

IRLANDA DO NORTE
Participações em Copas do Mundo: 3
Última Copa do Mundo: fase de grupos em 1986
Ranking da Fifa: 28ª
Grupo nas eliminatórias: C (Alemanha, República Tcheca, Noruega, Azerbaijão e San Marino)
Irlanda do Norte
Outra das surpresas da última Euro, a Irlanda do Norte tem totais condições de ficar à frente da decadente República Tcheca e avançar para as repescagens da eliminatória. O time não tem muito talento individual, mas é forte taticamente e possui uma defesa muito bem construída. O atacante Will Grigg (Wigan), protagonista da música que foi hit da Euro, não foi convocado para a partida de estreia, contra os tchecos.

HUNGRIA
Participações em Copas do Mundo: 8
Última Copa do Mundo: fase de grupos em 1986
Ranking da Fifa: 19ª
Grupo nas eliminatórias: B (Portugal, Suíça, Ilhas Faröe, Letônia e Andorra)
Hungria
Os húngaros já não têm mais o goleiro figurão Gábor Király (Haladás), que se aposentou da seleção depois da Eurocopa, mas ainda podem ser capazes de fazer frente à Suíça e brigar por um lugar na Copa do Mundo da Rússia. A dificuldade do técnico Bernd Storck será reconstruir a equipe, que também perdeu o Juhász (Videoton) e pode ficar sem o meia Zoltán Gera (Ferencváros).

ESCÓCIA
Participações em Copas do Mundo: 8
Última Copa do Mundo: fase de grupos em 1998
Ranking da Fifa: 51ª
Grupo nas eliminatórias: F (Inglaterra, Eslováquia, Eslovênia, Lituânia e Malta)

Única das candidatas a surpresa das eliminatórias que não esteve na Euro, os escoceses se apoiam na irregularidade de Eslováquia e Eslovênia para sonharem com o retorno às Copas do Mundo depois de 20 anos. Outro fator que anima os britânicos é o surgimento de uma geração de jovens valores: sete dos 24 convocados para a estreia contra a Malta têm menos de 23 anos. A maior promessa é o meia-atacante Oliver Burke, 19, recém-contratado pelo alemão RB Leipzig por 15 milhões de euros (R$ 54,2 milhões).


Mais de Seleções:

Rival do Brasil, Colômbia esquece garotos e tem time mais velho dos Jogos
Por título inédito, Portugal rejuvenesce 2,5 anos em 18 dias
Pela 1ª vez, jogadores negros serão maioria na final da Eurocopa
– Mês das seleções pode colocar Brasil atrás de Gales no ranking da Fifa

 


Sensação da Euro, Islândia agita mercado com 9 atletas e recorde financeiro
Comentários Comente

Rafael Reis

O zagueiro Ragnar Sigurdsson, 30, acertou na semana passada sua saída do Krasnodar, da Rússia, para defender o Fulham, da Inglaterra. O valor da transferência, 4,7 milhões de euros (R$ 17,1 milhões), nem parece grande coisa no mercado atual. Mas foi o suficiente para colocá-lo no top 7 de jogadores mais caros da história da Islândia.

Além do defensor, outros oito integrantes da seleção que surpreendeu e conquistou o público ao alcançar pela primeira vez as quarta de final da Eurocopa, entre junho e julho, já mudaram de clube depois da competição.

E a maioria das transações obedeceu à mesma lógica de ascensão de Sigurdsson, a troca de um mercado menor por outro mais expressivo e rico.

O lateral esquerdo Ari Skúlason, por exemplo, saiu da Dinamarca para jogar no Lokeren, da Bélgica. Já o meia Rúnar Sigurjónsson deixou o futebol da Suécia e vai atuar no Grasshoppers, um dos times mais tradicionais da Suíça.

O boom islandês pode ser medido em números. A atual janela de transferências, que nos principais campeonatos europeus se encerra nesta quarta-feira, já bateu o recorde de dinheiro gasto em contratações de jogadores do país nórdico.

As transações envolvendo islandeses nesta janela já movimentaram pelo menos 23 milhões de euros (R$ 83,4 milhões).

A marca anterior era da temporada 2014/15, quando foram gastos 22,3 milhões de euros (R$ 81,3 milhões, na cotação atual) na contratações de atletas da Islândia. No entanto, quase metade desse dinheiro (10,1 milhões de euros) foi aplicado em um único nome, o meia Gylfi Sigurdsson do Swansea City.

Em alta na Europa depois da campanha história continental, o futebol islandês terá nesta temporada dois jogadores na primeira divisão do Campeonato Inglês, a liga nacional mais rica do mundo.

Também terá representantes nas elites de Itália, França, Alemanha, Bélgica, Suíça e Áustria, só para citar os países mais tradicionais.

Enquanto os jogadores colhem os frutos da histórica Euro-2016, a seleção da Islândia já pensa em voos ainda mais altos, como a inédita classificação para uma Copa do Mundo.

Os nórdicos estreiam nas eliminatórias do Mundial da Rússia na próxima segunda-feira, contra a Ucrânia, fora de casa. Croácia, Turquia, Finlândia e Kosovo são seus outros adversários no Grupo I do qualificatório.


Mais de Cidadãos do Mundo

Remanescente da Copa, zagueiro alemão busca dobradinha inédita em 78 anos
Rival do Brasil, Honduras tem zagueiro dono de recorde em Copa do Mundo
5 garotos para ficar de olho na nova temporada europeia
Caçula do futebol, 10 da Dinamarca só jogou na base e é fã de Bieber
Quem serão os campeões de 2016/17? Participe do “Bolão do Futebol Europeu”

 


Goleiro da Islândia disputou a Euro-2012, mas foi a Euro da música
Comentários Comente

Rafael Reis

O goleiro da Islândia, uma das sensações da Eurocopa-2016 e adversária desta segunda-feira da Inglaterra por vaga nas quartas de final da competição, já sabe o que fazer quando se aposentar do futebol profissional.

Hannes Halldorsson, 32, irá retomar a carreira de diretor de vídeo, deixada de lado três anos atrás, quando abandonou seu país para jogar na Noruega e poder viver exclusivamente do esporte.

O camisa 1 islandês tem, inclusive, a promessa de que terá seu emprego de volta na SagaFilm, a maior produtora de vídeos do arquipélago no meio do Oceano Atlântico, assim que voltar para casa.

“Tenho que agradecer aos meus empregados, que me encorajam a jogar no exterior. Eles me deram uma licença indefinida, e terei meu emprego de volta quando essa aventura terminar”, disse, em 2013, ao assinar com o Sandnes Ulf.

Atualmente vinculado ao NEC, da Holanda, Halldorsson passou a maior parte da sua vida adulta se dividindo entre o futebol e os vídeos.

Quatro anos atrás, muito antes de imaginar que sua seleção poderia chegar tão longe, ele participou de uma espécie de versão musical da Eurocopa ao dirigir o clipe de “Never Forget”, música que representou a Islândia na Eurovision, uma competição anual de canções entre países de todo o continente.

“Eu quase nunca podia desligar. Quando achava que dava para descansar, alguma coisa aparecia e eu voltava ao trabalho. A carga de trabalho era cansativa, por isso é bom agora poder me dedicar só ao futebol”, afirmou, também na época da ida para a Noruega.

Quem se divertia com o Halldorsson diretor de vídeos era o atacante Eidur Gudjohnsen, ex-Barcelona e maior nome da história do futebol da Islândia, com quem divide quarto nas convocações da seleção há tempos.

“Ele achava muita graça de ver com o computador no quarto editando e ficava em pé atrás de mim querendo assistir aos vídeos para saber como estavam ficando.”

Agora dedicando-se exclusivamente ao futebol, mas já com planos de lançar seu primeiro longa-metragem, Halldorsson se destacou na Euro-2016 logo na estreia da seleção islandesa, quando parou Cristiano Ronaldo e segurou o empate contra a Portugal.

Nesta segunda, contra a Inglaterra, seu sonho terá mais um importante capítulo. E quem sabe a épica história da Islândia na competição não se torne um roteiro cinematográfico… O diretor, está fácil de achar.


Mais de Cidadãos do Mundo

Celeiro de craques, escola revelou 4 titulares da seleção alemã
5 destaques da Copa América Centenário para seu time contratar
Filho de banqueiro, capitão francês nasceu rico e sonhava com Roland Garros
Galã da Euro, Giroud é louco por Beckham e já posou nu


< Anterior | Voltar à página inicial | Próximo>