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Arquivo : croácia

Capitão aos 21, Modric aprendeu português para xingar parceiros brasileiros
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Rafael Reis

Indicado ao prêmio de melhor jogador do mundo pela primeira vez na carreira, o croata Luka Modric, do Real Madrid, era um garoto de apenas 21 anos quando se tornou capitão do Dínamo Zagreb. Franzino para os padrões do futebol moderno (tem 1,72 m e 66 kg) e mais novo do que boa parte do elenco que comandava, o meia encontrou uma maneira inusitada de conseguir chamar a atenção dos seus companheiros de equipe.

Modric só usava o idioma croata para dar bronca nos jogadores naturais da região que fez parte da antiga Iugoslávia. Se o alvo das suas críticas era um estrangeiro, a ofensa geralmente vinha na língua natal dele.

“Isso realmente aconteceu. Quando ele se tornou capitão, precisou encontrar um jeito de mostrar que tinha liderança. Como éramos cinco brasileiros no time, ele aprendeu português. E, vira e mexe, a gente levava uma dura dele dentro de campo”, relembra o zagueiro Carlos.

O defensor foi revelado no São Paulo e atuou ao lado de Modric no Dínamo Zagreb entre 2006 e 2008. O meia assumiu a braçadeira de capitão na segunda temporada de Carlos na Croácia, logo após a venda do atacante Eduardo da Silva para o Arsenal.

“Quando viam ele fora de campo, ninguém dava nada por causa da estatura. Mas, dentro das quatro linhas, a qualidade dele chamava muito a atenção. Por isso, todo mundo o respeitava demais.”

Apelidado de “Burrito” pelo ex-parceiro que se tornou um dos grandes nomes do futebol mundial, Carlos tinha um relacionamento bastante próximo em campo com Modric. Afinal, como atuava improvisado pela faixa esquerda, acabava jogando no mesmo lado do capitão e futuro astro.

“Ele ficava muito louco quando eu não passava a bola. Aí, no fim do jogo, chegava para mim e dizia: ‘Amigo Burrito, quando estiver em dificuldade, é só tocar para mim que eu resolvo’”.

Juntos, Modric e Carlos conquistaram os dois títulos croatas que disputaram. Em 2008, o meia se transferiu para o Tottenham por 21 milhões de euros (R$ 91 milhões, na cotação atual). Quatro anos depois, veio a transferência para o Real Madrid por 30 milhões de euros (R$ 130 milhões).

No clube espanhol, o camisa 10 chegou ao auge de sua carreira. Venceu quatro das últimas cinco edições da Liga dos Campeões da Europa e, neste ano, foi o protagonista da Croácia vice-campeã mundial. O sucesso na Copa-2018 lhe rendeu a indicação para o prêmio da Fifa.

“Meu voto é dele. Por tudo que ele fez, merece ser escolhido o melhor do mundo”, completa Carlos.

Modric, Cristiano Ronaldo (Juventus) e Mohamed Salah (Liverpool) disputam na próxima segunda-feira o título de melhor jogador do planeta na temporada 2017/18. O único veterano do prêmio é o português, que já venceu a eleição cinco vezes e busca se isolar como o maior campeão do troféu instituído pela Fifa.


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Vice na Rússia, Croácia deve sofrer com renovação e é incógnita na Copa-22
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Rafael Reis

A Croácia conquistou torcedores do planeta inteiro no último mês com um futebol cheio de técnica e determinação, sagrou-se vice-campeã da Copa-2018 e obteve o maior feito de toda sua história.

Mas isso não significa que a seleção da camisa quadriculada terá vida fácil nos próximos quatro anos. Seu futuro parece um tanto quanto nebuloso. E até mesmo a ausência no Mundial do Qatar não será nenhuma surpresa.

O principal problema para o técnico Zltako Dalic (ou para qualquer outro que venha a substitui-lo) é que os principais nomes da equipe estão na reta final da carreira. E os integrantes da nova geração não parecem tão bons quanto eles.

O meia Luka Modric, maestro da seleção na Rússia, já terá 36 anos na próxima Copa. Mesmo que continue na equipe, dificilmente terá condições físicas de atuar no alto nível a que os torcedores croatas e do Real Madrid estão acostumados.

O goleiro Danijel Subasic, o lateral esquerdo Ivan Strinic, o meia Ivan Rakitic e o atacante Mario Mandzukic, outros pilares da equipe vice-campeã mundial, também já entraram na casa dos 30 anos e vivem situação semelhante.

Mesmo jogadores um pouco mais novos, como os zagueiros Dejan Lovren e Domagoj Vida, além do meia-atacante Ivan Perisic, todos de 29 anos, já não são tão jovens assim e chegarão no Mundial-2022 como veteranos.

A solução será apostar em uma nova geração. Só que ela não dá pinta de ser tão talentosa quanto a atual e está sofrendo para se firmar no cenário europeu.

A grande esperança dessa safra de jovens era o meia-atacante Alen Halilovic. Aos 18 anos, ele era comparado a Messi e acabou contratado pelo Barcelona. Quatro temporadas depois, chegou ao Milan sem custos no começo deste mês e após passagens de pouco brilho por Sporting Gijón, Hamburgo e Las Palmas.

Outros nomes que devem fazer do ciclo 2018-22 da Croácia ainda precisam mostrar algo em times de um escalão superior.

Esse é o caso do zagueiro Filip Benkovic, 21, que ainda atua no Dínamo Zabreb, mas está na mira do Chelsea.

Os meias Ante Coric, 21, recém-chegado à Roma, e Mario Pasalic, 23, que pertence ao Chelsea, mas foi emprestado ao Spartak Moscou na temporada passada, também têm de se destacar em um nível mais alto para aumentar a esperança da Croácia para 2022.

Por enquanto, repito, o futuro croata não parece tão bom quanto seu presente.

Possível Croácia para 2022: Lovre Kalinic; Vrsaljko, Lovren, Benkovic (Caleta-Car) e Pivaric; Brozovic, Kovacic e Coric (Pasalic); Rebic, Kramaric e Perisic (Pjaca)


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Com 5 técnicos em 6 anos, Croácia “rasga cartilha” do sucesso no futebol
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Rafael Reis

Um trabalho de longo prazo, com a manutenção do mesmo técnico por anos a fio, que permita aos jogadores conhecerem os detalhes daquela ideia de jogo, automatizarem os movimentos e executarem perfeitamente tudo aquilo que foi planejado pela comissão técnica.

Esse é o ideal da montagem de um time vencedor de futebol. Um ideal que a Croácia resolveu rasgar para fazer história na Copa do Mundo-2018.

A seleção, que estreia neste domingo em finais da competição de futebol mais importante do planeta, contra a França, teve nada menos do que cinco treinadores diferentes ao longo dos últimos seis anos.

O ex-volante Zlatko Dalic, 51, está no cargo desde outubro. Ele foi contratado para salvar a equipe na última rodada das eliminatórias europeias da Copa, conseguiu bater a Ucrânia fora de casa e levou os croatas para a repescagem, onde desbancou a Grécia.

Com apenas 13 jogos no currículo, sendo oito vitórias, três empates e duas derrotas, será o homem sentado no banco de reservas no dia mais importante da história do futebol croata, o dia que pode consagrar como campeã mundial um pequeno país de 4 milhões de habitantes e menos de 30 anos de independência.

“Não tive muito tempo para trabalhar com os jogadores quando assumi o time antes das partidas decisivas das eliminatórias. Então, passo mais tempo conversando com eles, tentando lhes dar a confiança necessária. A Croácia tem um time talentoso. Meu trabalho é reunir o talento desses jogadores e maximizar o potencial do time”, afirmou o treinador, em entrevista ao “Blog do Rafael Reis”, quatro meses antes da Copa.

Dalic, cujo momento mais expressivo da carreira antes do Mundial havia sido a conquista do campeonato dos Emirados Árabes pelo Al-Ain, substituiu na seleção Ante Cacic, que ficou dois anos na função e não resistiu às eliminatórias.

Cacic, por sua vez, foi o substituto de Niko Kovac, agora comandante do Bayern de Munique, que não conseguiu levar a Croácia além da fase de grupos na Copa-2014. Antes, Igor Stimac havia durado só 15 jogos no cargo. E Slaven Bilic deixou a seleção após a queda na primeira fase da Euro-2012.

Tudo isso aconteceu em um período de apenas seis anos, justamente o tempo em que Didier Deschamps, adversário croata na final deste domingo, comanda a França.

Ao contrário dos rivais na decisão da Copa, os franceses fizeram tudo que a “cartilha do futebol” manda. Mantiveram o capitão da conquista de 1998 à frente da equipe mesmo depois da eliminação nas quartas de final no Mundial passado e da traumática derrota para Portugal na final em casa da Euro-2016.

O resultado foi o fim da desconfiança sobre Deschamps. Se antes da Rússia-2018, a torcida duvidada da sua capacidade de transformar um grupo de jogadores dos mais talentosos em um time da verdade, agora essa discussão ficou passado.

E ficará ainda mais se a França mostrar para a Croácia neste domingo que um trabalho de longo prazo pode fazer toda a diferença.

TÉCNICOS DA CROÁCIA DESDE 2012:

Slaven Bilic (2006-2012): 65 jogos, 64,6% de aproveitamento
Igor Stimac (2012-2013): 15 jogos, 53,3% de aproveitamento
Niko Kovac (2013-2015): 19 jogos, 52,6% de aproveitamento
Ante Cacic (2015-2017): 25 jogos, 60% de aproveitamento
Zlatko Dalic (2017): 13 jogos, 61,5% de aproveitamento


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Precoce, Mbappé pode ser campeão mais jovem como titular em 36 anos
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Rafael Reis

É raro um adolescente conseguir conquistar a Copa do Mundo como titular de sua seleção.

Algo tão raro que Kylian Mbappé pode se tornar neste domingo, quando França e Croácia se enfrentam em Moscou pelo título da Rússia-2018, o jogador mais jovem dos últimos 36 anos a conseguir esse feito.

Com 19 anos, sete meses e 25 dias, o atacante francês do Paris Saint-Germain é mais novo do que todos os titulares das equipes vencedoras das últimas oito edições da competição mais importante de futebol do planeta.

Para encontrar um campeão com idade mais baixa do que o camisa 10, é preciso retornar à 1982.

Na ocasião, o então lateral direito (e posteriormente zagueiro) Giuseppe Bergomi, da Inter de Milão, ajudou a Itália a derrotar a Alemanha por 3 a 1 e se sagrar tricampeã mundial com apenas 18 anos, sete meses e 19 dias.

Mas o caso de Bergomi é uma rara exceção. Quatro anos atrás, a Alemanha venceu a Copa no Brasil com um elenco que não tinha sequer um jogador com menos de 20 anos.

Na decisão contra a Argentina, o titular mais jovem escalado pelo técnico Joachim Löw foi o meio-campista Christoph Kramer, que já havia completado o 23º aniversário.

Mbappé não é só mais jovem do que os jogadores da seleção alemã campeã da Copa-2014. Ele também tem menos idade que todos os integrantes das últimas cinco equipes vencedoras do torneio.

O último atleta com idade menor que a promessa francesa a levantar a taça foi o atacante brasileiro Ronaldo, que tinha apenas 17 anos em 1994, a quem o camisa 10 vem sendo muito comparado.

A diferença é que o Fenômeno nem entrou em campo nos Estados Unidos. Já Mbappé não só é figura central na seleção da França, como é candidato real ao prêmio de melhor jogador do torneio.

Na primeira Copa de sua carreira, o atacante marcou três vezes, teve uma atuação de gala nas oitavas de final contra a Argentina e impressionou o planeta com muita velocidade, capacidade de driblas os adversários e toques precisos para seus companheiros.

Mbappé tem apenas dois anos e meio como profissional. Ele estreou pelo Monaco em dezembro de 2015 e foi protagonista da equipe semifinalista da Liga dos Campeões na temporada 2016/17.

Vendido ao PSG por 180 milhões de euros (R$ 811 milhões), segundo maior valor já pago por um jogador de futebol, chegou à seleção principal em março do ano passado e rapidamente virou titular.

Em 21 partidas pela equipe finalista da Copa-2018, soma sete gols e cinco assistências. Agora, quer o recorde mais importante de sua carreira. Um recorde que vale o título que todo jogador, adolescente, no auge ou já em fim de carreira, sonha conquistar.


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Seleção mais cansada só venceu duas das últimas 9 finais de Copa
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Rafael Reis

A França é apontada como favorita contra a Croácia na decisão da Copa do Mundo e um dos motivos é porque vai chegar à partida de domingo em melhores condições físicas. Enquanto a adversária disputou três prorrogações, o time de Mbappé, Griezmann e Pogba resolveu todos seus confrontos de mata-mata no tempo normal.

O raciocínio, feito por muita gente depois da definição das finalistas da Rússia-2018, pode até parecer simplista. Mas a história da competição mais importante de futebol do planeta mostra que ele faz todo sentido.

Em apenas duas das últimas nove edições da Copa, a seleção que chegou à decisão mais cansada conseguiu reverter essa desvantagem e conquistar o título.

Curiosamente, as únicas finais que tiveram esse desfecho também tinham a França em campo. Em 2006, a Itália driblou o cansaço maior para se sagrar tetracampeã mundial ante os Bleus nos pênaltis, após empate por 1 a 1 em 120 minutos de futebol.

Doze anos atrás, os italianos foram à decisão com uma prorrogação nas costas, a da semifinal contra a Alemanha. Por outro lado, os franceses venceram os três jogos da fase final do Mundial sem precisar de tempo extra.

Já em 1998, a França tinha a desvantagem física contra o Brasil. Afinal, já tinha enfrentado duas prorrogações, contra apenas uma do rival. Mesmo assim, aplicou um implacável 3 a 0 na final.

Ou seja, a situação com que a Croácia sonha no domingo já aconteceu. Mas o padrão é justamente o oposto.

Desde a década de 1980, cinco finais de Copa foram vencidas pela seleção que estava mais descansada. Itália (1982), Argentina (1986), Alemanha (1990), Brasil (1994) e Alemanha (2014) ganharam decisões em que haviam disputado um número menor de prorrogações que seus adversários.

Em outros dois Mundiais no período, o de 2002 (Brasil x Alemanha) e o de 2010 (Espanha x Holanda), nenhuma das finalistas precisou encarar tempos extras durante a competição.

Em busca de um título inédito, a Croácia é a primeira seleção da história das Copas a sobreviver a três prorrogações em uma mesma edição do torneio.

O teste de resistência começou nas oitavas de final, quando derrotou nos pênaltis a Dinamarca. Nas quartas, precisou novamente das penalidades para eliminar a anfitriã Rússia. A semifinal contra a Inglaterra foi um pouco mais curta. O gol de Mario Mandzukic decidiu o jogo nos 120 minutos de bola rolando.

Já a França não precisou queimar tanta energia assim. Seu caminho nos mata-matas teve início com uma vitória por 4 a 3 contra a Argentina, passou por um triunfo por 2 a 0 sobre o Uruguai e foi completado com um magro 1 a 0 ante a Bélgica.

Além do desgaste menor durante a competição, os franceses têm outra vantagem física sobre seus adversários na final: um dia extra de descanso, já que jogaram na terça-feira e a Croácia, na quarta.


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Por onde andam os jogadores da Croácia que foi 3ª colocada na Copa-98?
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Rafael Reis

Luka Modric, Ivan Rakitic e Mario Manduzic disputam nesta quarta-feira o jogo mais importante de suas carreiras. Se derrotarem a Inglaterra, em Moscou, colocarão a Croácia pela primeira vez na final de uma Copa do Mundo e superarão a lendária geração de Davor Suker, Zvonomir Boban e Robert Prosinecki.

Em 1998, menos de uma década depois da independência do país, os croatas estrearam na história dos Mundiais fazendo bonito. Derrotaram Romênia, Alemanha e Holanda e terminaram a competição na terceira posição.

A Croácia só não foi a adversária do Brasil na final da Copa porque parou em Lilian Thuram. O então lateral direito teve a grande atuação de sua carreira na semifinal e marcou os dois gols da vitória por 2 a 1 da França, anfitriã e futura campeã do torneio.

Mas a campanha foi suficiente para colocar os croatas na história. Vinte anos depois, seus nomes ainda são muito lembrados pelos torcedores do mundo todo. Mas o que será que eles estão fazendo da vida? Respondemos essa pergunta logo abaixo.

POR ONDE ANDA? – CROÁCIA (1998)

Drazen Ladic (55 anos) – O ex-goleiro é o elo entre a geração que foi terceira colocada em 1998 e o time semifinalista desta edição da Copa. Ladic é um dos auxiliares do técnico Zlatko Dalic. Esta é a terceira vez que ele trabalha para a federação croata. No começo do século, passou dois anos como preparador de goleiros da seleção principal. Depois, entre 2006 e 2011, comandou o time sub-21. Ladic foi demitido acusado de ter falsificado a documentação do seguro do seu carro em um acidente automobilístico. No começo de ano, foi recontratado.

Dario Simic (42 anos) – Um dos caçulas da equipe que foi à Copa-1998, construiu uma carreira de sucesso no futebol italiano, onde defendeu Inter de Milão e Milan. O defensor, que atuava como lateral direito e zagueiro, ainda passou pelo Monaco e jogou profissionalmente até 2010. Desde 2016, faz parte do conselho administrativo do Palermo, penúltimo colocado do Campeonato Italiano na última temporada.

Slaven Bilic (49 anos) – O ex-zagueiro de posições firmes, que se define como socialista de carteirinha e toca em uma banda de rock, construiu uma carreira bem interessante como treinador após deixar os gramados. Bilic dirigiu a seleção principal da Croácia entre 2006 e 2012 e levou a equipe até as quartas de final da Euro-2008. Depois, ainda dirigiu o Lokomotiv Moscou, o Besiktas e o West Ham.

Igor Stimac (50 anos) – Assim como Bilic, seu companheiro de zaga em 1998, o ex-jogador de West Ham e Derby County também teve a chance de dirigir a seleção. Stimac comandou a Croácia entre 2012 e 2013, mas entregou o cargo devido a uma série de resultados negativos. Como técnico, o ex-zagueiro foi campeão croata em 2005 pelo Hadjuk Split e também trabalhou no Irã e no Qatar.

Robert Jarni (49 anos) – O lateral esquerdo fez tanto sucesso na Copa da França que acabou trocando o Betis pelo Real Madrid depois da competição. Jarni ainda disputou o Mundial de 2002 antes de se aposentar e passar a jogar futsal. A carreira no outro esporte durou pouco e deu lugar a uma trajetória como técnico. Após trabalhar em times de relevância menor, o ex-atleta dirige desde o ano passado a seleção croata sub-19.

Zvonimir Soldo (50 anos) – Cão de guarda da defesa croata em 1998, o volante disputou mais de 300 partidas pelo Stuttgart, clube que defendeu por dez anos e onde se aposentou, em 2006. Dois anos depois, Soldo estreou como técnico e levou o Dínamo Zagreb à conquista do título croata. O ex-jogador também dirigiu o Colônia, mas sem o mesmo sucesso. Após seis anos de inatividade, voltou aos bancos de reserva em 2017 e foi assistente do Shandong Luneng, da China.

Aljosa Asanovic (52 anos) – O ex-meia do Napoli entrou para a história em 1990, quando marcou o primeiro gol da seleção croata após o país se separar da Iugoslávia (vitória por 2 a 1 sobre os EUA). Asanovic vestiu a camisa quadriculada por uma década e deixou os gramados em 2002. Após trabalhar como assistente técnico da seleção e do Lokomotiv Moscou, estreou como treinador no ano passado no Melbourne Knights, clube semiprofissional da Austrália, onde está até hoje.

Zvonomir Boban (49 anos) – Capitão e maestro da seleção de 1998, é um dos maiores nomes da história do futebol croata. O meia defendeu o Milan durante dez anos, conquistou quatro títulos italianos e venceu uma Liga dos Campeões com a camisa rossonera. Após a aposentadoria, Boban passou 14 anos trabalhando como comentarista de TV na Itália. Atualmente, o ex-camisa 10 é secretário-geral adjunto da Fifa.

Mario Stanic (46 anos) – Atacante de lado de campo, vestiu camisas pesadas do futebol europeu, como Benfica, Parma e Chelsea. Aposentado desde 2004, voltou ao esporte em 2011, quando foi contratado pelo Brugge para trabalhar como olheiro e observar jovens promessas do esporte. Sete anos depois, Stanic continua ocupando a mesma função.

Davor Suker (50 anos) – Nome de maior destaque na histórica campanha croata em 1998, acabou a Copa do Mundo como artilheiro e segundo melhor jogador da competição. O ex-centroavante no Real Madrid e também defendeu Sevilla, Arsenal e West Ham. Suker entrou no mundo da política esportiva depois da aposentadoria e, desde 2012, presidente da Federação Croata de Futebol. Ele também cumpre mandato como membro do comitê administrativo da Uefa.

Goran Vlaovic (45 anos) – Dividia com Suker a responsabilidade de marcar os gols croatas na Copa-1998, mas só marcou uma vez em toda a competição (na vitória por 3 a 0 sobre a Alemanha, pelas quartas de final). No total, Vlaovic disputou 52 jogos pela seleção e participou também do Mundial de 2002. Seu melhor momento em clubes foi a passagem pelo Valencia, entre 1996 e 2000.

Robert Prosinecki (49 anos) – Meio-campista de enorme talento que fez sucesso pelo Real Madrid e também defendeu o Barcelona na década de 1990, chegou a disputar uma Copa da Itália pela Iugoslávia antes da independência croata. Prosinecki trabalhou como assistente de Bilic na seleção antes de iniciar carreira solo, em 2010. Após passar por Estrela Vermelha, Kayserispor e pela seleção do Azerbaijão, assumiu neste ano o comando da Bósnia.

Silvio Maric (43 anos) – Assim como Prosinecki, também começou a semifinal contra a França no banco de reservas e só foi usado no decorrer da partida. O meia-atacante fez a maior parte de sua carreira no próprio futebol croata e defendeu a seleção em 19 partidas entre 1997 e 2002.

Miroslav Blazevic (83 anos) – O treinador de origem bósnia já tinha uma longeva carreira, com direito a títulos iugoslavo, suíço e croata, quando assumiu o comando da seleção, em 1994. Blazevic permaneceu à frente da equipe durante seis anos. Depois de 2000, ainda dirigiu as seleções do Irã e da Bósnia, além de ter trabalhado na China, na Suíça e na Eslovênia. O técnico está aposentado desde 2014.


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Rafael Reis

Goleiro da seleção russa nas Copas de 1994 e 2002 e técnico da equipe há dois anos, Stanislav Cherchesov se tornou nas últimas semanas um dos nomes mais queridos do país anfitrião do Mundial-2018.

Afinal, pela primeira vez desde a dissolução da União Soviética, o país passou da primeira fase da competição mais importante de futebol do planeta, avançou pelas oitavas de final, chegou às quartas e joga neste sábado, contra a Croácia, em Sochi, por uma surpreendente classificação para a semifinal.

Situação bem diferente da vivida até o início do mês passado, quando Cherchesov era simplesmente o segundo treinador de pior desempenho de toda a história da seleção da Rússia.

Até o início da Copa, o cartel do ex-goleiro era de dar pena: cinco vitórias, seis empates e nove derrotas. Aproveitamento de apenas 35% dos pontos disputados, o segundo mais baixo dentre os 12 treinadores que passaram pelo time desde o fim da URSS.

O único treinador com desempenho inferior ao de Cherchesov foi o ucraniano Anatoliy Byshovets, que dirigiu o time em 1998 e perdeu todos os jogos que disputou. Não à toa durou só seis partidas no cargo.

O atual comandante russo chegou ao Mundial com um jejum de vitórias que já durava oito meses e sete apresentações. Derrotas para seleções que nem se classificaram para a Copa, como Áustria e Costa do Marfim, também não ajudavam a aliviar sua barra.

O temor de fracasso era geral, ainda mais depois das contusões de jogadores que seriam titulares, como os zagueiros Viktor Vasin (CKSA Moscou) e Giorgi Jikia (Spartak Moscou) e o atacante Aleksandr Kokorin (Zenit).

Mas tudo mudou assim que a bola rolou na Rússia. Os anfitriões estrearam metendo 5 a 0 na Arábia Saudita, fizeram um convincente 3 a 1 no Egito e perderam a partida que podiam (3 a 0 ante o Uruguai, no encerramento da fase de grupos).

Nas oitavas, seguraram a Espanha, campeã mundial de 2010, e conseguiram a classificação nos pênaltis. A preocupação de um vexame histórico deu lugar ao sonho da conquista de um título inédito.

Os números de Cherchesov, técnico que teve como grande momento de sua carreira a vitória no Campeonato Polonês de 2016, pelo Legia Varsóvia, continuam não sendo grande coisa. Seu aproveitamento na seleção agora subiu para 38,9%. Mas vocês acham que alguém na Rússia está ligando para isso?


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Guerra e refugiados transformam Suíça x Sérvia em “panela de pressão”
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Rafael Reis

Xherdan Shaqiri nasceu em Gjilan, cidade que hoje faz parte do território de Kosovo. Ainda bebê, mudou-se com seus pais e irmãos para a Suíça. O motivo: o desejo de viver em paz, longe dos horrores da guerra.

São histórias como a do meia-atacante do Stoke City (ING), escritas à base de sangue, que fazem com que o encontro entre suíços e sérvios, nesta sexta-feira, em Kaliningrado, pela segunda rodada do Grupo E da Copa do Mundo, seja muito mais do que uma mera partida de futebol.

Para sete dos 23 jogadores convocados pelo técnico Vladimir Petkovic para a Rússia-2018, a Sérvia não é apenas uma adversária por vaga nas oitavas de final, mas sim uma antiga inimiga de guerra que transformou completamente os rumos de suas vidas.

Três deles nasceram na Iugoslávia. Outros quatro são descendentes de minorias étnicas que faziam parte do antigo país. Todos encontraram na Suíça um lar quando os conflitos começaram.

O processo de desintegração da Iugoslávia, que era liderada por um governo de maioria sérvia, durou praticamente toda a década de 1990 e foi marcado por sucessivas guerras que provocaram a morte de 30 mil pessoas e uma enorme onda migratória de refugiados.

Mais de 30% da atual seleção suíça é filha desses conflitos. Além de Shaqiri, o volante Granit Xhaka e o meia Valon Behrami possuem DNA de Kosovo. O meia Blerim Dzemaili nasceu na Macedônia. Os atacantes Josip Drmic e Mario Gravranovic têm origem croata. O centroavante Haris Seferovic é da Bósnia.

Todos poderiam defender hoje defender os países dos seus antepassados, mas optaram por vestir a camisa da Suíça. E viraram nomes importantes do futebol helvético.

Shaqiri é o craque do time. Behrami, o primeiro jogador da história suíça a disputar quatro edições de Copa do Mundo. E Seferovic fez o gol da conquista do título mundial sub-17 de 2009.

No mês passado, um post de Shaqiri em sua conta no Instagram foi visto como uma provocação pelos sérvios. O jogador publicou a imagem das chuteiras que usaria no Mundial. Um dos pés tinha a bandeira suíça. O outro, a kosovar.

A federação sérvia emitiu uma nota oficial pedindo aos torcedores que vão à partida para não entrarem em provocações ou conflitos com os antigos inimigos de guerra.

“Devemos estar unidos com nossos jogadores em campo. Não devemos responder a possíveis provocações. Vamos mostrar ao mundo que somos pessoas que não nos aproveitamos do futebol para fins políticos.”

A Suíça estreou na Rússia-2018 empatando por 1 a 1 com o Brasil. Já a Sérvia largou com uma vitória magra, por 1 a 0, sobre a Costa Rica.


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Rafael Reis

Ivan Perisic é um dos jogadores mais importantes da seleção da Croácia. Meia-atacante da Inter de Milão, ele já esteve na mira do Manchester United e marcou 18 gols em 68 partidas, incluindo a vitória por 3 a 0 desta quinta-feira sobre a Argentina, pela segunda rodada do grupo D da Copa do Mundo.

Mas o futebol não é a única paixão esportiva do atleta de 29 anos e 1,86 m. O camisa 4 croata é louco por vôlei de praia. Tão louco que resolveu participar de uma competição profissional nas areias.

E não pense que foi um torneiozinho qualquer. Perisic pensou grande e disputou logo uma etapa do Circuito Mundial de vôlei de praia do ano passado.

O meia-atacante aproveitou as férias do verão europeu de 2017 para se inscrever na etapa de Porec (Croácia) do circuito.

Perisic atuou ao lado de Niksa Dell’Orco, esse sim um especialista em vôlei de praia. A dupla só pode participar da competição porque recebeu um convite dos organizadores.

A ideia do jogador da Inter de Milão era usar a fama conquistadas nos gramados para promover a etapa croata do Circuito Mundial e, consequentemente, aumentar a arrecadação da federação local da modalidade.

“[A federação] meu deu permissão para jogar um único torneio de vôlei de praia do mais alto nível. Meu único desejo é me manter no torneio pelo maior tempo possível”, afirmou, antes da disputa.

Mas o desejo de Perisic não foi atendido. A dupla croata perdeu os três jogos que disputou (para os brasileiros Álvaro Filho/Saymon e para os norte-americanos Brunner/Patterson e Taylor Crabb/Gibb). E todas as derrotas foram por 2 sets a 0.

Para a sorte da Croácia, Perisic é melhor com os pés do que com as mãos. E costuma render bem mais nos gramados do que nas quadras de areia.

O jogador integra a seleção desde 2011, participou do último Mundial, é titular absoluto da faixa esquerda do meio-campo do time dirigido por Zlatko Dalic e marcou dois gols nas eliminatórias para a Rússia-2018.

A Croácia lidera o Grupo D com 6 pontos e já está classificada para as oitavas de final. A Islândia é a segunda, com 1 ponto, mesma pontuação da Argentina, em terceiro. A Nigéria é a lanterna sem ponto.


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Por que a camisa da Croácia sempre é quadriculada?
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Rafael Reis

A camisa quadriculada em vermelho e branco é inconfundível. Mesmo de longe, é fácil perceber que a Croácia é a seleção que está em campo.

Mas por que a equipe de Luka Modric, Ivan Rakitic e Mario Mandzukic, que estreia neste sábado na Copa do Mundo-2018, contra a Nigéria, em Kaliningrado, veste um uniforme tão diferente?

O xadrez é um símbolo nacional dos croatas. Ele está presente na bandeira e no brasão das forças armadas do país. E sempre nas mesmas cores do uniforme número 1 da equipe do técnico Zlatko Dalic: vermelho e branco.

Escavações realizadas em Innsbruck, na Áustria, chegaram a encontrar artefatos do século XV com o brasão croata.

Só que ninguém sabe ao certo o motivo desse povo adotar o quadriculado como uma peça essencial da sua identidade nacional.

O que existem são teorias. A mais conhecida delas afirma que o desenho é uma forma de retratar as duas principais etnias que compõem o país, os croatas brancos e os croatas vermelhos.

Há também quem defenda que a origem do povo croata está no território do atual Irã e que as bandeiras quadriculadas foram adotadas como uma forma de identificação de quem fazia parte da tribo durante a viagem rumo à Europa.

Por fim, existe até uma lenda que diz que o xadrez foi adotado como símbolo nacional da Croácia dois séculos atrás, depois que o rei Stejpan Drzislav vencer uma partida do jogo de mesmo nome contra um monarca da região onde hoje fica a Itália.

Independente da origem, o quadriculado é o padrão do uniforme da Croácia desde que o país se separou da Iugoslávia, em 1991, e fundou sua própria seleção.

A versão atual da camisa croata traz o xadrez em vermelho apenas na parte da frente. As costas do uniforme são quase que inteiramente brancas (apenas a gola e as mangas são vermelhas).

A Copa-2018 é o quarto Mundial da história da Croácia. A melhor participação aconteceu logo na estreia, em 1998, quando a equipe foi terceira colocada. Quatro anos atrás, a eliminação veio ainda na primeira fase.

Além de croatas e nigerianos, o Grupo D conta ainda com Argentina e Islândia.


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