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Europa virou a “dona” da Copa do Mundo. E domínio pode estar só começando
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Rafael Reis

Pela quarta edição consecutiva, a Copa do Mundo terá uma seleção europeia como campeã. Pela segunda vez neste século, todos os quatro semifinalistas da competição são do Velho Continente.

Não é preciso mais que uma reflexão rápida para perceber que a Europa virou a “dona” do futebol mundial.

A má notícia para brasileiros, argentinos, uruguaios e torcedores de todos os outros continentes é que essa hegemonia não tem data para acabar. E é bem possível que ela aumente ainda mais nos próximos anos.

Quem diz isso não sou eu, mas sim os resultados das categorias de base. Ainda que revelar jogadores seja mais importante que levantar taças nos torneios para jovens, o que anda acontecendo nos Mundiais sub-17 e sub-20 diz muito sobre o futuro do futebol.

E o que anda acontecendo? A Europa, que até pouco tempo atrás era quase “café com leite” nessas competições e via sul-americanos e africanos nadarem de braçada, vem colecionando um título atrás do outro.

O exemplo mais expressivo é o do Mundial sub-20. O torneio, que teve apenas uma conquista europeia entre 1993 e 2011 (Espanha-1999), vem de três conquistas consecutivas de equipes do continente onde o futebol nasceu.

Em 2013, deu França (com Samuel Umtiti e Paul Pogba no elenco). Dois anos depois, foi a vez da Sérvia se sagrar campeã. E a última edição da competição para jovens de até 20 anos foi vencida pela Inglaterra.

A mesma Inglaterra que também é a atual campeã mundial sub-17. No ano passado, o English Team faturou a taça ao derrotar a Espanha na final. Foi a primeira decisão 100% europeia em 32 anos de história do torneio juvenil.

Ou seja, tudo leva a crer que essa fase de hegemonia do Velho Continente no futebol mundial, sobretudo na Copa, ainda terá alguns capítulos antes de chegar ao fim.

São vários os motivos que fizeram sul-americanos, africanos e asiáticos ficarem para trás na corrida contra os europeus. Mas o principal deles é, sem dúvida, o bom trabalho focado em planejamento e inteligência na formação de jogadores.

Enquanto países como Brasil e Argentina terceirizam a função de criar jovens atletas e deixam toda a responsabilidade desse processo na mão de clubes (cada qual com sua filosofia própria), muitos países europeus adotam filosofias unificadas no desenvolvimento dos seus candidatos a profissionais do futebol.

Responsável pela queda brasileira na Rússia-2018 e uma das semifinalistas da Copa, a Bélgica adota desde a década passada critérios únicos para a formação de jogadores em todo o país. Todos os clubes belgas usar nas categorias de base o mesmo esquema tático e processos semelhantes de treinamento.

O modelo já foi copiado por Alemanha e Inglaterra. A primeira, apesar da queda prematura nesta edição da Copa, é a atual campeã mundial. A segunda unificou os títulos sub-17 e sub-20 no ano passado.

Já a França, adversária dos belgas na semifinal, possui há 30 anos um centro de formação de jogadores mantido pela federação nacional. Clairefontaine recebe garotos talentosos de 12 a 15 anos que tenham potencial para vingar no futebol.

Parte considerável do elenco francês no Mundial da Rússia passou pelo centro. Pogba, Kylian Mbappé e Raphaël Varane são alguns dos titulares do técnico Didier Deschamps que treinaram por lá.


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Em busca do tetra, Europa tem melhor início de Copa em 20 anos
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Rafael Reis

Continente vencedor das três últimas edições da Copa do Mundo, a Europa tem dado mostras de que não pretende que essa hegemonia chegue ao fim na Rússia-2018.

Desde que a competição mais importante de futebol do planeta passou a ser disputada por 32 seleções, há 20 anos, na França, o futebol europeu nunca teve uma largada tão boa quanto neste ano.

Nas primeiras 20 partidas do Mundial da Rússia, os europeus conquistaram nada menos do que 72,5% dos pontos que disputaram. Foram 11 vitórias, quatro empates e somente duas derrotas.

O desempenho é muito superior ao de 2014, quando o Velho Continente teve aproveitamento de 52,1% com a mesma quantidade de jogos.

Antes da atual edição, o melhor retrospecto europeu em Copas com 32 seleções havia sido alcançado em 2006, justamente na última vez que o torneio foi jogado no continente. Na ocasião, a anfitriã Alemanha e seus vizinhos somaram 63,1% dos pontos disputados nas primeiras 20 partidas.

Na Rússia-2018, a maior parte das seleções europeias de primeiro escalão vem comprovando seu favoritismo. Portugal, Espanha, França, Croácia, Bélgica e Inglaterra venceram seus jogos contra oponentes mais fracos.

Além disso, houve surpresas positivas para o continente: os empates conquistados por Islândia e Suíça contra Argentina e Brasil, respectivamente, e o bom desempenho da Rússia, que obteve vitórias convincentes ante Arábia Saudita e Egito.

A única decepção grande foi a da Alemanha, derrotada por 1 a 0 pelo México na estreia. Além dos atuais campeões mundiais, somente a Polônia perdeu até o momento –levou 2 a 0 do Senegal.

Se a primeira fase terminasse agora, pelo menos nove das 14 seleções da Uefa estariam classificadas para as oitavas de final.

Desde a última ampliação no número de seleções participantes, a Europa venceu quatro das cinco Copas do Mundo disputadas. Em 1998, deu França. Em 2006, Itália. Em 2010, foi a vez da Espanha. E, quatro anos atrás, a Alemanha faturou seu tetra. O único intruso no período foi o Brasil, campeão em 2002.

Além da hegemonia recente, os europeus defendem na Rússia uma outra escrita. Dos dez Mundiais jogados no continente, só um teve como vencedor um forasteiro, outra vez o Brasil, de Pelé e Garrincha, na Suécia-1958.

O sucesso europeu nas três últimas Copas mudou a balança da divisão dos títulos mundiais. As seleções do Velho Continente somam 11 conquistas, contra nove das sul-americanas.

Se depender do início do Mundial da Rússia, essa diferença não deve diminuir no próximo mês.

APROVEITAMENTO POR CONTINENTE (APÓS 20 JOGOS)
Europa – 72,5%
América do Sul – 44,4%
América Central e do Norte – 33,3%
Ásia – 28,6%
África – 14,3%


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Dortmund é o campeão de público da Europa; Barça despenca sem Neymar
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Rafael Reis

Apesar de não ter conquistado nenhum título e de ter terminado o Campeonato Alemão com 29 pontos a menos que o Bayern de Munique, o Borussia Dortmund manteve nesta temporada o posto de torcida mais presente do futebol europeu.

De acordo com o site “World Football”, que compila dados de competições do mundo inteiro, o time aurinegro foi mais o vez o dono da maior média de público do continente.

Ao longo de 17 rodadas como mandante na Bundesliga, o Borussia Dortmund levou ao Signal Iduna Park 1.351.439 torcedores.

A média de 79.496 pessoas por partida foi um pouco inferior à da temporada passada (79.653), mas ainda lhe assegura, com relativa folga, o primeiro lugar no ranking de presença nos estádios.

Além do antigo time do técnico Jürgen Klopp, atualmente no Liverpool, apenas outros dois clubes registraram médias de público acima dos 70 mil torcedores nos campeonatos nacionais da Europa em 2017/18: o Bayern de Munique (75.000) e o Manchester United (74.976).

O Barcelona, que também fazia parte desse grupo até a última temporada, sofreu com uma espécie de debandada de público depois da venda de Neymar para o Paris Saint-Germain.

Mesmo com a brilhante campanha que culminou na conquista tranquila do Campeonato Espanhol, a média de espectadores no Camp Nou caiu mais de 16%: de 77.944 torcedores/jogo para 64.901.

Resultado: pela primeira vez desde 2008/09, o Barça registrou média de público inferior à do Real Madrid, atual bicampeão europeu e novamente finalista da Liga dos Campeões na atual temporada.

Dos dez clubes com melhor média de público da Europa, quatro são ingleses (Manchester United, Tottenham, Arsenal e West Ham), três são alemães (Dortmund, Bayern e Schalke 04), dois são espanhóis (Barça e Real) e um é italiano (Inter de Milão).

A única das cinco maiores ligas do continente que não aparece representada no topo do ranking é a francesa, cujo time mais popular, o PSG, teve média de 46.930 espectadores por jogo (contra 45.317 do ano anterior).

A média geral dos cinco grandes campeonatos nacionais cresceu em relação à temporada passada –mesmo levando em conta que o Italiano, o Espanhol e o Francês ainda têm uma rodada a ser disputada.

Em 2017/18, a média de torcedores no estádio a cada jogo dessas competições é de 30.920, alta de 7% em relação aos 28.837 pagantes do ciclo anterior.

MAIORES MÉDIAS DE PÚBLICO DA EUROPA (2017/18)

1º – Borussia Dortmund (ALE) – 79.496
2º – Bayern de Munique (ALE) – 75.000
3º – Manchester United (ING) – 74.976
4º – Tottenham (ING) – 67.953
5º – Real Madrid (ESP) – 65.647
6º – Barcelona (ESP) – 64.901
7º – Schalke 04 (ALE) – 61.297
8º – Arsenal (ING) – 59.323
9º – Inter de Milão (ITA) – 57.529
10º – West Ham (ING) – 56.885


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Segundonas da Europa tem até ex-jogadores da seleção brasileira
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Rafael Reis

Eles já foram protagonistas de grandes times do futebol brasileiro, tiveram momentos de sucesso na Europa e, em alguns casos, passaram até mesmo pela seleção.

Mas, hoje estão longe do glamour da elite. Continuam na Europa, mas em competições de segunda divisão. Enfrentam adversários menos conhecidos e que, na maioria das vezes, não tiveram tantas oportunidades na carreira quanto eles.

As Séries B dos principais Nacionais do Velho Continente estão repletas de jogadores brasileiros. E alguns deles, vocês conhecem muito bem.

ANDRÉ SANTOS

Depois de disputar o último Campeonato Paulista pelo Botafogo e até ser pego no doping (testou positivo para o diurético Hidroclorotiazida), o ex-lateral esquerdo do Corinthians e do Arsenal de 32 anos escolheu a calma da segunda divisão suíça para recomeçar.

Seu Wil 1900 ocupa a quarta posição na competição. E André Santos, depois de um bom começo com gols e assistências, passou os últimos jogos como opção no banco de reservas.

Andre Santos

BETÃO

Aos 31 anos, o ex-zagueiro e capitão do Corinthians decidiu no meio do ano retornar ao francês Evian depois de uma rápida passagem de seis meses pelo Dínamo de Kiev, outro clube que ele já havia defendido.

Mas ao contrário da primeira ida ao Evian, quando enfrentou PSG e Lyon na elite francesa, Betão agora se deparou com a segunda divisão.  Sua equipe é a quinta colocada em um torneio em que só sobem dois, e o brasileiro é titular absoluto da defesa.

GIVA

Um dos jovens que teve a prioridade de venda negociada pelo Santos com o Barcelona durante a transferência de Neymar, o atacante Giva, 22, foi mesmo parar na Catalunha. Mas seu destino não foi o Barça, mas sim o Llagostera, da segunda divisão espanhola.

Depois de perder espaço no clube que o revelou e não renovar seu contrato, no fim do ano passado, o jogador ainda passou pelo Coritiba no primeiro semestre antes de se mudar para a Espanha.

Giva só agora se firmou como titular do Llagostera, que ocupa uma modesta 16ª colocação no campeonato e parece longe de brigar pelo acesso. Em oito jogos, ele marcou apenas dois gols.

LUCAS PIAZÓN

Após ser emprestado para times de Espanha, Holanda e Alemanha nas últimas temporadas, o atacante Lucas Piazón, 21, ex-São Paulo, afirmou ao Chelsea, clube dono dos seus direitos econômicos, que gostaria de jogar na Inglaterra neste ano.

A solução encontrada pelo time londrino foi mandá-lo para a Championship. Apesar de ter feito apenas um gol até o momento, o brasileiro tem ajudado o Reading a se manter na briga para retornar à Premier League.

O clube de Lucas Piazón é o terceiro colocado na segunda divisão inglesa e hoje disputaria os playoffs para subir à elite.

SANDRO

Ex-jogador da seleção principal e medalhista de prata nos Jogos Olímpicos de Londres-2012, o volante Sandro, 26, não foi até a segunda divisão inglesa. Foi a Championship que chegou até ele.

O atleta revelado pelo Internacional foi rebaixado com o Queens Park Rangers na temporada passada e resolveu continuar por lá neste ano.

Envolto em problemas físicos, o brasileiro só estreou na temporada em outubro, mas já se tornou titular da equipe, décima colocada na competição.

Sandro

TADDEI

O meia revelado pelo Palmeiras e que atuou por uma quase uma década na Roma não parou, apenas deixou o clube da capital italiana para se aventurar na segunda divisão do calcio.

Rodrigo Taddei, 35, é o hoje o camisa 10 do Perugia, time que luta contra o rebaixamento para a terceira divisão. Mas a temporada do brasileiro até aqui se resume a seis minutos de um jogo válido pela Coppa Italia.

 

 


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